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Sábado 28.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Saúde

População deve usar máscaras simples, feitas em casa a partir de diversos materiais, dizem especialistas

Brasil registra 299 mortes por covid-19 e 7.910 contaminados

Postado em 03 de Abril de 2020 - Marcella Fernandes (Huffpost), Carolina Mazzi (O Globo), Larissa Lopes (Galileu) – Edição Semana On

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mudou a orientação para o uso das máscaras no Brasil: agora, a recomendação é de que toda a população passe a utilizá-las como forma de diminuir o risco de contaminação da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Antes, apenas pessoas com sintomas, cuidadores e profissionais de saúde eram instruídos dessa forma.

A população, no entanto, deve usar apenas as máscaras simples, feitas em casa, que podem ser confeccionadas com alguns materiais. As máscaras cirúrgicas e as N95, já em falta, devem ser exclusivas de profissionais de saúde, pacientes com Covid-19 e quem cuida de pacientes. Especialistas consultados recomendam também o uso, mas alertam para que não se abandone o isolamento social, para quem pode ficar em casa, e os cuidados com a higiene. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que hoje recomenda o uso de máscaras prioritariamente para profissionais de saúde, está avaliando se atualizará a recomendação.

Saiba como fazer uma máscara caseira

O Ministério da Saúde divulgou na quinta-feira (2) orientações sobre as máscaras caseiras.

- Você pode fazer uma máscara ‘barreira’ usando um tecido grosso, com duas faces. Não precisa de especificações técnicas. Ela faz uma barreira tão boa quanto as outras máscaras. A diferença é que ela tem que ser lavada pelo próprio indivíduo para que se possa manter o autocuidado. Se ficar úmida, tem que ser trocada. Pode lavar com sabão ou água sanitária, deixando de molho por cerca de 20 minutos. E nunca compartilhar, porque o uso é individual - afirmou  Mandetta.

Confira as orientações do ministério para confecção e uso de máscaras caseiras:

 1) A máscara é individual, não pode ser dividida com ninguém. Então se a sua família é grande, saiba que cada um tem que ter a sua máscara, ou máscaras;

2) A máscara deve ser usada por cerca de duas horas. Depois desse tempo, é preciso trocar. Então, o ideal é que cada pessoa tenha pelo menos duas máscaras de pano;

3) Mas atenção: a máscara serve de barreira física ao vírus. Por isso, é preciso que ela tenha pelo menos duas camadas de pano, ou seja, dupla face;

4) Também é importante ter elásticos ou tiras para amarrar acima das orelhas e abaixo da nuca, cobrindo totalmente a boca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais;

5) As máscaras caseiras podem ser feitas em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos, desde que desenhadas e higienizadas corretamente;

6) Use a máscara sempre que precisar sair de casa. Saia com pelo menos uma reserva e leve uma sacola para guardar a máscara suja, quando precisar trocar;

7) Chegando em casa, lave as máscaras usadas com água sanitária. Deixe de molho por cerca de dez minutos;

8) Para cumprir essa missão de proteção contra o coronavírus, serve qualquer pedaço de tecido, vale desmanchar aquela camisa velha, calça antiga, cueca, cortina, o que for.

Há diferentes formas de fazer uma máscara caseira. O jeito mais prático é usando um pedaço de tecido em forma retangular, que deve ser dobrado duas vezes, para uma maior proteção. Um elástico de cabelo deve ser colocado em cada lado. A parte do tecido que ficar “para fora” deve ser novamente dobrada, cruzando o elástico até que ele fique como um espécie de alça, em cada lateral. Essa "alça" será utilizada como suporte na orelha.

Há empresas que estão confeccionando máscaras para doação, como a Reserva, que criou um passo a passo de como confeccioná-la, com aval ténico de especialistas da Fiocruz, como a pneumologista Margareth Dalcolmo. Nessa técnica, corte um tecido, de preferência o tricoline, em dois retângulos iguais. Eles deverão ser costurados juntos, um em cima do outro. Antes de costurar, porém, faça três dobras no centro dos tecidos, criando um efeito sanfona. Costure então as bordas dos tecidos, com agulha e linha.

Para as alças, separe duas tiras (do próprio tecido ou de um elástico) de um metro de comprimento com 2,5 centímetros de largura. A máscara deverá ser costurada exatamente na metade do comprimento da tira, formando 2 alças de cada lado. Para costurar a máscara dentro da tira, é importante dobrá-la ao meio, na largura, para envolver a máscara dos dois lados. Antes de usá-la, lave a máscara com água e sabão, deixe-a secando ao sol e passe com ferro.

Para colocá-la no rosto, lave as mãos e tente manuseá-las apenas pelas alças, evitando tocar na máscara. Se precisar encostar, para ajustar ao nariz e a boca, faça isso apenas uma vez, com as mãos higienizadas. Após colocar no rosto, não encoste mais na máscara até retirá-la. Use a máscara por o máximo de quatro anos, ou se ficar úmida.

A máscara só poderá ser reutilizada depois de passar pelo processo de higienização novamente. Para armazená-las, coloque-as dentro de um saco plástico, sempre manuseando-a com as mãos higienizadas. O saco não deve tocado em sua parte interna, devendo ser higienizado na parte externa.

Especialistas apontam que as máscaras podem criar um anteparo para impedir a disseminação de gotículas contaminadas. Daí a importância de usá-las.

Segundo Edmilson Migowski,  infectologista da UFRJ,  elas são úteis principalmente em transportes públicos e em locais de aglomeração, mas é preciso ficar atento aos cuidados na hora de manuseá-las. Também é fundamental que as pessoas não abandonem as principais recomendações de isolamento social e limpeza frequente das mãos, com água e sabão:

- A grande preocupação que surge é a de pessoas manipularem as máscaras de forma errada, o que pode aumentar a exposição ao vírus, ao invés de diminuir. A orientação é nunca encostar com as mãos na máscara, apenas no suporte da orelha. Lavar as mãos antes e depois de colocá-las, trocar a cada três ou quatro horas, no máximo, ou se ela ficar úmida. Essa é uma medida adicional, que vai ajudar a diminuir a circulação do vírus no ambiente. Mas não deve servir como salvo conduto para sair da quarentena ou não lavar as mãos.

A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, indica o uso de TNT e alguns tipos de tecido para fazer as máscaras, sempre dobrados, para uma maior proteção:

- A máscara só deve ser usada por uma única pessoa. Se for de TNT, deve ser descartada após o uso. Se for de outro tecido, pode ser lavada e reaproveitada. Mas é preciso ver a gramatura, a espessura do tecido escolhido, não são todos que vão fazer a proteção. A máscara precisa cobrir nariz e boca, mas é importante lembrar que as principais medidas continuam sendo o isolamento social e a higiene das mãos - afirma.

Embora a Organização de Saúde (OMS) tenha reiterado na última terça-feira que é desnecessário o uso indiscriminado de máscaras por pessoas que não querem se infectar, pois gera falsa sensação de segurança, Mandetta incentiva a população a fazer suas próprias máscaras de pano que, segundo ele, "funcionam muito bem como barreira" e afirmou que "agora é lutar com as armas que a gente tem". 

- Para vírus de gotícula, máscara de barreira mecânica funciona muito bem. Qualquer pessoa pode fazer sua máscara de pano. Vai funcionar e vai ajudar o sistema de saúde - afirmou o ministro, que pediu que sua equipe publicasse uma orientação sobre máscaras caseiras, determinando o tipo de tecido, de quanto em quanto tempo é preciso trocar e como lavar.

Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) simplificou os requisitos para fabricação, importação e aquisição de máscaras cirúrgicas, respiradores particulados N95, PFF2 ou equivalentes, utilizados em serviços de saúde. As máscaras que aguardam a realização de ensaios podem ser utilizadas por profissionais de apoio, como recepcionistas e seguranças nos serviços de saúde, desde que prestem assistência a mais de um metro dos pacientes suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Segundo a agência, essas máscaras também podem ser usadas pelos profissionais dos transportes públicos, segurança e transeuntes

Em países como Estados Unidos, o Centro para Controle  a Prevenção de Doenças (CDC) do país reforça que a prioridade é para que pessoas doentes, com sintomas e cuidadores usem as máscaras. O presidente Donald Trump, no entanto, defende o uso generalizado de máscaras. Em entrevista à rede americana CNN, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, afirmou que essa posição do país pode mudar. Segundo ele, “a ideia de um uso muito mais amplo de máscaras está em discussão muito ativa".

Inspiração para contribuir com o coletivo

A máscara impede que pessoas contaminadas joguem partículas do vírus no ambiente. Ou seja, a sua utilização é para proteger os demais (e, consequentemente, toda a população). Foi essa premissa - de se proteger para ajudar o próximo - que inspirou a professora Mariana Pinto a confeccionar e doar máscaras, há dez dias.

A carioca, que tem como hobby costurar, tem feito as suas com TNT e algodão. Desde que divulgou a iniciativa em suas redes sociais, ela já doou mais de 30 unidades, e tem priorizado os grupos de risco e pessoas mais pobres:

- Como cuido também de idosos em minha família, tenho buscado doar para quem não tem condições, seja de tempo ou dinheiro, de confeccionar as suas próprias máscaras. Mas também tenho divulgado aqui no meu prédio, por exemplo, que, quem quiser, pode ligar aqui que faço, são super fáceis de costurar. Acho que as pessoas que têm o privilégio de ficar em casa têm condições, devem fazer o máximo para ajudar os outros.

A atenção com a higienização das máscaras é fundamental: assim que recebe o material em casa, Mariana lava-o com água sanitária e deixa secando ao sol. Ao costurá-las, higieniza as mãos e também usa máscara. Depois que ficam prontas, mais uma lavagem com água sanitária, antes de passá-las e ensacar.

Buscar formas caseiras e alternativas é a melhor solução para a população, já que não há estoque nas farmácias e drogarias pelo país. Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), não há mais máscaras disponíveis no varejo:

- Esse material está com forte demanda global, e os governos têm alertado para a importância de focar o uso de máscaras para os profissionais de saúde. Temos dificuldades até mesmo de disponibilizar esse material para nossos funcionários de lojas. Assim, não há perspectiva de disponibilizar esse produto para venda - explica Sergio Mena Barreto, diretor da associação, que reúne 45% das empresas do setor.

Como os sintomas da Covid-19 evoluem a cada dia, de acordo com a gravidade

A Covid-19 já mostrou que não é "só uma gripe". Causada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2, a doença pode ser letal para alguns grupos de risco, agredindo significativamente o pulmão e podendo deixar rastros em outras partes do corpo.

Para evitar a progressão de casos, não só a prevenção é importante, mas também saber identificar os primeiros sintomas para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Saiba quais são eles e como eles evoluem em cada tipo de quadro, segundo o infectologista Luis Fernando Aranha, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Incubação

Uma vez no organismo, o período de incubação do vírus, ou seja, o tempo que leva até que os primeiros sintomas se manifestem, é de dois a 14 dias. Em geral, a maioria das pessoas começa a apresentá-los no quinto dia.

5º dia: primeiros sintomas

Os principais sintomas da infecção são febre, tosse, fadiga ou dor muscular. "Se a pessoa tem febre alta e contínua por dois a três dias, o caso requer uma avaliação médica", afirma Aranha, citando também a associação com sintomas respiratórios intensos. A tosse característica da pandemia é frequente, seca ou com pouca secreção. Se houver piora, é hora de procurar um médico.

A fadiga e a astenia, falta de força física, podem ser fruto da atuação de interferons, proteínas que estão associadas ao sistema de defesa do nosso corpo. "Estes são os sinais de que você precisa procurar assistência médica", explica o infectologista. "Em especial, se pertencer aos grupos de risco da epidemia."

7º dia: evolução

A partir do sétimo dia, é possível avaliar como será a evolução de cada paciente. Aqueles que sentem os primeiros sintomas por um ou dois dias e, então, melhoram são considerados casos leves e representam 80% dos infectados. Já aqueles que sentem os sinais se intensificarem a partir do sétimo dia estão no grupo de casos moderados. A presença de falta de ar e insuficiência respiratória nessa fase é um alerta.

"Em casos graves, o vírus pode afetar mais de 50% do pulmão, provocando casos de insuficiência respiratória grave, nos quais o paciente precisará da assitência de uma unidade de terapia intensiva (UTI) e de ventilação mecânica", explica Aranha. Segundo o médico, este é um quadro de infecção intensa e pode causar lesões em outros órgãos, principalmente os rins e o fígado.

Em 10 dias ou mais

Casos leves, cujos sintomas não evoluem, podem apresentar melhora em cerca de sete a dez dias. Já os pacientes mais graves podem levar mais de duas semanas para se recuperarem.

Sintomas secundários

Entre outros sintomas que podem aparecer durante a infecção, cerca de 30% dos pacientes apresentam diarreia. "É muito comum isolar o vírus nas fezes, causando diarreia. É provável que o vírus agrida o epitélio intestinal também", afirma Aranha. Algumas pessoas também podem sofrer perda de olfato e paladar momentanemanete, voltando ao normal alguns dias após a recuperação. Sintomas gripais como espirros e nariz entupido não são comuns.

O sintoma que tem causado mais preocupação é a falta de ar, que pode estar associado a crises de ansiedade ou estresse. "Somente um exame físico pode dizer se a dificuldade para respirar é de natureza física ou emocional", diz o infectologista. Na dúvida, procure um médico.

Brasil registra 299 mortes por covid-19 e 7.910 contaminados

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil chegou a 7.910, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (2). O número de mortes é de 299. A taxa de letalidade é de 3,8%, superior aos 3,5% registrado nos últimos dias.

Foram contabilizados óbitos em 22 unidades da Federação: Amazonas (3), Rondônia (1), Pará (1), Alagoas (1), Sergipe (2), Bahia (3), Ceará (20), Maranhão (1), Pernambuco (9), Piauí (4), Paraíba (1); Rio Grande do Norte (2), Minas Gerais (4), Rio de Janeiro (41), São Paulo (188), Espírito Santo (1), Distrito Federal (4), Goiás (1), Mato Grosso do Sul (1), Paraná (4), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (5).

Nesta quarta-feira (1º), eram 6.836 casos confirmados e 240 óbitos. A quantidade de diagnósticos positivos cresceu cerca de 15,7% de quarta para quinta e a de mortes, 24,6%. São 1.074 novos casos de um dia para o outro e 59 mortes, no mesmo período.

O maior número de casos atuais está concentrado na região Sudeste — 4.988, o que corresponde a 63% dos diagnósticos. Só em São Paulo, são 3.506 infectados.

A região Nordeste tem 15% das infecções —1.118 casos. Logo atrás, a região Sul conta 10% — 833 diagnósticos positivos. O Centro-Oeste tem 532 casos e o Norte, 377.

A incidência para o Brasil é de 3,7 por 100 mil habitantes. O indicador varia por unidade da Federação, sendo a mais alta no Distrito Federal (12,1 por 100 mil habitantes).

Nesta quinta, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, reconheceu que o primeiro caso da covid-19 no Brasil ocorreu em 23 de janeiro em Minas Gerais, com base em investigação retrospectiva. A vítima foi uma mulher de 75 anos. “Havia circulação inicial de casos já no final de janeiro de 2020, como caso importado”, afirmou em coletiva de imprensa.

Até então, o primeiro caso havia sido confirmado no fim de fevereiro. De acordo com o secretário, o mesmo ocorreu com investigações relacionadas ao surto de zika vírus no Brasil.

Segundo informações do Ministério da Saúde sobre o avanço da pandemia, entre as mortes, 89% estão acima dos 60 anos, 57,8% são homens e 85% apresenta pelo menos um fator de risco, como cardiopatias, diabetes ou pneumonia. 

Desde o início da pandemia, foram registradas 23.999 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) no Brasil. Do total com esse quadro sintomático, 1.587 casos (7%) foram confirmados para covid-19. O restante são infecções causadas por outros vírus, como influenza.

São Paulo é o estado mais crítico. 48% das hospitalizações por SRAG no período ocorreram nesta unidade da Federação, sendo que 83% desse total eram casos de covid-19.

Em todo o território nacional, houve um incremento de 197% em 2020 em relação ao mesmo período de 2019 do total de internações de SRAG, o que indica sobrecarga no sistema. Segundo Mandetta, essa alta de internações é explicada pelo aumento da procura por pacientes com outras doenças que não sejam covid-19.


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