Semana On

Quarta-Feira 21.out.2020

Ano IX - Nº 415

Coluna

PDT e OAB soltam notas contra discurso machista de Delegado Wellington

As notícias que fizeram a semana política em MS, com Marco Eusébio

Postado em 08 de Abril de 2020 - Marco Eusébio

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Em debate na Câmara de Campo Grande sobre a reabertura parcial do comércio e serviços em época de pandemia de coronavírus, declarações do vereador Delegado Wellington (PSDB) levaram seu ex-partido, o PDT, a divulgar nota de repúdio contra "falas machistas e misóginas" que são "incentivadoras da violência doméstica" e cobrar da Câmara "providências no sentido de censurar essa fala, sob pena de pedirmos a cassação de seu mandato por quebra de decoro".

A polêmica acontece depois de debate sobre atividades essenciais, em que o vereador citou templos religiosos e ilustrou: "Porque se a pessoa quisesse matar a mulher e os filhos, ele vai e bate na igreja, está fechada. Daí ele fala 'é um aviso de Deus para eu voltar lá e matar'. Então igreja é essencial, tem que criar mecanismos novos para que a igreja funcione".

Disse ainda: "Imagina, mulher sem fazer uma sobrancelha, fazer uma unha, fazer o cabelo, não tem marido nesse mundo que vai aguentar". Frisando que "tudo na sociedade é essencial senão, não precisaria existir", citou outros exemplos como bicicletarias e oficinas.

Veja aqui o vídeo da Câmara no Facebook no trecho da fala do vereador e leia no link abaixo a integra da nota do PDT e da Ação da Mulher Trabalhista de Campo Grande na rede social.

Em nota, OAB-MS repudia fala 'machista e misógina'

A OAB-MS, por meio de seu presidente Mansour Karmouche e das suas comissões da Mulher Advogada e de Combate à Violência Doméstica e Familiar, divulgou ontem nota de repúdio ao pronunciamento do vereador Wellington Oliveira (PSDB) feito na terça-feira (7) na Câmara de Campo Grande quando, ao defender a reabertura de salões de beleza durante a pandemia de coronavírus, declarou que "mulher sem fazer uma sobrancelha, fazer uma unha, fazer um cabelo, não tem marido nesse mundo que vai aguentar" e, ao defender também a abertura das igrejas, exemplificou: "Porque se a pessoa quisesse matar a mulher, matar os filhos, ele vai e bate na igreja, a igreja está fechada. Ele fala assim 'é um aviso de Deus para eu voltar lá e matar'”. Na nota, a OAB-MS afirma que "não se deve aceitar sob qualquer hipótese que, em nome da liberdade de expressão, um representante do povo dispare qualquer ofensa publicamente, faltando com o decoro que o cargo requer", e acrescenta: "A fala do Vereador revela e incentiva a cultura extremamente machista e misógina em uma sociedade patriarcal".

'Sem comentários' diz Trad sobre hipótese de MS gerar atrito de Bolsonaro e Mandetta

Indagado sobre a hipótese da "briga" de Jair Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta ter sido iniciada em Campo Grande pelo fato de ACM Neto, presidente nacional do DEM, ter nomeado a nova direção local da sigla que decidiu apoiar sua reeleição e teria barrado a filiação do deputado estadual Coronel David, ligado ao presidente, para disputar a prefeitura pela sigla, o prefeito Marquinhos Trad (PSD), primo do ministro da Saúde, não quis se alongar na conversa. Mas sinalizou não acreditar que a disputa eleitoral local tenha peso em uma eleição presidencial ao ponto de irritar o Planalto. Em áudio enviado aqui ao Blog, Marquinhos respondeu: "O assunto é tão anão que nem merece comentários. O presidente da República jamais entraria em atrito com um ministro, de um cargo de confiança, por causa de uma filiação em Campo Grande. Sem comentários." Ouça abaixo.

'Pergunta se estão preparados' diz Marquinhos sobre ironia de adversários

O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), não esqueceu o fato de adversários terem ironizado sua entrevista divulgada há duas semanas ao SBT MS, quando sugeriu que a Casa da Moeda imprimisse mais dinheiro para o Brasil superar a crise econômica causada pelo isolamento social contra o novo coronavírus. Citando o noticiário, Marquinhos disse hoje que a Inglaterra se tornou o primeiro país a adotar essa medida, citou que o ex-ministros da Fazenda Mailson da Nóbrega e Henrique Meirelles (atual secretário de Fazenda de SP) também defenderam que isso ocorra no Brasil e lembrou que até o Donald Trump já defendeu a medida nos EUA. No aúdio abaixo enviado a coluna, o prefeito emendou: "Defendi isso há quase duas semanas, e os pré-candidatos fizeram até vídeos ironizando isso aí: agora pergunta pra eles, se o Henrique Meirrelles, o Trump, o Mailson, a Inglaterra... pergunta se eles estão preparados mesmo pra administrar nossa cidade."

Congresso trabalha, mas é visto pelo povo como inimigo, diz Simone Tebet

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) diz que chegou a hora de a sociedade reconhecer a importância da Câmara e do Senado para a democracia e a transformação da realidade socioeconômica e não julgar os congressistas como se todos fossem iguais, por "uma meia dúzia que não honra os seus mandatos".

Em entrevista ao site Congresso em Foco, a presidente da CCJ do Senado lembra que desde a decretação de calamidade pública diante da pandemia de coronavírus, o Legislativo tem mostrado união e maturidade poucas vezes vista, deixando diferenças partidárias de lado e aprovando medidas de interesse da sociedade para reduzir impactos na população de baixa renda e em pequenos e microempresários.

Mesmo assim, avalia, essas ações muitas vezes não são compreendidas. Cita a pressão que os parlamentares estão recebendo para repassar os recursos dos fundos eleitoral e partidário para o combate à Covid-19. Diz que também defende a realocação dessa verba, e que essa discussão ainda será feita, mas que há iniciativas de impacto muito maior que precisam ser priorizadas neste momento.

"Eu concordo com a redução do fundo. Mas isso é pensar pequeno. Temos de parar de pensar pequeno ou julgar o Congresso por um único ato que ele não fez", afirmou. "Entre votar um projeto polêmico que vai acabar com fundo eleitoral este ano, estamos falando de R$ 2 bilhões, e votar um fundo que pode colocar imediatamente R$ 30 bilhões na mão da saúde, com qual vou ficar neste momento?", questionou. "Temos uma série de projetos que estão avançando com ganho infinitamente maior que o fundo eleitoral. Vai chegar o momento do fundo eleitoral", acrescentou a emedebista, que também disse ser favorável à redução do salário dos parlamentares durante a calamidade pública.


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