Semana On

Segunda-Feira 10.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Coluna

Guedes não controla a própria língua

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 12 de Fevereiro de 2020 - Victor Barone

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Muita gente que ouviu o penúltimo desastre verbal de Paulo Guedes ficou tentada a viver no país que ele descreveu, seja lá onde for. Com dólar a R$ 1,80 ou acima de R$ 4,30, o Brasil descrito pelo ministro não existe. Esse país em que, dependendo da cotação do câmbio, as empregadas domésticas são compelidas a optar entre uma visita ao Mickey Mouse na Disneylândia ou um final de semana numa praia nordestina é ficção.

No Brasil real, empregadas domésticas flertam com o desemprego. A maioria das que conseguem arranjar trabalho não tem registro em carteira. E recebe rendimento médio de R$ 897, segundo o IBGE. Isso é menos do que o salário mínimo. Quer dizer: não sobra dinheiro para a viagem. O que sobra é mês no fim do salário. Com suas declarações preconceituosas, o ministro da Economia não leva pobre ao exterior, mas empurra o Banco Central para o mercado, forçando-o a atuar quando a cotação do dólar bateu em R$ 4,38.

Paulo Guedes não é um neófito. Egresso do mercado, ele sabe que os especuladores estão sempre a postos para transformar arroubos ministeriais em lucro fácil. Deveria parar de fornecer material. Falou sobre câmbio, que no Brasil é flutuante e está sob a responsabilidade do Banco Central. Liberal, deu palpites preconceituosos e desnecessários sobre o modo como trabalhadoras pobres devem aplicar um dinheiro que não possuem.

O ministro da Economia exagera nos tropeços verbais. Já ecoou Jair Bolsonaro para chamar de feia Brigitte Macron, a mulher do presidente da França. Levou aos lábios uma sigla tóxica: AI-5. "Não se assustem se alguém pedir o AI-5", ele disse. Forneceu munição aos inimigos da reforma administrativa ao chamar servidores de "parasitas" em timbre genérico. Agora, se aventura no campo social.  A reiteração vai transformando o que parecia ser uma sequência de deslizes verbais num caso de incompetência. Se Paulo Guedes fosse uma empregada doméstica seria do tipo que coloca sal numa lata de açúcar onde está escrito café.

Chamado de Posto Ipiranga, Guedes ainda não conseguiu abastecer Bolsonaro de conhecimentos básicos sobre economia. Mas assimilou rapidamente um hábito deplorável do chefe. A exemplo do presidente, o ministro da Economia passou a falar dez vezes antes de pensar. Quando a pessoa não pensa no que diz, acaba dizendo o que realmente pensa.

Ao celebrar a mistura de juros baixos com dólar alto como o novo normal da economia brasileira, o ministro soou adequado enquanto se manteve na seara técnica. Realçou, por exemplo, que o câmbio valorizado impulsiona as exportações brasileiras. Tropeçou na língua, porém, ao tentar trocar seu pensamento em miúdos.

O ministro oscilou entre a logorreia, que é a compulsão para falar demais, e a demofobia, que é a aversão ao povo. Coisa decepcionante e inútil. Decepciona porque esperava-se de Paulo Guedes que funcionasse como contraponto sensato aos arroubos de Bolsonaro. É inútil porque as empregadas domésticas que conseguem salvar o emprego ralam duro para encher a geladeira, não para visitar o Mickey Mouse.

Na semana passada, o ministro havia comparado, em timbre genérico, servidores públicos a "parasitas". A péssima repercussão levou-o a pedir desculpas. Alegou que o comentário fora retirado de contexto pelos jornalistas. Lorota. Nas pegadas do sincericídio, subiu no telhado a reforma administrativa. Bolsonaro resiste em enviar uma proposta do governo ao Congresso.

A essa, somam-se outras declarações discriminatórias proferidas por ele no últimos meses: como dizer que pobres são responsáveis pela destruição do meio ambiente, afirmar que pobre não sabe economizar e insinuar um AI-5 diante do risco de manifestações contra suas reformas. Na sequência, enfiou as domésticas em sua prosa ao discursar num seminário, em Brasília. A certa altura, declarou: "Não estou ligando muito para os maus modos do presidente, eu tenho maus modos também, vivo falando besteira. A forma a gente erra, mas o importante é o conteúdo."

Pode-se até tolerar a besteira. O difícil é aceitar quem se orgulha dela. É uma pena. Mas o Posto Ipiranga já não consegue abastecer nem a si mesmo de meio litro de bom senso.

Por Josias de Souza

"Paulo Guedes diz coisas inapropriadas, mas elas são dirigidas para um determinado setor da elite econômica, um grupo que compreende da mesma maneira que ele a subnarrativa do lugar de ricos e pobres. Deixa claro que eles precisam se aliar contra os pobres, que usam demais os serviços públicos, que andam demais de avião, que vão a lugares que não deviam ir." A avaliação é de Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Ele é um dos coordenadores do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP e ganhador do prêmio Jabuti pelo livro "Estrutura e Constituição da Clinica Psicanalítica".

"Ele fala sobre 'parasita' no momento da entrega do Oscar, quando o filme sul-coreano 'Parasita' estava na cabeça de todo mundo, filme que jogava com a ideia de usurpação do poder. Parasita, filme sobre pobre e ricos, emerge como metáfora. Ele joga com um público que se identifica com a elite, aquele público que tem uma equação na cabeça, de que o Estado está roubando a gente. Isso fica claro no caso das empregadas domésticas viajando à Disney. Pois tem 'parasita' em nosso lugar", analisa Dunker.

Para Guedes, segundo o professor, "economia é economia, moral à parte". E, como a moral dupla de Freud, uma coisa é a corrupção dos outros, outra é a que a gente faz. Uma coisa é os outros levando vantagem, a outra é a vantagem que nós levamos. "Com o emprego que não cresce e seus projetos polêmicos no Congresso, Guedes tem que desviar a atenção para alguma coisa. Caso contrário, começam a aparecer suas anáguas."

Por Leonardo Sakamoto

A mais assombrosa declaração de Paulo Guedes no governo até agora – de que “dólar alto é bom” porque “todo mundo [estava] indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada” além de incorreta em vários níveis, não espelha a realidade de alguns setores da economia brasileira, como a indústria farmacêutica.  Isso porque nada menos do que 95% da matéria prima usada para a fabricação desses produtos vêm de fora. Logo, o câmbio alto é um problema. Segundo o Estadão, as empresas já trabalham com a perspectiva de redução da margem de lucro ou de revisão de contratações. “As empresas se programaram para operar com um dólar em, no máximo, R$ 4,10 este ano. O setor está preocupado e se preparando para absorver os aumentos. Dificilmente alguma empresa vai deixar de fazer um investimento programado, mas pode deixar de contratar funcionários para uma ação promocional, por exemplo”, disse ao jornal o presidente-executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini.

FALANDO EM PARASITAS

Além de Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, outros dois ministros do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) acumulam o salário com gratificações extras, os chamados jetons, recebidas de estatais e do sistema “S”, que recebe verbas públicas. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), recebeu ao menos R$ 105 mil desde agosto do ano passado. O ministro da Ciência & Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes, embolsou pelo menos R$ 43 mil.

De ex-deputado pelo PSDB do Rio Grande do Norte a braço direito do “superministro” da Economia, Paulo Guedes – que classificou os funcionários públicos como “parasitas” -, Marinho recebeu R$ 189 mil para participar de 11 reuniões no Serviço Social do Comércio (Sesc), entidade do Sistema S onde o “posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro prometeu “passar a faca”. O Sesc obteve R$ 6 bilhões em recursos públicos desde o início do governo Bolsonaro até janeiro passado, de acordo com informações divulgadas pela Receita Federal. Juntos, os três ministros do governo receberam R$ 337 mil em jetons, além dos salários a que têm direito, durante o primeiro ano do governo Bolsonaro.

Mandetta recebeu jetons por meio do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem), também ligado à CNC para participar de reuniões mensais do conselho fiscal, informou a Confederação. Foram R$ 21 mil a mais no contracheque do ministro todo mês. Os valores foram creditados entre agosto e dezembro de 2019. O Senac, também ligado à CNC, obteve R$ 3,3 bilhões em dinheiro público desde o início do governo Bolsonaro. Em dezembro, por exemplo, o salário bruto do ministro da Saúde saltou de R$ 31 mil para R$ 52 mil, o que fez estourar o limite constitucional de R$ 39 mil mensais, prática que é aceita pelos governos por considerarem que isso é uma exceção legal à regra prevista no artigo 37 da Constituição.

O ministro e ex-astronauta Marcos Pontes recebeu honorários ou jetons pela participação em colegiados de duas estatais. Ele integra os Conselhos de Amazul (Administração da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Tecnologia Agropecuária). Nelas, faz uma reunião por mês, ou mais que isso se houver um encontro extraordinário, informaram as assessorias das estatais. As reuniões da Amazul duram cinco horas em média cada uma; as da Embrapa, quatro. Pela Amazul, Pontes recebeu R$ 3.227 por mês entre maio e dezembro passados. Pela Embrapa, R$ 3.383 por mês.

JOGO SUJO

Logo após o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, declarar, no Congresso Nacional e em suas redes sociais, que a jornalista Patrícia Campos Mello pode ter "se insinuado sexualmente em troca de informações para tentar prejudicar a campanha de Jair Bolsonaro", uma maré de mensagens violentas tomou conta da internet com o objetivo de destruir a reputação dela. O ressentimento bolsonarista contra uma das principais repórteres investigativas do país - responsável por uma série que revelou como empresários gastaram milhões de reais em disparos em massa de mensagens de WhatsApp para beneficiar o então candidato Bolsonaro - mostrou novamente seus dentes afiados.

Não é novidade o desprezo do bolsonarismo contra mulheres que são profissionais de imprensa, já que elas foram um dos alvos preferenciais da fúria do presidente no último ano. Mas o que aconteceu, no último dia 11, foi um divisor de águas: o Brasil presenciou o linchamento violento de uma jornalista, baseado em uma mentira de cunho sexual, a fim de encobrir um crime eleitoral, cuja discussão não interessa aos atuais donos do poder. Bizarro, mesmo para o momento em que vivemos.

O deputado reverberava a declaração de Hans River Nascimento, ex-empregado de uma agência de disparo de mensagens digitais, que depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News. Ele, que havia sido fonte do jornal, mentiu à CPMI sobre o que havia dito anteriormente e atacou de forma abjeta a repórter, dizendo que ela havia oferecido sexo em troca de informação.

Suas declarações foram desmascaradas horas depois, por uma matéria da Folha de S.Paulo, que desmentiu ponto a ponto o que foi dito por ele na audiência, expondo material enviado pelo próprio Hans à reportagem, como áudios, fotos, planilhas e reproduções das trocas de mensagens - inclusive uma em que ele dá em cima da jornalista e ela, educadamente, o ignora.

Para uma parte das pessoas, contudo, pouco importa se a história é mentira, contanto que ela possa ser usada para atacar uma jornalista que incomodou o presidente com suas investigações. Seguem, com isso, a máxima da ignorância nas redes sociais e aplicativos de mensagens: verdade é tudo aquilo na qual eu acredito. A comprovação de fatos passa a ser irrelevante. E, mesmo alertadas que estão cometendo um crime, linchando alguém que, ainda por cima, é inocente, continuam repassando os ataques. Acreditando estarem em uma guerra em nome de seu líder, não se importam com a razão e o bom senso tombando mortos.

Se por um lado, o episódio gerou demonstrações de indignação na parcela civilizada da sociedade, por outro, trouxe júbilo a hordas bárbaras que entenderam a mensagem do clã presidencial como um sinal não apenas para quebrar a resiliência de uma repórter, mas também que ela sirva de exemplo a outras mulheres que tentem fazer jornalismo. Sim, isso não se resume a ódio político e à imprensa, mas é ódio de gênero. Muitas vezes levado a cabo por homens inseguros, rancorosos, impotentes, que não conseguem ficar de pé sozinhos.

O mais fascinante desse episódio é ver que uma única repórter causa tanto medo no grupo político que governa o país. O que demonstra a força do jornalismo e de Patrícia Campo Mello, reconhecida internacionalmente como uma das melhores profissionais de imprensa, mas também a fraqueza de quem acha que pode vencer na base do grito. A performance bizarra no Congresso Nacional e a forma como ela repercutiu quase que instantaneamente, como se fosse ensaiada, vai entrar como um dos maiores absurdos da história recente da combalida democracia brasileira. Mas também como uma das maiores passadas de recibo.

Se as instituições estiverem funcionando normalmente, como alardeiam os otimistas, o depoente será indiciado por mentir diante de uma CPMI e teremos um deputado que terá que se explicar a um Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Mas quem já desejou a morte da democracia e saiu ileso ao fazer apologia ao AI-5 sabe que pode se safar de qualquer coisa.

Por Leonardo Sakamoto

Apesar da desqualificação do depoimento de Hans River Nascimento na CPI das Fake News, o presidente Jair Bolsonaro, seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro e aliados se empenharam em manter vivo o ataque contra a jornalista da Folha. Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente criticou a cobertura da imprensa sobre o caso. Para Bolsonaro, os jornais distorceram informações para atacar o ex-funcionário da Yacows, empresa que fez disparos em massa pelo WhatsApp nas eleições de 2018.

“Eu não falei com a imprensa ali fora porque vão distorcer completamente. Vocês viram o cara depondo na CPMI da Fake News, o que ele falou da repórter da Folha? Que vergonha. A Folha foi pra cima do cara”, disse o presidente.

“Quando falam de mim, qualquer coisa é verdade. A imprensa tem que vender a verdade, não pode dar opinião. Hoje em dia nem distorcem mais, inventam. Pegaram aqui a avó da minha esposa e arrebentaram com ela. O passado que ela teve esquisito também. Todo mundo tem alguém na família meio…Principalmente cunhado”, continuou.

Eduardo Bolsonaro também defendeu o depoimento de River em fala no plenário da Câmara no último dia 13. Segundo o parlamentar, não cabe a ele “virar as costas” para Hans e disse ver sentido no depoimento acusado de falso testemunho. “Ora, se eles estão defendendo uma mulher, eles estão indo contra um negro. Eu prefiro me ater aos fatos e me pareceu muito convincente o senhor Hans”, disse.

Eduardo também compartilhou em seu Twitter uma montagem feita em vídeo que distorce uma entrevista da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. Com clara conotação misógina, o vídeo pega parte de uma entrevista da repórter, em que ela fala das vantagens de ser mulher, e edita em seguida a declaração de Hans Nascimento, na CPMI das Fake News, que diz que Patrícia queria “sair com ele”. “A pessoa querer determinado tipo de matéria a troco de sexo”, disse o depoente na comissão. No vídeo, Patrícia fala da profissão e diz que “tem coisas difíceis e tem coisas que ser mulher tem uma vantagem incrível”. O vídeo, então, coloca imagens da jornalista com o funk “Malandramente”. O vídeo foi divulgado pelo perfil @profpaulamarisa, que assina como Paula Marisa e se define como integrante da milícia virtual jacobina e coreógrafa do melô do STF.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Hans River, ex-funcionário de uma empresa de tecnologia que teria efetuado disparos de mensagens em massa nas últimas eleições. Lídice alega que o depoimento de River à CPMI, dado na última terça-feira, 11, contou com informações que posteriormente se mostraram inverídicas, como os ataques e insinuações contra a jornalista Patrícia Campos Mello. Além disso, Lídice aponta vários trechos do depoimento como suspeitos. River, por exemplo, disse que trabalhou para a campanha do vereador de São Paulo, Police Neto, em 2018, ano em que o político não foi candidato. A deputada lembra que é crime mentir em depoimento à CPI.

Por Gustavo Zucchi

PODE XINGAR

Além de explicar sobre as falhas no Enem, Abraham Weintraub teve de falar sobre suas interações nas redes sociais. Parte delas sendo base de um pedido de impeachment feito por parlamentares contra o ministro da Educação. Por exemplo, Weintraub foi cobrado pela longa lista de ofensas trocadas na internet. “A Legislação me permite revidar quando sou ofendido. A pessoa vai à minha página pessoal me chamar de ‘palhaço’. Em um domingo”, disse o ministro. Não explicou, entretanto, a razão das ofensas contra quem não o ofendeu, como o presidente francês, Emmanuel Macron. Foi também cobrado pela ausência do princípio de impessoalidade ao dar tratamento diferenciado a um seguidor que pediu a correção da prova do Enem de sua filha. O ministro disse que essa interação é positiva e que todos os alunos que pediram revisão foram atendidos por outros canais. “Venho da iniciativa privada. É normal perguntar ao ‘consumidor’ se o ‘produto’ está bom”, afirmou.

Por Equipe BR Político

MORO NA BERLINDA

O ex-candidato à Presidência Ciro Gomes usou sua conta no Twitter para cobrar do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que seja investigada a circunstância da morte do ex-PM e miliciano Adriano da Nóbrega, morto no último dia 9, pela polícia da Bahia. “Se Sérgio Moro não esclarecer cabalmente este estranhíssimo encadeamento de fatos que inequivocamente estabelece vínculos entre Bolsonaro, filhos e mulher, Queiroz, as milícias do RJ e o assassinato de Marielle e Anderson, terá se transformado em cúmplice!”, disse Ciro pelo Twitter.

Presidente da CPI das Milícias enquanto deputado estadual, Marcelo Freixo comentou a morte do “Capitão Adriano”, apontado como chefe da milícia “Escritório do Crime”. Para o atual deputado federal do PSOL, Adriano da Nóbrega deveria ser investigado não apenas por seu envolvimento na milícia ou na participação de seu grupo no assassinato da vereadora Marielle Franco, mas também por sua possível relação com a família do presidente Jair Bolsonaro. “A ex-mulher e a mãe do miliciano eram assessoras de Flávio Bolsonaro e estavam no esquema da rachadinha (na Alerj, que seria comandado por Fabrício Queiroz). Flávio deu medalha ao Adriano e Jair o elogiou no Congresso quando ele estava preso”, disse Freixo em seu Twitter e em reportagem do Uol. “O que é mais preciso?”, perguntou.

No último dia 12, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou o ministro Sergio Moro, de “capanga de milicianos” ao se pronunciar contra a medida que estabelece o trânsito em julgado da ação penal após o julgamento em segunda instância, extinguindo os recursos aos tribunais superiores. “O senhor é um capanga da milícia e do governo Bolsonaro”, disse Braga. “O senhor Sergio se apresenta de maneira muito polida, mas mente descaradamente. Toda vez que questionado sobre o caso Carlos Bolsonaro, ele diz que é uma responsabilidade do Ministério Público do Rio de Janeiro e da polícia. Trabalha como blindador da família Bolsonaro e, consequentemente, da milícia”, disse o deputado, ao citar relatório da Polícia Federal que inocentou Flavio Bolsonaro em relação às acusações de lavagem de dinheiro. Moro reagiu e disse que o deputado era desqualificado para o cargo.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, reclamou da falta de apoio do Psol às pautas relacionadas ao seu pacote anticrime. “Não gosto deste jogo político. Mas verdades precisam ser ditas. No projeto de lei anticrime, propusemos que milícias fossem qualificadas expressamente como organizações criminosas. Propusemos várias outras medidas contra crime organizado. O Psol, de Freixo/Glauber, foi contra todas elas”, escreveu o ministro.

Apesar do comentário de Moro, na votação do pacote anticrime da Câmara, em dezembro do ano passado, a bancada do Psol se dividiu em relação à questão: foram 6 votos contra a proposta, incluindo o de Braga, e 3, entre eles o do deputado Marcelo Freixo (RJ), em favor do pacote. Freixo logo usou a rede social para publicar sua réplica e relembrar sobre sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2008, contra o crime organizado. “Enquanto seu chefe elogiava as milícias, eu fiz uma CPI para enfrentá-las. Milícia só foi tipificada como crime por causa da CPI. Você mente para tentar tirar o foco da relação do seu patrão com milicianos. Faz isso não que é feio… Você é ministro e deveria se comportar como tal”, escreveu o deputado. O relatório final da CPI das milícias pediu o indiciamento de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis. Também foram apresentadas 58 propostas para enfrentar as milícias cariocas.

O ministro Sérgio Moro quer a volta da programação infantil nas manhãs da TV aberta. Ele avisou que a Secretaria Nacional do Consumidor está lançando uma consulta pública sobre as regras para publicidade voltada ao público infantil na televisão e na internet. “Quando criança, adorava assistir desenhos nos sábados pela manhã. Atualmente, quase não existem mais programas infantis nas TVs abertas, salvo honrosas exceções. Um exemplo de que o excesso de regulação pode inviabilizar a atividade”, disse Moro, justificando a necessidade de revisão da atual regra. Hoje, a legislação proíbe publicidade voltada para crianças sob a justificativa de proteger o público infanto-juvenil.

PASPALHO

O presidente Jair Bolsonaro se irritou (novamente) com jornalistas e fez um gesto obsceno contra os profissionais da imprensa que o aguardavam do lado de fora do Palácio da Alvorada. "Vou dar uma banana para vocês, tá ok?". O mandatário reclamou da cobertura midiática da declaração que ele deu nesta semana sobre portadores do vírus HIV, que causa Aids, serem custosos para o país. "Eu falei: o que que faltou? Faltou uma mãe, uma avó que pudesse dar orientação para não começar a fazer sexo tão cedo. Qualquer pessoa com HIV é uma pessoa que, além do problema de saúde gravíssimo, que temos pena, é custoso para todo mundo. Vocês focaram que o aidético é oneroso no Brasil. Estou levando porrada de tudo quanto é grupo de pessoas que têm este problema lamentavelmente". O gesto do chefe do Poder Executivo foi registrado pelo canal do Youtube Folha do Brasil, feito por apoiadores do presidente e que registra diariamente as declarações de Bolsonaro na residência oficial da Presidência da República.

O episódio faz parte de uma série de ataques que o presidente faz a jornalistas. No dia 6 de janeiro, o presidente disse que o jornalismo está em extinção e que ele deveria vincular a profissão ao Ibama. Em 2019 foram 116 ataques, ou seja, quase dez ataques por mês a profissionais jornalistas, a veículos de comunicação e à imprensa em geral, segundo dados da Federação Brasileira de Jornalismo (Fenaj).

EM TRANSE

A jornalista Eliane Cantanhêde soltou pela sua conta do Twitter um grito de: “Uauuuuuuuu! Paradise!!!!!!!!”, durante a transmissão do Oscar, durante a madrugada Do último dia 10 e depois parece ter se arrependido. Cantanhêde, que ficou conhecida por dizer, durante a cobertura de uma convenção do PSDB,  que estava no meio da massa, mas de uma “massa cheirosa” tentou uma longa explicação: “Pra quem não entendeu: Uauuuuuuuu! Paradise! Estamos no paraíso!!! Oscar de melhor filme E melhor diretor para Parasita???????? Um filme coreano?????? Venceu o novo, a criatividade, a audácia. Um Oscar histórico. Emocionante.” Os internautas, no entanto, não perdoaram a jornalista.

O jornalista e apresentador Pedro Bial se pronunciou sobre as críticas que tem recebido nas redes sociais por falar que a cineasta Petra Costa está "sob as ordens de mamãe". "É com a carcaça moída e esfolada de tanta pancada virtual que venho a público acenar: bandeira branca. Amor. Eu peço paz", escreveu em um artigo publicado no jornal O Globo. Bial afirmou que a fala dada em entrevista à Rádio Gaúcha no último dia 3 deveria ter sido repercutida de forma integral, mas reconheceu que a prática jornalística exige recortes e realces e que isso pode resultar no que chama de mais erros que acertos. O apresentador também disse que não pede desculpas pelas críticas a cineasta e que não quer desculpas pelo tratamento negativo dado após estas críticas. Petra Costa dirigiu o documentário "Democracia em Vertigem", que retrata o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e concorreu ao Oscar.

DESUMANIDADE

O médico e escritor Drauzio Varella classificou de “desumanidade” o ato de atacar um doente em razão da doença que ele tem ao ser questionado sobre a fala recente do presidente Jair Bolsonaro de que uma pessoa portadora de HIV representa “uma despesa para todos no Brasil”, além de “um problema sério para ela mesma”. “É uma desumanidade, uma grosseria que não merece nem comentário”, disse ele nesta noite de segunda, 10, durante entrevista ao programa Roda Viva. O tema foi abordado por Bolsonaro ao atribuir à imprensa a responsabilidade pela repercussão negativa do seu comentário. “Tenho coisas para compartilhar com vocês mas será deturpado. Então eu lamento, mas não vou conversar com vocês. O dia em que vocês, com todo respeito, transmitirem a verdade, vou conversar meia hora com vocês. Os problemas dos mais variados possível, dá para resolver, gostaria compartilhar com vocês, repito, não o faço, por quê? Ao haver deturpação, a solução ficará mais difícil para resolver. Então lamento”, disse.

Por Equipe BR Político

DITADURA BOA...

O deputado federal Eduardo Bolsonaro saiu em defesa das obras de infraestrutura feitas durante o regime militar. Segundo Eduardo, se não fossem essas construções, o Brasil ainda “não teria nada”. “Sem as obras do regime militar, tempos em que se pensava a longo a prazo, o Brasil não teria nada. Arrisco dizer que ainda seria a 48ª economia do mundo”, escreveu no Twitter. O filho do presidente Bolsonaro afirmou, ainda, que o período da ditadura militar “ajeitou o País”, que mais tarde foi “saqueado pela esquerda”. “O problema foi que após ajeitar o País, a esquerda veio e nos saqueou por décadas. Não podemos repetir esse erro!”, escreveu o deputado.

Por Equipe BR Político

LANCELLOTTI AMEAÇADO

No último dia 27 de janeiro, o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, denunciou que dois agentes da Polícia Militar de São Paulo o ameaçaram de morte. Essa não foi a primeira vez que o sacerdote sofreu intimidação por seu trabalho. Reportagem da Ponte Jornalismo revelou que nova ameaça foi feita por PMs do 7º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), conforme denunciou um morador em situação de rua que diz ter sido abordado e agredido pelos soldados.

CHEGANDO PERTO

A entidade missionária Jocum (Jovens com uma Missão), de origem nos EUA, já foi expulsa do território suruwahá – povo recém- contatado da Amazônia – por praticar atividades proselitistas e discriminatórias.  Pois esta semana duas indígenas ligadas à Jocum vão participar de uma viagem organizada pelo governo federal a esse mesmo território. A iniciativa é da Ministra Damares Alves e da Sesai; a BBC obteve documentos documentos sobre os preparativos para a viagem indicando que o objetivo é sanar uma “crise de saúde mental”, devido a cinco suicídios recentes no grupo. As duas indígenas envolvidas, Muwaji e Inikiru, vão atuar como intérpretes. E elas foram retiradas da aldeia justamente por um casal de missionários da Jucum há quase 15 anos, sem qualquer autorização da Funai ou da Funasa.

Aliás, hoje cerca de 50 lideranças indígenas dos povos Guarani, Guarani Mbya, Ava Guarani, Kaingang e Xokleng vão marchar em Brasília contra o PL de do governo que que autoriza a abertura de terras indígenas para mineração, garimpo, hidrelétricas, agronegócio e exploração de petróleo e gás natural.

SUPER-RICOS

Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha, o governo aceitou conversar sobre a taxação de multimilionários: técnicos da Casa Civil e do Ministério da Economia se reuniram com os deputados Marcelo Ramos (PL-AP) e Camilo Capiberibe (PSB-AP) e com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Os parlamentares querem a taxação de fundos fechados (é onde os multimilionários investem, e eles só pagam imposto quando resgatam o dinheiro); com a arrecadação, estimada em R$ 10,7 bilhões, propõem financiar o 13º do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada. A jornalista diz que os técnicos do governo até que não se opuseram à cobrança das taxas. Mas quanto ao 13º… não gostam da ideia. De todo modo, o Minsitério da Economia quer deixar a discussão no âmbito da reforma tributária.

MINHA MÃE

Um manifestante entrou na Câmara dos Deputados e hostilizou os presidentes Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). "Presidente, a medida provisória 871 do governo (MP 871/2019), eu trouxe a minha mãe para saber se ela tem condição de trabalhar. É isso que a medida está dizendo, que ela é ladrona, que a minha mãe é mentirosa. Em presidente? Responde aqui para minha mãe. Ela está há 30 dias sem receber o benefício", reclamou o manifestante que foi retirado do local por seguranças.

MANDELA TERRORISTA, DIZ O MBL

O Movimento Brasil livre chamou o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela de "terrorista". A afirmação aconteceu em uma publicação no site do grupo após o ex-presidente brasileiro comemorar, no Twitter, o aniversário de 30 anos da saída de Mandela da prisão. "Nelson Mandela foi preso em 1963 por uma série de ataques terroristas e assassinatos que cometeu contra pessoas brancas ou negras", diz o texto, intitulado "Lula exalta amigo terrorista no Twitter". Na tarde de hoje, Lula de fato publicou uma foto ao lado de Mandela, que morreu em 2013, e escreveu: "30 anos atrás, Mandela era finalmente solto da prisão. Quatro anos depois assumia a presidência da África do Sul. Viva Madiba!".

O MBL diz, ainda, que Mandela "chegou a assassinar negros dissidentes, causar incêndios e torturas como intimidações, inclusive de negros que não queriam aderir as causas" e que, por isso, ele e Lula "se merecem". O líder sul-africano é considerado o ícone da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul.

Mandela foi o grande nome da luta contra o fim da divisão entre brancos e negros na África do Sul, imposto pelo regime segregacionista do Apartheid, em 1948. Embora se inspirasse no indiano Mahatma Gandhi e defendesse o ideal de resistência pacífica, Mandela foi preso em 1956, acusado de traição. Em 1961, foi absolvido e engajou-se na luta armada após o massacre de Sharpeville – em que 69 manifestantes negros foram mortos pela polícia – e o banimento do Congresso Nacional Africano pelo governo.

Em 1962, ele foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e por viajar ao exterior sem autorização. Em 1964, foi novamente julgado e condenado à prisão perpétua por sabotagem e por conspirar para outros países invadir a África do Sul. No julgamento, ele se declarou culpado da primeira, mas jamais assumiu a segunda acusação. Ele ficou preso por 27 anos, e foi solto em 1990 quando, sufocado pelas sanções internacionais, o regime do Apartheid iniciou um processo de abertura e soltou o principal rosto de sua oposição.

Mandela conquistou o prêmio Nobel da Paz, em 1993, ao lado do presidente Frederik Willem de Klerk por seus esforços conjuntos pela reconciliação do povo sul-africano.

A BOLSA-AGROTÓXICO

Com R$ 10 bilhões dá pra pagar quase quatro vezes o orçamento total previsto para o Ministério do Meio Ambiente em 2020, ou dá pra cobrir duas vezes os gastos do SUS com pacientes de câncer em 2017. Mas o destino desse polpudo recurso é outro: é o tamanho da isenção fiscal concedida todo ano a empresas que produzem agrotóxicos. A conta é de um estudo inédito da Abrasco, divulgado em reportagem da Agência Pública e da Repórter Brasil. A maior fatia da desoneração vem do ICMS. Para ter uma ideia, em Mato Grosso só a renúncia desse imposto já equivale 66% de todo o orçamento da saúde estadual.

Por algum mágico motivo, mudar essa situação não parece estar nos planos de Paulo Guedes, cuja proposta de rever isenções fiscais envolve até mesmo uma discussão sobre voltar a cobrar impostos sobre alimentos da cesta básica. Prioridades…

A justificativa para a desoneração é a de que ela é necessária para manter o preço da comida. Mas segundo a reportagem isso não se sustenta: faz muito mais sentido manter os impostos para venenos e subsidiar diretamente o consumo do alimento. Até porque 79% dos agrotóxicos vendidos são usados em plantações destinadas não à alimentação da população, mas para commodities como a soja, cujos preços são estabelecidos pelo mercado internacional. “Não são os produtores que escolhem o preço. Com isso, sem isenção, produtores terão que gastar mais em agrotóxicos, o que vai significar uma margem de lucro menor. O impacto [da redução de benefícios] seria para as empresas do agronegócio”, explica o economista Andrei Cechin, da UnB.

Na próxima semana o STF deve julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que pede o fim da isenção para agrotóxicos no Brasil. Como são produtos perigosos à saúde e o custo pela contaminação recai sobre o SUS, a ação os compara a cigarros – cujo preço final é 80% formado por impostos. Há três anos, a então Procuradora-Geral da República Raquel Dodge emitiu parecer sobre a ação, considerando inconstitucional essa isenção.

PAPA E LULA

Na tarde de quinta-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou no Vaticano com o Papa Francisco. A conversa entre Lula e Francisco foi marcada por assuntos como a questão da Amazônia e o clima político na América do Sul. Em declaração ao chegar à Itália, o líder do PT afirmou que se colocará à disposição do seu anfitrião: “vim para ouvir”.

Após as imagens do encontro do papa Francisco com Lula serem divulgadas, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) está tentando mandar uma mensagem ao sumo-pontífice da Igreja Católica. Com uma foto do ex-presidente João Figueiredo servindo de pano de fundo, Zambelli gravou uma mensagem onde questiona a decisão do papa de se encontrar com o petista. Ela lembra da passagem do “Bom Ladrão” da Bíblia, na qual durante a crucificação Jesus perdoa um ladrão chamado Dimas pedia misericórdia por seus pecados.  “Santo Papa, como é possível um homem que se arrependeu de seus pecados como Dimas, tenha tido que se arrepender de seus pecados para entrar no Reino dos Céus, mas um ladrão, dos maiores do mundo, que nem se quer admitiu seus pecados e seus crimes, possa entrar no Reino do Vaticano?”, questiona.

GREENPEACE

Em resposta aos comentários feitos pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, 13, o Greenpeace disse que lamenta que o chefe do Executivo “apresente postura tão incondizente com o cargo que ocupa”. Bolsonaro chamou a ONG internacional de “lixo” e “porcaria”. Por conta das declarações do presidente, “Greenpeace” foi um dos assuntos mais comentados hoje nas redes sociais. “Ao longo da história, nossa postura crítica a quem promove a destruição ambiental já causou muitas reações desequilibradas dos mais diferentes personagens. Estamos apenas diante de mais uma delas. Nestes casos, o incômodo de quem destrói o meio ambiente soa como elogio”, diz trecho da nota do Greenpeace.

A organização de proteção ambiental existe há quase meio século e está presente em 55 países. No Brasil, atua há 28 anos. Ontem, a ONG criticou a formação do Conselho da Amazônia, que contará exclusivamente com membros do governo federal, sem participação dos governadores dos Estados da Amazônia. “No Brasil, temos criticado e combatido as políticas do governo que levaram ao aumento do desmatamento e ao desmantelamento dos órgãos de fiscalização, além de nos posicionarmos contra os absurdos ataques aos direitos dos povos indígenas”, destaca a nota.

Por Equipe BR Político

PREMIADA LÁ FORA, PERSEGUIDA AQUI

Em reconhecimento por seu trabalho e atuação em prol da igualdade entre homens e mulheres, a antropóloga brasileira Debora Diniz venceu o prêmio acadêmico Dan David Prize na categoria igualdade de gênero. “Estou emocionada com esta honra. Sou a segunda mulher da América Latina a receber este importante prêmio acadêmico”, escreveu a antropóloga ao anunciar o prêmio em seu perfil no Twitter.

Diniz é responsável pela Pesquisa Nacional do Aborto, um dos principais estudos que revela a magnitude da prática de interrupção insegura da gravidez no País. Segundo os dados mais recentes, divulgados em 2016, uma em cada 5 mulheres de até 40 anos já fez um aborto ao longo da vida no Brasil. Em 2018, ao participar de audiência pública sobre descriminalização do aborto no STF (Supremo Tribunal Federal), se consolidou como uma das defensoras da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez.

O DOIDO DA SECOM

Há pessoas que não têm medo do ridículo. Absolutamente. Agem como se considerassem o preconceito contra o ridículo a coisa mais ridícula do mundo. É o caso do chefe da Secretaria de Comunicação do Planalto, Fabio Wajngarten. Dono de empresa que recebe dinheiro de emissoras de TV e agências publicitárias que têm contratos com a Secom, Wajngarten teve uma ideia ridiculamente genial. Endereçou-a à Comissão de Ética Pública da Presidência

Para dissolver o conflito de interesses, o chefe da Secom se dispõe a passar suas cotas na empresa (95%) para a sócia Sophie Wajngarten (5%). Por uma dessas trapaças da sorte, trata-se de sua mulher. Fábio e Sophie Wajngarten são casados no regime de comunhão parcial de bens. Significa dizer que estão atados por um tipo de matrimônio em que todo o patrimônio amealhado a partir da união é compartilhado.

Bom, muito bom, extraordinário. Num governo como o de Jair Bolsonaro, que valoriza a família, chega-se a uma solução caseira em três lances:

1) O chefe da Secom finge que deixou a empresa;

2) Os órgãos de controle fazem de conta que acreditam;

3) O brasileiro se finge de bobo para que Wajngarten possa fazer ao país o favor de continuar conduzindo os negócios da comunicação oficial.

Desde que foi pendurado nas manchetes de ponta-cabeça Wajngarten sustenta que as dúvidas estão todas esclarecidas. Incomoda-se com as perguntas. Atribui a sobrevida do tema a uma perseguição da Folha —não a ele, mas ao presidente.

Wajngarten informara no início, com uma impaciência imperial, que "não há nada de irregular". As explicações do doutor caminharam sempre um passo atrás da revelação de novas inconsistências. Jair Bolsonaro deu de ombros: "Se foi ilegal a gente vê lá na frente."

Juntos, o "não há nada" e o "a gente vê lá na frente" revelam a fé dos personagens em que, dentro de pouco tempo, tudo estará esquecido e os repórteres, esses seres inconvenientes, acabarão mudando de assunto.

Num ambiente em que faltam as respostas, sobram os gênios das soluções caseiras e o ridículo. A diferença entre a genialidade e o ridículo é que a genialidade tem limites. Quando um presidente e seu subordinado perdem o medo do ridículo, a primeira vítima é a esperança das pessoas que acreditaram que seria diferente.

Por Josias de Souza

COMEÇOU A HUMILHAÇÃO...

Munido de decisão judicial que autoriza a nomeação do jornalista Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Palmares, Jair Bolsonaro sentenciou: o "garoto", que é uma "excelente pessoa", será reacomodado no cargo: "Ele volta pra lá", declarou o capitão. As declarações de Bolsonaro colocam a primeira pedra no caminho de Regina Duarte.

Vinculada à Secretaria Nacional de Cultura, a Fundação Palmares tem entre os seus objetivos: promover e apoiar a integração cultural, social, econômica e política dos afrodescendentes. Sérgio Camargo foi escolhido para o cargo pelo ex-secretário Roberto Alvim, aquele que foi demitido por flertar com o nazismo.

Camargo tornou-se um caso raro de afrodescente racista. Acha que "não há salvação para o movimento negro. Precisa ser extinto! Fortalecê-lo é fortalecer a esquerda". Espanto! Avalia que "a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes". Estupefação

Barrada pela Justiça Federal do Ceará, a nomeação de Sérgio Camargo foi autorizada pelo ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça. O magistrado não avaliou a qualificação do personagem. Apenas concluiu que não há impedimento legal para a nomeação.

No gogó, Regina Duarte já evoluiu do "namoro" para o "casamento" político com Bolsonaro. Mas ainda não assumiu o cargo de secretária da Cultura. No momento, a atriz é assediada por dois desafios: apresentar um plano de trabalho e compor uma equipe. A manutenção de Sérgio Camargo na folha orna com a aparência de sanatório que a Secretaria de Cultura ganhou sob Bolsonaro.

É como se o presidente quisesse podar as asas de sua "namorada" antes que ela se anime a voar: "O que acontece com a Regina Duarte?", indagou Bolsonaro, antes de responder: "Com todos os ministros, eles podem indicar e eu tenho poder de veto. Acontece com todo mundo. Eu acho que o garoto, que foi liberado ontem, é uma excelente pessoa."

O ruim é que Bolsonaro desmoraliza Regina Duarte antes que ela verifique os parafusos da cadeira que irá ocupar. O pior é que ela parece disposta a aceitar: "Decisão judicial, cumpre-se", afirmou, em timbre de resignação. Não podendo elevar sua estatura na nova função, a "namoradinha" do Brasil rebaixa o pé-direito do seu futuro gabinete.

Por Josias de Souza

ADEUS, TERRA

A guinada (mais) militar ainda no governo Bolsonaro com a substituição de Onyx Lorenzoni na Casa Civil pelo general Braga Netto pode ter efeitos na saúde. Isso porque o presidente anunciou que o Ministério da Cidadania, até então chefiado por Osmar Terra, ficará com Onyx. E a título de prêmio de consolação, Terra deve ser nomeado para ‘alguma embaixada’

O pote de ouro do Ministério da Cidadania é o Bolsa Família, programa que hoje exibe uma fila de ingresso um milhão de brasileiros, como dissemos essa semana. Mas lá também, até então, estava sendo gestado uma orientação de guerra às drogas na política pública. E guerra à ciência também – como não lembrar da declaração em que Osmar Terra contesta um inquérito nacional feito pela Fiocruz com sua experiência pessoal de pedestre em Copacabana? Fica a dúvida se Onyx vai tirar Quirino Cordeiro Jr. da Secretaria de Cuidados e Prevenção às Drogas. O médico é apoiado pela Associação Brasileira de Psiquiatria e vem atuando contra as diretrizes da Reforma Psiquiátrica desde a gestão Michel Temer, quando ocupou a Coordenação de Saúde Mental no Ministério da Saúde. 

GENTE DE BEM

Um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais mostra o médico psiquiatra Gilberto Luna levantando de um leito no Hospital Nossa Senhora de Fátima, em Nova Iguaçu (RJ), e agredindo verbalmente uma enfermeira que estava em atendimento. O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) está acompanhando o caso. Gilberto se irrita após a profissional pedir para ele esperar, levanta da maca se identificando como médico e direciona xingamentos contra ela. “Amanhã eu vou chegar no gerente geral do hospital para falar sobre você, como médico. Você é uma miserável, sua fudida”, diz.

FRASES DA SEMANA

“Vejo Luciano Huck com um discurso na perspectiva social democrática, defesa de medidas contra a desigualdade, de um sistema tributário mais justo. Prefiro-o assim a [Guedes] agredindo as empregadas domésticas”. (Flávio Dino, PC do B, governador do Maranhão) 

“Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo pra Disney, empregada doméstica indo para Disney, uma festa danada! Pera aí! Vai passear ali em Foz do Iguaçu!” (Paulo Guedes, ministro da Economia) 

“Se Sérgio Moro não esclarecer cabalmente esse estranhíssimo encadeamento de fatos que inequivocamente estabelece vínculos entre Bolsonaro, filhos e mulher, Queiroz, as milícias do Rio e o assassinato de Marielle e Anderson, terá se transformado em cúmplice.” (Ciro Gomes

“Ela [Adriana Ancelmo] sabia que eu tinha um (caixa) paralelo. Sabia que meus gastos eram incompatíveis com a minha receita formal”. (Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, que delatou a própria mulher. Segundo ele, Adriana “usufruiu” largamente dos seus ganhos)

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Com informações de Leonardo Sakamoto, Josias de Souza, Ricardo Noblçat, Reinaldo Azavedo, Carta Capital, Outra Saúde, Sul 21, o Globo, BR-18, Folha de SP, Fórum, Veja, Dora Kramer, BRPolítico, Vera Magalhães, Marcelo de Moraes e Radar


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