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Sexta-Feira 27.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Poder

CPI das Fake News é prorrogada por tempo indeterminado

CPI tem apontado a família Bolsonaro como criadora do chamado ‘gabinete do ódio’, que espalha notícias falsas contra adversários políticos da família do presidente

Postado em 24 de Abril de 2020 - Congresso em Foco

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O Senado Federal acatou questão de ordem apresentada pelo senador Ângelo Coronel (PSD-BA), para a suspensão do prazo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI mista) das Fake News. Com a decisão, estão suspensos os prazos da CPI, da Comissão Mista da Reforma Tributária, bem como aqueles de todas as comissões temporárias do Senado, desde o dia 20 de março, até que sejam retomadas as atividades regulares do Senado.

A decisão aconteceu dois dias depois que o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja impedida a prorrogação do colegiado investigativo.

A CPI tem apontado a família Bolsonaro como criadora do chamado "gabinete do ódio", que, segundo os congressistas membros da comissão, espalha notícias falsas contra adversários políticos da família do presidente.

A relatora da CPI mista, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), vê as digitais do presidente Jair Bolsonaro na disseminação de ataques e notícias falsas contra adversários políticos nas redes sociais. Para a deputada, Bolsonaro “pula de galho em galho” em busca de um novo inimigo para manter a “adrenalina” de seu “grupo de cachorros loucos”.  “É assim que funciona o processo de construção de fake news no Brasil”, disse Lídice.

Os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito haviam sido prorrogados até o final de outubro. A comissão está parada desde 17 de março, quando teve reuniões canceladas em virtude das limitações de acesso ao Congresso Nacional devido à pandemia do novo coronavírus.

Porém, o presidente do colegiado, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), pediu para que o prazo de vigência da comissão investigativa só comece a ser contado após o retorno das sessões presenciais no Congresso. Segundo o senador, a comissão terá seus trabalhos prejudicados caso esse pedido não seja aceito.

"A CPMI tem um prazo de validade, então se nós não suspendermos esse prazo agora, que começa hoje, pode ser que essa crise dure três ou quatro meses e a comissão ficará prejudicada", disse o Ângelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Campanha

Segundo Lídice da Mata, a campanha de ódio de bolsonaristas está voltando com força depois de o presidente ter se isolado politicamente e perdido apoio popular pela forma com que conduziu a atual crise.

“Viram que estavam perdendo espaço na opinião pública pela desaprovação às posições do presidente. Eles atacam todos aqueles que pensam diferente. Foi assim com Mandetta e os governadores e é assim agora contra Maia e Davi Alcolumbre, o Congresso. A fala do presidente é sempre uma senha”, disse a relatora da CPI das Fake News. “Depois são impulsionadas pelos filhos dele e por alguns de seus principais expoentes parlamentares. Dessa forma são disseminadas”, explica.

Para a deputada, Bolsonaro alimenta o chamado “gabinete do ódio”, estrutura denunciada por ex-apoiadores do presidente montada no Palácio do Planalto por assessores ligados à família para atacar adversários e aliados considerados incômodos, inclusive ministros. “É uma estratégia pensada, ensaiada. É assim que se propagam as fake news e a campanha de ódio. Infelizmente essas pessoas são tão perversas nos seus ideários que buscam fragilizar as convicções das demais. Elas não têm nenhum amor ao próximo, ao povo, nenhuma empatia. Só pensam em seus objetivos mesquinhos de poder”, critica.

Lídice da Mata considera que Bolsonaro se apoia na mesma estratégia que adotava quando era deputado e que o fez crescer eleitoralmente: o discurso de constante ataque ao sistema político. “Chegamos a um período em que esse tipo de ataque virou moda e está se aprofundando”, observa a parlamentar, que foi senadora e prefeita de Salvador.

“O gabinete do ódio, o presidente da República e seus filhos estão diretamente envolvidos nessa ação. Basta ver a campanha contra Mandetta, que partiu diretamente do presidente e de seus filhos, que se engajaram totalmente. No caso do filho deputado [Eduardo Bolsonaro], seria mais corajoso se ele fizesse isso dentro da Câmara. Mas o faz de forma covarde, nas redes sociais”, afirma.

Segundo a relatora da CPI das Fake News, os integrantes do chamado gabinete do ódio devem ser mais que ouvidos pela comissão mista assim que os trabalhos forem retomados.

“Devem ser investigados. O general Santos Cruz [ex-ministro da Secretaria de Governo], quando prestou depoimento à CPI, falou de seu estranhamento com o poder de alguns assessores sem histórico técnico para assessorar um presidente. Ele sabia que essas pessoas tinham muita influência sobre o presidente. O filho dele [Carlos Bolsonaro] está mais dentro do Planalto do que na Câmara do Rio”, ressalta a deputada.

Moro

Ângelo Coronel disse que o ex-ministro Sergio Moro será convocado para falar sobre a intenção do presidente Jair Bolsonaro de interferir em inquéritos da Polícia Federal.

Moro afirmou que Bolsonaro fez pressão política sobre a PF e interferiu politicamente na corporação. Uma das acusações feitas é de que a exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF não foi assinada por ele, ao contrário do que consta no ato publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta madrugada. “Sinceramente eu fui surpreendido. Achei que isso foi ofensivo”, disse Moro.


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