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Sábado 29.fev.2020

Ano VIII - Nº 382

Comportamento

Como reduzir o consumo de açúcar de seu filho de uma vez por todas

Não proíba todos os doces – o tiro pode sair pela culatra

Postado em 21 de Janeiro de 2020 - Natalie Stechyson – Huffpost

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Você se lembra de quando estava grávida e jurou para quem quisesse ouvir que seu filho jamais comeria açúcar refinado? Que em vez disso ele curtiria frutas e iogurte orgânico? Que ao invés de se divertir com telinhas e telonas, ele preferiria brincar ao ar livre?

Hahaha. Quem dera fosse assim.

No meu caso, até que deu tudo certo no primeiro ano de vida de meu filho.

Hoje meu filho tem 3 aninhos e é totalmente obcecado por doces. Meus sonhos de iogurte orgânico e frutas deram lugar a sonhos de limitá-lo a apenas um brownie de fudge de cada vez. Já aconteceu de eu deixá-lo comer cookies no café da manhã, apenas para fazê-lo parar de gritar (foi assim hoje). Não me orgulho disso.

Meus esforços para esconder quaisquer quitutes dele são inúteis: meu bebê é como um daqueles porcos que farejam trufas – sempre descobre onde estou escondendo o ouro (estou com um Toblerone escondido dentro do slow cooker neste momento e sei que é apenas questão de tempo para ele encontrar).

Já me preocupo tremendamente com as questões de saúde decorrentes de todo o açúcar que ele consome, mas são os problemas comportamentais que realmente me tiram do sério (por exemplo as explosões de raiva de meu filho quando ele não ganha o doce que quer, na quantidade que quer).

Está na hora de impor alguns limites. Mas como?

Essa é uma luta enfrentada por todos os pais, disse ao HuffPost Canadá a nutricionista Jennifer House, de Calgary, em entrevista por e-mail.

“Todos nós já passamos por isso, muitas vezes”, ela comentou.

“As crianças têm a tendência natural a gostar do que é doce porque o açúcar é uma fonte fácil de energia (carboidratos) que pode ser usada pelo corpo. O leite materno, o primeiro alimento do bebê, é adocicado.”

Pedimos algumas dicas a House de como limitar o consumo de açúcar de nossas crianças. Veja o que ela respondeu:

1. Não é preciso eliminar os doces completamente.

Doces são um problema se seu filho estiver comendo doces no lugar de outros alimentos. Mas uma restrição total pode levar seu filho mais para frente a sentir ânsia aguda por doces, a armazenar doces em segredo e consumi-los compulsivamente.

Embora os pais possam pensar que o açúcar causa mau comportamento ou comportamento hiperativo, pesquisas revelam que isso não passa de mito (se bem que certos corantes alimentares encontrados em alguns produtos doces tenham, sim, sido vinculados à hiperatividade).

“É mais provável que seja o clima de agitação de uma situação (como uma festa) que deixe seu filho endoidecido”, disse House.

2. Neutralize os alimentos vistos como “gostosura”

O objetivo, disse House, deve ser neutralizar todos os alimentos, de modo que não haja alimentos “bons” ou “ruins”. Tendemos a equacionar os doces com alimentos “ruins”, mas isso pode ter efeito inverso ao desejado.

“Faz parte da natureza humana querer comer o que é proibido, ‘ruim’ ou desejado”, explicou a nutricionista.

Ela sugeriu que os pais sigam a “divisão de responsabilidade” preconizada pela renomada especialista Ellyn Sater em relação à alimentação infantil. Trata-se, essencialmente, de você se responsabilizar pelo que seu filho come, quando ele come e onde ele come, enquanto a criança decide quanto ela vai comer e se vai comer aquilo que você lhe oferece.

Para privar os doces de seu caráter “especial”, House recomenda a seguinte dica de Satter: uma ou duas vezes por semana ofereça doces ilimitados no lanche, durante o qual a criança deve sentar-se à mesa. Pode ser, por exemplo, um prato de cookies, um copo de leite e uma fruta. Não limite o número de cookies que seu filho pode comer.

“A partir do momento que os doces deixam de ser tratados como tão especiais, as crianças passam a encará-los como os outros alimentos. Muitas crianças deixam uma cumbuca de sorvete pela metade porque já estão satisfeitas”, disse House.

Nas refeições, experimente servir a sobremesa junto com a refeição. Não a trate como um prêmio ou recompensa.

3. Guarde os doces fora da linha de visão de seu filho, mas não os elimine

Segundo House, 90% da dieta da criança deve ser composta de alimentos que fazem parte dos grupos alimentares principais (como proteínas, frutas e verduras).

É boa ideia guardar os alimentos doces longe das vistas de seu filho, para que não sejam a primeira coisa que ele vê quando abre a geladeira. Mas não elimine os doces da casa por completo.

“Se você fizer isso, seu filho ficará doido quando encontrar doces à medida que for ficando mais velho e tendo mais acesso. Nas festas de aniversário geralmente é muito fácil detectar qual é a criança que não tem direito a comer doces em casa!”

4. Em lugar de dizer não, diga sim, mas com limites.

Alerta, perigo à vista! Seu filho está tendo um acesso de raiva porque quer cookies para o café da manhã (sim, estamos falando de meu filho outra vez). O que fazer?

Seja firme, mas ofereça uma opção alternativa, disse House. Diga a seu filho que vocês todos vão comer torradas e banana para o café da manhã, mas que ele vai ganhar cookies no lanche, mais tarde.

“Em lugar de dizer ‘não’, você está dizendo ‘sim’, mas com limites. Seu filho talvez aceite isso mais facilmente”, disse House.

5. Cuidado com as opções “alternativas”

Doces ditos “orgânicos” não são mais saudáveis que doces comuns, explicou House. E guarde em mente que alguns quitutes possuem algum valor nutricional, como é o caso do cálcio contido no sorvete ou das frutas numa torta.

Em todo caso, disse House, existem várias receitas ótimas que você pode experimentar se estiver com vontade de ser criativa na cozinha.

Veja algumas que parecem uma delícia:

  • Brownies de chocolate e grão de bico
  • Frozen yogurt de banana e manteiga de amendoim de chocolate
  • Barrinhas de granola e aveia tostadas que não vão ao forno
  • Crocante de maçã e frutinhos
  • Cookies de banana e chocolate para o café da manhã (yes!!!)

Este texto foi originalmente publicado no HuffPost Canadá e traduzido do inglês.


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