Semana On

Sexta-Feira 25.set.2020

Ano IX - Nº 411

Coluna

Dignidade e Liberdade: trabalho, corpo e território

Manifestações 8M no Dia Internacional da Mulher

Postado em 04 de Março de 2020 - Ricardo Moebus

Foto: Luciana Bello Foto: Luciana Bello

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Vem chegando o 8M, as manifestações previstas para o Dia Internacional da Mulher, com uma força estupenda de engajamento da grande variedade de coletivos que compõem a luta das mulheres pela dignidade, pela liberdade, pela igualdade de gênero, mas também, cada vez mais, a luta das mulheres pelo direito à terra, pelo direito à água, pelo direito à vida, pelo dirieito ao futuro, pelos direitos das futuras gerações que elas carregam em seus ventres.

A luta das mulheres indígenas, a luta das mulheres negras, a luta das mulheres campesinas, a luta das trabalhadoras rurais, a luta das trabalhadoras domésticas, a luta das mulheres ameríndias, a luta das mulheres andinas, a luta das mulheres operárias, a luta das mulheres estudantes, a luta das mulheres professoras, a luta das mulheres trans; na luta, as mulheres vem demonstrando cada vez mais seu lugar e seu papel protagonista no enfrentamento das tiranias, dos fascismos, da necropolítica.

Esta é uma luta de todos nós, não só das mulheres, mas não há dúvida que as mulheres tem sido o ponto mais sensível neste combate contra os novos autoritarismos, os novos fascismos.

Todo dia nasce uma Marielle para lutar francamente pela justiça social e contra a violência policial.

Todo dia nasce uma Dandara, uma Angela Davis para lutar pela liberdade e pela igualdade de direitos.

Todo dia nasce uma Ana Primavesi para lutar pela soberania alimentar e pelo solo saudável.

Todo dia nasce uma Vandana Shiva para lutar pela agricultura tradicional e a soberania rural.

Todo dia nasce uma Nise da Silveira para lutar contra a opressão manicomial.

Todo dia nasce uma Pagu, uma Tarsila do Amaral para lutar pela liberacão, pela superação da estética conformista.

Todo dia nasce uma Leila Diniz para lutar contra o conformismo e o moralismo cultural machista.

Todo dia nasce uma Greta Thumberg para lutar e gritar contra a injustiça climática, contra a catástrofe como herança maldita.

Todo dia nasce uma índia Tuíra, uma Sônia Guajajara, uma Rigoberta Menchú para lutar pelos direitos dos povos originários.

Todo dia nasce uma Margarida para lutar pelos direitos das mulheres do campo, das trabalhadoras rurais.

Lugar de mulher é onde ela quiser!

Mas cada vez mais este lugar escolhido pelas mulheres tem sido a luta, a trincheira existencial, contra as variadas, múltiplas, disseminadas e disfarçadas formas de opressão, exploração, sujeição do ser humano em geral e da mulher em especial. 

Todos nós chegamos a este planeta embalados pela nave mãe que nos carregou.

Devemos nada menos que a própria vida, a própria sobrevivência à força do espírito feminino.

No dia 8 de Março a homenagem às mulheres só pode ser uma: irmos juntos para as ruas contra o que nos oprime, contra o que mutila a potência da vida, contra o que diminui a alegria de viver, contra a necropolítica.


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