Semana On

Quarta-Feira 03.jun.2020

Ano VIII - Nº 395

Coluna

400 dias de ódio

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 06 de Fevereiro de 2020 - Victor Barone

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“Uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos no Brasil.” A declaração de Jair Bolsonaro foi dada ontem, quando seu governo completou 400 dias. A frase carregada de preconceito e ódio saída da boca do ‘estadista’ atualizou, novamente, as já baixas expectativas políticas em relação ao modo como o governo lida com todos os brasileiros que não fazem parte do núcleo duro do eleitorado bolsonarista. A afirmação foi feita à guisa de defesa da política de abstinência sexual na adolescência proposta pela ministra Damares Alves.

Em nota, a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) repudiou a declaração de Bolsonaro, caracterizada como uma “tentativa de justificar o injustificável”. “Antes de tudo, a ABIA enfatiza que políticas de abstinência não reduzem as taxas de infecção pelo HIV”, afirmou a ONG, que vê articulação entre a frase e uma movimentação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) feito no fim de janeiro no STF. A entidade patronal pediu que o Supremo revogue a regra trabalhista que proíbe a demissão de pessoas que vivem com HIV. “Para a ABIA, as duas ações estão em sintonia já que ambas reforçam o estigma, o preconceito e a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV/Aids neste país.” 

Ainda de acordo com a nota da Abia: “A principal lição em 40 anos de enfrentamento à Aids nos ensinou, sem qualquer dúvida, que o peso de estigma e discriminação na resposta social é a maior barreira ao controle da epidemia. Ao dizer que as pessoas vivendo com HIV causam prejuízo à sociedade, o presidente autoriza tacitamente o estigma, a discriminação e a violação dos seus direitos humanos.”

Mas o discurso de ódio de Bolsonaro também voltou suas baterias para os “ambientalistas”. “Se um dia eu puder, confino-os na Amazônia. Eles gostam tanto de meio ambiente”, disse ontem na solenidade que marcou os 400 dias de governo. Para marcar a data, o presidente assinou um projeto de lei para que terras indígenas deixem de ser protegidas, abrindo a porteira para sua exploração comercial em atividades como mineração, exploração de petróleo e gás natural e geração de energia elétrica. E ainda: turismo, agricultura, pecuária e extrativismo florestal. De acordo com o PL, a autorização do uso da terra será dada pelo Legislativo e os indígenas que moram nessas comunidades serão ouvidos, mas não terão direito a veto. 

“Espero que este sonho, pelas mãos do Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia] e pelos votos dos parlamentares se concretize. Porque o índio é um ser humano exatamente igual a nós. Tem coração, tem sentimento, tem alma, tem desejo, tem necessidades e é tão brasileiro quanto nós”, afirmou o presidente.

Em tempo: o Conselho Nacional de Saúde aprovou uma recomendação para que o governo cancele a campanha de abstinência sexual na adolescência lançada nesta segunda. Isso porque não há evidências científicas que comprovem a eficácia do programa como método contraceptivo.

Por Outra Saúde

A IMPRENSA LIVRE SOB ATAQUE

Um juiz da 10ª Vara Federal em Brasília rejeitou, no último dia 6, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, em uma investigação sobre invasões de celulares de autoridades por um grupo de hackers. Em sua decisão, o juiz Ricardo Leite afirmou que rejeita "por ora" a denúncia contra o jornalista com base numa liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que proibiu autoridades de abrirem inquéritos para investigar como Greenwald teve acesso às mensagens. Com a liminar de agosto do ano passado, o ministro visava proteger o sigilo de fonte jornalística, que está previsto na Constituição. Greenwald foi denunciado pelo MPF mesmo sem ter sido investigado ou indiciado.

Após o anúncio da Justiça, o jornalista afirmou que a decisão não é suficiente e que sua defesa vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal não só para protegê-lo, mas para garantir a liberdade de imprensa. "Nossa luta é em defesa de uma imprensa livre para todos jornalistas, que seguem ameaçados por essa decisão. Iremos ao STF por uma garantia mais decisiva da liberdade de imprensa", afirmou em sua conta no Twitter.

INDÍGENAS NO ALVO

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar organizações não governamentais, em especial os que cuidam dos povos indígenas. No final da transmissão que fez em frente ao Palácio do Alvorada no último dia 31, o mandatário disse que as questões indigenistas atrasam o país e disse que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) presta um desserviço para o Brasil.

Os ataques verbais que o presidente faz contra os povos indígenas, resultam em assassinatos contra lideranças, é isso que pensa uma das maires representantes das mulheres indígenas no país, Sonia Guajajara. Ela responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro pelo assassinato a tiros de dois homens de sua comunidade, no início do mês, na BR 226, que corta a terra indígena do povo Guajajara no Maranhão. Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Guajajara foram atingidos por ocupantes de um veículo quando voltavam de uma reunião em que discutiam a defesa dos moradores da região. Outros quatro indígenas foram feridos.

Há pouco mais de duas semanas, o procurador-chefe da Funai Álvaro Simeão emitiu um despacho recomendando que a entrega de cestas básicas a indígenas ficasse restrita apenas a terras identificadas e demarcadas, e dizendo que “tribos” invasoras de “propriedades privadas” não deveriam recebê-las. O Ministério Público Federal está agindo contra isso: por meio da Procuradoria da República de Dourados (MS), recomendou à Funai o “retorno imediato” da entrega de alimentos às famílias dos povos Kaiowá e Guarani, com um prazo de 48 horas. No documento, afirma que a Funai está “se beneficiando da própria torpeza”, já que a não identificação e delimitação de terras indígenas é resultado do atraso da própria autarquia. Com base em documentos internacionais, os procuradores avaliam a decisão da Funai como um crime contra a humanidade, porque acarreta a “remoção forçada” de populações.

INCORREÇÃO POLÍTICA A DAR COM PAU

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo nas suas redes sociais que ironiza a população brasileira em relação aos japoneses – uma análise feita pelo jornalista Alexandre Garcia e que, para o presidente, vale ser assistida e compartilhada muitas vezes. No vídeo, o jornalista diz que, se tirasse a população japonesa do Japão e os colocassem no Brasil – e vice e versa -, em 10 anos o Brasil seria a primeira potência mundial por conta do solo, regime de chuvas, sol, litoral e outros. Em contrapartida, porém, Garcia diz que não gostaria nem de pensar o que aconteceria com um Japão ocupado por brasileiros. No final do vídeo, Alexandre Garcia afirma que “como os japoneses não virão, vocês estão reconhecendo que a responsabilidade é nossa”. A plateia aplaude. “Alexandre Garcia: 2 minutos para mudar o Brasil. Essa é para assistir algumas vezes e compartilhar muitas.”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais.

CIRCULAÇÃO LIMITADA

Desde que o Ministério da Educação publicou uma portaria limitando o número de pesquisadores que podem viajar para eventos, no dia 31 de dezembro, associações científicas vêm se mobilizando para revogar a medida. O principal ponto criticado é o que diz: “A participação de servidores em feiras, fóruns, seminários, congressos, simpósios, grupos de trabalho e outros eventos será de, no máximo, dois representantes para eventos no país e um representante para eventos no exterior, por unidade, órgão singular ou entidade vinculada”. A limitação se aplica inclusive aos pesquisadores que viajam sem custos para o MEC, bancados pelas organizações dos eventos, instituições estrangeiras ou por recursos próprios. No último dia 23, mais de 60 associações enviaram uma carta ao ministro Abraham Weintraub pedindo uma revisão. A BBC procurou o Ministério, que respondeu, em nota, que “a portaria está sendo revisada e analisada para possíveis modificações“.

VEXAME CULTURAL

A atriz e secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro, Regina Duarte, decidiu apagar um post no Instagram após receber reclamações de artistas como Carolina Ferraz, Maitê Proença, Luiz Fernando Guimarães, Carla Daniel, entre outros.  A publicação era uma montagem que sugeria suposto apoio destes artistas ao governo do presidente Jair Bolsonaro. 

Carolina Ferraz foi a primeira a rejeitar o suposto apoio. “Dá a entender que eu apoio o governo Bolsonaro e eu não apoio, Regina”, reclamou a atriz em uma mensagem de voz que viralizou na noite Do dia 31.

Depois de Carolina, a atriz Maitê Proença também se queixou no dia senguinte “Eu também não gostei de ter sido usada em uma montagem que dá a entender o apoio a um governo que não aprovo”, escreveu na postagem de Regina Duarte. “Que fique claro. Não aprovo este governo mas apoiarei até a morte o direito de quem pensa diferente de mim.”

O ator Luiz Fernando Guimarães pediu à Regina que retirasse sua imagem da postagem. “Houve um mal entendido quando a parabenizei pelo novo projeto, pois conheço sua garra e confio que fará um belo trabalho. Porém não apoio e nem concordo com o governo atual”, escreveu no Instagram.

A atriz Carla Daniel também se queixou: “Regina, vamos deixar claro uma coisa com todo carinho. Apoiei a sua coragem e seu amor à cultura. Não compactuo com esse governo e nem o anterior. Torço pela sua gestão”, escreveu. O ator Ary Fontoura, outro citado na postagem, disparou: “não apoio [o governo Bolsonaro]. Minha página é apenas para divertir quem me segue, abraços.”

Com a repercussão negativa, Regina Duarte apagou o post e publicou uma nota em que diz que tentou “pacificar e unificar a classe artística”, mas recebeu “resistência ideológica”. De novo, a atriz Maitê Proença respondeu à publicação: “Melhor assim Regina querida. Sem abusar do carinho que tenho, e do apoio que lhe ofereci desde o princípio.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Regina aceitou o convite de Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura. Ela será a quarta titular do governo e vai assumir a pasta após Roberto Alvim ter sido exonerado por copiar um discurso do nazista Joseph Goebbels.

A deputada estadual Janaina Paschoal afirmou, através de sua conta do Twitter, que os artistas que tem criticado a atriz Regina Duarte por ter aceitado cargo de Secretária Nacional de Cultura têm inveja de sua nomeação. A autora do impeachment de Dilma Rousseff afirma ainda que “teve gente que puxou o saco do PT a vida toda e nunca recebeu convite para ocupar qualquer pequeno cargo”.

INVEJA MATA...

Pedro Bial criticou o documentário brasileiro Democracia em Vertigem, dirigido por Petra Costa, que concorre a uma estatueta do Oscar. Para o jornalista, trata-se de uma "ficção alucinante". Ele disse ter reagido com gargalhadas ao longa. "Eu dei muita risada. É um 'non sequitur' [expressão em latim para "não se segue"] atrás do outro. Tira conclusão de que algo leva a outro sem a menor relação causal. O filme vai contando as coisas num pé com bunda danado. Uma narração miada, insuportável, ela [Petra] fica chorando o filme inteiro", comentou em entrevista.

AGORA 2

Por meio de conta oficial da Secom no Twitter, a secretaria de Comunicação da Presidência da República, sob comando de Fabio Wajngarten, acusou Petra Costa de “difamar” o Brasil no exterior e de atuar como uma "militante anti-Brasil". As críticas foram motivadas por declarações dadas pela documentarista à PBS, uma emissora pública dos Estados Unidos. "Sem a menor noção de respeito por sua nação e pelo povo brasileiro, Petra afirmou num roteiro irracional que a Amazônia vai virar uma savana e que o presidente Bolsonaro ordena o assassinato de afroamericanos [provavelmente a ideia era escrever afrobrasileiros] e homossexuais", afirma o post. "É inacreditável que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras", acrescenta a Secom, que também divulgou um vídeo chamando de fake news cada declaração da documentarista.

Para a advogada Mônica Sapucaia Machado, especialista em direito administrativo, os tuítes da Secom ferem a Constituição. A professora da Escola de Direito do Brasil cita o artigo 37 da Constituição. "Ele deixa claro que a Administração Pública se submete aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e determina ainda que a publicidade dos governos terá caráter educativo, informativo ou de orientação social", afirmou a advogada à Folha de S.Paulo.

A ex-presidente Dilma Rousseff acusou o jornalista Pedro Bial de ser sexista e misógino e a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) de usar dinheiro público para incitar ódio contra a cineasta Petra Costa, diretora do filme Democracia em Vertigem, que trata do impeachment da petista. O filme concorrerá ao Oscar de melhor documentário no próximo domingo. Em uma série de tuítes, Dilma defendeu a cineasta e o filme. "Como se não bastasse a grosseria misógina e sexista de Bial contra Petra Costa, ao chamá-la de menina insegura em busca de aprovação dos pais, a candidata brasileira ao Oscar com o filme Democracia em Vertigem foi vítima de intolerável agressão oficial do governo Bolsonaro", escreveu a ex-presidente.

É inconstitucional e demonstração de uma sanha autoritária condenável o uso dos canais oficiais da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República para rebater, com base apenas em narrativa, uma entrevista, como foi contra a cineasta Petra Costa. A Constituição enumera os princípios gerais que regem a administração pública, em todas as suas esferas. Um deles é o da impessoalidade, que vale, sobretudo, para ditar normas de publicidade e propaganda feitas com dinheiro público.

A Secom que agora se insurge com virulência contra uma artista que contraria o governo de turno não é um órgão de propaganda política, e sim de comunicação institucional. O abuso evidente acontece no momento em que seu titular, Fábio Wajngarten, responde a questionamentos, que começaram na imprensa e já chegaram ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União, pela destinação de recursos públicos a agências e emissoras que têm contratos em vigor com uma empresa da qual ele continua sócio, embora esteja afastado da administração.

Numa atitude clássica da entourage bolsonarista, Wajngarten usa os instrumentos de Estado que comanda por designação presidencial para atacar adversários de Bolsonaro e prestar serviço ao que o chefe considera dever maior de todos os seus auxiliares: lealdade cega. Com isso, assegura sua permanência na cadeira, a despeito das denúncias ainda não esclarecidas contra si, e refaz pontes que andavam cindidas com o filho 02 do presidente, Carlos, aquele que tem a decisão sobre vida e morte dos responsáveis pela comunicação do governo.

Cabe ao Ministério Público de Contas, aos parlamentares e aos ministros do TCU imporem um freio claro ao uso da propaganda oficial como instrumento de doutrinação política e repressão dos divergentes. Esse filme é antigo e faz parte do receituário clássico dos regimes que iniciam uma caminhada autoritária, como outros já colocados em marcha no Executivo, e por vezes refreados pelo sistema constitucional e democrático de freios e contrapesos.

Por Vera Magalhães

O jornal britânico The Guardian reportou que o governo do presidente Jair Bolsonaro promoveu ataques contra a cineasta Petra Costa através da Secretaria de Comunicação do Governo Federal. “Em uma extraordinária enxurrada de tweets na segunda-feira, a agência presidencial responsável por elevar o perfil internacional do Brasil atacou ferozmente a diretora de documentários, Petra Costa, classificando-a como ‘uma ativista anti-brasil’ que ‘manchou a imagem do país no exterior’”, diz trecho da reportagem do jornalista Tom Phillips.

A reportagem o Guardian afirma que os dados apresentados pela cineasta são corretos. Tom Phillips confirma a informação de que o número de homicídios cometidos por policiais cresceu cerca de 20% no Rio de Janeiro e que a Amazônia está sob ameaça. “Os principais cientistas alertam que o desmatamento está empurrando a floresta amazônica para um ponto de inflexão irreversível, embora não esteja claro com precisão quanto tempo”, aponta.

AQUELA VELHA MANIA DE VIRA-LATA

O presidente Jair Bolsonaro, após almoço na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no último dia 3, visitou a sede do Grupo Bandeirantes, na capital paulista, onde conversou com jornalistas e outros funcionários da emissora. Um fato que chamou a atenção na visita foi a maneira amistosa com que Reinaldo Azevedo, ferrenho crítico do governo, tratou o presidente. A “cordialidade” de Reinaldo Azevedo com o presidente virou motivo de piada nas redes bolsonaristas.

KAFTA FOREVER

Eduardo Bolsonaro defendeu a permanência do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no governo. O ministro tem sido alvo de constantes críticas de membros da oposição pelos problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2019. Weintraub também segue sendo criticado por erros de português que comete com frequência nas redes sociais. O ministro já escreveu "imprecionante" ao invés de impressionante, "antessessores" ao invés de antecessores,  "paralização"  no lugar de  paralisação. No início do ano, ainda chamou o escritor Franz Kafka de "kafta" em uma audiência no Senado. Porém, o filho do presidente da República acredita que Weintraub, mesmo com os erros, é um ótimo ministro. "Para mim é o melhor ministro da Educação de todos os tempos", disse Eduardo. Quando questionado se um ministro responsável pela pasta da Educação pode escrever errado, o deputado disse que não é o ideal. "Mas às vezes acontece. Vamos combinar que vocês da imprensa também, quando eu leio lá, eu vejo lá um erro, erro de digitação. Acontece", defendeu o deputado. "Quem é aqui que às vezes não tem uma dúvida com uma palavra e recorre ao dicionário ou ao Google?", questionou.

RASGA TUDO

Ao fim do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre Estado da União no Congresso do país, no último dia 4, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, rasgou uma cópia do pronunciamento que recebeu do republicano. Esta cena foi o desfecho de um clima nada amistoso que começou assim que Trump chegou ao púlpito da Câmara, quando ele quebrou o protocolo ao cumprimentar apenas o vice-presidente do país, Mike Pence, e ignorou a democrata, que havia lhe estendido a mão. Responsável pela abertura do processo de impeachment de Trump, Pelosi ficou sentada atrás do chefe de Estado durante todo o tradicional pronunciamento anual, ao qual acompanhou franzindo a testa e rindo de forma incrédula durante vários trechos. Imediatamente ao fim da fala do republicano, enquanto ele era aplaudido, Pelosi se levantou e rasgou diante de todos o que seria uma cópia do discurso.

O presidente Jair Bolsonaro chamou de “fantástico” o discurso feito pelo presidente dos EUA. “Um discurso simplesmente FANTÁSTICO de Donald Trump. ‘Nosso trabalho é colocar os Estados Unidos em primeiro lugar.'”, escreveu Bolsonaro no Facebook, citando uma das frases ditas pelo norte-americano no tradicional discurso. Na fala, Trump abordou assuntos como imigração, economia e Venezuela.

CASOS ISOLADOS...

Dois governadores reagiram à exposição de violência praticada por policiais militares em redes sociais. Tanto Rui Costa (PT), da Bahia, quanto João Doria (PSDB), de São Paulo, determinaram investigação rigorosa dos casos ocorridos, mas o tucano pediu o afastamento do policial flagrado agredindo uma mulher.

O caso baiano mostra um PM batendo em um rapaz com murros e chutes e fazendo insultos raciais e homofóbicos em razão do cabelo do garoto. “Você para mim é ladrão, você é vagabundo. Olha essa desgraça desse cabelo aqui. Tire aí vá, essa desgraça desse cabelo aqui. Você é o quê? Você é trabalhador, viado? É?”, gritava o PM ao jovem no domingo, 2, no bairro Paripe, em Salvador.

Já o caso paulista se deu em São José do Rio Preto, onde um PM dá um murro numa mulher no momento em que é imobilizada no chão. “Apesar dela ter resistido a prisão por tráfico de drogas, existe protocolo a ser cumprido e as imagens indicam conduta totalmente inadequada do policial”, escreveu o governador de São Paulo nesta noite no Twitter. No vídeo, uma voz feminina diz que a mulher está grávida de 5 meses.

UFC

Olavo de Carvalho, ideólogo do governo Bolsonaro, publicou uma imagem, em sua conta no Instagram em que ironiza o apresentador Luciano Huck, cotado como um dos candidatos à Presidência da República em 2022. Na publicação, Olavo faz uma piada sem graça misturando o nome da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva – criticada nas redes bolsonaristas por sua posição de centro e por uma suposta hesitação em se posicionar sobre temas polêmicas – com um gracejo sobre o nariz do global. “Nova aposta da Globo para 2022. Narina”, diz a publicação. Esta, porém, não foi a primeira vez que Huck foi criticado por seu envolvimento na política. Relembre outros casos:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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NA PRESSÃO CONTRA BOLSONARO

A Nature publicou uma carta de cerca de 1,2 mil brasileiros, entre cientistas e membros de comunidades indígenas e tradicionais, pedindo uma ação global de pressão sobre Jair Bolsonaro para restaurar a “governança brasileira de serviços ecossistêmicos de importância global” – comprometida pelo desmantelamento das políticas socioambientais. “Os mercados internacionais podem exercer pressão sobre como os agricultores produzem commodities no Brasil, ajudando a colocar o país na tendência global de agricultura sustentável. Os países podem apoiar as empresas comprometidas com os ODS [Objetivos do Desenvolvimento Sustentável] por meio do uso estratégico de incentivos, enquanto os governos estaduais e municipais no Brasil podem estimular a produção da agricultura sustentável e baseada na biodiversidade, atraindo investimentos externos. (…) Entre os brasileiros, 91% desejam políticas mais fortes para a conservação da natureza, o que implica que a integração de políticas com metas globais (…) é de interesse público”, diz o documento.

CARTA MARCADA

O padre Julio Lancelotti denuncia dois agentes da Polícia Militar de São Paulo de o terem ameaçado de morte no último dia 27 de janeiro, no bairro da Mooca, na zona leste paulistana. Ele atua nesta região auxiliando a população em situação de rua, por meio da Pastoral do Povo da Rua, que é liderada por ele. “Durante uma abordagem policial, em que eles acusavam três moradores de rua por um assalto, os policiais bateram muito nos meninos e depois disseram que era para me avisarem que minha hora chegaria”, explica Lancelotti.

Os agentes, lotados no 11º Batalhão da Polícia Militar, procuravam o assaltante que teria roubado a filha de outro policial.

“As três pessoas abordadas sofreram agressões verbais, foram humilhados e ameaçados de morte. Durante essa abordagem, os policiais também proferiram ameaças ao padre Julio, porque os rapazes tentaram se defender da abordagem dizendo que ajudavam voluntariamente na organização do Bazar Solidário do padre Julio. Quando eles mencionam o nome do padre Julio, eles ameaçam: ‘Avisa o padre que a sua hora vai chegar’. Eles humilham o padre e fazem afirmações que atingem a honra dele”, afirma Juliana Hashimoto, advogada da Pastoral do Povo da Rua, que apresentou uma denúncia na Corregedoria da Polícia Militar, informando a ameaça de morte.

Lancelotti relembra que já foi ameaçado de morte outras vezes e que a relação com policiais militares sempre é tensa, justamente pelo comportamento adotado pela corporação nas abordagens com a população de rua em São Paulo. “Ser ameaçado de morte gera uma sensação de impotência. Não há muito mais o que dizer”, afirma o padre Lancelotti.

BORA ARMAR GERAL

O presidente Jair Bolsonaro criticou na quinta-feira (6) o projeto de lei aprovado pelo Senado no mesmo dia e que exige exame toxicológico para a posse ou porte de armas de fogo. Segundo o presidente, as pessoas que escolhem comprar uma arma estão agindo de forma correta e não pensam em “fazer besteira”. “Meu Deus do céu, tem que infernizar a vida de quem está fazendo a coisa errada, não de quem quer fazer a coisa certa. Quem quer comprar uma arma não é para fazer besteira. [Para] fazer besteira ele vai aí para o câmbio negro, um lugar qualquer”, afirmou o presidente durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

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FRASES DA SEMANA

“É um filme (Democracia em Vertigem) de uma menina dizendo para mamãe que fez tudo direitinho, que está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica”. (Pedro Bial, apresentador de televisão)  

“Lulinha paz e amor existe ainda, mas eu não posso me comportar como Lulinha paz e amor diante de pessoas que utilizaram o título de doutor dado pelo Estado brasileiro, bem remunerado, para mentir e para me condenar”. (Lula, que saiu da cadeia sem que a cadeia tenha saído dele)

“O governo usou a conta do Secretário de Comunicação nas mídias sociais para me atacar, chamando-me de antipatriota. Este é mais um passo em direção ao autoritarismo em face do qual não devemos permanecer calados”. (Petra Costa, autora do documentário “Democracia em Vertigem”) 

“Foi a maior crise na Educação e ele não se pronuncia no sentido de dar uma resposta e apresentar solução. […] Já ultrapassou todos os limites e ele continua como se tudo estivesse bem”. (Tábata Amaral, deputada, PDT-SP, autora do pedido de impeachment do ministro da Educação)

“Alexandre Garcia fala que a esposa dele, obstetra, atendeu uma mulher que começou com o primeiro filho com 12 anos. Outro com 15, e no terceiro, ela já estava com HIV. Uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”. (Jair Bolsonaro

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Com informações de Leonardo Sakamoto, Josias de Souza, Ricardo Noblçat, Reinaldo Azavedo, Carta Capital, Outra Saúde, Sul 21, o Globo, BR-18, Folha de SP, Fórum, Veja, Dora Kramer, BRPolítico, Vera Magalhães, Marcelo de Moraes e Radar


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