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Terça-Feira 14.jul.2020

Ano VIII - Nº 401

Comportamento

Brasileiros devem praticar consumo consciente para evitar desabastecimento

Consumidores relatam falta de papel higiênico, massas, álcool em gel, entre outros produtos. Associação de supermercados diz que o problema é de reposição em estoque pelo aumento da demanda

Postado em 24 de Março de 2020 - Marcella Fernandes – Huffpost

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Associações de supermercados e de proteção ao consumidor têm atuado para impedir violações de direitos com a pandemia do novo coronavírus. As ações têm duas frentes: orientar os consumidores a não comprar mais itens do que o necessário e evitar preços abusivos dos estabelecimentos.

Centenas de brasileiros relatam a falta de produtos como papel higiênico e massas nas prateleiras dos mercados. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), houve problema de reposição do estoque devido ao maior número de clientes em lojas desde o último fim de semana. Esse pico de demanda ocorreu principalmente em supermercados da capital paulista e em bairros de classe média alta.

As vendas nos supermercados paulistas dispararam 48,5% em São Paulo no último dia 19, na comparação com 20 de fevereiro. A Associação Paulista dos Supermercados (Apas) reforça que a falta de produtos é “pontual” e o abastecimento continua normal no estado.

Em Brasília e em Porto Alegre, também há queixas de falta de produtos. O diretor-geral do Procon-DF, Marcelo do Nascimento, pede bom senso aos consumidores. “Compre pensando no próximo. Não acabe com o estoque. Pense nos idosos, na população que pode ser mais afetada com o vírus”, completou. Pessoas acima de 60 anos e portadores de doenças crônicas são os principais grupos de risco para a covid-19.

“A gente tem de praticar o auxílio mútuo. Todos cuidando de todos. Não é eu só cuidando de mim da minha família. Tenho de cuidar do vizinho, do idoso”, dia Marcelo do Nascimento, do Procon-DF

A conduta individual de consumo consciente, sem estocar produtos, ajuda a evitar prateleiras vazias. “O mercado não pode ser desabastecido e a maior quantidade de pessoas tem de ter acesso aos produtos”, afirma Nascimento.

De acordo com o diretor do Procon-DF, essa é a recomendação, uma vez que a regra geral é de que estabelecimentos comerciais não podem deixar de vender um produto disponível, seguindo o Código de Defesa do Consumidor. Alguns supermercados, entretanto, já estão limitando a venda de itens por compra.

A Abras informou no início da semana passada que não havia risco de desabastecimento no País. “Não há risco de falta de alimentos nas lojas. O setor supermercadista brasileiro opera com normalidade. Portanto, a população não precisa se preocupar; os supermercados estão preparados, inclusive, para aumentar o abastecimento, caso necessário, como já acontece em datas sazonais”, afirmou a associação do setor, em nota.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chegou a manifestar preocupação com as consequências das restrições à circulação no País. “Fechamentos de estrada, que alguns governadores insinuam, essa logística é de interesse nacional. Não adianta fechar tudo e faltar o frango que está pronto para chegar [aos estados] porque aí segura uma coisa e desabastece a outra. Se não chegar com cloro para por na água de todo o Brasil, que é servida para 200 milhões de brasileiros, a gente sai do vírus e cai em problema de qualidade de água”, disse o ministro no último dia 18.

Os produtos mais comprados nos últimos dias foram macarrão, molho de tomate, azeite, sal, bolacha, torrada, creme de leite, leite condensado, açúcar, achocolatado em pó, café, leite, água, suco, produtos de limpeza e higiene, com destaque para o papel higiênico, e álcool em gel.

Houve também uma busca desnecessária por máscaras, já que elas não são recomendadas para pessoas assintomáticas. De acordo com a Folha de S. Paulo, após visitar 43 lojas que vendem álcool em gel e máscaras nesta semana, o Procon-SP só encontrou os produtos em duas unidades. “Pessoas estão usando desenfreadamente na rua, sem necessidade, e acabando com o estoque. Já está falando nos hospitais”, alertou Nascimento, do Procon-DF.

Corte na água e na luz

Outra preocupação das organizações ligadas ao consumidor é na garantia de serviços essenciais durante pandemia. Na quarta passada, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) pediu às grandes empresas e às autoridades nacionais medidas para impedir que serviços de água, energia elétrica, gás, telecomunicações e transportes sejam interrompidos.

“O Estado brasileiro deve tomar medidas para garantir que estes serviços não sejam, em qualquer hipótese, suspensos, inclusive por eventual inadimplência ou atraso no pagamento de contas - nos casos de serviços de gás, telecomunicações, energia e água - até o final efetivo da crise”, defendeu o Idec, em nota, diante do impacto econômico da crise na saúde.

De acordo com o instituto, as concessionárias e agências reguladoras também precisam reforçar medidas para evitar qualquer espécie de suspensão dos serviços, por falhas de manutenção nas redes de distribuição. 

O texto reforça a importância da distribuição de água e esgoto para medidas de higiene para evitar o contágio. “O fornecimento desse serviço em hipótese alguma pode ser interrompido, já que pode contribuir ainda mais para a disseminação do vírus e, consequentemente, causar mais dificuldades à população brasileira.”


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