Semana On

Quinta-Feira 24.set.2020

Ano IX - Nº 411

Coluna

Semelhanças

Idelber Avelar fala de bolsonarismo, cloroquina, brasileiros e otras cositas más

Postado em 14 de Maio de 2020 - Idelber Avelar

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ELES EM NÓS

Seguem notícias aos amigos, interlocutores e leitores interessados no ELES EM NÓS, meu livro sobre retórica e política no Brasil do século XXI, que está terminado, sob contrato e no prelo com a Editora Record.

Ontem eu e Carlos Andreazza, editor-executivo da Record, nos falamos e, olhando a situação do Brasil e do mercado editorial, concordamos em deixar o lançamento para 2021. Lançar o livro este ano seria matá-lo. Ninguém está comprando, ninguém está lendo nada direito, as livrarias não sabem como vender, enfim, há que se esperar.

O livro não é uma análise de conjuntura e não contém previsões, então esperar um ano não o afeta.

Enquanto isso, vou soltando aos poucos uns trechos no Medium e em jornais e revistas brasileiras ou estrangeiras. No próximo número da Revista Cult, sai um texto meu sobre bolsonarismo e o Partido dos Trolls, em um dossiê acerca da cultura do cancelamento, organizado por Jerônimo Teixeira. No próximo número da Luso-Brazilian Review sai, em português, um longo artigo sobre as lutas discursivas e jurídicas em torno a Belo Monte, escrito a quatro mãos com Moysés Pinto Neto -- um artigão acadêmico gordo, completão, sobre o ecocídio. Amanhã eu e Moshe vamos publicar o resumo desse artigo em plataformas abertas na internet.

Então é isso. ELES EM NÓS demora mais um ano, porque o sensato a se fazer é esperar mesmo. Mas a gente vai soltando os aperitivos por aí.

VOCÊS, BRASILEIROS

Prometo não mais escrever "vocês, brasileiros". Essa zoeira enlouquece pessoas: ficam raivosas, ameaçam violência. Gente, leveza!

SEI DE NADA

Reuni-me com economistas e saí contente, pois pareço saber o mesmo q eles: porra nenhuma. Será ruim, mas ninguém arrisca previsão.

NÃO PIORA

14.05.2020, o 5˚aniversário de um jantar em que um tucano me disse: "este é o fundo do poço, daqui o Brasil não piora mais".

MITOMANO

13.149 mortos e muitos não contados. Na presidência, um covarde que foge, um minúsculo, um homem que nada fez na vida senão mentir

MORO

O Gaspari e o Conrado que me desculpem, mas o melhor dos jornais de hoje é a sensacional entrevista com o ex-Secretário de Justiça de Sergio Moro, Vladimir Passos de Freitas, que diz que Moro não sabia quem era Bolsonaro porque ... Curitiba fica longe do Rio!

Diz o indigitado: "A carreira política do presidente era no Rio de Janeiro, e ele [Moro] era um juiz do Sul do país, totalmente distante. Não creio que ele tivesse ideia de como seria a vida comum ali."

***

Então nós ficamos assim. os dois professores de LITERATURA brasileira da cidade de NEW ORLEANS, Christopher e eu, já sabíamos quem era Jair Bolsonaro VINTE ANOS ATRÁS, quando chegamos aqui.

Mas, segundo o ex-Secretário de Justiça, Sergio Moro aceitou um cargo em um governo Bolsonaro em 2018, anteontem, sem saber quem era ele porque ... Curitiba fica longe do Rio!

***

É impressionante a desfaçatez com que eles riem das vossas caras.

ELEIÇÕES AMERICANAS

Conversei com o pessoal do Instituto Humanitas Unisinos sobre a situação da pandemia e das eleições nos EUA. Confiram lá. Deixo um trecho e o link.

*****

Os movimentos específicos de Bolsonaro e de Trump ao longo da pandemia não se alinharam porque eles respondem a situações particulares e específicas dos seus países. No caso dos EUA, apesar da longa história anticiência do presidente Trump, existem algumas instituições de saúde pública no interior do aparato estatal que são de difícil aparelhamento. Isso cumpriu, nos EUA, o papel de limitar o poder que tem Donald Trump de dinamitar essas instituições democráticas. No caso do Brasil, com instituições democráticas mais recentes e mais frágeis e em melhores condições para que um movimento extremista aparelhe realmente o Estado, Bolsonaro ficou mais livre para disseminar o caos, produzir conflitos artificiais e manter a sua base mobilizada com a ajuda de fake news, memes, mentiras, correntes de WhatsApp etc. Então, as semelhanças e paralelos entre o trumpismo e o bolsonarismo continuam válidas, mas o fato é que a situação no Brasil se deteriorou ao ponto em que Bolsonaro faz coisas, como incentivar e participar de aglomerações, que nem mesmo Donald Trump está fazendo, já há algum tempo.

PESQUISA

Pesquisa MDA/ CNT, aprovação do governo Bolsonaro. Margem de erro: 2,2.

Resumo da ópera: a avaliação negativa do governo subiu, e subiu muito, de 31% para 43,4%. O que chamamos "avaliação negativa" é a soma de ruim e péssimo. A avaliação positiva não mudou muito, só oscilou de 34,5% para 32%. Ou seja, Bolsonaro perdeu 1/3 daquele 1/3 da coluna do meio; esses agora passaram a reprová-lo e vieram para o lado de cá.

Mas não seria Brasil se não tivesse algum elemento inacreditável. Durante a pandemia, a avaliação positiva de Bolsonaro (ótimo + bom) oscilou negativamente 2,5 pontos, mas os seus índices de ÓTIMO subiram de 9,5% para 14,3% (ou seja, subiram fora da margem de erro). Sim, 1 em cada 10 brasileiros achava Bolsonaro ótimo. Agora são 1,5.

Enfim, para nós, aqui na oposição, o quadro melhorou e também piorou, dependendo de qual pedaço da pesquisa você escolher privilegiar.

Ele perdeu terreno, mas nossa situação é muito ruim ainda.

PÁRIA

Lembram da minha previsão de isolamento crescente e suspensão de voos para o Brasil?

Pois é, o Ricupero, um dos mais experientes diplomatas brasileiros, acaba de se juntar a essa previsão. Recebam na titela:

"O diplomata Rubens Ricupero acredita que o Brasil já é visto como uma ameaça internacional em meio à pandemia do coronavírus e caminha agora para se tornar um pária. Na avaliação do ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos, para além da equivocada ou “autoexcludente” política externa do chanceler Ernesto Araújo, o país será, em breve, o epicentro mundial da pandemia e outros países deverão adotar medidas de quarentena contra o Brasil.

'Infelizmente, creio que, a esta altura, parece cada vez mais claro que o Brasil se encaminha celeremente para se tornar o epicentro mundial da pandemia. Epicentro no sentido de país onde o crescimento da curva de aumento de casos, de mortes e colapso do sistema hospitalar será de longe o mais grave, em comparação aos demais países', acredita Ricupero."

[...]

“Coisas mais dramáticas como a proibição de voos ou de ingresso de brasileiros em países estrangeiros poderão ou não ocorrer dependendo do comportamento da pandemia no país. Pode ser até que a tragédia da Covid-19 desperte a comiseração mesclada ao desprezo, do mundo exterior”, acredita Ricupero.

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