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Segunda-Feira 24.fev.2020

Ano VIII - Nº 381

Entrevista

Alcides Bernal – Candidato do PP ao Senado

Propondo renovação na política sul-mato-grossense, ex-prefeito aposta na alternância do poder no Estado.

Postado em 25 de Setembro de 2014 - Victor Barone

Alcides Bernal, candidato do PP ao Senado Alcides Bernal, candidato do PP ao Senado

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Ex-prefeito cassado de Campo Grande, Alcides Bernal reforça o discurso do golpe e propõe um mandato de parceria com a população no Senado Federal. O candidato do PP pretende impulsionar a demarcação de terras indígenas, lutar contra a descriminalização da maconha e aumentar a fatia do Estado e dos municípios sul-mato-grossenses no FPM e no FPE.

 

Victor Barone

O que o levou a disputar uma vaga no Senado da República?

Em 2012, a população nos confiou o seu voto. Ao assumirmos a administração municipal encontramos uma situação caótica, especialmente na saúde, pois a cidade sofria com uma grave epidemia de dengue. Enfrentamos e vencemos essa epidemia, com ousadia e muito trabalho. E sem gastar com propaganda fizemos muito em pouco tempo. Porém ao rompermos com as velhas práticas, incomodamos os grupos que haviam sido retirados do poder por meio do voto popular. Inconformados, esses grupos roubaram o mandato do povo.

Dessa forma nossa candidatura nasceu pelo clamor do povo por justiça em Mato Grosso do Sul e pela vontade de fazer com que a democracia prevaleça e que nosso estado não viva sob a forma de tirania.

Acreditamos que todo poder emana do povo e que o mesmo é soberano. Assim, suas escolhas devem ser respeitadas e não usurpadas de forma criminosa, como ocorreu em Campo Grande, onde nosso mandato foi retirado pela vontade de uma minoria e orquestrado por 23 vereadores.

Entendemos que assim, poderemos restabelecer a democracia e o direito do voto que foi cerceado dos nossos eleitores. Disputar esta eleição é fortalecer o direito do povo de ter sua escolha respeitada. A alternância do poder é necessária e contribui com a redução de toda corrupção.

O Senado Federal tem um sistema igualitário de representantes dos Estados, no entanto Mato Grosso do Sul ainda sai perdendo em vários setores, em especial na distribuição de FPM e FPE. Como inverter esta situação?

Os caminhos para conquistarmos a igualdade passam pelo diálogo e pelo compromisso do parlamentar com a população do Estado que o elegeu, sem subserviência a grupos ou governos. No Senado Federal vamos fomentar esse diálogo, incluindo outros Estados que também são prejudicados, especialmente na distribuição de verbas. Também iremos usar de nossa influência junto ao Partido Progressista, onde somos vice-presidente nacional, para conseguirmos pressionar em favor de Mato Grosso do Sul.

Ao rompermos com as velhas práticas, incomodamos os grupos que haviam sido retirados do poder por meio do voto popular. Inconformados, esses grupos roubaram o mandato do povo.

Como senador, como pretende ajudar no desenvolvimento do Mato Grosso do Sul?

Temos esse compromisso com a nossa gente: fazer com que o nosso estado seja respeitado e reconhecido nacionalmente, pois apesar de já termos 36 anos de existência, Mato Grosso do Sul ainda é esquecido e confundido com Mato Grosso.

Para isso, além de destinar verbas para o Estado, aprovar leis que beneficiem as pessoas e participar ativamente das decisões do nosso País, vamos manter um canal de comunicação permanente com a população de Mato Grosso do Sul, de maneira a ouvir e detectar suas demandas, para podermos colaborar com a solução dos problemas cotidianos dos sul-mato-grossenses.

Sendo assim, nosso trabalho será para ajudar a população, por meio da destinação de verbas para projetos eficientes, que atendam o maior número de pessoas e em municípios que realmente precisem. Iremos acompanhar de perto o uso desses recursos, fiscalizando para que não haja desvio de finalidade dos projetos e para que nenhum centavo do dinheiro do povo seja desperdiçado.

Qual a sua posição sobre a demarcação de terras indígenas?

Já passou da hora dessa questão ter uma solução. Pretendo, junto à bancada do PP e à bancada de MS, reforçar e cobrar uma solução definitiva e rápida junto ao Governo Federal sobre essa questão. Não temos mais tempo para empurrar o assunto com a barriga, pois o mesmo causa sofrimento tanto às famílias indígenas, quanto às famílias dos produtores. O assunto já foi determinado pela constituição, o que falta é cumprir a lei. É mais simples do que se imagina e vamos fazer a lei ser cumprida.

Qual a sua opinião sobre a regulamentação do uso da maconha?

Sou totalmente contra a liberação do uso recreativo da maconha, pois considero que em nada contribuirá para a diminuição da violência e muito menos impactará beneficamente em nossa sociedade. Em relação ao uso medicinal, acho que precisamos ampliar o debate, pois o mesmo ainda suscita muitas dúvidas. A Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal decidiu pela separação da discussão em relação ao uso medicinal e o uso recreativo e industrial, o que em minha opinião é válido, pois aprofunda o assunto e impede que o mesmo seja aprovado ou desaprovado sem ouvir todos os lados.

Como senador, como o senhor se posicionará a respeito do debate sobre a reforma tributária?

Nosso Estado é um dos que mais sofre com a alta carga tributária, que vem inviabilizando o nosso desenvolvimento. Além disso, hoje a distribuição dos impostos arrecadados não é democrática. Dessa forma, meu posicionamento é que esse assunto seja prioridade no Senado Federal, sob o risco de atrasarmos ainda mais o crescimento do nosso País.

A reforma tributária é parte essencial do desenvolvimento do País, assim como também a reforma política. Enquanto senador, pretendemos participar ativamente dessas discussões, defendendo os interesses dos brasileiros e principalmente dos sul-mato-grossenses

Iremos avaliar juntamente com profissionais da área, os melhores caminhos para que a reforma aconteça verdadeiramente, de forma efetiva e que contribua com o crescimento de todo o País, de forma especial com o do nosso Estado.

O Partido Progressista, do qual faço parte da Executiva Nacional, defende a proposta de criação de um anteprojeto de reforma do Código Tributário, dessa forma, eleito Senador, seremos mais uma voz a somar em defesa da reforma. Mas tão importante quanto a reforma tributária, é o combate à sonegação fiscal e à corrupção, que serão nossas bandeiras no Congresso Nacional.

Que opinião o senhor tem a respeito da redução da maioridade penal?

Não se resolve o problema da criminalidade com passe de mágica, apenas diminuir a maioridade penal não garante a redução da violência. É preciso estabelecer uma política pública que insira os adolescentes na sociedade, oferecendo a eles educação, saúde, opções de lazer e principalmente oportunidade para que consigam construir para si mesmos um futuro próspero.

Nesse sentido há de se atuar em duas esferas: a prevenção e a punição. Mas acredito que para tomar uma decisão sobre um tema tão polêmico como esse é preciso consultar a sociedade, que vivencia no dia a dia os problemas resultantes pela violência praticada por menores de idade.

Vamos manter um canal de comunicação permanente com a população, de maneira a ouvir e detectar suas demandas, para podermos colaborar com a solução dos problemas cotidianos dos sul-mato-grossenses.

Qual sua posição diante da política de cotas?

Por priorizar sempre as pessoas, o PP tem compromisso com a implementação de políticas públicas específicas de gênero, raça, entre outros. Para o PP, o Estado deve respeitar os direitos de todos e os princípios constitucionais. Em relação às cotas, acreditamos que as mesmas em alguns casos específicos são necessárias, porém não podem resultar em exclusão, pois aí estariam indo contra o seu propósito. Antes de implantá-las ou não, é preciso realizar um estudo aprofundado para que as mesmas atendam às necessidades reais das minorias, sem afetar a sociedade como um todo.

Poucas atividades econômicas tem um impacto ambiental tão nocivo quanto a pecuária. Como Senador, de que forma o senhor pretende contribuir para conciliar a competitividade de uma das maiores cadeias produtivas do Estado com a necessidade de preservação de nosso ecossistema?

Nosso Estado possui grande dependência do agronegócio, especialmente da pecuária, e também possui grandes belezas naturais. Sendo assim é fundamental equalizarmos essa convivência, por meio da criação de leis de preservação e de incentivos à produção sem impacto ao meio ambiente. Vamos atuar junto às comissões de agricultura e também de meio ambiente, acompanhando seus trabalhos e participando ativamente das suas decisões, de maneira a garantirmos a conciliação desses dois setores muito importantes para a nossa economia.

O que precisa ser aperfeiçoado no legislativo federal?

Em primeiro lugar é preciso renovação. Os acontecimentos atuais mostram que a classe política que se enraizou em nosso País não está atendendo às demandas da nossa sociedade. Dessa forma, acreditamos que é preciso novos nomes, que realmente representem as pessoas.

Nosso Estado é exemplo do mal que grupos e famílias que se instalaram no poder podem fazer às pessoas. Em Campo Grande, quando a população decidiu que já estava na hora de mudar e os tiraram do poder, esses grupos não se conformaram com a derrota e fizeram de tudo para voltar, sem se importar com o sofrimento das pessoas. Hoje, a Capital passa por uma das maiores crises financeiras da sua história, causada pela ganância e falta de compromisso desses 23 vereadores que buscavam cargos, poder e até benefícios financeiros e praticamente depenaram os cofres municipais. Daí a grande importância de renovar.


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