Semana On

Segunda-Feira 21.set.2020

Ano IX - Nº 411

Coluna

Acordo EUA-China prejudica agronegócio brasileiro

Os produtores brasileiros já devem estar contabilizando os prejuízos. Terão de desbravar novos mercados

Postado em 16 de Janeiro de 2020 - Josias de Souza (UOL), Vera Magalhãees (BR Político) – Edição Semana On

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O acordo firmado entre Estados Unidos e China vale como uma espécie de cessar-fogo. É uma trégua, não o fim da guerra. Para Donald Trump foi uma vitória econômica e política. Ele trombeteia seu slogan: "A América primeiro." O acerto produzirá prejuízos ao agronegócio brasileiro.

Para a economia mundial, o entendimento é bom. O confronto entre as duas maiores potências econômicas alimentava os temores de uma desaceleração que não interessa a ninguém. No longo prazo, a descompressão do ambiente beneficia também o Brasil. No curto prazo, entretanto, o agronegócio nacional deve levar uma paulada.

No miolo da picanha assada em Washington há um compromisso da China de comprar US$ 200 bilhões adicionais em produtos e serviços americanos. Desse total, pelo menos R$ 50 bilhões serão aplicados na compra de produtos agrícolas. Em troca, a Casa Branca levantará algumas tarifas que impôs à China nos quase dois anos de guerra comercial.

Trump apressou-se fazer média com seu eleitorado. Disse que o acordo assegura "um futuro de justiça econômica e segurança para os trabalhadores e fazendeiros americanos e suas famílias." A segurança às fazendas dos Estados Unidos é um outro nome para a incerteza que paira sobre as planilhas das fazendas do Brasil.

Para aumentar as compras de produtos agropecuários americanos, a China reduzirá aquisições em outras praças. Maior fornecedor de commodities agrícolas para os chineses, o Brasil será o principal prejudicado.

Os produtores brasileiros já devem estar contabilizando os prejuízos. Terão de desbravar novos mercados. Assim funciona o comércio internacional. Prevalecem os interesses, não o amor. Para Trump, a América sempre virá primeiro. Bolsonaro deveria aprender com seu amado.

Estimativas

Estimativa do jornal O Globo é que o Brasil perca US$ 10 bilhões em exportações neste ano em virtude desse acordo. Este é o valor que a China passou a comprar a mais do Brasil depois das restrições impostas por Trump.

O Valor traz entrevistas com representantes de associações do agro brasileiro mostrando que a proposta de acordo é inexequível, pois os Estados Unidos não teriam como fornecer as quantidades estabelecidas. ”

As compras teriam que subir US$ 18 bilhões a mais por ano, para um total de US$ 40 bilhões. O que está proposto é inexequível, porque os EUA não têm produto agrícola suficiente para as metas propostas”, disse André Pessôa, sócio da Agroconsult.


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