Semana On

Quinta-Feira 24.set.2020

Ano IX - Nº 411

Saúde

OMS pede que países levem ameaça do coronavírus a sério

Brasil já tem oito casos confirmados. Em MS, Estado monitora cinco casos suspeitos

Postado em 06 de Março de 2020 - DW, Semana On

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O número infecções pelo coronavírus Sars-CoV-2 no mundo chegou a quase 100 mil nesta sexta-feira (6), causando alertas globais sobre as consequências econômicas e sociais da disseminação do patógeno.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, cobrou mais compromisso político de lideranças mundiais no enfrentamento ao surto. Segundo ele, uma "longa lista" de países não estão levando o surto tão a sério como deveriam, para "se adequar ao nível de ameaça que todos estamos enfrentando".

"Isto não é um treino", disse Ghebreyesus a repórteres nesta quinta-feira, exortando os países a se prepararem "de forma agressiva". "Não é hora de desistir, e não é hora para desculpas. Agora é o momento de fazer de tudo", acrescentou, sem citar quais países não estariam politicamente comprometidos em combater a doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus que surgiu na província central chinesa de Hubei no final do ano passado. Desde então, mais de 100 mil pessoas foram infectadas em 87 países e territórios, de acordo com a agência AFP. O número de mortes provocadas pelo vírus no mundo é de cerca de 3,4 mil.

Na Alemanha, o Instituto Robert Koch (RKI, na sigla em alemão), agência governamental responsável pelo combate e prevenção de doenças, divulgou que o país registrou 134 infecções pelo coronavírus entre quinta e sexta-feira.

O número de pessoas infectadas subiu para 534 na Alemanha na manhã desta sexta, contra 400 registradas na tarde do dia anterior. Mais da metade dos casos (281) está concentrada no estado mais populoso do país, a Renânia do Norte-Vestfália. O segundo estado mais afetado é Baden-Württemberg (91), seguido da Baviera (79). A capital, Berlim, tem 15 casos confirmados.

A disseminação do Sars-CoV-2 na Alemanha levou o RKI a publicar, também na quinta, um adendo ao plano nacional contra pandemias, que valia, entre outros, para vírus de gripe (influenza).

Apesar de ser o segundo país com mais casos de coronavírus na Europa depois da Itália, a Alemanha não registrou nenhuma morte relacionada ao Sars-CoV-2. Em comparação, de acordo com o Instituto Robert Koch, cerca de 200 pessoas morreram de gripe na Alemanha no inverno do país. O número de amostras de casos de influenza encaminhados para análise no instituto desde outubro passado foi de quase 120 mil. Cerca de 17% desses casos resultaram em internação. A grande maioria dos falecimentos (87%) foi de pessoas com mais de 60 anos.

Em todo o mundo, a economia – especialmente o setor do turismo – e a vida cotidiana das pessoas está sendo afetada pelo surto de coronavírus. A cúpula do Programa Alimentar Mundial, agência da ONU para alimentação, alertou para a potencial "devastação absoluta" com os efeitos do surto na África e no Oriente Médio.

Os mercados asiáticos voltaram a registrar quedas vertiginosas nesta sexta-feira em meio a temores sobre o impacto do vírus na economia, enquanto países do mundo inteiro adotam medidas para conter o contágio.

Até mesmo a religião lida com as consequências do coronavírus: o Vaticano, confirmou seu primeiro caso nesta sexta e divulgou que estuda suspender a audiência semanal do papa Francisco devido ao surto. Na Cisjordânia, Belém foi fechada para turistas. Na Arábia Saudita, as peregrinações a Meca foram suspensas para muçulmanos estrangeiros e sauditas.

O governo do Irã planeja limitar viagens e exortou a população a parar de usar dinheiro vivo. O país tem mais de 3.500 casos e pelo menos 107 mortes relacionadas ao Sars-CoV-2.

Nesta sexta-feira, a Coreia do Sul, país mais afetado pela covid-19 fora da China, anunciou que já registrou mais de 6 mil infecções e 42 mortes, o que levou o país a estender as férias escolares por três semanas. Por outro lado, o número de casos no país vem caindo. Nesta sexta-feira, foram reportadas 505 novas infecções, uma queda considerável em relação aos 851 novos casos na quinta.

Na Europa, o número de infecções aumenta tanto na Alemanha quanto na França (423 casos e sete mortes), mas a Itália concentra o maior número de casos. Na quinta-feira, o número de mortes relacionadas ao Sars-CoV-2 em solo italiano subiu para 148, transformando o surto do coronavírus no país no mais letal fora da China. Esta semana, o governo italiano determinou o fechamento de escolas e universidades até pelo menos o dia 15 de março. Mundialmente, o número de estudantes que foi mandado para casa é de cerca de 300 milhões.

Na China, onde surgiu a nova cepa do coronavírus, foram relatados 143 novos casos na sexta, o equivalente a cerca de um terço dos casos registrados há uma semana. Há apenas um mês, a China vinha relatando milhares de novos casos por dia.

Nos Estados Unidos, o cruzeiro Grand Princess está ancorado na costa da Califórnia, com 3.500 pessoas a bordo, porque um passageiro de uma viagem anterior no navio morreu devido ao coronavírus, e pelo menos outras quatro pessoas a bordo foram infectadas. O Grand Princess é da mesma linha que opera o Diamond Princess, cruzeiro que ficou em quarentena no porto japonês de Yokohama no mês passado. Mais de 700 das pessoas a bordo tiveram infecções pelo coronavírus.

Brasil já tem oito casos confirmados de coronavírus

O número de infecções pelo novo coronavírus mais do que dobrou em apenas um dia no Brasil, informou o Ministério da Saúde na tarde de quinta-feira (5).

O país já tem oito casos confirmados em três estados – seis em São Paulo, um no Espírito Santo e outro no Rio de Janeiro. Há outros 636 casos suspeitos, enquanto 378 foram descartados.

Em São Paulo, foram confirmados ainda os dois primeiros casos de transmissão direta dentro do país – até então, todos os pacientes haviam sido contaminados durante viagens ao exterior.

Segundo o Ministério da Saúde, esses dois pacientes tiveram contato com a primeira pessoa diagnosticada com o vírus no país, um homem de 61 anos que mora em São Paulo e esteve na Itália entre 9 e 21 de fevereiro.

Logo após retornar do país europeu, ele participou de um almoço com outras 30 pessoas, que passaram a ser monitoradas pelas autoridades de saúde. Um dos dois pacientes confirmados em São Paulo nesta quinta-feira é parente dele, e o outro é um conhecido.

Já o caso confirmado no Espirito Santo é de uma mulher de 37 anos com passagem recente pela Itália, país que vive o pior surto de covid-19 na Europa.

O estado do Rio também confirmou seu primeiro caso nesta quinta. A Secretaria Estadual de Saúde deve fazer uma coletiva de imprensa durante a tarde para fornecer mais detalhes.

Há ainda um nono caso em observação. As autoridades aguardam o resultado da contraprova de um teste que apresentou resultado positivo no Distrito Federal. O caso em questão foi detectado por um laboratório particular e será avaliado pelo Laboratório Central de Goiás.

Ao todo, cinco novos casos foram confirmados no país nesta quinta-feira, sendo um pela manhã – uma menina de 13 anos que mora em São Paulo e esteve na Itália – e outros quatro durante a tarde.

A adolescente contaminada retornou da Europa no último domingo e foi atendida na Beneficência Portuguesa, na capital paulista, na terça-feira. O hospital coletou amostra para um primeiro exame, realizado pelo Laboratório Fleury, e um teste de contraprova feito pelo Instituto Adolf Lutz confirmou o resultado.

Primeiramente, o governo havia dito que o registro não seria listado como caso confirmado por não preencher a definição da doença covid-19, já que a menina não apresenta sintomas.

"Segundo critérios técnicos, embora tenha confirmado a presença do vírus, um portador assintomático não cumpre a definição de caso, o que incluiria febre associada a mais um sintoma respiratório. Portanto, esse não será somado aos casos confirmados", dissera a pasta em nota.

Contudo, após reunião com especialistas, o ministério voltou atrás e decidiu confirmar o caso. Além de o teste ter dado positivo para o vírus e a adolescente ter estado em uma área de alta transmissão, a mudança de posição se deveu ao fato de a paciente ter tomado remédios que podem ter escondido os sintomas e à possibilidade de ela ainda vir a apresentá-los.

Em nota mais cedo, a pasta informou que estuda a infecção assintomática em conjunto com as secretarias estadual e municipal de Saúde de São Paulo. "Outras análises estão sendo realizadas, que devem mostrar situações como carga viral e potencial de transmissão, supressão de sintomas por uso de medicamentos e histórico dos familiares que a acompanharam na viagem", diz o texto.

Aa adolescente esteve em Milão e na região de Dolomitas, perto da fronteira com a Áustria. Ali, ela foi internada em um hospital por uma lesão no joelho, onde pode ter ingerido medicamentos que esconderam os sintomas de covid-19.

Não há recomendação para que pessoas assintomáticas sejam testadas para o coronavírus, portanto não ficou claro por que a menina passou pelos exames. Possivelmente tenha sido porque ela esteve internada em área de alta transmissão ou porque os testes eram necessários para determinados procedimentos médicos futuros.

O terceiro caso de coronavírus no Brasil havia sido confirmado na quarta-feira – um paciente colombiano de 46 anos, que também mora em São Paulo. Ele viajou recentemente para a Europa, com passagens pela Itália, Alemanha, Espanha e Áustria.

Os dois primeiros casos brasileiros, confirmados no fim de fevereiro, são homens de 32 e 61 anos, ambos residentes em São Paulo e que também estiveram na Itália recentemente.

Em todo o mundo, o vírus já infectou mais de 95 mil pessoas, e o número de mortes ligadas à doença ultrapassou 3.200, chegando a mais de 80 países e territórios até esta quinta-feira.

A doença se alastra atualmente com mais rapidez no exterior do que na China, epicentro do surto, onde 31 novas mortes e 139 casos foram confirmados nesta quinta. A cifra no país asiático é agora de 3.012 mortes e mais de 80 mil infecções.

EM MS, Secretaria da Saúde monitora cinco casos suspeitos

A Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) monitora em Mato Grosso do Sul cinco casos suspeitos de coronavírus em Campo Grande. Seis casos foram descartados, por darem negativo para coronavírus pelo exame do Instituto Adolfo Lutz (IAL), entre eles o do paciente de Ponta Porã. As informações estão no boletim epidemiológico divulgado na quinta-feira (5).

Desde o dia 25 de janeiro, foram registradas 22 notificações de casos suspeitos do coronavírus em Mato Grosso do Sul. 17 casos foram desconsiderados para COVID-19. Destes, oito foram excluídos por não se encaixarem na definição de caso suspeito do Ministério da Saúde.  Três foram descartados por serem diagnosticados com influenza A, após exames do Lacen.

Foram descartados um caso em Ponta Porã e cinco em Campo Grade por darem negativo no exame para coronavírus, realizado pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo.

Os cinco casos em investigação já passaram pelo exame de triagem do Lacen e foram enviados para Instituto Adolfo Lutz (IAL) para serem pesquisados outros tipos de vírus respiratórios, incluindo o novo coronavírus (2019-nCOV).

A Secretaria de Estado de Saúde irá publicar o boletim epidemiológico referente às notificações de casos suspeitos de coronavírus (COVID-19) diariamente às 16h, exceto finais de semana.

As informações divulgadas pela Secretaria são os dados oficiais consolidados do Estado que são repassados ao Ministério da Saúde.


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