Semana On

Sábado 04.jul.2020

Ano VIII - Nº 400

Coluna

O doido do Planalto

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 08 de Abril de 2020 - Victor Barone

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Em que parte do mundo já se viu um chefe de Estado sair a passear em plena pandemia de um vírus desconhecido que mata a roldo? Em que parte se viu um abraçar pessoas podendo ser contaminado por elas ou então contaminá-las?

Onde já se viu um chefe de Estado desacreditar medidas de restrição social baixadas por governadores e prefeitos e endossadas pelo Ministério da Saúde do seu próprio governo? Os poucos que tentaram recuaram logo em seguida.

Pois é o que tem feito o presidente Jair Bolsonaro desde que voltou dos Estados Unidos há pouco mais de um mês trazendo uma dezena de acompanhantes infectados pelo coronovírus e que, uma vez no Brasil, infectaram uma dezena ou mais de pessoas.

Em um país onde o presidente da República manda muito, embora nem tanto quanto desejaria, ele é a primeira referência dos governados. Natural que seja. O que diz é ouvido e repetido, e o que faz libera a população para que faça também.

Bolsonaro sabe disso, mas quando é conveniente finge não saber e banca o inocente. Se estimula os brasileiros a abandonarem o confinamento e a retornarem às ruas, parte deles o segue. Não é possível que ignore os efeitos perversos de sua atitude.

Hás mais de um mês que o ministro Luiz Henrique Mandetta rendeu-se à orientação da Organização Mundial da Saúde acolhida por todos os países assolados pelo vírus: fique em casa. Circule o mínimo possível. Deixe para depois tudo o que possa.

O chefe de Mandetta faz o contrário. No último dia 15, recepcionou em frente ao Palácio do Planalto manifestantes ali reunidos para pedir o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Tocou com as mãos em mais de 250 deles.

Anteontem, foi a uma padaria de Brasília tomar um refrigerante e comer um doce. Bem recebido por uns, hostilizado por outros, provocou aglomerações, apertou a mão de admiradores e foi embora assim que bateram as primeiras panelas.

Fez pior ontem. Depois de uma escala no Hospital das Forças Armadas, saiu direto para uma farmácia, atraindo gente. Visitou um dos filhos que aniversariava. E ao sair do prédio com o nariz escorrendo, limpou-o com o braço e apertou mãos.

O que pretende com isso? É uma pergunta que ele não responde, e quando o faz tergiversa. O que ele consegue com isso? Que as pessoas, e não só as que o cumprimentam, se exponham ao risco de se contaminar e de morrer.

Age como uma espécie de exterminador do futuro de milhões de brasileiros. Não é muito diferente do pastor americano James Warren “Jim Jones”, fundador e líder da seita Templo dos Povos, que em novembro de 1978 promoveu um suicídio em massa.

No início dos anos 60 do século passado, Jim Jones esteve no Brasil porque julgava Belo Horizonte um dos lugares mais seguros do mundo se houvesse uma guerra nuclear. Mudou-se mais tarde para o Rio onde trabalhou durante alguns anos com favelados.

Mas foi em Jonestown, capital da Guiana, que se sentindo ameaçado, convenceu seus devotos a se matarem. Primeiro os pais mataram os filhos, envenenando-os com cianureto. Depois beberam o veneno. Ao todo, morreram 918 pessoas.

Bolsonaro ainda não mandou que ninguém tomasse veneno. Manda que não levem a sério um vírus que já matou até ontem mais de mil brasileiros e infectou quase 20 mil. No mundo, em 100 dias, matou 100 mil pessoas. E, por aqui, o estrago mal começou…

Por Ricardo Noblat

O presidente Jair Bolsonaro ensaiou passeios pelas ruas do Distrito Federal. Na quinta-feira, 9, seu passeio pela Ceilândia já havia rendido vaias e gritos de “fora, Bolsonaro” e “vai para casa”, o que acendeu uma luz amarela na estratégia do presidente de confrontar uma recomendação básica das autoridades de saúde, inclusive do seu ministério, no combate à Covid-19: evitar aglomerações. O Distrito Federal é o sétimo estado com mais ocorrências, em números absolutos, de coronavírus – são 527 casos e treze mortes até quinta-feira 9.

Na sexta-feira, 10, resolveu ir a uma drogaria logo depois de ter deixado o Hospital das Forças Armadas. Questionado sobre o que teria ido fazer no hospital, ironizou dizendo “fui tomar sorvete” e “fui fazer teste de gravidez”. Em seguida, foi à casa do filho Jair Renan. Questionado sobre a saída às ruas pelo segundo dia consecutivo, em meio à pandemia do coronavírus, respondeu: “Tenho direito constitucional de ir e vir. Ninguém vai tolher esse meu direito”. No trajeto, voltou a ser alvo de protestos de alguns moradores, inclusive com panelaços – também recebeu apoios.

Já é a quarta vez que o presidente sai às ruas de forma ostensiva durante a pandemia, mas só nessas duas últimas ele foi hostilizado. Na primeira ocasião, no dia 15 de março, ele se cercou apenas de simpatizantes ao cumprimentar e tirar selfies com participantes de uma manifestação em seu apoio. Na segunda vez, no dia 29 de março, ele circulou pelas ruas de Taquatinga e Ceilândia, onde cumprimentou ambulantes e apoiadores.

 “Mesmo para seus próprios padrões, a violação de Bolsonaro de seu dever principal de proteger vidas foi longe demais. Grande parte do governo o trata como um parente difícil que mostra sinais de insanidade”. (The Economist, revista inglesa de notícias e assuntos internacionais).

IRRESPONSÁVEIS E CHINESES

Depois de dois comentários ofensivos de pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro em relação a China, o porta-voz da Embaixada do país asiático no Brasil, ministro-conselheiro Qu Yuhui, disse, na sexta-feira, 10, que a relação entre os dois países não será facilmente abalada por “um ou dois indivíduos irresponsáveis”, referindo-se ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, e ao ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Em videoconferência com jornalistas brasileiros, o porta-voz afirmou que esse tipo de declaração não favorece o ambiente de negócios e de cooperação. “Não são favoráveis à manutenção de um bom ambiente de negociação e cooperação entre dois países. Por outro lado, as relações entre Brasil e China são muito maduras. Essa parceria é um trabalho de várias gerações, de muitos esforços de muitas pessoas dedicadas a essas causas que não vai ser abalada ou danificada facilmente por um ou dois indivíduos irresponsáveis”, disse o ministro.

Qu Yuhui reforçou que a China segue sem compreender a razão dos comentários “lamentáveis e irresponsáveis”. “Até hoje não conseguimos entender por que eles fizeram este tipo de declarações. Ou é pela ignorância, ou é por outras intenções que não sabemos quais são. Como figuras públicas, eles devem ter uma noção do peso da responsabilidade.”

Na conversa com os jornalistas, o porta-voz chinês disse ainda que as declarações do filho do presidente e do ministro da Educação alimentam “um certo sentimento anti-China, racista ou xenófobo contra China” que já existiu.

Por BR Político

A crise teve início quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro entrou na onda de Donald Trump e tentou demonizar os chineses pela pandemia do novo coronavírus.

No dia seguinte, como também é comum no jogo bolsonarista de vai-e-vens, o filho do presidente ensaiou baixar o tom em um textão de 560 palavras, no qual diz que não quis ofender o povo chinês. Ao mesmo tempo, no entanto, repetiu ofensas semelhantes em entrevista ao canal CNN Brasil, ao vivo.

A reação da China veio rápida. Pouco frequentador do Twitter, o embaixador chinês em Brasília, Yang Wanming, recorreu à rede para se queixar de Eduardo, cobrou que ele pedisse desculpas ao seu povo e falou que protestaria junto ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ao chanceler Ernesto Araújo.

Também na rede, a embaixada da China foi ainda mais dura. Acusou o deputado de, após ter voltado de uma viagem a Miami na semana passada, teria contraído um “vírus mental”, que estaria afetando a amizade entre os dois povos.

“Aconselhamos que não corra para ser o porta-voz dos EUA no Brasil, sob a pena de tropeçar feio”, diz uma das postagens da embaixada. O embaixador ainda compartilhou uma postagem na qual a pessoa chamava a família do presidente de “Bozonaro”. A alfinetada, citando os EUA, não é à toa. Eduardo Bolsonaro tem se comportado como um disciplinado defensor dos interesses da Casa Branca no Brasil, inclusive fazendo campanha contra a participação de uma empresa chinesa no leilão da tecnologia 5G. Além disso, Trump também tem usado a crise do coronavírus para irritar Pequim. Sempre que pode chama a Covid-19 de “vírus chinês”.

E não parou por aí. Abraham Weintraub, ministro da (des)Educação, entrevistado ao vivo no Facebook pelo deputado Eduardo Bolsonaro, retomou os ataques da ala ideológica do governo à China. Disparou ao seu modo tosco: “Eles têm contato com um monte de bicho que não é pra comer. E comem. E têm muito contato com porco e frango. Nos próximos 10 anos virá outro vírus desses da China? Probabilidade é alta”.

Antes, o ministro da Educação satirizou a maneira como os chineses falam e insinuou que o país asiático usa o coronavírus para dominar o mundo. Weintraub usou uma imagem de Cebolinha da Turma da Mônica, criado por Maurício de Sousa, na Muralha da China. Substituindo o “r” pelo  “l”,  ele fez referência ao modo de falar do personagem, para insinuar que se tratava dos chineses. “Geopoliticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu o ministro.

A Embaixada respondeu novamente.

Um dos principais especialistas na relação bilateral entre Brasil e China, o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel acredita que o gigante oriental deve tirar proveito da tensão criada a partir das críticas feitas por Eduardo Bolsonaro e Weintraub, para garantir vantagens em negociações comerciais com o Brasil. Para o pesquisador, autor do livro O Mundo Pós-ocidental: Potências Emergentes e a Nova Ordem Global (Editora Zahar), o governo chinês projeta sua relação com parceiros a longo prazo. Nesse sentido, eventuais crises seriam passageiras diante do pragmatismo de Pequim, que prioriza uma estratégia de pelo menos uma década. “O Brasil ficou fragilizado nos negócios com a China", analisa pesquisador de relações internacionais.

DONALD TRUMP QUER UM CULPADO

Depois de culpar a China, a mídia e até o governo Obama, Donald Trump elegeu uma nova inimiga: a Organização Mundial da Saúde (OMS). Sim, o mesmo Donald Trump que demorou 52 dias para decretar estado de emergência nacional depois que o primeiro caso de covid-19 foi identificado nos Estados Unidos. O mesmo que não acreditava na necessidade de as escolas se prepararem para a avalanche nos casos. O mesmo que pretendia reabrir os negócios em todo o país neste domingo de Páscoa…

“Vamos fazer uma retenção no dinheiro gasto na OMS, vamos fazer uma retenção poderosa e vamos ver”, ameaçou o presidente ontem – por uma infeliz coincidência, Dia Mundial da Saúde e aniversário da Organização.

Os ataques continuaram no Twitter: “A OMS recebe uma grande quantidade de dinheiro dos EUA, somos responsáveis pela maior parte do dinheiro. Eles [os integrantes da OMS] criticaram e discordaram da minha proibição a viagens na época. Eles estavam errados, sobre muitas coisas. Eles tinham muitas informações com antecedência e não quiseram agir. Eles parecem ser muito centrados na China”. As referências são sobre a proibição das viagens da China, que os EUA estabeleceram em 31 de janeiro. A OMS havia acabado de aconselhar os países a manterem abertas suas fronteiras, mas ressaltando que cada nação poderia adotar suas medidas individuais. Na época, além da China já havia casos confirmados em 15 países, incluindo os EUA.

Uma campanha contra a China tem se espalhado rapidamente, por sinal. Na semana passada, o senador republicano Marco Rubio pediu a renúncia do diretor-geral do organismo, Tedros Ghebreyesus, dizendo que “ele permitiu que Pequim usasse a OMS para enganar a comunidade global”. A denúncia – até o momento, não confirmada – de que o governo chinês estaria encobrindo os verdadeiros números do coronavírus no país está realmente ganhando os corações conservadores.

Mas a verdade é que Trump quer cortar dinheiro da OMS há tempos. O financiamento dos EUA para as Nações Unidas tem diminuído; em 2018 o presidente chegou a propor reduzi-lo em 50%. Há três anos a Casa Branca tenta impor restrições a programas globais de saúde e, em meados de fevereiro, o governo tinha planos específicos para a OMS: planejava cortar pela metade o financiamento no ano que vem.

Aliás… Quando todos os olhares estão voltados para a pandemia, o episódio ajuda a jogar luz sobre o quanto a OMS depende de um punhado de financiadores. Entre os países-membros, os EUA são os que mais financiam a Organização, com seus recursos representando 14,67% do total. Para este biênio, eles forneceram US$ 893 milhões, sendo US$ 236 milhões em taxas obrigatórias (que são proporcionais ao tamanho e ao PIB dos países) e a grande maioria, US$ 657 milhões, em doações voluntárias. Justamente as doações voluntárias é que representam o maior volume do orçamento da OMS – nada menos do que três quartos dele. E quem costuma ficar lado a lado com os EUA, disputando sempre o primeiro lugar nas doações voluntárias, não é algum outro governo, mas a Fundação Bill & Melinda Gates. Explicamos isso longamente nesta reportagem do Outra Saúde, que segue atual. 

APROVAÇÃO BOLSONARO

O Datafolha revela que Jair Bolsonaro vive uma situação paradoxal. Soube-se que apenas 33% dos brasileiros aprovam sua atuação no combate ao coronavírus. Para 51%, ele mais atrapalha do que ajuda. Outros 52% acreditam que Bolsonaro ainda reúne condições de liderar o país; 59% declaram-se contra a renúncia do capitão. Submetido a dados assim, de aparência contraditória, é grande o risco de Bolsonaro extrair da pesquisa suas próprias confusões. Quem preferir lidar com conclusões precisa distinguir tolerar de apoiar. Tolerância não significa aceitar o que se tolera. Quer dizer apenas que a esperança do brasileiro ainda é maior do que o seu desespero.

Por Josias de Souza

RAINHA DA INGLATERRA

Isolado e com nervos à flor da pele diante da sua polêmica política de combate à pandemia do coronavírus – que vem sendo conduzida de fato pelos ministros da Casa Civil, general Braga Neto, e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), Jair Bolsonaro se irritou com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada e ouviu de um deles: “Não te deixem transformar numa rainha da Inglaterra.

CARLOS X MOURÃO

Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Rio de Janeiro, atacou o vice-presidente Hamilton Mourão em uma publicação realizada no Twitter na noite do dia 3. Carlos insinuou que Mourão conspira para tirar seu pai da presidência. No atual contexto, comentário agrava tensão no governo. O comentário vem em momento inoportuno e tenso na ala militar do governo - a qual Mourão pertence -. Este segmento vem tentando contornar os conflitos de Bolsonaro com governadores e o ministro da Saúde na crise do coronavírus.

Mais tarde, após a repercussão negativa da mensagem publicada na rede social, Carlos criticou os jornais. “Uma pessoa que se dá ao trabalho de tirar conclusão em cima de 3 linhas ignorando as outras 5 escritas é digno de trabalhar em qualquer órgão da maioria da imprensa”, escreveu no Twitter.

Não é de hoje que Carlos sugere que Mourão quer a cadeira de seu pai. Desde a campanha eleitoral, Mourão e os filhos do presidente demonstram não ter uma relação harmoniosa. No ano passado, primeiro ano de governo Bolsoanro, Carlos atacou diretamente o vice-presidente repetidamente nas redes sociais.

Carlos já se referiu ao vice-presidente como “o tal de Mourão” e “queridinho da imprensa” e destacou uma fala do general fora de contexto em que ele disse para “acabar com a vitimização” em torno do atentado a Jair Bolsonaro.

Ele também já criticou menções ao vice, como, por exemplo, na apresentação de um evento no think tank Wilson Center em Washington, ano passado em que o general é apresentado como “uma voz da razão e moderação” em um governo que enfrenta “paralisia política em parte causada por sucessivas crises geradas pelo círculo próximo ao presidente, se não por ele mesmo”.  

O autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho também valeu-se das redes sociais para novamente a bater sem piedade no general Hamilton Mourão: “Lembro-me de haver promovido, na modesta medida das minhas possibilidades, a escolha do general Mourão para vice-presidente. Mais uma cagada numa vida já tão repleta delas”.

PARA HONRA E GLÓRIA

O ex-deputado federal e ex-candidato à Presidência Cabo Daciolo afirmou que não acredita que o presidente Jair Bolsonaro tenha sido vítima de um atentado durante a campanha de 2018. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Daciolo afirma que o “espetáculo” da facada foi realizado pela Maçonaria e a Nova Ordem Mundial, com a participação do pastor Silas Malafaia. Segundo ele, Bolsonaro já estava com uma “enfermidade” e a situação foi criada para encobrir uma cirurgia. 

MINHAS UNHAS...

Na terça-feira (7), em meio à discussão da Câmara dos Vereadores de Campo Grande (MS) sobre reabrir ou não o comércio por conta da pandemia do coronavírus, O VEREADOR TUCANO Delegado Wellington defendeu que salões de beleza e igrejas fiquem abertos. Os motivos causaram espécie... “Salão é importante. Imagina a mulher sem fazer sobrancelha, cabelo, unha, não tem marido nesse mundo que vai aguentar, tem que tratar da autoestima”, disparou. Na sequência, o vereador falou sobre as igrejas: “Porque se a pessoa quisesse matar a mulher e os filhos, ele vai e bate na igreja, está fechada. Daí ele fala: ‘É um aviso de Deus para eu voltar lá e matar’. Então igreja é essencial, tem que criar mecanismos novos para que a igreja funcione”, afirmou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Para justificar o pleito de reabertura dos salões de beleza, Vereador de Campo Grande argumentou: “É importante para a mulher fazer sobrancelha, unha e cabelo, pois não tem marido que vai aguentar” (vídeo e referência retirados de matéria do Jornal Campo Grande News). Qual a mensagem oculta (nem tão oculta) nessa fala? Não estamos falando de salões ou cuidado, mas da ideia de que, mesmo em tempos de crise, a mulher tem que estar perfeita.. senão homem “não aguenta”. Epa! Vamos aos dados! O que as mulheres fazem com seu tempo? Taxa de frequência ao ensino médio: homens 63%, mulheres 73% Adultos com ensino superior completo: homens 27,7% mulheres 33,9% Tempo dedicado aos afazeres domesticos: homens 10 h, mulheres 18 Mulheres sustentam 45% dos lares. Ou seja, a cada 10 famílias, em 4 as mulheres colocam o dinheiro da casa PORTANTO Mulheres estudam mais, trabalham mais.. e recebem piores salários. Apesar disso, muitos lares são sustentados exclusivamente por mulheres. Com tanta coisa pra fazer, tenho que dizer: NÃO, não vivemos para agradar aos homens. Cuidar- se é um ato de amor próprio, não subserviência . Dados: poder360.com.br; exame.abril.com.br. #autoestima #autoestimafeminina #mulheresempoderadas #mulheresfortes #igualdadedegenero #chegadeprincesa

Uma publicação compartilhada por Valéria Scarance (@valscarance) em

INSETO ALIENÍGENA

Presidente da Câmara de Vereadores de Guanambi (BA) afirmou, em sessão nesta semana, que o coronavírus é um "inseto de outro planeta".

GENTE DE BEM 1

Viralizou nas redes sociais um vídeo no qual o vereador de Porto Alegre (RS), Valter Nagelstein (PSD), faz piada com a morte por coronavírus. No vídeo, ele e sua família protagonizam uma pessoa infectada com o covid-19, essa pessoa espirra e leva outra a óbito, todos então saem dançando. O vídeo foi feito na intenção de participar do meme "e morreu", que rodou as redes sociais neste fim de semana. Após a repercussão negativa que o fato gerou, o vereador e sua família foram até as redes sociais tentar se redimir. Eles afirmaram que tomam as medidas necessárias para impedir a propagação do vírus e pediram desculpas por serem mal compreendidos.

GENTE DE BEM 2

O apresentador do SBT Marcos Paulo Ribeiro de Morais, conhecido como “Marcão do Povo”, sugeriu ao presidente Jair Bolsonaro que pegasse “o exército, a marinha, a aeronáutica” e fizesse “tipo um campo de concentração” para as pessoas com sintomas de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A repercussão negativa ao vídeo fez com o termo “campo de concentração” fosse um dos mais repetidos no Twitter na quarta, 8.

GENTE DE BEM 3

Mesmo em meio a pandemia de coronavírus, há pessoas que não conseguem ser solidárias e continuam cultivando o ódio. Começou a circular nas redes sociais na quinta-feira (9) um vídeo onde um homem agride um morador de rua com tapas no rosto, em Sinop, no Mato Grosso. O agressor foi identificado Adonias Correia Santana, um madeireiro de Tabaporã, que acumula 22 processos.

FRASES DA SEMANA

“Mesmo para seus próprios padrões, a violação de Bolsonaro de seu dever principal de proteger vidas foi longe demais. Grande parte do governo o trata como um parente difícil que mostra sinais de insanidade”. (The Economist, revista inglesa de notícias e assuntos internacionais) 

“O governo foi ágil em dar alguma solução para estados do Norte e do Nordeste que, ideologicamente, são oposição natural a ele. Na política do contraponto, querem o PT vivo e matar o entorno, daqueles que são do centro-direita”. (Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados) 

“A mesma sociedade que o elegeu tem o direito de destituir esse presidente quando perceber que ele não está fazendo o que prometeu. Um presidente que cometeu erros e está criando um desastre. Bolsonaro, neste momento, é um desastre”. (Lula, ex-presidente da República) 

“Não acho [Mandetta] ruim, mas ele tem que ter sintonia com o presidente. Ministro é cargo de confiança. Os dois têm que acertar o discurso. […] Quem vai matar o Brasil não é o coronavírus, mas a quarentena”. (Osmar Terra, cotado para suceder Mandetta como ministro da Saúde) 

“Nós vamos continuar, porque continuando a gente vai enfrentar nosso inimigo. Nosso inimigo tem nome e sobrenome: é a covid-19. Temos uma sociedade para tentar proteger. Médico não abandona paciente, eu não vou abandonar”. (Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde) 

“Se não salvar as pessoas, a economia será devastada. Pessoas não irão ao restaurante, ficarão nervosas quanto a ir ao trabalho, haverá medo no ar. Basicamente, a economia se encaminhará para a paralisia se não pararmos a pandemia.” (Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia) 

“Infelizmente, haverá um período muito, muito mortal. […] Eu acredito que provavelmente nunca vimos algo assim, talvez durante a guerra – uma guerra mundial, uma Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial ou algo assim”. (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos) 

“A China nunca quis e nem quer criar inimizades com nenhum país. No entanto, se algum país insistir em ser inimigo da China, nós seremos o seu inimigo mais qualificado!” (Li Yang, cônsul-geral da China no Brasil, em carta aberta ao deputado Eduardo Bolsonaro) 

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Com informações de Leonardo Sakamoto, Josias de Souza, Ricardo Noblat, Reinaldo Azavedo, Carta Capital, Outra Saúde, Sul 21, o Globo, BR-18, Folha de SP, Fórum, Veja, Dora Kramer, BRPolítico, Vera Magalhães, Marcelo de Moraes e Radar


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