Semana On

Quinta-Feira 28.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Comportamento

O que é misoginia?

Buscas pelo termo têm crescido após casos de assédio na imprensa e revelam uma longa lista de pensadores que, desde a Grécia Antiga, defendiam a inferioridade feminina

Postado em 25 de Fevereiro de 2020 - Galileu

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Criado na Grécia Antiga, o termo misoginia (infelizmente) ainda é muito atual. A procura pelo seu significado aumentou no Google após os ataques a Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha de São Paulo que foi insultada por falsas acusações de Hans River, ex-funcionário de empresa de disparo de mensagens em massa envolvida na CPMI das Fake News, escândalo coberto pela repórter.

Depois de colaborar com a apuração da reportagem, River negou sua participação e acusou Mello de ter se insinuado sexualmente para extrair informações. A declaração foi desmentida e logo classificada de machista ou misógina por quem acompanha o caso.

Mas, afinal, o que é misoginia? Do grego, ela tem origem em duas palavras: miseó, que siginifica "ódio", e gyné, que significa "mulher". Nos dicionários, ela está relacionada ao ódio ou aversão às mulheres.

Hoje, entende-se que a misoginia pode se manifestar de diversas formas, como através da objetificação, da depreciação, do descrédito e dos vários tipos de violência contra a mulher, seja física, moral, sexual, patrimonial ou psicologicamente.

Raiz do problema

Há séculos, a misoginia tem dado as caras na história humana. Desde a Grécia Antiga, é possível identificar uma série de ideias que corroboravam a hipótese de que mulheres eram inferiores aos homens. Ao considerá-las "homens imperfeitos", Aristóteles é um dos mais antigos pensadores a serem criticados, hoje, por suas ideias misóginas. E a lista não para por aí. Hobbes, Descartes, Rousseau, Hegel, Nietzsche e Freud também colaboraram de alguma forma para sustentar a ideia da inferioridade feminina e alimentar a repulsa por mulheres.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer, por exemplo, criticou a "natureza feminina" diversas vezes em seus ensaios, como quando alegou que as mulheres eram "por natureza destinadas a obedecer". Até mesmo Charles Darwin defendeu ideias como a de que mulheres, crianças e "selvagens" tinham cérebros menores e, consequentemente, menos intelecto.

Apesar de já terem sido contestadas e derrubadas pela ciência, ideias como essa sustentam atos de violência e assédio até hoje.


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