Semana On

Terça-Feira 02.jun.2020

Ano VIII - Nº 395

Poder

Grupo de mais de 500 artistas divulga manifesto em repúdio a declarações de Regina Duarte

Artistas, intelectuais e produtores culturais afirmam que não aceitam 'os ataques reiterados à arte, à ciência e à imprensa, e que não admitem a destruição do setor cultural ou qualquer ameaça à liberdade de expressão'. 'Ela não nos representa', diz grupo ao encerrar o manifesto

Postado em 15 de Maio de 2020 - Arthur Guimarães (G1), Fórum – Edição Semana On

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Um grupo de mais de quinhentos artistas, intelectuais e produtores culturais divulgou um manifesto de repúdio às palavras e atitudes de Regina Duarte, secretária nacional de Cultura do governo Jair Bolsonaro.

manifesto foi endossado por atores, cantores, compositores, escritores, roteiristas, cineastas, artistas plásticos, fotógrafos e dançarinos.

Veja lista dos signatários

Eles declaram que fazem parte da maioria de cidadãs e cidadãos que defende a democracia e apoia a independência das instituições para fazer valer a Constituição de 1988.

O grupo pede respeito aos mortos e àqueles que "lutam pela própria sobrevivência no país devastado pela pandemia e pela nefasta ineficiência do poder público" e diz que "não tolera os crimes cometidos por qualquer governo, que repudia a corrupção e a tortura e que não deseja a volta da ditadura militar".

No manifesto, o grupo também afirma que não aceita "os ataques reiterados à arte, à ciência e à imprensa, e que não admite a destruição do setor cultural ou qualquer ameaça à liberdade de expressão".

O manifesto termina dizendo: "Ela não nos representa."

Leia a íntegra do manifesto:

"Brasil, 08 de maio de 2020

Somos artistas brasileiros e fazemos parte da maioria de cidadãs e cidadãos que defende a democracia e apoia a independência das instituições para fazer valer a Constituição de 1988.

Fazemos parte da maioria que entende a gravidade do momento que estamos vivendo e pedimos respeito aos mortos e àqueles que lutam pela própria sobrevivência no país devastado pela pandemia e pela nefasta ineficiência do poder público.

Fazemos parte da maioria de brasileiros que não tolera os crimes cometidos por qualquer governo, que repudia a corrupção e a tortura e que não deseja a volta da ditadura militar.

Fazemos parte da maioria que não aceita os ataques reiterados à arte, à ciência e à imprensa, e que não admite a destruição do setor cultural ou qualquer ameaça à liberdade de expressão.

Como artistas, intelectuais e produtores culturais, formamos a maioria que repudia as palavras e as atitudes de Regina Duarte como Secretária de Cultura.

Ela não nos representa."

Folha diz que Regina Duarte repete “nazifascista” Roberto Alvim: “Secretária da sucata”

Em duro editorial no último dia 12, a Folha de S.Paulo comparou a gestão de Regina Duarte à de seu antecessor, Roberto Alvim, que foi demitido da Secretária de Cultura do governo Jair Bolsonaro após protagonizar um vídeo nazista nas redes sociais para anunciar as diretrizes da pasta.

“À sua maneira e por outros caminhos, a secretária repetiu na TV a sinistra performance de seu antecessor, Roberto Alvim, que encenou um pastiche nazifascista para anunciar seus planos para o setor”, diz a Folha, ao comentar a entrevista da ex-global à CNN.

“Na ocasião, uma descontrolada Regina Duarte desfiou uma série espantosa de sandices, que foi da nostalgia em relação ao ufanismo da ditadura militar ao desprezo pelas vidas —e não apenas as dos grandes nomes da cultura— que se perdem aos milhares com a pandemia do novo coronavírus”, afirma o jornal, que abre o texto com o silêncio da secretária em relação às mortes de artistas, como Aldir Blanc e Moraes Moreira, para agradar Bolsonaro.

O editorial ainda diz que com Regina Duarte imaginou-se que haveria uma trégua na “guerrilha ideológica” da Cultura, comandada pelo guru Olavo de Carvalho, mas o resultado foi frustrante.

“O obscurantismo nesse terreno desafia limites. A ocupação massiva dos órgãos do setor por uma malta de despreparados e fanáticos —teleguiados, não raro, pelo guru do ideário cultural bolsonarista, o escritor Olavo de Carvalho— parecia encontrar uma pausa na nomeação da atual secretária. De fato, quando da escolha da atriz, chegou-se a imaginar que se avizinharia uma trégua. Foi, infelizmente, um engano”.

Para o jornal, “a permanência da atriz no cargo se afigura pouco promissora, embora nas cavernas do bolsonarismo suas palavras tenham encontrado eco e, quem sabe, lhe assegurado alguma sobrevida”.


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