Semana On

Sábado 30.mai.2020

Ano VIII - Nº 395

Mato Grosso do Sul

Com a menor taxa de isolamento, Mato Grosso do Sul deve ter problemas graves

Pico de contágio no Estado será em maio, afirma o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha

Postado em 17 de Abril de 2020 - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Enquanto a média nacional de adoção ao isolamento social era de 59,2% no último dia 12, de acordo com o Ministério da Saúde, o estado de Mato Grosso do Sul registrava o pior índice do país: 43,4%, segundo o governo estadual. Para o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, isso pode resultar em problemas graves no futuro.

Rivaldo, que também é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade Federal de Medicina do Mato Grosso do Sul, lembra que as possibilidades de contágio são maiores a partir do mês de maio.

“O período em que ocorre uma baixa na temperatura e um clima mais seco é no começo de maio e o Mato Grosso do Sul ainda vai enfrentar esse período, onde a maior parte das doenças respiratórias acontece. Pagaremos um preço muito caro por esse relaxamento nas medidas de proteção individual e coletiva”, alertou ele.

O especialista alerta que, pela dimensão do país, é esperado que estados sintam a epidemia do coronavírus com intensidades diferentes, mas não significa que os locais com índices de casos mais baixos estejam seguros.

“Muitas regiões estão vivendo o problema de forma intensa, enquanto outras não estão na mesma intensidade. Isso pode levar a uma falsa sensação de que não haverá perigo nesses locais com menos casos. É uma ilusão”, acrescentou ele.

Até esta sexta (17), o número de casos confirmados da doença no Estado chega a 143. Um óbito pela doença foi registrado em Três Lagoas, passando para cinco mortes por COVID-19. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) monitora outros 28 casos suspeitos.

No último dia 13, a SES comunicou a transmissão comunitária do novo coronavírus em Mato Grosso do Sul. Isso porque dois casos da doença não puderam ser rastreados. Ou seja, não foi possível saber onde as pessoas foram infectadas. Os casos foram registrados em uma mulher de 71 anos, que faleceu, e em um homem de 54 anos, que está internado. Ambos são de Campo Grande.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, a estimativa é de que as notificações do novo coronavírus aumentem. “Não aglomerem. Recomendamos que o MS se isole. Temos que ter cuidado para que não tenhamos um número grande da doença nos próximos dias. O que fizermos hoje terá impacto muito grande daqui 14 dias”, destacou ele.

Lockdown

Apesar das inúmeras medidas adotadas pelo Governo do Estado e prefeituras municipais para reduzir o contágio e evitar um colapso no sistema público de saúde, o cenário das próximas semanas vai depender do comportamento da população. As projeções com base nos dados de monitoramento do distanciamento social têm deixado autoridades em alerta. Medidas extremas, como o bloqueio total da movimentação – lockdown – não são descartadas.

“Se nós não tivermos a consciência das pessoas de ficar em casa, evitar sair de casa, nós vamos chegar a esse momento. É uma medida drástica, é radical, alguns países tomaram. Aqui no Brasil, alguns governos estão olhando essa possibilidade”, declarou o governador Reinaldo Azambuja. “A medida extrema vem se não tiver a consciência da sociedade. Podemos ir sim para uma medida extrema, para decretar isso. Nós todos temos que ser conscientes”, enfatizou.

No ranking dos municípios com maior movimentação de pessoas e pior índice de isolamento social nesta segunda-feira estão: Rio Verde de Mato Grosso (30,1%), Bodoquena (32,3%), Taquarussu (32,8%), Coronel Sapucaia (33,5%), Nioaque (34,5%), Tacuru (34,7%), Laguna Carapã (34,8%), Jardim (35,2%), Rio Brilhante (35,4%) e São Gabriel do Oeste (35,8%).


Voltar


Comente sobre essa publicação...