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Quinta-Feira 28.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Saúde

Mosquitos são modificados em estudo para cessar transmissão de dengue

Cientistas usaram anticorpo humano para impedir insetos de transmitirem os quatro tipos conhecidos da doença

Postado em 21 de Janeiro de 2020 - Galileu

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Preocupados com a transmissão da dengue ao redor do mundo, uma equipe de biólogos da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) se uniu a colegas do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt (EUA) para encontrar uma forma de impedir o alastramento da doença. O experimento bem-sucedido foi publicado nesta semana na revista científica PLOS Pathogen.

Na pesquisa, os cientistas identificaram um anticorpo humano que suprime a dengue, e o recriaram sinteticamente em mosquitos fêmeas da espécie Aedes aegypti, que espalham o vírus da doença. Dessa forma, quando os insetos modificados ingerem sangue, o anticorpo é ativado neles e se manifesta, impedindo a replicação do vírus e prevenindo a sua disseminação.

Essa é a primeira vez que cientistas desenvolvem uma forma de combater os quatro tipos conhecidos de dengue a partir do próprio Aedes aegypti – e sem precisar exterminá-lo. De acordo com Omar Akbari, professor da divisão de Ciências Biológicas da Universidade da Califórnia em San Diego e membro do Instituto Tata de Genética e Sociedade e coautor da pesquisa, os insetos modificados podem ser usados em um sistema de disseminação que espalhe o anticorpo pela natureza, afetando outros mosquitos transmissores de dengue. O time do laboratório do pesquisador também pretende encontrar formas de combater a Zika, chikungunya e a febre amarela, que também são contraídas pela picada de mosquitos.

Em um comunicado, James Crowe, coautor do estudo e diretor do Centro de Vacinação Vanderbilt, apontou que a pesquisa é só um ponto de partida para outras soluções: "É fascinante que agora possamos transferir genes do sistema imunológico humano para conferir imunidade aos mosquitos. Esse trabalho abre um leque inteiro de oportunidades no campo de biotecnologia para impedir doenças que nascem em mosquitos e afetam as pessoas".

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que há 390 milhões casos de contração de dengue por ano, e alerta que metade da população mundial está em risco. No Brasil, o número de casos da doença cresceu 264% entre 2018 e 2019, segundo dados do Ministério da Saúde.


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