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Quarta-Feira 05.ago.2020

Ano IX - Nº 404

Mundo

Juan Guaidó teria pedido para mercenários capturarem Nicolás Maduro

Um dos aliados de Guaidó afirmou que contratação de mercenários americanos seria paga com dinheiro do petróleo venezuelano

Postado em 08 de Maio de 2020 - DW

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Um ex-militar americano atualmente detido na Venezuela disse, em mensagem de vídeo divulgada na quarta-feira (6) pelo governo em Caracas, que era integrante de um plano para capturar o presidente Nicolás Maduro, retirá-lo do país e levá-lo aos Estados Unidos.

No vídeo, transmitido durante uma entrevista coletiva de Maduro, o ex-oficial do Exército americano Luke Denman afirmou ter recebido instruções de "seu chefe" para assumir o controle do aeroporto de Caracas de modo a garantir a passagem segura de Maduro e a chegada de aviões.

Não ficou claro onde ou em que circunstâncias o vídeo foi gravado. Grupos de defesa dos direitos humanos acusam com frequência o regime de Maduro de recorrer a coação para extrair confissões de suspeitos.

O governo Maduro diz que Denman e outro ex-soldado americano, Airan Berry, foram detidos na segunda-feira, tentando desembarcar numa praia a oeste de Caracas. Maduro descreveu o grupo como "terroristas mercenários" que planejavam derrubar o seu governo.

Em meio às acusações de Maduro, o Departamento de Estado americano afirmou que o governo venezuelano está empreendendo uma "grande campanha de desinformação" e que é difícil separar os fatos da propaganda estatal.

O americano explicou que sua parte no plano, descrita pelo governo venezuelano como uma invasão fracassada, consistia em estabelecer "segurança própria", se comunicar com as torres do aeroporto que servem Caracas e "trazer os aviões".

"Um [desses aviões] era para levar Maduro para os EUA", contou o americano em um interrogatório com mais de 30 perguntas e que foi filmado e exibido na imprensa estatal.

No vídeo, Denman, de 34 anos, parecia calmo e lúcido. Vestia uma camisa cinza e respondia a uma série de perguntas vindas de trás da câmera em inglês. Ele respondeu em inglês também, quase sempre olhando diretamente para a câmera.

Denman contou que trabalhou para Jordan Goudreau, representante da empresa americana Silvercorp, nesse plano, e alegou ter entrado na Venezuela com dois compatriotas – o que significaria que ainda há um foragido na Venezuela.

Quando indagado sobre quem comanda Goudreau, Denman respondeu: "O presidente Donald Trump."

Maduro diz ser impossível que os governos de Estados Unidos e Colômbia consigam provar não ter ligação com o caso porque, segundo ele, "inúmeras evidências os ligam ao ataque", ocorrido entre domingo e segunda-feira no litoral dos estados de La Guaira e Aragua.

Denman mostrou no vídeo do interrogatório um contrato no qual, segundo ele, consta a intenção de retirar Maduro da Venezuela. O documento seria assinado por Goudreau, o assessor político venezuelano Juan José Rendón e o líder da oposição Juan Guaidó.

A resposta do governo venezuelano para dissuadir a suposta tentativa de sequestrar Maduro deixou até agora oito pessoas mortas e tem pelo menos 19 detidas.

Trump e outros membros do governo americano – incluindo Mike Pompeo, secretário de Estado, e Mark Esper, secretário da Defesa – negaram veementemente qualquer envolvimento de Washington.

O caso surge num momento de especial tensão entre EUA e Venezuela. Em março, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Maduro e pessoas ligadas a ele de "narcoterrorismo" e outros crimes, oferecendo 15 milhões de dólares por informações que levassem à detenção do presidente venezuelano. Em abril, os EUA enviaram navios de guerra para perto da costa venezuelana, em uma importante operação de combate aos narcóticos.


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