Semana On

Quinta-Feira 26.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Auau Miau

Por que as pessoas fingem falar por seus animais de estimação?

O hábito de criar vozes divertidas ou específicas para eles pode esconder algo mais profundo sobre a relação com o seu pet

Postado em 28 de Janeiro de 2020 - Marilia Marasciulo – Galileu

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Penny é uma das maiores influencers da rede TikTok. Com quase 2 milhões de seguidores, ela faz travessuras e culpa o vizinho, reclama cada vez que tem que sair de casa, implora para ganhar mais comida… Tudo com um vocabulário em geral restrito a “não”, “o que” e “sim” ou palavras ditas de um modo mais alongado. É que Penny é, na verdade, uma pitbull.

O dono de Penny, Robby, é quem cria os esquetes em que a cachorra fala. Ele não é o único a “ventríloqua” (para usar um termo mais técnico) pelo próprio animal de estimação. Na verdade, algumas pessoas fazem também com bebês e, às vezes, bichos de pelúcia. Mas por que? O que há de tão especial nisso?

Há poucos estudos que estudam o fenômeno, mas uma linguista da Universidade Georgetown, Deborah Tannen, fez uma pequena pesquisa com uma família para identificar o porquê da ventriquolação. A conclusão é de que isso ocorre por diferentes motivos.

“As pessoas usam o que estiver no ambiente para se comunicar umas com as outras”, disse a pesquisadora em entrevista à revista The Atlantic. Os bichos, bebês ou objetos, nestes casos, serviriam para dar um tom bem humorado a críticas, transmitir valores, elogiar sem parecer chato, resolver conflitos e criar uma identidade familiar que os incluem como parte da família. É como se elas considerassem mais fácil falar umas com as outras indiretamente.

Tão curioso quanto é o fato de que a maioria das pessoas nem percebe quando faz isso, ou se percebe não acha estranho. É que a sociedade está tão acostumada a ouvir gente falando com ou pelos animais e bebês que, se duvidar, dois vizinhos que passeiam com seus bichos de estimação podem ter conversas inteiras através deles.


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