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Sexta-Feira 14.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Comportamento

Além do “não é não”: saiba como não perpetuar machismo no Carnaval

Para o carnaval ser mais democrático, é necessário repensar atos e omissões sexistas que prejudicam mulheres nas ruas. Veja 5 exemplos

Postado em 21 de Fevereiro de 2020 - Giovanna Galvani - Carta Capital

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Reconhecer comportamentos sexistas e aprender a evitá-los é um processo necessário para a desconstrução de machismos, mas esse movimento não deve ser feito apenas por mulheres.

No carnaval e muito além de fevereiro, é necessário debater sobre quais ações são reprováveis e quais devem ser tomadas caso uma mulher esteja sob perigo ou tensão gerada por um assédio.

Para situações complexas, não há saída mais efetiva do que o debate: separamos algumas dicas úteis de conscientização e prática para a criação de um espaço mais seguro para elas. Confira:

1. Não é não: flerte não é assédio

Há uma diferença entre o flerte e o assédio, e é importante falar sobre ela. Apesar do “Não é não” ter se popularizado após um coletivo de mulheres investir em disponibilizar adesivos para o Carnaval de 2017, há a ideia de que insistir em ficar com alguém faz parte do flerte. Não faz.

Algumas campanhas nas redes sociais mostraram como não existe uma compreensão de que o não é, realmente, não. Muitos pensam que é uma questão de charme, timidez ou que a mulher irá mudar de ideia, mas a insistência em si também amedronta quem está na rua para se divertir.

Em um vídeo da plataforma Catraca Livre, é possível ver como a opinião popular dos homens de flerte e assédio é diferente das mulheres. “Se a gente já trocou um olhar, não é chegar puxando o cabelo, mas se colocar a mãozinha na cintura, ok!”. Nada certo:

Outra das campanhas que circularam nas redes contra o assédio no Carnaval foi idealizada pela Revista AzMina, especializada no debate de gênero, que também nomeou como as “cantadas” que sexualizam não são nada menos do que abusivas.

“O cara curte uma mulher. Chama ela, uma completa desconhecida, de ‘gostosa’ e ‘delícia’. Ela provavelmente vai ficar com medo”, diz uma das publicações.

2. A roupa (ou falta dela) não diz nada

É o clichê: verão, fevereiro, carnaval… usar roupas curtas não tem nada a ver com provocações, mas sim com a festa e a liberdade de escolha de cada um.

Dessa forma, justificar um toque, um olhar malicioso e qualquer comentário sobre a forma como a mulher está vestida é algo que deve ser barrado além do carnaval.

Um caso recente de assédio serve como exemplo: uma adolescente gravou um motorista de aplicativo assediando-a e publicou nas redes sociais. O homem justificou suas ações ao dizer que a garota estava com um “shorts do tipo Anitta” e sentada de maneira “desleixada” no banco do carro.

Em uma mentalidade sexista, isso significa que a mulher “estava pedindo” ou “dando os sinais” para falas que sugiram contato sexual. Erro crasso.

3. Muvuca não é desculpa

O carnaval de rua cresce a cada ano nas capitais do País, assim como a quantidade de bloquinhos. A aglomeração de pessoas em cortejos mais famosos, porém, não justifica qualquer aproximação maliciosa, que envolva roçar partes íntimas propositalmente em mulheres nas ruas, no transporte público e em qualquer lugar.

Se você for homem, procure não ficar atrás de mulheres nessas situações, porque elas podem ficar extremamente desconfortáveis e se sentirem inseguras em relatar o incômodo. Peça licença, seja educado. Passe de lado ou fique junto de seus colegas para não constranger nenhuma desconhecida.

4. Não se silencie

O assédio nas ruas também envolve quem não é a vítima dele: mulheres são desmerecidas ao relatarem alguma situação abusiva, e assistir a tudo de longe não melhora a situação para ninguém.

Caso veja uma mulher precisando de ajuda ou discutindo em relação a algum assédio, procure saber o que houve e a escute. Caso ela esteja nervosa com o que acabou de acontecer, acalme-a com palavras, e não com abraços ou toques indesejados.

Se você for homem, procure chamar uma colega para ajudá-la também – ela tende a confiar mais em uma outra mulher, não leve para o lado pessoal. Caso necessário, chame a polícia para apurar as circunstâncias do ocorrido, já que ninguém é justiceiro para resolver problemas com as próprias mãos. O importante é deixar claro que ela não está sozinha.

5. Seja solidário

Uma mulher desacordada por beber ou passar mal não é motivo de graça ou chacota, muito menos de filmagens e fotos indevidas. Assédio sexual é crime previsto na Lei de Importunação Sexual e, em casos mais graves, pode ser enquadrado como estupro de vulnerável.

Por isso, se perceber que uma mulher não está consciente ou está sozinha e desorientada, ofereça ajuda. Da mesma forma do item anterior, se você for homem, chamar uma amiga para intermediar a conversa irá deixar a outra mulher mais aliviada.

Procure saber se ela está com amigos e se pretende encontrá-los, e não deixe que ela volte sozinha para casa, ainda mais com motoristas homens. Ofereça o telefone para ela ligar para alguém de confiança e deixe claro que você está ali para ajudá-la.

Em casos extremos, procure as autoridades locais. Se a mulher chegou a ser violentada de alguma forma, é necessário que ela seja encaminhada para um hospital a fim de cuidar de sua saúde em primeiro lugar. A ida à delegacia e o boletim de ocorrência podem ser feitos em um segundo momento.


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