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Quarta-Feira 25.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

Enfrentar a Pandemia com Nelson Rodrigues - Parte II

Neste momento de fragilização coletiva, só podemos fortalecer os laços e as redes de solidariedade e amparo social

Postado em 25 de Março de 2020 - Ricardo Moebus

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Estamos agora mergulhados nesta que é a primeira das grandes pandemias globais deste século.

Sua rapidez de propagação global é o resultado direto de nosso modo de vida.

Há cem anos atrás, outra pandemia avançava lentamente sobre o mundo, em 1918 e 1919, a “gripe espanhola”.

Mas, agora, tudo pode viajar voando ao redor do mundo, inclusive o coronavírus.

Quando começaram as quarentenas, muitos manifestaram suas preocupações de que o colapso econômico poderia levar as pessoas ao desespero, gerando reações como saques e violência.

No entanto, poucos tinham claro que, pelo menos no Brasil, os saques e a violência viriam em primeiro lugar do próprio Estado.

O Estado saqueando os direitos trabalhistas, com “medidas emergenciais” que surgem a todo momento, reduzindo salários dos trabalhadores dos serviços tanto públicos quanto privados, autorizando suspensão temporária de contrato de trabalho sem qualquer amparo social ao trabalhador, avançando na terceirização, na privatização de servicos públicos, até mesmo da atenção primária ou atenção básica, no Sistema Único de Saúde.

Aproveitando-se da obscuridade do momento pandemia mundial, aproveitando-se do medo que ronda quase todos, caminhando pelas sombras deste momento de insegurança, medo e constrangimento coletivo, cristalizado na quarentena, na reclusão domiciliar necessária para o enfrentamento da crise, o projeto de desmanche do funcionalismo público, de saque dos direitos trabalhistas em geral, caminha a passos largos, firmes e decididos.

O mais assustador na pandemia que vivemos é a atitude de ataque aos direitos, ataque às garantias sociais, a atitude de fabricação ativa do desamparo social justamente neste momento de fragilização da população mais vulnerável.

Alguns grandes empresários apareceram nas mídias sociais esperneando contra a redução de seus lucros astronômicos em função da reclusão domiciliar no Brasil.

Nunca em nenhuma tentativa anterior de greve geral houve uma paralisação como agora, comprovando mais uma vez que o trabalhador é mesmo a fonte geradora de toda riqueza, e pode ser a contra-mola que resiste.

As cirandas e jogatinas, as roletas dos cassinos financeiros se desesperam. Apesar da reação positiva após os Estados Unidos anunciarem a salvaguarda de um trilhão de dólares para recuperar a economia americana.

Aquele que ocupa a presidência deste país, logo em seguida, saiu em defesa dos empresários, solicitando o fim da proteção pessoal e coletiva resguardada na reclusão domiciliar.

Nelson Rodrigues tem uma famosa máxima que diz: “toda unanimidade é burra”.

Mas, depois da attitude irresponsável do atual presidente, avançando contra todas as evidências científicas e contra todos os especialistas que se debruçam buscando soluções para esta crise trágica do coronavírus, é preciso acrescentar à famosa frase do Nelson:

Toda unanimidade é burra. Mas a simples discordância oportunista nunca foi sinal de inteligência.

Neste momento de fragilização coletiva, neste momento de perda real de valor econômico, as elites do atraso mostram suas garras e sua sanha em ser o lobo do homem.

Em contraponto, só podemos pensar e agir para fortalecer como nunca os laços e as redes de solidariedade e amparo social.


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