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Sexta-Feira 06.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Coluna

O beijo mais esperado do Brasil

O tão aguardado primeiro beijo gay das novelas da Rede Globo causou frisson e foi comemorado em clima de final de copa do mundo.

Postado em 31 de Janeiro de 2014 - Guilherme Cavalcante

O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira. O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira.
O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira. O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira. O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira. O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira. O beijo entre Felix e Niko e a retomada dos laços familiares entre César e Felix estabeleceram mais um marco na telenovela brasileira.

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Tem aquela expressão que diz que as novelas são o ópio dos brasileiros. Não é por menos: além de serem a produção cultural mais internamente consumida e mais exportada do país, as telenovelas também funcionam como uma vitrina das mudanças comportamentais da sociedade. Há pouco mais de dez anos, por exemplo, um beijo gay numa telenovela da Globo era inimaginável, com a desculpa de que “a família brasileira não estava preparada para assistir a uma cena assim”. Era o grande tabu da emissora, que incoerentemente explora sem dó e nem piedade erotismo em cenas de sexo entre casais heterossexuais. Quer dizer...

Mas o tão aguardado beijo gay finalmente aconteceu, às 23h08min da última sexta-feira (31), quando o ex-vilão e atual protagonista Felix (Mateus Solano) tocou os lábios de seu companheiro Niko (Thiago Fragoso). Foi apenas um beijo cotidiano, singelo, sem erotismo, sem malícia, precedido por uma pequena declaração de amor - aquelas coisas que só se vê em uma família feliz de propaganda de margarina. Mas uma cena que fez muita gente derrubar lágrimas aqui e ali, soltar fogos, gritar e comemorar, como se fosse final de copa do mundo.

Em matéria de beijo, não foi nada comparado ao verdadeiro primeiro beijo gay da telenovela brasileira, veiculado no SBT em 2012, durante a exibição de “Amor e Revolução” (e protagonizada por Gisele Tigre e Luciana Vendramini). Este, sim, foi “caliente”. Quarenta segundos de um beijo ardente entre duas mulheres, que fizeram a emissora do dono do Baú tirar um pouquinho do brilho do ocorrido em Amor à Vida, só pelo ineditismo. O problema é que duas mulheres se beijando consiste em algo do imaginário de muitos homens sendo, de certa forma, aceitável. E, apesar do ineditismo, a audiência da TV Globo é absurdamente superior: somente na Grande São Paulo, o último capítulo de Amor à Vida marcou 47 pontos, algo equivalente a 8,5 milhões de espectadores.

Há pouco mais de dez anos, por exemplo, um beijo gay numa telenovela da Globo era inimaginável, com a desculpa de que a família brasileira não estava preparada para assistir a uma cena assim.

Por isso, o beijo gay da Globo foi apoteótico, causando frisson e expectativas nos telespectadores. Hoje, enquanto jornais anunciavam que a cena havia sido gravada e que poderia ir ao ar, as redes sociais, como Facebook e Twitter, se tornaram monotemáticas. A hashtag #BeijaFelixENico foi uma das mais citadas do mundo. Uma foto da cena, que foi parar no Instagram, também foi uma das mais curtidas daquela noite. A muvuca foi tanta que até o performer estadunidense RuPaul Charles e várias outras celebridades nacionais e mundiais congratularam o país pelo feito.

Em outras palavras, o brasileiro exalou pelos poros a ideia de que o beijo era esperado, que faria total sentido à trama e que seria algo natural. E teve um sabor especial para muitas pessoas que ansiavam por este grande momento num outro sentido: LGBTs dos quatro cantos do país comemoraram este “passo à frente”, que mostrou que os gays em novelas também são seres sexualizados e um pouquinho fora dos padrões heteronormativos (mas só um pouquinho).

A cereja do bolo, no entanto, foi a cena final, quando César (Antônio Fagundes), debilitado por conta de um AVC e aos cuidados de seu primogênito, admitiu seu amor pelo filho, arrancando lágrimas e sorrisos de Felix numa interpretação magistral de Mateus Solano. A cena, que finalizou Amor à Vida, também colocou um ponto final no lado desumano do protagonista (lembrem-se, ele jogou a sobrinha recém-nascida numa caçamba de lixo) e mostrou ao brasileiro que o amor supera as diferenças e sublima preconceitos (mesmo quando as diferenças são inofensivas, como o fato de ser gay).

Impossível não se traçar um paralelo entre os ritos finais do folhetim e com a histório de milhares de LGBTs com relações paternas arruinadas depois de saírem do armário. César, no entanto, engoliu seu orgulho e reconheceu a dignidade de Felix para, de mãos dadas, celebrarem o amor entre pai e filho. E, assim, foi aberto o precedente para mais finais felizes - e beijos - entre LGBTs nas telenovelas. Há muito a se comemorar!

Em tempo: Confira AQUI a cena do beijo e AQUI a cena final entre César e Felix.

 

Mês da visibilidade trans

 

Normas de gênero existem desde sempre, mas estão aí para serem quebradas, pela sanidade do nosso mundo. Sim, porque quando estabelecemos hierarquias entre os gêneros, suprimindo que na verdade somos todos humanos, criamos a maioria das opressões que dia a dia vitimam milhões de pessoas na nossa sociedade por meio do machismo, da misoginia, da homotransfobia, do patriarcalismo e de várias outras formas.

Neste contexto, enquanto boa parte da programação de TV brasileira, sobretudo os programas jornalísticos, prestam desserviços à comunidade trans (como? Desrespeitando o direito ao uso de nome social, criminalizando a transexualidade e abordando o tema de forma rasa e leviana), muito foi feito pelos movimentos sociais para promover a visibilidade de travestis e transexuais. É um trabalho de formiguinha que há décadas vem sendo feito. Aos poucos, estamos colhemos o resultado.

Mesmo no jornalismo, no entanto, existem bons exemplos (como o apresentado na coluna da semana passada) de abordagem do tópico "trans". O vídeo abaixo, uma produção universitária, é um dos que fazem a diferença. Produzido em uma disciplina do curso de jornalismo do centro universitário de Brasília IESB, “Eu te desafio a me amar” (direção e roteiro de Maíra Valério e Marina Bártholo) traz o depoimento de Marcelo Caetano. Transhomem, ele explica sua realidade no curta que traz algumas informações para se refletir. Afinal, é o que temos entre as pernas que define nossa identidade?



Super casamento coletivo no Grammy’s Award

Lágrimas e emoção na TV. Quem assistiu à premiação do Grammy Awards 2014, viu que Queen Latifah deu início ao momento mais emocionante da cerimônia, quando, ao som dos rappers Macklemore e Ryan Lewis e da cantora Mary Lambert, promoveu o casamento de 34 casais entre héteros e homossexuais durante o evento, ao som da canção “Same Love”. A cereja do bolo, claro, foi a participação de Madonna, que engrandeceu o momento com interlúdios da memorável canção “Open Your Heart”. “Same Love” é considerada um tipo de hino da campanha americana pelo casamento igualitário, que ganhou grande destaque na mídia e nas redes sociais no último ano. Confira:



Mais Madonna

Além do Grammy 2014, Madonna também abrilhantou a gravação do especial acústico de Miley Cyrus na MTV gringa, numa parceria inédita e, até então, inimaginável. Juntas, as cantoras soltaram o verbo na canção “Don’t Tell Me”, da rainha do pop, com direito a interlúdios de “We Can’t Stop”, de Cyrus, chapéu de cowgirl, encoxada, tapinha na bunda e até linguinha de fora. Duvida? Então confira a apresentação no vídeo abaixo!


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