Semana On

Quinta-Feira 28.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Saúde

A saúde do brasileiro

Pesquisa mostra alto consumo de sal e avanço da diabetes

Postado em 16 de Março de 2020 - Liseane Morosini - Radis

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Grosso, refinado, granulado, com ervas, o sal nosso de cada dia vem sendo consumido em limites muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é menos de 2 mil miligramas de sódio por dia. A quantidade recomendada equivale a cinco gramas de sal diárias (ou uma colher de sopa rasa). Informações de um desdobramento da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgadas no fim de novembro de 2019, mostram, no entanto, que os brasileiros ingerem diariamente quase que o dobro do recomendado pela OMS — a média nacional de consumo é de 9,34 gramas diárias.

Os dados inéditos apresentados na Fiocruz são desdobramentos da PNS, divulgada em 2013, que reuniu informações em âmbito nacional sobre a situação de saúde, os estilos de vida da população e a atenção à saúde. Além do consumo exagerado de sal, as informações recentes avaliam a prevalência de insuficiência renal (em torno de 6,7% na população) e de anemia entre adultos e idosos (cerca de 9,86%), alertam para o aumento da diabetes mellitus e para o alto consumo de medicamentos para hipertensão arterial e diabetes entre a população brasileira e indicam os reflexos das desigualdades social no acesso à saúde bucal e na alimentação no país

Os números vão permitir ainda que se estabeleçam parâmetros hematológicos de referência nacional, como explicou a pesquisadora Célia Landmann Szwarcwald, coordenadora da PNS e integrante do Laboratório de Informação e Saúde (Icict/Fiocruz), durante a sua apresentação. Segundo ela, os atuais parâmetros internacionais que acompanham os resultados de exames não estão adequados à realidade nacional. “A análise com os resultados dos exames de sangue e urina da PNS oferece, pela primeira vez, uma amostra representativa do país. E o conhecimento dos parâmetros hematológicos de referência é fundamental para a avaliação do estado de saúde e do padrão de adoecimento da população”, explicou.

Célia também destacou que a redução no consumo de sal é um dos caminhos mais eficazes e baratos para diminuir o número de mortes por doenças crônicas não transmissíveis, sobretudo por tornar possível a diminuição da pressão arterial média da população. “A redução do sal na alimentação tem potencial para diminuir uma grande fração de mortes prematuras e aumentar, consideravelmente, a expectativa de vida saudável na população brasileira”, justificou a pesquisadora.

Também no lançamento dos dados, Deborah Carvalho, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição parceira do estudo, manifestou preocupação sobre dois outros pontos trazidos pelos resultados. O primeiro deles se refere aos números de insuficiência renal (6,7% na população): segundo ela, o diagnóstico laboratorial é até quatro vezes mais elevado, embora apenas 1,7% das pessoas tenham afirmado que foram informadas pelo médico que estavam doentes. “Constatamos que muitas pessoas têm algum tipo de insuficiência renal, mas não foram diagnosticados o que representa uma perda de oportunidade de prevenção e também uma piora de qualidade de suas vidas”, salientou.

Outro dado que chamou atenção da pesquisadora foi a prevalência da anemia (9,86%). Segundo Deborah, pesquisa realizada em 2006 com mulheres em idade fértil revelava um índice de 29,4%. A queda, considerada “muito expressiva”, é resultado da política dirigida ao público materno-infantil, explicou a pesquisadora. “Em 2004 houve o programa de fortificação das farinhas de trigo, milho e arroz, e também a implantação do Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), destinado às crianças de 6 a 24 meses e gestantes. Esses resultados mostraram a efetividade dessas políticas”, salientou.

O que diz a pesquisa sobre...

O consumo de sal

Os dados da PNS apontam que praticamente três quartos dos brasileiros têm consumo alto de sal (mais de 8 gramas por dia), sendo maior entre homens e entre os mais jovens. O consumo médio diário foi estimado em 9,34 gramas — 9,63 entre homens e 9,08 entre mulheres. O maior uso foi observado na faixa etária de 30 a 44 anos (9,56 g/dia) e o menor, no grupo de pessoas com 60 anos ou mais (9,01 g/dia). Os pesquisadores não observaram diferença significativa de consumo de sal no que diz respeito à cor da pele nem à escolaridade. Quanto às regiões do Brasil, constatou-se consumo mais baixo na Região Norte (8,78 g/dia) e mais elevado no Sudeste (9,50 g/dia) e no Sul (9,40 g/dia).

A maior parte das pessoas (97,6%) consomem mais de 5 gramas por dia, índice considerado alto. O uso muito elevado, com mais de 12 gramas por dia, foi mais frequente em homens (15,7%) do que em mulheres (10,8%). Já a proporção dos que consomem mais de 12 gramas por dia é menor (11,35%) no grupo com escolaridade mais alta e nas regiões Norte e Centro-Oeste. Os pesquisadores alertam que programas de redução de consumo demandam ações coordenadas para seu enfrentamento, como, por exemplo, melhoria de acesso a alimentos saudáveis, ações de educação para a saúde, além da regulação e do monitoramento de acordos celebrados com a indústria de alimentos, para atingir todas essas subcategorias, e não somente grupos específicos, como hipertensos e doentes crônicos renais.

Quem consome muito sal tem maior risco de desenvolver pressão alta (presente em 28% dos adultos brasileiros), doenças cardiovasculares e insuficiência renal. Além disso, estima-se que até 10% das mortes por doenças cardiovasculares (DCV) podem ser atribuídas ao consumo de sódio superior a 2 gramas diários. Mas, se a realidade é uma, a percepção dos brasileiros é outra: apesar do excesso, 85,8% dos adultos pesquisados revelaram acreditar que consomem pouco sal.

Anemia

O estudo levantou a prevalência de anemia entre adultos e idosos no Brasil (9,86%), percentual que pode ser considerado sem expressão frente às estimativas da doença no mundo. A anemia atinge 27% da população mundial e sua prevalência pode variar de 9%, em países de alta renda, até 43%, em países de baixa renda. Contudo, Deborah destaca que a amostra estudada não incluiu crianças, grupo que manifesta grande risco de apresentar anemias e de sofrer as mais graves consequências do agravo. “Isso pode justificar a menor prevalência em comparação a outros estudos que envolveram populações de todas as faixas etárias”, salientou.

Em todos os critérios, a prevalência foi mais elevada entre mulheres e nas pessoas com mais de 30 anos, alcançando entre 14,2 e 22,6% acima de 60 anos. A prevalência maior de anemia moderada a grave foi verificada entre mulheres (12,2%), idosos (24,3%), pessoas de baixa escolaridade (11,9%), pessoas negras (17,1%) e das regiões Norte e Nordeste. Entre as mulheres, são as mais jovens que apresentam maior prevalência. “Os dados revelam uma grande desigualdade entre as pessoas”, diz Déborah, salientando que a anemia em idosos é muito preocupante, já que pode causar maior mortalidade.

Entre homens, a menor prevalência foi constatada entre os que tinham nível de educação médio completo ou mais, além de negros. Os resultados mostram também que, em geral, quanto à gravidade, 1,9% apresentou anemia moderada a grave e 8,0% anemia leve. As maiores prevalências de anemia moderada a grave foram verificadas no sexo feminino, em idosos (5,9%), em pessoas negras e entre os que possuem baixa escolaridade.

O que também chamou a atenção da pesquisadora foram os dados da Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS), de 2006, que detectou um índice de 29,4% de anemia em mulheres em idade fértil. “Uma década depois temos 12% em mulheres em idade fértil. A queda é expressiva e atribuímos às políticas públicas materno-infantil voltadas à baixa renda. Nós podemos avançar muito quando as doenças são bem diagnosticadas e depois recebem o tratamento adequado”, observou. Segundo a pesquisadora, em 2004, houve o programa de fortificação de farinha de trigo, de milho, ferro e ácido fólico e a implantação do Programa Nacional de suplementação de ferro dirigido para crianças, de 6 a 24 meses, e gestantes e nutrizes.

Diabetes

O estudo registrou Diabetes mellitus em 6,6% dos adultos e que 6,8% estão pré-diabéticos. Isso significa dizer que até um décimo da população brasileira tem diabetes, e que pré-diabetes pode chegar até a um sexto do total de brasileiros. “Essa foi uma surpresa”, comentou Débora Carvalho (UFMG), integrante do grupo de pesquisa. Se incluídas as pessoas que referiram ter diagnóstico de diabetes e/ou usam medicamentos, a prevalência da doença sobe para 8,4%. O percentual mais que dobra na população obesa (17%) e idosos (14%, entre pessoas com 70 anos e mais). Os resultados preocupam os pesquisadores já que o controle da doença é essencial para evitar acidentes vasculares e sistêmicos do diabetes mellitus tipo 1.

A prevalência foi mais elevada entre mulheres, aumentou com a idade e foi maior em populações de baixa escolaridade, com sobrepeso, obesidade (17%) e no Centro-Oeste do país. Ser do sexo masculino e escolaridade alta foram fator de proteção para diabetes. Quanto à idade, os idosos apresentam prevalências mais elevadas, o que pode ser justificado pelas alterações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento. Em todos os critérios, a prevalência foi mais elevada entre mulheres e nos indivíduos com idade acima de 30 anos, alcançando entre 14,2% (laboratorial) e 20,6% (Laboratório ou medicamento) nas pessoas acima de 60 anos.

Uso de medicamentos

Os pesquisadores avaliaram que é alto o uso de medicamentos para hipertensão arterial e diabetes na população brasileira. O uso de medicamentos para controle da hipertensão arterial foi feito por 81,4% dos hipertensos, sendo maior entre as mulheres, a população branca e que tem plano de saúde. O estudo mostrou que a utilização do medicamento cresce com a idade e é menor na Região Norte. No caso de diabetes mellitus, o uso foi de 80,2% para os diabéticos, sendo maior entre a Região Sudeste, os idosos, os pacientes com maior escolaridade e com plano de saúde.

O uso de anti-hipertensivos foi maior nos pacientes com plano de saúde, em comparação aos sem plano, apenas no segmento dos idosos (6% maior) e nos residentes da Região Nordeste (9% maior). No que diz respeito ao uso de antidiabéticos, ele foi próximo a 10% entre os indivíduos com plano, em comparação aos sem plano, em quase todas as categorias analisadas, sendo a diferença maior (44%) constatada no segmento etário de 30 a 59 anos.

De acordo com os pesquisadores, o aumento da cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF), um dos mais importantes contatos dos usuários com o serviço de saúde no Brasil, tem relação com a alta utilização de medicamentos para hipertensão e diabetes e proporcionou a ampliação do acesso da população a esses serviços. Além disso, eles observaram que as desigualdades socioeconômicas e regionais de uso desses medicamentos não foram expressivas, em decorrência de políticas públicas adotadas, como a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), a Política Nacional de Medicamentos (PNM) e o Programa Farmácia Popular do Brasil (PFPB), que visam promover maior e mais equânime acesso da população a medicamentos.

Doença Renal

A PNS também foi o primeiro estudo nacional a apresentar avaliação de função renal para a população adulta brasileira por meio de critérios laboratoriais. Para isso, fez a dosagem de creatinina sérica e estimou a taxa de filtração glomerular (TFG), segundo variáveis sócio demográficas, dois exames utilizados para detectar doenças renais. A prevalência de insuficiência renal foi de 6,7%. O resultado surpreendeu os pesquisadores: as estimativas foram até quatro vezes maiores se comparadas com outras pesquisas feitas antes no país, em geral “autorreferidas” e baseadas nos relatos dos próprios doentes. “Nós verificamos que a insuficiência real foi relatada por 1,7%.

Os resultados dos exames laboratoriais sugerem que há um subdiagnóstico da doença renal no país, salientaram os pesquisadores. A partir dos resultados, Deborah destaca que muitos brasileiros têm insuficiência renal, mas não foram diagnosticados. “Isso representa uma perda de oportunidade de prevenção e também piora de qualidade de vida”, indicou. A baixa TFG foi mais frequente em mulheres (8,2%), na faixa etária de 60 anos ou mais (21,4%) e entre pessoas com escolaridade mais baixa (9,6%). Ela salientou ainda que o estudo não observou diferença com relação à cor da pele e recomenda que as equações que calculam TFG não utilizem correção para negros.

Novos valores de referência laboratoriais

Quem tem um laudo de um laboratório nas mãos sabe que basta comparar os números com os que são apresentadas no próprio exame para ver se todos os marcadores estão dentro da normalidade ou fora do padrão. Chamados de valores de referência, esses parâmetros são estabelecidos por entidades internacionais. A partir dos números levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), os brasileiros vão contar, pela primeira vez, com marcadores bioquímicos mais próximos de sua realidade, para o monitoramento de importantes questões de saúde. “Hoje, se você faz um exame de sangue num laboratório, o resultado vem acompanhado de uma série de parâmetros que não representam o que seriam valores de referência adequados à nossa realidade”, observou Celia Landmann, coordenadora da pesquisa.

Segundo ela, os valores de referência podem ser influenciados por fatores populacionais e ecológicos, como idade, sexo, raça, nível socioeconômico, exposição a agentes químicos, físicos e biológicos, e por isso há diferenças entre as populações. “O Brasil é marcado pela miscigenação, com uma grande diversidade de raças, etnias, povos, segmentos sociais e econômicos. A composição de amostras de sangue e de urina de um europeu ou de um americano é diferente da nossa”, explicou à Radis.

A PNS foi realizada em 2013 e 2014 em quase 70 mil domicílios, quando foram entrevistados 60 mil adultos. A pesquisa foi conduzida pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma subamostra foi definida para a realização de exames laboratoriais: em 2014 e 2015, foram coletadas amostras de sangue e de urina de quase nove mil pessoas acima de 18 anos, em todas as regiões do país. Celia salientou a complexidade do trabalho. “Determinar os valores de referência de exames laboratoriais é um grande desafio, pois exige metodologia adequada, que inclui a amostragem representativa da população e cuidados metodológicos na coleta, no processamento, no transporte e na análise bioquímica e estatística”. Uma nova coleta de material biológico será realizada na Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS), em 2021, segundo informou Cimar Azeredo, vice-diretor de Pesquisa do IBGE.

A coleta do material biológico da PNS e a análise dos exames laboratoriais foram realizadas por um consórcio liderado pelo grupo DASA, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Foram adotados pesos de pós-estratificação segundo sexo, idade, escolaridade e região. Os exames laboratoriais realizados com as amostras de sangue foram: hemoglobina glicada; colesterol total e frações; sorologia para dengue; hemograma série vermelha (eritograma) e série branca (leucograma); cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) para diagnóstico de hemoglobinopatias; creatinina; e, com as amostras casuais de urina, estimativas de excreção de potássio, sódio e creatinina.

Entre os resultados, a pesquisadora Deborah Carvalho, da UFMG, salientou a presença de hemoglobinopatias em 3,7% da população. As principais foram o traço falciforme (2,49%), a talassemia menor (0,30%) e a suspeita de talassemia maior (0,80%). Em relação ao traço falciforme e à suspeita de talassemia maior, houve diferença estatisticamente significativa para a variável cor da pele. As prevalências encontradas para traço falciforme segundo cor de pele foram: preta (4,1%), parda (3,6%), branca (1,2%) e outras (1,7%).

O trabalho da pesquisa possibilitou ainda a criação de uma soroteca, coordenada pelo Ministério da Saúde, reunindo as amostras biológicas, que serão preciosas para pesquisas. “Tendo em vista os eventos esportivos que ocorreram na época de coleta de material biológico, hipóteses sobre a circulação de vírus oriundos de outros países poderão ser investigadas com esses dados”, exemplificou a pesquisadora. Todos os resultados da pesquisa e dos novos valores para os exames laboratoriais podem ser consultados no suplemento temático da Revista Brasileira de Epidemiologia de novembro.

Desigualdades na Saúde

A Pesquisa Nacional de Saúde detectou grandes desigualdades entre os diferentes estratos de renda no acesso à saúde bucal, no perfil da alimentação e entre mulheres beneficiadas pelo Programa Bolsa Família. Na saúde bucal, a perda de dentes [edentulismo] na população com mais de 60 anos afeta mais do que o dobro das pessoas com renda per capita inferior a meio salário mínimo, em comparação às pessoas da mesma faixa etária que têm renda superior a três salários mínimos — a prevalência da doença varia de 44%, no primeiro grupo, para 20%, no segundo.

Na maioria dos indicadores de condições bucais, a magnitude das desigualdades foi elevada em ambos os grupos. A renda mostrou-se um fator que persiste limitando o acesso aos serviços odontológicos e, mesmo entre os segmentos de menor renda, há números elevados de pessoas que pagam por consulta odontológica. Segundo os pesquisadores, os achados do estudo podem contribuir para o planejamento da assistência odontológica no país, e para estimular o monitoramento destas disparidades com dados das próximas pesquisas. As maiores desigualdades foram verificadas no uso de fio dental, nas práticas de higiene e na perda de todos os dentes e dificuldade de mastigar.

A análise no perfil de alimentação dos brasileiros mostrou, por sua vez, resultados contraditórios. Quanto aos alimentos saudáveis, brancos, pessoas com maior renda e maior grau de escolaridade têm melhor perfil alimentar com consumo mais frequente de frutas, legumes e vegetais. Contudo, paradoxalmente, também nos segmentos de melhor condição social foram identificadas maiores prevalências quanto ao consumo de alimentos doces e substituição de refeições por sanduíches, salgados ou pizzas.

Outra análise realizada se voltou a mulheres em idade reprodutiva beneficiárias do programa Bolsa Família. Houve grande disparidade na proporção de mulheres que avaliam a própria saúde como boa ou muito boa: variou de 61,6%, entre as beneficiárias, e 75,3% entre as não beneficiárias. Apesar disso, a maioria dos marcadores biológicos não mostrou diferenças significativas. “Os indicadores mostram que a população mais vulnerável é altamente afetada por políticas de austeridade. Já vimos que, em dois anos, elevou a taxa de mortalidade infantil e materna. É possível que tenhamos uma piora. Nada melhor do que dados para monitorar. É uma linha de base para comparar”.

Outra informação trazida pela pesquisa é que os idosos pertencentes aos segmentos da população com maior nível de escolaridade e renda mostraram maior participação em todas as atividades consideradas no estudo — atividades sociais e cívicas, a prática de esportes e o trabalho remunerado ou voluntário. “Vivemos um processo intenso de transição demográfica no Brasil, com o rápido crescimento da expectativa de vida. As desigualdades comprovadas pela PNS representam um grande desafio, e um alerta para que as políticas públicas criem estratégias para que os brasileiros tenham oportunidades iguais de desfrutar de uma velhice saudável e ativa”, conclui Celia.

Foram também pesquisados indicadores de envelhecimento ativo na população brasileira. Os dados mostraram que a participação em distintas atividades na velhice pode estar relacionada aos papéis tradicionais de gênero que se naturalizaram ao longo do ciclo de vida. O percentual de envolvimento em atividades sociais organizadas, participação cívica e atividade física foi de 25,1; 12,4 e 13,1%, respectivamente. Em relação ao trabalho, 20,7% exerciam trabalho remunerado e 9,7% participavam de voluntariado. As mulheres apresentaram maiores prevalências de participação em atividades sociais organizadas e em trabalho voluntário; e entre os homens prevaleceu a participação cívica e o trabalho remunerado. Entre os brancos, foram observadas maiores frequências de participação em atividades sociais, trabalho voluntário e atividade física de lazer, explicadas pela escolaridade. A partir desses resultados, os pesquisadores salientaram que “ainda foi possível evidenciar as possibilidades de contribuição do SUS na efetivação do envelhecimento ativo no Brasil, seja promovendo ações específicas de saúde que favorecem a vida ativa, seja fomentando a participação em atividades com vistas a retroalimentar a saúde dos idosos”.


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