Semana On

Segunda-Feira 23.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Saúde

Covid-19 pode estar afetando mais crianças do que o esperado, diz estudo

Pesquisa norte-americana estima que para cada criança internada em estado grave nos EUA, mais de duas mil podem ter sido infectadas

Postado em 21 de Abril de 2020 - Galileu

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Um estudo produzido por pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida e do Instituto de Mulheres para Pesquisa Social Independente (WiiSE), dos Estados Unidos, sugere que o número de crianças infectadas pelo novo coronavírus Sars-CoV-2 seja muito maior do que o registrado atualmente.

Publicada no Journal of Public Health Management and Practice, a pesquisa estima que para cada criança que precisa de cuidados intensivos no tratamento da Covid-19, outras 2.381 podem estar infectadas. Este cálculo segue um relatório do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, referente  a um estudo clínico com mais de 2.100 crianças chinesas que apresentaram Covid-19.

De acordo com dados de unidades de cuidado intensivo pediátricas dos EUA, 74 crianças foram internadas no país entre 18 de março e 6 de abril. Isso significa que, durante esse período, calcula-se que mais de 176 mil crianças possam ter sido infectadas.

"Embora o risco de desenvolver o estado grave da Covid-19 seja menor em casos pediátricos do que em adultos, os hospitais devem estar preparados e ter o equipamento e os níveis adequados de equipes para lidar com um potencial fluxo de pacientes mais jovens", afirma Jason Salemi, professor associado de epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Sul da Flórida e principal autor do estudo, em comunicado.

Outra estimativa levantada pelo estudo é que, se 25% da população norte-americana adoecer por Covid-19 até o fim de 2020, 50 mil crianças com doenças graves poderão precisar ser hospitalizadas, sendo que a ventilação mecânica poderá ser necessária em cerca de 5,4 mil casos. Estima-se, no entanto, que haja apenas 5,1 mil leitos em UTIs pediátricas nos EUA.

Os pesquisadores apontam que o risco de infecção é maior entre crianças de famílias de baixa renda, cujos pais precisam sair para trabalhar e, portanto, não podem ficar em casa em distanciamento social; além daquelas que vivem em alojamentos urbanos, com pequenas áreas de recreação compartilhadas com várias outras famílias.

"Funcionários do governo e formuladores de políticas [públicas] devem levar em consideração a probabilidade de desafios de capacidade [dos hospitais], o que ressalta a importância de estratégias eficazes de mitigação, como lavagem frequente e completa das mãos e medidas persistentes de distanciamento social", completa Salemi.


Voltar


Comente sobre essa publicação...