Semana On

Quinta-Feira 28.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Brasil

Desmatamento na Amazônia em março cresceu 279% em comparação a 2019

Bolsonaro exonera diretor do Ibama após ação contra garimpo ilegal para evitar contaminação de indígenas

Postado em 16 de Abril de 2020 - Galileu, Giovanna Galvani (Carta Capital) – Edição Semana On

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Mesmo em meio a uma pandemia, o desmatamento não dá trégua. O SAD, Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, ferramenta de monitoramento baseada em imagens de satélites, divulgou em nota que o desmatamento na Amazônia cresceu 279% em março deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2019.

Segundo o relatório, 254 quilômetros quadrados de floresta foram destruídos no mês passado, sendo o número mais alto nos últimos dois anos. Para os autores da pesquisa, esse aumento pode estar ligado ao avanço de áreas ilegais de garimpo e da intensa atuação de grileiros, pessoas que se apossam de terras alheias.

De agosto de 2019 a março deste ano, os índices de devastação da floresta também registraram um aumento de 72% em comparação com o mesmo período do calendário anterior. O Amazonas é o estado que mais sofreu com o desmatamento de suas florestas, com foco no município de Apuí, próximo da fronteira com o Mato Grosso e o Pará.

O boletim aponta que o desmatamento em Terras Indígenas (TI’s) também aumentou. As TI’s que mais perderam área de floresta foram a Yanomami (AM/RR), o Alto Rio Negro (AM) e Évare I (AM).

Além do alerta com a devastação da floresta nessas áreas, existe a preocupação pela saúde dessas populações tradicionais que estão mais vulneráveis à contaminação pelo novo coronavírus por entrarem em contato com grileiros e garimpeiros.

Bolsonaro exonera diretor do Ibama

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Olivaldi Azevedo, foi exonerado de seu cargo no último dia 14, segundo publicação feita no Diário Oficial da União. A demissão tem assinatura do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Por mais que os motivos da demissão ainda não tenham sido esclarecidos pelo ministro, ela vem após dados do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) apontarem um novo recorde em avisos de desmatamento na Amazônia nos três primeiros meses do ano. Em 2020, o sistema identificou possíveis 796,08 km² de áreas de desmatamento e mineração ilegal, número que bate o antigo recorde de 685,48 km² do ano de 2018.

Além disso, no último dia 11, o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou uma operação de combate ao garimpo ilegal em terras indígenas – especialmente em tempos de coronavírus, que alastram o perigo de contaminação para as comunidades tradicionais. A operação estava a cargo da diretoria de Azevedo.

De acordo com pessoas de dentro do Ibama, a exibição da reportagem, que mostrou a queima dos equipamentos utilizados pelos mineradores, gerou incômodos dentro do governo Bolsonaro.

Em um trecho da matéria, por exemplo, um posseiro retirado de uma área ilegal de mineração disse que se sentiu estimulado a praticar os atos após uma “conversa que saiu do governo federal, do ministro, de redução de 5% das áreas indígenas”. Ele ainda se dizia com “esperança” de que a atividade fosse legalizada dentro de territórios indígenas. “A gente está com essa esperança, essa expectativa, para que um dia aconteça isso e para realmente o governo legalizar o pessoal aqui dentro, né. Enquanto isso, a gente está ocupando aqui”.


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