Semana On

Terça-Feira 07.abr.2020

Ano VIII - Nº 387

Poder

Ataque a jornalista da Folha é episódio grotesco de violência contra mulher

Família Bolsonaro patrocinou linchamento moral de uma jornalista, baseado em uma mentira de cunho sexual, a fim de encobrir um crime eleitoral, cuja discussão não interessa aos atuais donos do poder

Postado em 14 de Fevereiro de 2020 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL), BR Político, DW, David Nemer (The Intercept_Brasil) – Edição Semana On

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Logo após o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, declarar, no Congresso Nacional e em suas redes sociais, que a jornalista Patrícia Campos Mello pode ter "se insinuado sexualmente em troca de informações para tentar prejudicar a campanha de Jair Bolsonaro", uma maré de mensagens violentas tomou conta da internet com o objetivo de destruir a reputação dela

O ressentimento bolsonarista contra uma das principais repórteres investigativas do país - responsável por uma série que revelou como empresários gastaram milhões de reais em disparos em massa de mensagens de WhatsApp para beneficiar o então candidato Bolsonaro - mostrou novamente seus dentes afiados.

Não é novidade o desprezo do bolsonarismo contra mulheres que são profissionais de imprensa, já que elas foram um dos alvos preferenciais da fúria do presidente no último ano. Mas o que aconteceu, no último dia 11, foi um divisor de águas: o Brasil presenciou o linchamento violento de uma jornalista, baseado em uma mentira de cunho sexual, a fim de encobrir um crime eleitoral, cuja discussão não interessa aos atuais donos do poder. Bizarro, mesmo para o momento em que vivemos.

O deputado reverberava a declaração de Hans River Nascimento, ex-empregado de uma agência de disparo de mensagens digitais, que depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News. Ele, que havia sido fonte do jornal, mentiu à CPMI sobre o que havia dito anteriormente e atacou de forma abjeta a repórter, dizendo que ela havia oferecido sexo em troca de informação.

Suas declarações foram desmascaradas horas depois, por uma matéria da Folha de S.Paulo, que desmentiu ponto a ponto o que foi dito por ele na audiência, expondo material enviado pelo próprio Hans à reportagem, como áudios, fotos, planilhas e reproduções das trocas de mensagens - inclusive uma em que ele dá em cima da jornalista e ela, educadamente, o ignora.

Para uma parte das pessoas, contudo, pouco importa se a história é mentira, contanto que ela possa ser usada para atacar uma jornalista que incomodou o presidente com suas investigações. Seguem, com isso, a máxima da ignorância nas redes sociais e aplicativos de mensagens: verdade é tudo aquilo na qual eu acredito. A comprovação de fatos passa a ser irrelevante. E, mesmo alertadas que estão cometendo um crime, linchando alguém que, ainda por cima, é inocente, continuam repassando os ataques.

Acreditando estarem em uma guerra em nome de seu líder, não se importam com a razão e o bom senso tombando mortos.

Se por um lado, o episódio gerou demonstrações de indignação na parcela civilizada da sociedade, por outro, trouxe júbilo a hordas bárbaras que entenderam a mensagem do clã presidencial como um sinal não apenas para quebrar a resiliência de uma repórter, mas também que ela sirva de exemplo a outras mulheres que tentem fazer jornalismo. Sim, isso não se resume a ódio político e à imprensa, mas é ódio de gênero. Muitas vezes levado a cabo por homens inseguros, rancorosos, impotentes, que não conseguem ficar de pé sozinhos.

O mais fascinante desse episódio é ver que uma única repórter causa tanto medo no grupo político que governa o país. O que demonstra a força do jornalismo e de Patrícia Campo Mello, reconhecida internacionalmente como uma das melhores profissionais de imprensa, mas também a fraqueza de quem acha que pode vencer na base do grito.

A performance bizarra, desta terça, no Congresso Nacional e a forma como ela repercutiu quase que instantaneamente, como se fosse ensaiada, vai entrar como um dos maiores absurdos da história recente da combalida democracia brasileira. Mas também como uma das maiores passadas de recibo.

Se as instituições estiverem funcionando normalmente, como alardeiam os otimistas, o depoente será indiciado por mentir diante de uma CPMI e teremos um deputado que terá que se explicar a um Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Mas quem já desejou a morte da democracia e saiu ileso ao fazer apologia ao AI-5 sabe que pode se safar de qualquer coisa.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Hans River. Ela alega que o depoimento de River à CPMI contou com informações que posteriormente se mostraram inverídicas, como os ataques e insinuações contra a jornalista Patrícia Campos Mello. Além disso, Lídice aponta vários trechos do depoimento como suspeitos. River, por exemplo, disse que trabalhou para a campanha do vereador de São Paulo, Police Neto, em 2018, ano em que o político não foi candidato. A deputada lembra que é crime mentir em depoimento à CPI.

Parlamentares de oposição preparam requerimento para reconvocar Hans River. Uma vez sentado de novo no banco dos depoentes e sob juramento, Hans deve ser confrontado com o material apresentado pela jornalista, que em prints e áudios de conversas com ele demonstrou que ele foi fonte das reportagens sobre uso de disparos em campanha eleitoral e que coube a ele, e não a ela, investidas de cunho sexual durante as conversas entre eles, todas rechaçadas pela repórter.

Se reafirmar o teor de seu depoimento anterior, em que acusou a repórter e negou o que agora está comprovado, Hans poderá receber voz de prisão da CPMI, disseram os parlamentares que articulam sua nova convocação. Como não se trata de convite, o depoente não pode simplesmente se recusar a comparecer. Para não ir ou ficar calado, terá de buscar um habeas corpus preventivo no STF — expediente que, por si só, já será um recuo em relação ao seu depoimento anterior.

Reações

Entidades de imprensa, jornalistas e políticos repudiaram as acusações feitas contra a repórter Patrícia Campos Mello.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou, chamando de "machistas e misóginas" as ofensas proferidas contra Campos Mello que, segundo a entidade, "é uma das mais respeitadas jornalistas do país".

"A Abraji repudia a ação do deputado [Eduardo Bolsonaro], que repercutiu para milhões de seguidores alegações difamatórias. É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia", escreveu a associação.

"Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa."

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por sua vez, afirmou que "a grosseria de que foi alvo a jornalista Patrícia Campos Mello está relacionada com dois fenômenos: os contínuos ataques à imprensa e aos jornalistas em geral e a multiplicação de comportamentos cafajestes". "Esses dois fenômenos têm sido estimulados por algumas das mais altas autoridades da República", completou a entidade.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou "irrestrito apoio" a Campos Mello, "objeto de ataques e insinuações agressivas". "O uso de difamação para afetar a imagem de uma profissional de comunicação que incomoda justamente por sua competência merece repúdio das instituições que prezam a liberdade de expressão e de informação."

Políticos também se pronunciaram. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que falso testemunho, difamação e sexismo são atos passíveis de punição. "Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime. Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei", escreveu Maia no Twitter.

O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do partido de Eduardo Bolsonaro no Senado, afirmou que River cometeu um crime e que a CPMI deveria ter decretado prisão em flagrante. "Em uma comissão parlamentar de inquérito, e estando sob juramento, qualquer cidadão tem que dizer a verdade, sob pena de cometer crime. Acusações sobre a honra, a conduta profissional e moral da jornalista, ao meu ver, caracterizam crime", declarou o parlamentar.

Um grupo de centenas de jornalistas mulheres também saiu em defesa de Campos Mello, assinando um manifesto de repúdio aos ataques contra a repórter. "É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma comissão parlamentar de inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como Whatsapp para disseminar fake news."

"Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só a Patrícia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar. Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista", completa a nota.

Reincidentes

Apesar da desqualificação do depoimento de Hans River Nascimento na CPI das Fake News, o presidente Jair Bolsonaro, seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro e aliados se empenharam em manter vivo o ataque contra a jornalista da Folha. Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente criticou a cobertura da imprensa sobre o caso. Para Bolsonaro, os jornais distorceram informações para atacar o ex-funcionário da Yacows, empresa que fez disparos em massa pelo WhatsApp nas eleições de 2018.

“Eu não falei com a imprensa ali fora porque vão distorcer completamente. Vocês viram o cara depondo na CPMI da Fake News, o que ele falou da repórter da Folha? Que vergonha. A Folha foi pra cima do cara”, disse o presidente.

“Quando falam de mim, qualquer coisa é verdade. A imprensa tem que vender a verdade, não pode dar opinião. Hoje em dia nem distorcem mais, inventam. Pegaram aqui a avó da minha esposa e arrebentaram com ela. O passado que ela teve esquisito também. Todo mundo tem alguém na família meio…Principalmente cunhado”, continuou.

Eduardo Bolsonaro também defendeu o depoimento de River em fala no plenário da Câmara no último dia 13. Segundo o parlamentar, não cabe a ele “virar as costas” para Hans e disse ver sentido no depoimento acusado de falso testemunho. “Ora, se eles estão defendendo uma mulher, eles estão indo contra um negro. Eu prefiro me ater aos fatos e me pareceu muito convincente o senhor Hans”, disse.

Eduardo Bolsonaro também compartilhou em seu Twitter uma montagem feita em vídeo que distorce uma entrevista da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo.

Com clara conotação misógina, o vídeo pega parte de uma entrevista da repórter, em que ela fala das vantagens de ser mulher, e edita em seguida a declaração de Hans Nascimento, na CPMI das Fake News, que diz que Patrícia queria “sair com ele”. “A pessoa querer determinado tipo de matéria a troco de sexo”, disse o depoente na comissão.

No vídeo, Patrícia fala da profissão e diz que “tem coisas difíceis e tem coisas que ser mulher tem uma vantagem incrível”. O vídeo, então, coloca imagens da jornalista com o funk “Malandramente”.

O vídeo foi divulgado pelo perfil @profpaulamarisa, que assina como Paula Marisa e se define como integrante da milícia virtual jacobina e coreógrafa do melô do STF.

O que fará Rodrigo Maia contra Eduardo Bolsonaro?

A CPI das Fake News converteu-se, desde a sua criação, num colegiado voltado à tarefa de desmoralizar o instituto da CPI. O que parecia apenas desagradável tornou-se inaceitável no instante em que uma comissão constituída para combater informações falsas ofereceu palco e holofotes para um personagem desqualificado, Hans River do Nascimento, ex-funcionário da Yacows, mentir sobre fatos documentados, além de caluniar e difamar uma jornalista: Patrícia Campos Mello.

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia apressou-se em pendurar no Twitter uma manifestação sobre o episódio: "Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime", ele escreveu. "Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei."

Irrepreensível o posicionamento de Maia. Resta perguntar: Que providências tomará o presidente da Câmara contra o deputado Eduardo Bolsonaro? Nas pegadas do depoimento de Hans River, o filho Zero Três do presidente da República também correu às redes sociais para trombetear o pedaço mais abjeto do conjunto de mentiras do pseudo-depoente.

Eduardo Bolsonaro anotou: "Eita! Sr. Hans diz que Patrícia Campos Mello, correspondente internacional da Folha, se insinuou sexualmente para conseguir extrair informações dele. Agora imagine se fosse um homem se insinuando para cima de uma mulher!".

O filho do presidente acrescentou: "Patrícia Campos Mello foi a jornalista da Folha que entre o 1º e 2º turno da eleição 18 fez matéria acusando Jair Bolsonaro de contratar empresa que fazia disparos em massa de whatsapp. Com este artigo o PT entrou no TSE para tentar impugnar a candidatura de JB, mas perdeu".

As mentiras de Hans River já foram desmontadas pela Folha e sua jornalista que, previdente, documentou seus contatos com o sujeito. A relatora da CPI, deputada Lídice da Mata, informou que acionará o Ministério Público para investigar o mentiroso, que prestou juramento de dizer a verdade na comissão. Falta enquadrar Eduardo Bolsonaro e outros deputados que o macaquearam nas redes.

Para que Rodrigo Maia seja tomado a sério quando diz que "atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação", é preciso que suas palavras sejam convertidas em atos. Como comandante da Câmara, o deputado pode levar à Mesa diretora da Casa, por exemplo, uma proposta de abertura de processo de cassação do mandato do colega por quebra de decora parlamentar. Do contrário, o repúdio pode se converter numa nova modalidade de oportunismo.

Eduardo e Flávio Bolsonaro criaram grupos de WhatsApp para caluniar jornalista

“Eu acompanho grupos bolsonaristas no WhatsApp desde 2018. Já contei que, após a eleição, eles se tornaram mais radicais. Nesta semana, vi essa máquina de ódio funcionando a pleno vapor contra a jornalista Patricia Campos Mello, atacada após o depoimento do empresário Hans River na CPMI das Fake News. Alguns desses grupos, que trabalharam incansavelmente na distribuição de memes e ataques, têm dois donos bem conhecidos: Flávio e Eduardo Bolsonaro. Sim, senador e o deputado federal filhos do presidente da república”, afirma David Nemer, professor titular e pesquisador no Departamento de Estudos de Mídia na Universidade da Virgínia.

Os números dos celulares ligados aos dois administram pelo menos 20 dos grupos que Nemer monitora. Juntos, eles permitem a distribuição de conteúdo de extrema direita para pelo menos 5 mil pessoas – são 250 em cada grupo. Nesta semana, circularam por lá memes misóginos e montagens que insinuam que a jornalista estaria se prostituindo para conseguir informações – desdobramentos da narrativa plantada na CPMI.

Patrícia Campos Mello foi atacada pela máquina de mentiras porque publicou, na época das eleições, uma reportagem que revelou que empresas foram contratadas de forma ilegal para fazer disparos em massa no WhatsApp. Nesta semana, Hans River, funcionário de uma dessas empresas, falou na CPMI que Mello teria oferecido sexo em troca de informações, o que foi desmentido pela jornalista com inúmeros prints da conversa.

Mas, na lógica da produção de narrativas bolsonaristas, a verdade não importou. River falou o que quis na CPMI, e o depoimento dele foi repercutido por influenciadores de Bolsonaro – o próprio Eduardo, o blogueiro Allan Terça Livre e a ex-feminista Sara Winter, por exemplo, chancelaram a narrativa mentirosa. Imediatamente, uma produção frenética de memes, trechos do editados do vídeo de River e montagens com Mello começaram a pipocar nos grupos, com a anuência dos admins com cargo público.

O envolvimento de Flávio e Eduardo

Durante a campanha, Flávio e Eduardo Bolsonaro, conhecidos como 01 e 03 do presidente, estavam ocupados não apenas cuidando de suas próprias campanhas para a Câmara e o Senado, mas também tentando promover a campanha presidencial de seu pai. Eduardo compartilhava constantemente um número de telefone onde qualquer pessoa podia entrar em contato para apenas “Dar um Alô”, conforme detalhado em um de seus vídeos no Facebook.

O mesmo número de telefone era administrador de 11 grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp que analisamos. Salvamos o número como “Assessoria Eduardo Bolsonaro” para nos ajudar a identificar esse contato nos grupos, e também descobrimos que a conta do WhatsApp de Eduardo também criou esses grupos.

Já Flávio Bolsonaro divulgou seu telefone em um tuíte, onde reclamou que o WhatsApp havia banido sua conta devido a atividades suspeitas:

O número de telefone de Flavio Bolsonaro também foi encontrado em nove grupos pró-Bolsonaro do WhatsApp como criador e como um dos administradores de grupos.

Por mais que Eduardo e Flávio Bolsonaro se comportassem de maneira muito discreta, sem postar conteúdo e nem participar de conversas, eles permitiram que notícias falsas fossem amplamente compartilhadas e difundidas dentro de seus grupos.

No total, dos 70 grupos analisados, Eduardo administrou pelo menos 11. Flávio cuidava de nove. Eles contavam com um conjunto de pessoas que tinham papéis específicos na curadoria de conteúdo, no compartilhamento de desinformação e na inclusão e remoção nos grupos.

Força-tarefa nacional e internacional

“Começamos a monitorar grupos bolsonaristas no WhatsApp em março de de 2018. Aquele pleito eleitoral ficou conhecido pela desinformação generalizada que tomou contas nas mídias sociais, especialmente no zap – e ela favorecia principalmente o então candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro”, afirma Nemer.

“Vimos de perto como os grupos pró-Bolsonaro se tornaram um ecossistema sofisticado que dava aos usuários funções específicas: produzir, compartilhar e consumir informações erradas, bem como recrutar novos membros do grupo. Embora muitos desses grupos tenham sido criados organicamente por voluntários que realmente apoiaram Bolsonaro, descobrimos mais tarde que algumas pessoas receberam dinheiro – entre R$ 400 e R$ 600 por semana – para gerenciá-los.

Embora ainda não se saiba quem exatamente estava pagando por esses serviços ou de onde vinha o dinheiro, relatos apontam que membros da equipe de Bolsonaro enviaram notícias falsas e mensagens em massa pelo WhatsApp. Descobrimos que os criadores e administradores de alguns dos principais grupos eram os números das campanhas de Eduardo e Flávio Bolsonaro e que até contas da Índia, Paquistão e Iêmen ajudaram a espalhar notícias falsas e conteúdo extremista.

Também observamos que a rede de distribuição no WhatsApp agia de maneira coordenada, com membros trabalhando em diferentes funções para manter o grupo funcionando. Identificamos os membros da equipe que tinham as seguintes funções: admin, que era o criador do grupo; moderador, responsável por manter o tom pró-Bolsonaro e remover membros opostos; distribuidor, responsável por distribuir mentiras a grupos (vídeos, textos, áudios e links)”, explica.

A Equipe da Força-Tarefa não foi o único grupo de membros que ajudou a espalhar fake news nesses grupos. Também encontramos membros que tinham contas com números estrangeiros, especialmente da Índia, Paquistão e Iêmen. Esses membros estrangeiros não interagiram nos chats do grupo; em vez disso, entravam em contato com os membros do grupo individualmente por meio de chats particulares, onde compartilhavam conteúdo de desinformação e pró-Bolsonaro.

Essas novas descobertas fornecem mais evidências do envolvimento do clã Bolsonaro nas práticas de desinformação que varreram o Brasil durante as eleições de 2018. Agora que essas contas e funções foram identificadas, surgem mais perguntas: quem eram as pessoas por trás desses números? Quem pagou por essas contas estrangeiras para participar desses grupos? Quem os adicionou a esses grupos? Podemos não ser capazes de responder a essas perguntas, mas elas certamente podem servir como novas pistas para a investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.


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