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Terça-Feira 22.set.2020

Ano IX - Nº 411

Mundo

Coronavírus pode criar 500 milhões de novos pobres no mundo, diz Oxfam

Oxfam cobra de países ricos e organizações como Banco Mundial e FMI ações por retomada econômica com criação de trabalho contra avanço da pobreza

Postado em 14 de Abril de 2020 - RBA

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O direito à sobrevivência parece proibido para os mais pobres, segundo analisa a Oxfam. A organização estima que a crise econômica agravada pela pandemia de coronavírus pode jogar mais de 500 milhões de pessoas na pobreza, de acordo com relatório divulgado na semana passada.

O alerta da entidade, que atua em cerca de 90 países, embasa estudo para cobrar do Banco Mundial, FMI e países do G-20 um plano emergencial de resgate dos setores econômicos com maior potencial de promover a reocupação e a retomada das economias a partir da inclusão das pessoa no mundo do trabalho. Do contrário, a garantia de renda e a manutenção dos empregos da população estarão comprometidas. 

“É uma realidade que mostra para nós que a desigualdade no mundo, no nosso país, chegou a um tal nível que as pessoas não têm condições de sobreviver um dia sequer sem ganhar o seu pão para o dia seguinte. E isso é muito sério”, adverte a diretora executiva da Oxfam Brasil, Kátia Maia.

A diretora da Oxfam avalia que, sem atuação do Estado, as perspectivas também são desoladoras no Brasil. O Brasil – que já vinha antes da pandemia assistindo ao crescimento da pobreza – já tem um contingente de mais de 40 milhões de trabalhadores na informalidade. A entidade acredita que o país caminha para ampliar em pelo menos 2 milhões o contingente de desempregados, hoje na casa dos 12 milhões. 

“É fundamental que o governo brasileiro assuma com seriedade as suas responsabilidades de garantir renda para todas as pessoas que precisam ficar em casa, e de garantir apoio às pequenas e médias empresas para que elas possam sobreviver a esse período, que não será curto. Precisamos de um governo responsável”, cobra Kátia. 

Na análise, no entanto, do economista Guilherme Mello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apesar da urgência, as ações do presidente Jair Bolsonaro são insuficientes e tardias, no campo da saúde e no da economia.


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