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Domingo 12.jul.2020

Ano VIII - Nº 401

Saúde

O que é a adenomiose? Especialistas explicam esse problema de saúde comum entre as mulheres

A doença – que causa cólicas intensas, dores nas relações sexuais, problemas de fertilidade e mais – pode ser confundida com a endometriose

Postado em 14 de Janeiro de 2020 - Julia Ries – Huffpost

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Endometriose, síndrome do ovário policístico, fibromas: há vários problemas de saúde do aparelho reprodutivo feminino que podem causar dores intensas. Um deles, e dos quais pouco se fala, é a adenomiose. De acordo com Natalya Danilyants, especialista do Center for Innovative GYN Care, nos Estados Unidos, ela pode ser definida como “endometriose do músculo do útero”.

Esta doença é relativamente comum. Pesquisas norte-americanas estimam que uma em cada dez mulheres sofra de adenomiose – apesar de esses números poderem ser imprecisos, porque, ainda hoje, não há uma definição padrão nem critérios estabelecidos para diagnosticar o problema.

Como na endometriose – na qual o tecido que reveste o útero cresce fora dele ―, na adenomiose também há um problema com tecidos uterinos: eles começam a crescer dentro da parede muscular do útero. É uma condição benigna, ou seja, ela não se transforma em câncer, mas causa dores intensas.

Eis o que todo mundo deveria saber sobre adenomiose:

A adenomiose muitas vezes é confundida com outros problemas

Como os sintomas da adenomiose – cólicas, sangramentos irregulares, dores nas relações sexuais e infertilidade inexplicada – são parecidos com os de outros problemas de saúde, muitas vezes a doença não é diagnosticada corretamente. Uma confusão frequente é com sangramento uterino disfuncional, que basicamente é uma maneira de dizer que não há explicações para o sangramento, afirma Danilyants.

A adenomiose também pode ser confundida com constipação, síndrome das dores na bexiga, perimenopausa, problemas de tireoide e, é claro, endometriose.

A atriz Gabrielle Union passou por isso quando tinha 20 e poucos anos. Apesar de seus sintomas serem bastante óbvios – sua menstruação durava nove dias ―, os médicos não se comprometiam com um diagnóstico. Ela só soube que sofria de adenomiose depois de sofrer vários abortos naturais.

“Muita gente acha que, se você sente dores durante a menstruação, trata-se de endometriose, porque é uma doença muito falada”, diz Linda Fan, cirurgiã ginecológica da Yale Medicine. “A adenomiose também não é diagnosticada porque algumas mulheres não têm nenhum sintoma”, afirma Fan.

O problema às vezes não é detectado nem sequer pelo ultrassom. Ressonâncias magnéticas podem ter resultados melhores, mas a adenomiose ainda pode passar despercebida se a paciente tiver fibromas – tumores uterinos benignos – que bloqueiam parte das imagens geradas nesses exames.

O resultado disso é que muitas mulheres que têm adenomiose acabam não recebendo um diagnóstico definitivo. Algumas delas podem receber receitas de remédios, como anticoncepcionais ou hormônios, para lidar com as dores e os sangramentos.

Elas costumam ouvir que “não há nada errado” ou que “os exames estão normais”, afirma Danilyants. Isso pode resultar em depressão ou ansiedade, por que as dores continuam.

“Anos de tratamentos inadequados, com dores e sangramentos contínuos, podem ter impacto significativo na qualidade de vida”, afirma ela.

A doença é mais comum entre os 30 e 50 anos de idade

Não se sabe ao certo o que causa a adenomiose, mas os médicos já descobriram algumas verdades. Enquanto a endometriose é mais comum aos 20 anos, a adenomiose se manifesta mais entre os 30 e os 50. Se os sintomas aparecerem nessa época, o diagnóstico provavelmente será de cisto ou adenomiose.

Uma possível explicação para a adenomiose é o parto por cesariana. Ela também pode ter relação com a quantidade de estrogênio à qual a mulher foi exposta, tipicamente mais alta entre as mulheres mais velhas, segundo a Mayo Clinic. Outros fatores de risco incluem um histórico de endometriose e fibromas. 

Observação: embora a adenomiose tenda a aparecer entre os 30 e os 50 anos de idade, ela pode sumir sozinha durante ou depois da menopausa. De qualquer modo, mulheres jovens podem também podem ter adenomiose.

Os tratamentos ainda são complicados e limitados

Infelizmente, não existe uma maneira 100% garantida de evitar todos os efeitos potencialmente devastadores da adenomiose – com exceção de uma histerectomia parcial, ou seja, a remoção do útero. E é claro que essa cirurgia também tem efeitos devastadores.

Uma opção é passar por um procedimento que queima o tecido que reveste o útero, para evitar o crescimento descontrolado do tecido. Mas Danilyants afirma que os sintomas podem ficar ainda piores depois desse procedimento – em alguns casos a mulher é forçada a fazer uma histerectomia.

A maioria das pacientes pode tentar administrar a dor com remédios e hábitos saudáveis. Antiinflamatórios como ibuprofeno podem aliviar as cólicas. Exercícios físicos e certas opções de contraceptivos (como os DIUs) também podem ajudar.

No fim das contas, o tratamento depende de seus sintomas – “e como eles afetam o seu dia-a-dia”, afirma Fan. Só isso pode determinar se é o caso de fazer uma cirurgia.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.


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