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Quarta-Feira 27.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Mundo

Estudo americano aponta que hidroxicloroquina é ineficaz contra coronavírus

Alemanha e Reino Unido iniciam testes clínicos para vacina contra o covid-19

Postado em 22 de Abril de 2020 - Estadão

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A hidroxicloroquina, um medicamento utilizado contra a malária e  amplamente promovido como uma possível cura para a covid-19, não mostrou eficácia contra a doença sobre o tratamento padrão e esteve de fato associado a mais mortes, segundo os resultados divulgados, na terça-feira, 21, do maior estudo desse tipo já relatado.  

A análise do governo dos Estados Unidos sobre tratamentos com o remédio em militares veteranos do país foi publicada no site do New England Journal of Medicine, e ainda não foi revisada por outros pesquisadores. Os cientistas analisaram os registros médicos de 368 veteranos hospitalizados em todo o país que morreram ou receberam alta até 11 de abril.

Esse experimento teve várias limitações importantes, mas aumenta um conjunto crescente de dúvidas sobre a eficácia desse medicamento, que tem o presidente Donald Trump e o canal Fox News entre seus principais patrocinadores. 

As taxas de mortalidade dos pacientes que receberam hidroxicloroquina foram de 28%, em comparação aos 22% dos tratados com a droga combinada com o antibiótico azitromicina, uma solução divulgada pelo cientista francês Didier Raoult, cujo estudo sobre o assunto em março levou a um aumento do interesse mundial pelo medicamento. A taxa de mortalidade para aqueles que receberam apenas atendimento padrão foi de 11%. 

A hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, era mais provável de ser prescrita para pacientes com condições mais graves, mas os autores do estudo descobriram que o aumento da mortalidade persistia mesmo após o ajuste estatístico das taxas de uso. 

Pesquisas anteriores descobriram que a droga é arriscada para pacientes com certos problemas de arritmia e pode causar desmaios, convulsões ou, às vezes, parada cardíaca neste grupo de pacientes. 

Os Estados Unidos são hoje o epicentro global da pandemia de coronavírus, com mais de 44,8 mil mortos e mais de 820 mil infectados.

Vacina

A Alemanha autorizou os primeiros ensaios clínicos de uma vacina contra o novo coronavírus, informou o órgão regulador do país na manhã desta quarta-feira, 22. A droga que será testada em pacientes voluntários foi desenvolvida pela empresa alemã Biontech em parceria com a gigante americana Pfizer.

"O Instituto Paul-Ehrlich autorizou os primeiros ensaios clínicos de uma vacina para a covid-19 na Alemanha", disse o órgão regulador em comunicado, acrescentando que a aprovação foi "o resultado de uma avaliação cuidadosa" do risco e benefício da vacina.

Em um primeiro momento, esses ensaios clínicos serão realizados em 200 voluntários saudáveis ​​de 18 a 55 anos, acrescentou o órgão. "A experimentação em humanos é um passo importante no caminho para o desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes contra a covid-19, para a população dentro e fora da Alemanha", estimou o Instituto Paul-Ehrlich.

No último dia 21, o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancok, afirmou que também está investindo na pesquisa por uma vacina contra o coronavírus e que uma pesquisa da Universidade de Oxford começará os testes em humanos nesta quinta-feira, 23. “Nós vamos jogar tudo o que temos no desenvolvimento de uma vacina. O Reino Unido está na linha de frente desse esforço global”, declarou.

Hancock também frisou que o Reino Unido já tem duas pesquisas em estágios avançados de testes: “Nós investimos mais dinheiro do que qualquer outro país na busca global por uma vacina. E, de todos os esforços feitos no mundo, dois dos líderes nesse desenvolvimento estão acontecendo aqui, nas universidades de Oxford e Imperial. Ambos os projetos promissores estão obtendo rápidos avanços e eu informei aos responsáveis por liderá-los que faremos tudo em nosso poder para apoiá-los”.

O ministro anunciou o repasse de R$ 16,4 milhões para apoiar a segunda fase de exames clínicos do projeto desenvolvido pela Universidade Imperial e outros R$ 131,6 milhões para financiar a fase clínica na Universidade de Oxford. “O time tem acelerado o processo de testes, trabalhando com o órgão regulador, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde (MHRA, na sigla original), que tem sido absolutamente brilhante.”


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