Semana On

Quarta-Feira 27.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Legislativo

Câmara terá acompanhamento em tempo real de casos e internações por coronavírus

Medida ajudará a direcionar ações com a Secretaria Municipal de Saúde

Postado em 30 de Abril de 2020 - Redação Semana On

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A Câmara de Vereadores de Campo Grande terá uma sala de monitoramento dos casos de coronavírus, acompanhando em tempo real as atualizações obtidas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) dos hospitais e unidades de saúde, como forma de direcionar as ações, projetos e medidas de fiscalização. A intenção é, a partir desses dados, ampliar o contato com os bairros, criando uma rede de informação integrada para repassar orientações e obter dados sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos moradores, debatendo com o Executivo as melhores estratégias para solucioná-las. 

As informações foram repassadas pela Comissão Especial em apoio ao Combate a COVID -19 da Casa de Leis, durante live na manhã desta quarta-feira (29), conduzida pelos vereadores Dr. Livio e Eduardo Romero, com a presença do secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho. A Comissão é composta ainda pelos vereadores Delegado Wellington, Betinho e Pastor Jeremias Flores. O secretário fez uma apresentação dos principais dados referentes ao Plano de Contingência de Enfrentamento ao Coronavírus da Capital, medidas executadas, estrutura hospitalar e pontuou as dificuldades enfrentadas para compras de equipamentos, como máscaras e respiradores, devido à alta dos preços decorrentes da pandemia. 

A importância dessa parceria e união de esforços foi salientada pelos vereadores. “A implantação desse sistema nos dará agilidade em tempo real. O presidente da Câmara (vereador Prof. João Rocha) nos disponibilizará uma sala de situação para acompanhamento, a qual ficará de legado para futuras comissões de saúde para que possam ter essa cobrança junto aos hospitais, tornando ainda mais transparente as ações do Município de Campo Grande”, disse o vereador Dr. Livio, presidente da Comissão Especial em apoio ao Combate a COVID -19 e também da Comissão de Saúde da Casa de Leis. 

A intenção é montar ainda uma rede de informação integrada para facilitar a difusão de informações com os bairros, envolvendo conselhos regionais, lideranças e contando com o apoio da Secretaria de Saúde. O vereador Dr. Livio citou exemplo de projeto piloto na região do Parque Lageado, envolvendo toda comunidade, pensando em 4 eixos: da informação e da capacitação; produção e distribuição de máscaras; assistência social com arrecadação de alimentos e roupas; facilitação da estrutura e assessoria voltada para as pessoas que necessitam do cadastramento do Auxílio Emergencial do Governo Federal. Modelos semelhantes devem ser implementados em outros bairros. 

Uma preocupações na pandemia de coronavírus é com a quantidade de leitos, considerando que outros estados enfrentam colapso no sistema de saúde. No entanto, os dados mostraram total de 297 leitos clínicos e 109 em seis hospitais de Campo Grande. Em média, a taxa de ocupação dos leitos clı́nicos é de 4,88% (15 leitos) e as de UTI é de 3, 65% (3 leitos).  

“No dia 21 de abril éramos a segunda capital do Brasil na relação de ocupação de leitos e disponibilidade de leitos. Uma situação confortável. Mas não vamos continuar neste nível se não forem adotadas medidas de controle, como as que a prefeitura tem tomado”, disse o secretário José Mauro.

Compras 

Os dados contam ainda com projeções feitas com apoio de estatísticos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e auxiliam a direcionar os investimentos prioritários da Sesau. “Se houver um aumento de 25% da taxa de notificação, a estimativa para a quantidade máxima aumentará para 416, conforme a projeção, tendo como o ponto de inflexão estimado o dia  2 de maio. Se o aumento for de 50% a estimativa para a quantidade máxima aumentará para 531 e a estimativa para o ponto de inflexão é o dia  16 de maio”, exemplificou o secretário sobre algumas das projeções. 

Diante do cenário e da taxa de ocupação de leitos para Covid-19 em 17% na Capital, a compra de novos respiradores ainda é aguardada. “Temos que avaliar especificações técnicas, como menor preço e prazo para entrega. Temos os respiradores estão caros agora e na faixa de preço normal em 120 dias. Estou expondo a dificuldade que temos para compra”, disse o secretário, acrescentando que as aquisição são baseadas em estudos de necessidade conforme essa projeção de casos. 

Os respiradores custavam em média R$ 57 mil, mas a previsão de entrega era de 120 dias. Para entrega em até duas semanas, os valores saltam para até US$ 94 mil. “Hoje a situação atual não justifica a compra de respiradores”, disse José Mauro Filho. Também houve realinhamento de preços com a empresa que fornece luvas. Em relação às máscaras, a última aquisição foi suficiente para garantir o produto pelos próximos três a quatro meses. A caixa com 50 unidades está custando até R$ 180. 

O vereador Eduardo Romero, que também preside a Comissão de Finanças da Casa de Leis, questionou ao secretário sobre o caixa da saúde para enfrentar as necessidades e se houve acesso a outros repasses. O secretário informou sobre repasse feito pelo Ministério da Saúde do teto da média e alta complexidade, com empenho de R$ 29 milhões. “O recurso está empenhado para podermos contratualizar leito e comprar produtos. Não é uma doença que agride apenas a saúde, mas a situação econômica e no nosso País tem um problema adicional que é o político”, disse. 

Isolamento 

O isolamento social também foi tema abordado durante a live desta quarta-feira. O vereador Eduardo Romero apresentou um resumo sobre as últimas atualizações de decretos e normas relacionados a funcionamento de comércio, clubes, escolas e repassou ao secretário perguntas feitas pelo Facebook sobre o tema. 

“Estamos buscando achar meio termo. Seria fácil dizer que é para ficar isolado, mas não é tão simples. O comércio está se ajustando, mas precisamos do distanciamento social para não aumentar nível de contágio. O tratamento é difícil, o paciente precisa de um leito complexo e precisamos ter consciência como sociedade”, disse o secretário, recordando que a importância de checar o que for divulgado para não causar transtornos num período em que informações tornam-se tão importantes. 

O vereador Eduardo Romero reforçou a importância de conscientização sobre o distanciamento social. “Não existe norma que vai funcionar sem autoconsciência. Como cidadão é preciso valorizar isso: se tem amor pela sua vida, pelas pessoas ao seu lado, tem que se cuidar, fazendo a higienização e o distanciamento social”.  


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