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Segunda-Feira 06.abr.2020

Ano VIII - Nº 387

Coluna

Empresas aéreas tentam driblar crise com promoções, mas consumidor deve ser cauteloso

Recomendação é evitar compras ou procurar opções com reembolso ou com uso de milhas

Postado em 25 de Março de 2020 - Marcella Fernandes - Huffpost

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Com a pandemia do novo coronavírus, as empresas aéreas tentam driblar a crise no setor, com queda de 75% na procura por voos domésticos e 95% por internacionais. A estratégia das companhias é realizar promoções para atrair compradores pensando no fim da crise na saúde — após setembro, segundo expectativa do Ministério da Saúde.

Para o consumidor, a recomendação é de cautela. Os brasileiros devem evitar compras ou procurar alternativas menos arriscadas, como uso de milhas ou passagens com opção de reembolso. 

Com as restrições de voos, companhias têm enviado mensagens a clientes alertando sobre pontos a vencer em programas de milhas ou baixado os preços para voos no segundo semestre. O setor precisa de uma injeção imediata de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) para que não haja uma onda de falências, afirmou nesta terça-feira (24) o diretor-geral da Iata (associação internacional do setor), Alexandre de Juniac.

A estimativa da Iata é de que o faturamento do setor aéreo seja de 60% do que faturou no ano passado — o equivalente a US$ 252 bilhões (R$ 1,26 trilhão), considerando um cenário de viagens restritas por mais 3 meses e recuperação gradual a partir de meados deste ano.

Como a amplitude do impacto da emergência em saúde é desconhecido, o diretor-geral do Procon-DF, Marcelo do Nascimento, alerta aos consumidores que não é seguro fazer uma compra, mesmo que seja para uma viagem a partir de julho. “Ainda não sabemos a extensão das medidas restritivas e quanto tempo ainda durará a pandemia; por isso, não podemos fazer esse tipo de recomendação”, afirmou.

Sócia da agência de turismo Pier Viagens, em Brasília (DF), Andrea Torres de Mello, orienta algumas compras, a depender do perfil do consumidor. “Eu não faria grandes investimentos, mas com milhas, fazer uma compra de uma promoção, se não vai afetar a vida financeira, é uma opção”, afirma. Também é preciso ficar atento a possíveis mudanças na malha aérea que irão impactar no roteiro da viagem.

A empresária destaca que há companhias adotando medidas mais flexíveis, como a possibilidade de cancelamento da viagem até 48 antes da data. “Se, futuramente, lá em outubro, estiver ainda a covid-19, você pode cancelar e não vai ter multa. Isso tudo é necessário para que o setor sobreviva”, afirma. 

Por outro lado, Mello conta que alguns consumidores têm cancelado viagens no segundo semestre com medo de prejuízo, mas ainda não se sabe como será o cenário. “As pessoas têm medo de empresas quebrarem e não receber o dinheiro. Preferem receber menos [agora] e garantir algum dinheiro.”

Como cancelar passagens aéreas já compradas?

Passagens aéreas compradas até 20 de março para voos até 30 de junho deste ano devem ser remarcadas sem custo adicional, de acordo com Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça.

O passageiro também poderá cancelar, sem taxas ou multas, a viagem nesse período, mantendo o valor integral do ticket em crédito válido por um ano a contar da data do voo. No caso de pedido de reembolso, serão aplicadas multas e taxas contratuais previstas, e o valor será reembolsado em até 12 meses.

Todas as empresas devem disponibilizar canais de atendimento e as solicitações devem ser respondidas em até 45 dias. O descumprimento do TAC pode resultar em multa diária de R$ 5 mil.

Antes, de acordo com normas da Anac, o consumidor só poderia cancelar a passagem sem ônus se pedisse 24 horas após a aquisição do bilhete, contando do recebimento da confirmação, desde que a aquisição tivesse sido feita com antecedência igual ou superior a 7 dias em relação à data do embarque.  

Coronavírus reduz  voos 

A fim de conter o contágio, houve uma redução drástica da malha aérea. Alguns países fecharam o espaço aéreo. Após acordo entre companhias e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), ficou definido nesta terça que haverá ao menos um voo diário de ida e outro de volta entre as capitais. Estimativas são de uma taxa de ocupação estimada de cerca de 40% nos voos nesse período, o que significa prejuízo para as companhias.

A Gol anunciou que fará somente 50 voos diários entre o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e as demais 26 capitais, a partir de sábado (28) até o início de maio. O número representa uma redução de 92% do mercado doméstico e de 100% do mercado internacional.

Segundo nota da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aérea) publicada nesta segunda (23), o setor registrou queda de 75% na demanda por voos domésticos e de 95% no mercado internacional na semana passada, em relação a igual período de 2019.

De acordo com a a Abear, a aviação comercial brasileira é um “grande motor” da economia do País. Em 2018, segundo a associação, o setor representou 1,9% do PIB, “impactando a economia em R$ 131 bilhões, gerando 2,37 milhões de empregos e gerando R$ 55,5 bi em salários”.

Para socorrer o setor, o governo federal adotou medidas como adiar o pagamento das contribuições fixas e variáveis das empresas nos contratos de concessão dos aeroportos, por meio da medida provisória (MP) 925/2020, em vigor desde 18 de março.


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