Semana On

Terça-Feira 02.jun.2020

Ano VIII - Nº 395

Mato Grosso do Sul

Com dois portos operando, Murtinho deve exportar 20% da safra de soja de MS em 2021

Com recursos do Fundersul, contorno rodoviário contempla expansão portuária

Postado em 08 de Abril de 2020 - Redação Semana On

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Mato Grosso do Sul dobrará as exportações de grãos este ano pelo distrito portuário de Porto Murtinho com destino a Argentina, com projeção de chegar a dois milhões de toneladas (20% da atual safra de soja) em 2021. O terminal construído pela FV Cereais, que entrou em operação em 17 de março, deverá movimentar 500 mil toneladas nos próximos oito meses e realiza esta semana o primeiro embarque, de 29 mil toneladas.

O mesmo volume de carga para 2020 foi estimado pela APPM (Agência Portuária de Porto Murtinho), que promove o incremento das atividades do seu terminal e já realizou três embarques de soja para os portos argentinos. Para o próximo ano, somente a FV Cereais tem por meta a exportação de 1,5 milhão de toneladas, com a construção de mais um armazém para 30 mil toneladas, totalizando a capacidade estática em 60 mil toneladas.

O início das operações do novo terminal e a disposição da APPM em ampliar seus negócios, consolida a estratégia de potencialização da logística do Estado em relação ao transporte hidroviário, aponta o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck. Com dois novos projetos de terminais em curso, Porto Murtinho será a nova Paranaguá, além de eixo da Rota Bioceânica Atlântico-Pacífico.

Incremento nos negócios

“Esse foi o posicionamento que tomamos desde o início do governo Reinaldo (Azambuja). Em função de nossa ação e do PROEXP (Programa de Estímulo à Exportação ou à Importação pelos Portos do Rio Paraguai), os resultados vêm sendo colhidos ao longo desses anos” destaca o secretário. “Murtinho, pela sua posição estratégica, se tornou a melhor opção de exportação de commodities, onde o produtor terá um ganho adicional de dez dólares por tonelada”, afirma Verruck.

Para o empresário Peter Feter, sócio-proprietário do terminal da FV Cereais, a política de incentivos do Governo do Estado e os investimentos públicos em infraestrutura, que eram precárias na região, foram determinantes para atrair novo empreendedores hidroviários. “Os tradicionais portos que utilizamos estão saturados e Murtinho surgiu como a grande alternativa, com um incremento espetacular nos negócios, beneficiando a todos”, disse ele.

Mesmo com o advento da pandemia da coronavirus e atraso operacional do novo porto, em cumprimento a tramite legais de licenciamento, Feter está otimista quanto ao fluxo de cargas para este ano. “Iniciamos num momento crucial de mercado, com os argentinos vindo buscar nossa soja para garantir abastecimento, depois que o país aumentou os impostos. E o escoamento será feito por Murtinho, com bons preços e a melhor logística”, cita.

Movimento de cargas

A FV Cereais realiza esta semana dois embarques para a Argentina, com 29 mil toneladas da Cardil e 10 mil toneladas da companhia de commodities Glencore, com previsão de liberar mais três comboios em abril. O gerente do terminal, Osvaldo Anastácio Filho, informou que o baixo calado do Rio Paraguai também retardou a saída dos primeiros carregamentos, além dos ajustes tomados para enquadramento às normas sanitárias em relação ao coronavirus.

“O porto está operando normalmente, cumprindo os protocolos exigidos pelas autoridades, devendo dobrar o número de trabalhadores, de 40 para 80, na alta demanda”, explicou o gerente. O porto da FV Cereais tem capacidade para 30 mil toneladas, com uma correia de recepção de carga para 600 toneladas/hora, e investirá R$ 20 milhões na construção de um segundo armazém para operar em 2021. O total de investimento do grupo é de R$ 90 milhões.

Com foco no turismo

O novo momento de Porto Murtinho, com a expansão portuária, agrega um empreendimento privado de R$ 16 milhões que dará suporte e controle do fluxo de cargas: o Terminal de Triagem Mecari, que conta com um pátio para estacionamento rotativo de 400 caminhões. O sistema, situado ao lado da BR-267, próximo à entrada da cidade, também entrou em operação em março e projeta ampliação para atender a demanda da Rota Bioceânica.

O terminal já controla a entrada de caminhões, evitando filas e desconforto para os motoristas e população no perímetro urbano, e mantém obras em execução. O restaurante está em fase final de montagem, com capacidade para 250 pessoas e ambiente requintado. “Isso aqui vai bombar, vamos trabalhar também com o turismo”, diz o arrendatário Paulo Frazili. “O investimento é pesado, só de equipamentos de ar temos 360 mil Btus”, completa.

Contorno

O Governo do Estado iniciou a construção do contorno viário para acesso aos portos que margeiam o Rio Paraguai. A obra de R$ 25,2 milhões beneficia também a cidade, tirando o tráfego pesado da área central.

Com a retomada dos embarques no terminal da APPM (Agência Portuária de Porto Murtinho) e o início das operações do novo porto, da FV Cereais, a movimentação de caminhões com cargas de soja é intensa na BR-267 em direção a Porto Murtinho. Próximo à entrada da cidade, também iniciou atividades o Centro de Triagem Mecari, megaestrutura privada que disciplinará o fluxo de veículos aos portos, com um estacionamento para 400 caminhões.

“O contorno rodoviário é uma necessidade, para evitar transtornos a cidade, e faz parte de uma estrutura logística fundamental para atender ao fluxo de veículos, que agora só tende a aumentar”, disse o empresário Peter Feter, sócio-proprietário da FV Cereais. “É uma obra que também demonstra o compromisso do Estado e dá garantias e confiabilidade ao investidor, pois a logística é um dos gargalos que hoje travam os nossos negócios”, completou.

Conforme Jaime Verruck, a pavimentação do acesso é parte de um plano para reforçar a estrutura logística de Murtinho e toda a região Sudoeste de Mato Grosso do Sul. Além da nova estrutura portuária em operação e projetada, o município será o eixo da Rota Bioceânica, que abrirá caminho para os produtos brasileiros ao Pacífico com destino ao mercado asiático.

“Desde 2014 o governo Reinaldo Azambuja criou um programa de incentivos à exportação para potencializar o uso dos portos e, principalmente, da Hidrovia do Rio Paraguai. Houve uma consolidação desse projeto com a instalação e ampliação desses terminais. Por outro lado, fomos instados a oferecer uma infraestrutura ao município, que não dispunha de um acesso adequado”, explica o secretário.

O investimento que o Estado faz, na construção do contorno rodoviário, consolida o projeto de expansão da capacidade portuária e de incremento da hidrovia, que se transforma em importante rota para escoamento da produção, via portos da Argentina e do Uruguai, ao resto do mundo. “Essa obra melhora o acesso à região portuária, facilita o dia a dia na cidade, que já não estava suportando o tráfego pesado, e dá qualidade de vida à população”, finaliza Verruck.

Prazo de dez meses

O anel viário terá 7,19 km de extensão, do entroncamento com a BR-267, na entrada da cidade, a área portuária, contornando lateralmente ao dique de contenção de cheias construído na década de 1970. As faixas de rolamento terão 3,5 metros de largura e os acostamentos de 2,5 metros, com uma rotatória próxima a bomba de água que drena as águas da área interna ao dique. A estrutura atenderá os portos e futuras instalações alfandegárias e de descarga.

“O contorno não é uma prioridade para Murtinho, mas para Mato Grosso do Sul, pois será mais um meio facilitador para escoamento de nossos produtos”, destaca o prefeito Derlei Delevatti. Ele informou que hoje a Prefeitura disciplina a circulação dos caminhões no centro, em comboio e em três horários distintos, para evitar impactos à população. “Temos que nos antecipar ao que está acontecendo, a cidade evoluiu, o desenvolvimento chegou”, disse.

A obra do contorno foi iniciada em março, em duas frentes, mobilizando dezenas de operários e máquinas. A empreiteira Bandeirantes iniciou os serviços de terraplenagem no trecho próximo aos portos e de limpeza do traçado, cujo solo argiloso dificulta a sua execução. “Mas o projeto foi bem elaborado e em 15 dias vamos entrar no ritmo máximo, com 100 operários, para concluir no prazo de dez meses”, informa Sidney Jose Carvalho, engenheiro da obra.


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