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Domingo 24.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Comportamento

Vítimas de violência doméstica têm risco 40% maior de morrer por qualquer causa

Pesquisa sugere que em mulheres que sofrem abusos dentro de casa probabilidade de doenças cardiovasculares é 31% maior – e risco de diabetes tipo 2 aumenta em 51%

Postado em 18 de Fevereiro de 2020 - Galileu

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Um estudo realizado pelas universidades de Warwick e de Birmingham, ambas no Reino Unido, concluiu que mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica têm um risco 40% maior de morrer de qualquer causa do que a população em geral. Os pesquisadores também identificaram uma maior tendência a desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Publicado na revista científica Journal of the American Heart Association, o artigo analisa 18.547 registros médicos de mulheres que sofreram violência no Reino Unido no período entre 1995 e 2017. Os casos foram comparados aos de 72.231 mulheres com condições semelhantes em termos sociais e de saúde, mas que não passaram por abusos dentro de casa.

Ao analisar esses dados, os pesquisadores perceberam que o risco de desenvolver doenças cardiovasculares aumentou em 31% e o de diabetes tipo 2 em 51% entre as vítimas de violência. Eles também descobriram que a mortalidade por todas as causas (durante o período do estudo) entre as mulheres expostas a abuso doméstico é 44% maior. 

Mas os autores não conseguiram explicar motivo desse aumento. "Como mais detalhes dessas experiências não estão disponíveis nos registros, não foi possível avaliar se a gravidade do abuso doméstico está associada a um risco diferente", analisa Joht Singh Chandan, principal autor da pesquisa, em comunicado.

Os pesquisadores acreditam que a predisposição a ter problemas de saúde tem a ver com a qualidade de vida das vítimas. "O estilo de vida contribui para o desenvolvimento de doença cardiometabólica, portanto, precisamos de abordagens de saúde pública para gerenciar isso em mulheres que sofreram abuso doméstico'', diz Joht.

Para Krish Nirantharakumar, que também participou do estudo, é importante envolver os órgãos de saúde pública no tema. "É preciso investir nos serviços que podem fornecer apoio e cuidados às sobreviventes que sofreram esse trauma para evitar consequências negativas que podem ser debilitantes e incapacitantes para a vida toda", adverte.


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