Semana On

Sábado 08.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Poder

Metade dos brasileiros diz que o governo Bolsonaro é ruim ou péssimo

Partidos e entidades civis apresentam pedido coletivo de impeachment contra o presidente

Postado em 22 de Maio de 2020 - Carta Capital, Jussara Soares e Camila Turtelli (O Estado de S.Paulo) – Edição Semana On

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O governo do presidente Jair Bolsonaro é considerado ruim ou péssimo por 50% dos brasileiros, segundo levantamento da XP Ipespe. Apenas 25% avaliam a gestão como boa ou ótima. A pesquisa foi divulgada no último dia 20. Se comparado aos números do levantamento em 30 de abril, houve tendência de aumento na reprovação de Bolsonaro e de redução na sua aprovação. Em 30 de abril, a XP indicou que 49% consideravam o governo como ruim ou péssimo, e 27% diziam que o governo era bom ou ótimo.

Também caiu o índice de brasileiros que consideram a atuação do governo como regular. Em 30 de abril, a XP apontava 24%, e agora o percentual desceu para 23%. Quando perguntados sobre a expectativa para o restante do mandato Bolsonaro, 48% consideraram ruim ou péssima; 27% afirmaram boa ou ótima; e 19% disseram que é regular.

Cresceu também o número de pessoas que afirmam que o governo Bolsonaro é o maior responsável pela situação econômica atual. Em 30 de abril, 20% atribuíam a responsabilidade ao atual presidente da República; agora, o índice subiu para 23%. Para 25%, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o maior responsável pela situação econômica atual. O percentual é o mesmo do mês passado. Para 12%, o governo de Dilma Rousseff é o maior responsável; para 9%, é o governo de Michel Temer. O levantamento diz ainda que 14% dizem que a situação econômica atual vem de fatores externos, e 17% não sabem ou não responderam. Para 57% dos brasileiros, a economia está no caminho errado no governo Bolsonaro; 28% consideram que está no caminho certo; 16% não sabem ou não responderam.

Impeachment

Sete partidos de esquerda, apoiados por mais de 400 entidades civis, movimentos sociais e personalidades, protocolaram na Câmara dos Deputados, no último dia 21, um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. É a primeira iniciativa coletiva deste tipo, uma vez que outros pedidos já haviam sido entregues, mas por iniciativa individual de parlamentares ou partidos.

Desta vez, partidos como PT, PCdoB, PSOL, PCB, PCO, PSTU e UP se juntaram a entidades civis e sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil para listar e fundamentar os motivos para pedir a sua saída do cargo.

Entre os crimes listados no pedido de impeachment estão a convocação e comparecimento nos atos contra a democracia, a interferência nas investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, a falsificação da assinatura de Sérgio Moro na exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF e as declarações durante a reunião ministerial de 22 de abril.

Também estão na argumentação os discursos presidenciais contra o STF, o bloqueio da compra de equipamentos de saúde por estados e municípios, a incitação de uma sublevação das Forças Armadas contra a democracia e os pronunciamentos e atos contra a saúde pública durante a pandemia, entre outros motivos.

“Bolsonaro não tem condições políticas, administrativas e humanas de governar o Brasil. Briga com todo mundo o tempo inteiro e não protege o povo. Tem de ser impedido”, defende a deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.

Já Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST e ex-candidato a presidente pelo PSOL, explica por que estepedido de impeachment é diferente: “É o primeiro suprapartidário, não de apenas um partido ou parlamentar. Isso aumentará – e muito – o caldo de pressão sobre o Rodrigo Maia para que ele abra o processo contra Bolsonaro.”

MDB

Diante do aumento da pressão nas redes sociais para a abertura de um processo de impeachment, o Palácio do Planalto faz investidas para ter ao seu lado o apoio irrestrito do MDB. Bolsonaro, ao se aproximar do Centrão, já considera ter 172 votos na Câmara, número suficiente para evitar a abertura de um processo de impedimento. O governo busca agora conquistar os 34 emedebistas para ter folga nas votações.

Apesar do aceno com novos cargos no Executivo, a cúpula do MDB resiste e indica que manterá um pé no governo e outro fora. A sigla tem dois dos três líderes do governo no Congresso e filiados ocupando cargos na estrutura federal, mas adotou o discurso de que não precisa de nomeações para votar a favor das pautas que estão na agenda econômica. Assim, diz que manterá a independência para criticar eventuais ações do presidente e do seu entorno que confrontarem com os limites democráticos.

O presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP), esteve em reunião no Planalto com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para marcar posição, ao lado dos líderes do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE). “Chega de briga, chega de discussão inútil. A gente está vendo um monte de coisa que não acrescenta em nada neste momento. Tem 16 mil brasileiros que morreram, uma série de angústias, mas vai ficar com brigas políticas? Temos alinhamento total com a pauta de recuperação do País. E essa questão de um cargo aqui e um cargo ali já está superada. O governo respeita a posição do MDB”, disse Baleia. 

A posição da cúpula do MDB, no entanto, não reverbera em todo o partido. Um grupo de deputados discorda do posicionamento e gostaria de ter acesso aos cargos no governo, principalmente em seus redutos eleitorais. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, é outro que defende que a sigla componha com Bolsonaro.

“Não vejo problema em indicar cargos. Bolsonaro quer construir a maioria no Parlamento e, para isso, tem de trabalhar com os partidos”, disse o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), afirmando que outros 13 deputados da sigla têm a mesma opinião. 

Líder da bancada ruralista, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que, se algum deputado quiser acertar cargos no governo, terá de fazer isso em sua cota pessoal. “Se um ministério precisa de pessoa com tal perfil e essa pessoa tem ligação política com o MDB, não tem nenhum mal para o País, mas não é uma indicação partidária, nem vai ser indicado em troca de nada”, disse.

O posicionamento do MDB tem irritado o líder do Progressistas na Câmara, Arthur Lira (AL), que negociou com Bolsonaro a aproximação do governo com o Centrão. Lira tem dito que Baleia faz “demagogia” ao dizer que não aceitará cargos, uma vez que já tem quadros do partido no governo. 

Na semana passada, Lira e Baleia se desentenderam na votação da medida provisória da regularização fundiária. A proposta era uma demanda do governo com apoio do Centrão. O texto tinha respaldo para ser aprovado, apesar da contrariedade da bancada ambientalista. A medida, no entanto, naufragou.

Após polêmicas no plenário, o presidente do MDB defendeu a substituição da MP por um projeto de lei e teve apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o que contrariou Lira. O líder do Progressistas quer ser o próximo presidente da Câmara com o apoio de Bolsonaro e vê na proximidade entre Maia e Baleia um jogo que pode atrapalhar seus planos.


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