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Domingo 31.mai.2020

Ano VIII - Nº 395

Auau Miau

Punir seu cachorro pode torná-lo mais pessimista, diz estudo

Pesquisadores de Portugal analisaram táticas de treinamento para entender o que incentiva ou desanima o comportamento do animal

Postado em 21 de Janeiro de 2020 - Galileu

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Uma revisão de 19 pesquisas sobre comportamento animal, publicada no periódico científico bioRxiv, indica que gritar ou repreender verbalmente os cachorros pode deixá-los mais estressados. Além disso, treinamentos de cães que usam táticas de punição podem colocar em risco a saúde física e mental dos bichos, tornando-os mais pessimitas. 

A maioria dos estudos reavaliados foi realizada em cachorros de polícia ou que foram criados em laboratório. Por isso, pesquisadores da Universidade do Porto, em Portugal, realizaram novos testes com 92 cães de companhia. 

Eles recrutaram 42 cachorros de escolas de treinamento que usavam comida ou brinquedos como métodos de recompensa para incentivar o bom comportamento dos animais. Também participaram 50 cães que viviam em instituições onde o treinamento incluía táticas de punição, como gritos e puxar a coleira. 

Durante a pesquisa, os especialistas filmaram as atitudes dos animais em três sessões comuns de treinamento, além de coletar saliva deles. Os vídeos mostraram que os cães treinados com punição exibiram mais sinais de tensão e estresse, como lamber os lábios e bocejar. Tais indicadores não foram percebidos nos bichos treinados com recompensa. 

Os testes de saliva ainda mostraram níveis elevados de cortisol nos cachorros que passaram pelos métodos de punição, enquanto os animais que receberam recompensas não tiveram alterações no cortisol – hormônio que ajuda o organismo a controlar o estresse. 

Teste da salsicha
Os pesquisadores também queriam entender os efeitos do treinamento punitivo a longo prazo. Eles projetaram uma tarefa de viés cognitivo para ver como 79 cães reagiam à possibilidade de ganhar uma refeição.

Os bichos foram treinados para associar o lado de uma sala com uma linguiça. Tigelas desse lado continam salsichas o tempo todo, enquanto tigelas do outro lado da sala estavam vazias. Os especialistas ainda colocaram uma tigela vazia e com cheiro de linguiça no meio da sala, mas os animais não conseguiam ver se havia comida ou não na tigela. 


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