Semana On

Terça-Feira 14.jul.2020

Ano VIII - Nº 401

Coluna

Todo canalha é bolsonarista, embora nem todo bolsonarista seja canalha

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 11 de Dezembro de 2019 - Victor Barone

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Sim, todo canalha é bolsonarista. Mas nem todo bolsonarista é canalha. Pode-se dizer, aliás e com pouca chance de erro, que a grande maioria daqueles que conduziram Bolsonaro ao poder não é canalha. Claro que, quanto ao núcleo duro do bolsonarismo, é mais difícil sustentar otimismo. Dizer que todo canalha é bolsonarista não é novidade. Canalha, aqui, se traduz geralmente por violento e covarde. O que é novo, talvez, é a comprovação quase diária da assertiva. E não há como negar que um presidente abertamente machista, homofóbico, racista, xenófobo tem tudo a ver com o empoderamento dos seus iguais. Uma figura que sempre admirou homicidas e torturadores e que defendeu, mais de uma vez, o assassinato dos seus adversários.

O esgoto começou a transbordar na campanha. Em apenas dez dias de outubro de 2018, levantamento da Agência Pública constatou dezenas de atos violentos em 18 estados. A maioria das agressões – 50 – foi obra de apoiadores de Bolsonaro.

Em Recife (PE), uma jornalista foi esfaqueada e escapou por pouco de um estupro. “Quando o comandante ganhar a eleição, a imprensa vai morrer”, avisou o agressor. Em São Paulo, uma cozinheira foi espancada, xingada de “puta fedida”, presa e jogada nua na cela por escrever a frase “Ele Não” em um muro.

Em Curitiba (PR), outro jornalista foi propositalmente atropelado por usar uma camiseta vermelha com a estampa de Lula. Culminou com as 12 facadas em Moa do Katendê, 63 anos, em Salvador. Em 2019, basta acompanhar o noticiário para saber que pouco mudou.

Em Londrina (PR), por exemplo, um casal foi preso por agredir o filho adotivo de oito anos, que foi parar numa UTI. O conselho tutelar encontrou indícios de tortura. Em 2018, na sua rede social, a dupla convocou “Bora votar 17”.

Em Cuiabá (MT), um médico acostumado a exaltar Bolsonaro no Facebook agrediu uma empresária com socos e tapas. Quando a mulher avisou que iria denunciá-lo, o agressor prometeu, segundo ela, matar e cortar sua filha em pedaços.

O “Dia do Fogo” no Pará, violência contra a Amazônia que espantou o planeta, foi uma articulação de fazendeiros, madeireiros e grileiros admiradores de Bolsonaro. O jornalista que os denunciou teve que deixar a cidade após ser ameaçado de morte.

Outro traço do canalha é a hipocrisia. Em Londres, três paulistas adoravam compartilhar textos e imagens de exaltação a Bolsonaro. Também curtiam as operações das PF. “Os corruptos piram”, postaram. Só não curtiram quando foram presos pela Scotland Yard por chefiarem um mega esquema de prostituição, bordéis clandestinos, segurança ilegal e venda de drogas. Condenados, fizeram a delícia dos tabloides ingleses.

Em São Paulo, uma mulher foi flagrada com 30 quilos de pasta base de cocaína. Nas redes sociais, em baixo de sua foto na cabine era possível ler “Bolsonaro 2018”.

Em Balneário Camboriú (SC), um homem de 44 anos matou a socos e pontapés um idoso de 61. O homicídio aconteceu após discussão sobre política. Testemunhas declararam que o assassino ofendeu verbalmente a vítima e partiu para a agressão a socos e pontapés. Mesmo caído, o homem continuou a ser massacrado. Sofreu uma parada cardíaca e morreu no local. Nas redes, o assassino usava sua foto acompanhada dos dizeres “Bolsonaro, muda Brasil de verdade”.

Por Ayrton Centeno

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, confirmou a tese. Disse que apoiadores do atual governo "tem desvio de caráter" e disse "não duvidar" da participação de integrantes da família Bolsonaro na morte da vereadora Marielle Franco, no Rio. "Ele (Bolsonaro) preside para a minoria. Namora os 12% que apoiam a ditadura, de 12 a 20%, namora os 10% que são racistas, homofóbicos e machistas, ele namora os 10%... ele faz um conjunto de 30% dos piores sentimentos do povo brasileiro. (...) Estou convencido, e vou falar uma coisa dura. Quem segue apoiando o governo é porque tem algum desvio de caráter", disse Santa Cruz, que depois se retratou em nota enviada ao site da revista Época dizendo que não estava se referido a todos os apoiadores do presidente, mas "a principal base" desse apoio.

Santa Cruz também disparou contra Sério Moro, afirmando que não é recebido pelo ministro e reclamou de falta de diálogo da OAB com o ministério: "Não tem diálogo nenhum. Na ditadura isso acontecia". O advogado criticou ainda a política de segurança do governador do Rio, Wilson Witzel: "Política de genocídio das populações da periferia".

Sergio Moro, por sua vez, disse que Felipe Santa Cruz, tem “postura de militante político-partidário”. A declaração foi publicada em sua rede social. Moro rebateu uma queixa de Santa Cruz, que afirmou à revista Época que não é recebido no Ministério da Justiça. Em resposta, o ex-juiz escreveu que discorda da conduta do presidente da OAB.

Tenho grande respeito pela OAB, por sua história, e pela advocacia. Reclama o Presidente da OAB que não é recebido no MJSP. Terei prazer em recebê-lo tão logo abandone a postura de militante político-partidário e as ofensas ao PR e a seus eleitoreshttps://t.co/Y1TCcrsZxx

— Sergio Moro (@SF_Moro) December 11, 2019

Em 29 de julho, o presidente da OAB foi alvo de uma série de ataques do presidente da República. À imprensa, Bolsonaro disse que sabia como Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, desapareceu no período militar. Posteriormente, em vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro acusou Fernando de participar de um grupo terrorista “sanguinário” e que teria sido morto por militantes de esquerda. As informações teriam sido retiradas de um livro do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel conhecido na ditadura. À época, Santa Cruz afirmou que Bolsonaro demonstrou “crueldade” ao debochar do assassinato de um jovem de 26 anos, idade que seu pai tinha quando desapareceu. Segundo a OAB, as circunstâncias do desaparecimento nunca foram relatadas pelo Estado. O presidente da entidade interpelou Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal para pedir explicações, mas o processo foi arquivado após o presidente da República responder que não teve a intenção de ofendê-lo.

FAMA INTERNACIONAL

O presidente Jair Bolsonaro apareceu com ares de vilão em uma nova HQ do universo de Batman, lançada na quarta-feira (11) no mercado americano. O primeiro volume de Dark Knight Returns: The Golden Child traz a imagem do presidente do Brasil identificado pelo nome de “JM. Bozo” em um perfil de uma rede social semelhante ao Twitter, batizada de Peegeon. Na trama protagonizada pela Batwoman, a cidade de Gotham vive intensas manifestações nas ruas, que acabam repercutindo na mídia. O leitor vê então nos quadrinhos a manchete de um jornal, uma notícia publicada em uma rede social que lembra o Facebook e a mensagem de “JM. Bozo” no Peegeon: “Se dependesse de mim, todo cidadão de bem teria uma arma de fogo em casa”, ele afirma na rede social fictícia. 

E o Frank Miller faz tudo.

Na nova HQ do Cavaleiro das Trevas fizeram uma paródia de um tweet do Bolsonaro com o nome de “JM. BOZO” onde ele comenta sobre protestos que estão acontecendo em Gotham.

“Se dependesse de mim todo cidadão teria uma arma em casa.” pic.twitter.com/0NIXpvPaHa

— heroina do lixo (@dcucomics) December 11, 2019

Dark Knight Returns: The Golden Child é assinada por Frank Miller e ilustrada pelo quadrinista gaúcho Rafael Grampá. Além de Bolsonaro, a história também traz uma figura que faz alusão a outro político: Donald Trump.

O presidente dos Estados Unidos aparece na figura do “Governador”, que tenta se reeleger com a ajuda violenta de Coringa, gerando caos em Gotham. Nesse contexto, a heroína Batwoman comanda um levante contra o vilão.

LOUCURA

Que curativo era aquele na orelha? – perguntaram os repórteres que costumam se apinhar na entrada do Palácio da Alvora à espera do presidente Jair Bolsonaro. De bom humor, o que ultimamente é raro, Bolsonaro respondeu: “Estou bem de saúde, a questão é a rotina. É questão de estafa. Eu sabia que não ia ser fácil. Espero que vocês colaborem, não comigo, mas com o Brasil. Tem também possível câncer de pele”. Diante do espanto geral, acrescentou: “Eu tenho pele clara, pesquei muito na minha vida, gosto de muita atividade. Então, a possibilidade de câncer de pele existe. […] Eu não sei se vão fazer biópsia. Tiraram, me cutucaram, furaram, deram anestesia”.

Depois, em sua transmissão semanal ao vivo no Facebook, Bolsonaro acusou: “Teve uma fake news também que eu estaria com câncer. É mentira atrás de mentira. Infelizmente, grande parte da nossa mídia se presta a isso.” Bolsonaro foi aconselhado por assessores a desmentir o que ele mesmo havia dito. Então preferiu desmentir o que a imprensa limitara-se a divulgar, como lhe cabe fazer. Aproveitou para comunicar aos seus fiéis e crédulos devotos: “Hoje, a imprensa preparou a primeira pergunta, e eu falei: não vou responder nada porque vocês disseram que eu estou com câncer, então eu vou para casa. Não dei entrevista para ninguém”. De fato, o presidente inspira cuidados.

Por Ricardo Noblat

EM QUEDA LIVRE

O bolsonarismo tirou do armário a criminalização da ciência e a sacralização da burrice. Entenda-se por "burrice" não a falta de um saber específico, como separar sujeito e predicado com vírgula ou não ter ideia da raiz quadrada de quatro. Mas menosprezar o conhecimento, chegando a odiar quem o detém ou quem busca seu aprendizado, além de encarar preconceitos violentos como sabedoria. E, claro, acreditar que qualquer informação que não reafirme a sua crença pessoal é falsa.

Quando a burrice encontra pesquisas de opinião que não as afaga, como a do Datafolha, do último dia 8, o resultado é uma explosão de ignorância nas redes sociais. O que se viu não foram interpretações divergentes dos dados ou o questionamento da metodologia, mas ataques violentos aos números e sugestões de censura de sua divulgação. Afinal, não refletiam seu desejo pessoal. Bolsonaro segue estagnado na faixa dos 30% de aprovação, de acordo com o instituto, enquanto a reprovação está em 36% – números que variaram dentro da margem de erro em relação ao último levantamento em agosto.

Mas para uma parcela ruidosa de seus seguidores, que acham que sua bolha representa o universo, Bolsonaro deveria estar marcando algo entre 60% e 70% de aprovação. Esses fiéis da igreja bolsonariana, ao lado de robôs e milícias digitais remuneradas, não aceitam a existência de qualquer fato que vá na direção contrária de sua crença. Até porque, em muitos casos, essa fé é a única coisa que restou a eles a partir do momento em que resolveram terceirizar sua capacidade de reflexão. Aprenderam com o mestre, claro. Governantes costumam valorizar dados estatísticos para auxiliar em seu trabalho. Menos este.

Bolsonaro já afirmou que a metodologia de cálculo de desemprego do IBGE estava errada porque não concordava com ela. E bradou que tinha a "convicção" de que dados de desmatamento da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais são "mentirosos". O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, disse que as taxa de desmatamento eram manipuladas e infladas. Osmar Terra, do Ministério da Cidadania, disse não confiar em pesquisas da Fiocruz, instituição de renome internacional. O chanceler Ernesto Araújo não acredita em mudanças climáticas e afirmou que o aumento da média da temperatura global ocorreu porque estações de medição de temperatura que estavam no "mato" hoje estariam no "asfalto". O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, menosprezou o questionário do Censo.

A mesma pesquisa Datafolha afirma que 80% da população desconfia do que vem da boca de Bolsonaro – 43% diz que nunca confia no que o presidente fala e 37% acha que suas declarações só merecem credibilidade às vezes. Do total, 19% diz acreditar sempre em Bolsonaro. São esses 19% que lutam com unhas e dentes para mostrar que a economia já está uma maravilha, sendo que postos formais crescem lentamente enquanto abundam empregos sem direitos e gente que se vira vendendo comida na rua. Para algumas pessoas, Jair é o comandante de um navio que guia o país pelos perigos de uma tormenta em direção a um porto seguro. Para outras, é um capitão inábil e incompetente que atrapalha a própria tripulação que tenta tirar o navio da tempestade. O local em que você está depende da sua ideologia, mas também de como está sua situação financeira.

Os segmentos que avaliam o governo como ótimo e bom, segundo do Datafolha, são homens, pessoas com ensino superior, brancos, evangélicos neopentecostais, moradores da região Sul, que ganham mais de cinco salários mínimos, empresários. Já os que avaliam o governo como ruim e péssimo são mulheres, jovens entre 16 e 24 anos, mais pobres, negros, desempregados, indígenas, moradores do Nordeste e adeptos de religião de matriz africana.

Que uma parte dos fãs de Bolsonaro sinta-se representada por cada bobagem que ele fale por ver nele alguém como eles no poder, faz parte. Ele nunca agiu como presidente da República, mas como animador da extrema direita. Que uma parcela considerável de empresários e da classe mais alta ache que as coisas vão indo bem, como aponta a pesquisa, também faz parte. Ele defende os ricos (que estão "sufocados" deste país, segundo ele) mais do que os pobres.

Tanto que as cinco áreas em que o governo teve pior avaliação são aquelas que atingem exatamente os que mais precisam do Estado para garantir um mínimo de dignidade: combate à fome e à miséria (14% de ótimo e bom), saúde (15%), combate ao desemprego (16%), educação (21%) e habitação (22%)

Por Leonardo Sakamoto

Há dois capitães Bolsonaro na praça. O presidente acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. O primeiro Bolsonaro personifica a nova política, combate as notícias falsas e cultua um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O outro Bolsonaro, retratado em pesquisa do Datafolha, é muito parecido com o primeiro, só que mente um pouco. A grossa maioria do eleitorado (80%) ouve Bolsonaro com a pulga atrás da orelha— 43% nunca confiam naquilo que o presidente da República declara, 37% confiam só de vez em quando. Apenas uma minoria (19%) confia 100% no que escorre dos lábios do inquilino do Planalto.

A pesquisa traz uma péssima notícia: Jair Bolsonaro chega ao final do seu primeiro ano de mandato como um governante inconfiável aos olhos da maioria dos governados. A sondagem traz também uma extraordinária novidade: o brasileiro já não se deixa enganar tão facilmente.

A plateia percebeu que Bolsonaro opera num mundo com duas verdades: a dele e a verdadeira. Ele chama a imprensa de mentirosa e, simultaneamente, acusa Leonardo DiCaprio de financiar incêndios na Amazônia. Autoriza o desmonte do aparato de fiscalização ambiental enquanto se confraterniza com grileiros e desmatadores. Renega dados científicos sobre queimadas e, na sequência, acusa ONGs de riscar o fósforo.

Bolsonaro declara que o envolvimento com candidaturas laranja deixou o dono do PSL, Luciano Bivar, "queimado pra caramba". Mas não se constrange de manter no comando do Ministério do Turismo o deputado licenciado Marcelo Álvaro Antônio, indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público por plantar um laranjal na escrituração eleitoral do PSL de Minas Gerais. Nesse confronto entre as duas verdades —a de Bolsonaro versus a verdadeira— produziu-se uma distorção insuportável. Todas as manhãs, ao escovar os dentes, Bolsonaro enxerga no reflexo do espelho um político antissistema, avesso à corrupção e adepto da transparência. O desapreço pelos fatos e suas relações com Fabrício Queiroz, o faz-tudo que enfiou dentro da biografia do primogênito Flávio, grudam na face de Bolsonaro a imagem do atraso.

Bolsonaro revelou-se um presidente sui generis. Fala dez vezes antes de pensar. Pronuncia o que imagina ser conveniente, sem esboçar preocupação com o desmentido dos fatos. Em plena era da fake news, o capitão vai se consolidando como uma espécie de fake presidente, eis a verdade que salta dos dados colecionados pelo Datafolha.

Por Josias de Souza

FASCISTA, QUEM, EU?

Em mensagem no Twitter para o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, utilizou uma expressão associada ao franquismo, período da ditadura fascista espanhola comandada por Francisco Franco. Ao agradecer o filho do presidente Jair Bolsonaro por felicitações de aniversário, o assessor finalizou o texto com a expressão espanhola “Ya hemos pasao” (“Já passamos”). A frase era usada pelo franquismo como uma resposta ao lema “Não passarão”, historicamente utilizado por movimentos sociais de esquerda. “Valeu, irmão! É uma honra fazer parte deste momento e lutar ao lado de gente que está disposta a morrer pelo nosso país e a sacrificar tudo em nome do que é justo e bom. Que a escória continue se mordendo de raiva. ¡Ya hemos pasao!”, escreveu Martins.

Valeu, irmão! É uma honra fazer parte deste momento e lutar ao lado de gente que está disposta a morrer pelo nosso país e a sacrificar tudo em nome do que é justo e bom. Que a escória continue se mordendo de raiva. ¡Ya hemos pasao! https://t.co/4FFZIfW2eE

— Filipe G. Martins (@filgmartin) December 12, 2019

TOSCOS E DESPREPARADOS

Fernando Gabeira escreveu, em seu artigo no Estadão, que o governo Jair Bolsonaro é “tosco” e despreparado para uma realidade complexa como a do Brasil. “Há muitas formas de analisar o primeiro ano de Bolsonaro no poder. Os mais otimistas veem a economia se recuperando, saúdam a redução dos índices de criminalidade, aprovam a gestão na infraestrutura. Não são apenas essas variáveis que definem o País. Se olhamos de fora para dentro, veremos que o prestígio internacional do Brasil caiu, embora não tenha ainda atingido os negócios”, diz.

BOLSONARO LULA

O número de brasileiros que confiam nas declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é maior que o volume de brasileiros que confiam nas declarações do presidente Jair Bolsonaro. Pelo menos é isso que aponta a pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de São Paulo. O estudo diz que 25% da população sempre confia em Lula, enquanto 19% têm o mesmo sentimento em relação a Bolsonaro.

O Datafolha já havia revelado que 80% dos brasileiros desconfiam das declarações do atual presidente e, nesta terça-feira, afirmou que, quando se trata do ex-presidente Lula, esse percentual cai para 73%. É que, hoje, 19% da população diz que sempre confia nas declarações de Lula, 36% confiam às vezes, 37% nunca confiam e 2% não sabem. Os índices registrados por Bolsonaro foram 19%, 37%, 43% e 1%, respectivamente. A pesquisa ainda revela uma mudança no sentimento da população em relação à condenação de Lula. Hoje, 54% dos entrevistados pelo Datafolha consideraram justa a soltura do ex-presidente, que saiu da prisão em Curitiba após o Supremo Tribunal Federal mudar o seu entendimento sobre a prisão em segunda instância. Em abril, porém, os mesmos 54% diziam que a condenação de Lula era justa. Em outubro, 51% disseram que ele deveria continuar na cadeia.

O apoio ao ex-presidente vem, sobretudo, do Nordeste, onde 71% afirmaram que sua libertação foi justa. O ex-presidente ainda tem boa aprovação entre os jovens de 16 a 24 anos e os brasileiros que estudaram até o nível fundamental.

WEINTRAUBISSES

O ministro da Educação esteve na Câmara após convocação para esclarecer as afirmações que fez recentemente de que nas universidades públicas têm plantações de maconha. Abraham Weintraub fez inúmeros ataques à esquerda, ao PT e ao comunismo. Em um longo dia de debates com deputados da oposição, o ministro se emocionou ao falar da mãe e gritou ao se referir a uma deputada do PCdoB.

O deputado do Novo, Tiago Mitraud (MG), relembrou que não faz parte da oposição e falou que o ministro não foi convocado por falar das drogas apenas, mas sim porque Weintraub não para de gerar polêmicas. "Em nada justifica ministro, a sua predileção por polêmicas", disse Mitraud. O parlamentar relembrou a polêmica publicação do ministro no Twitter, onde Abraham afirmou que a mãe de uma internauta era uma égua sarnenta e desdentada. "Se o senhor quer respeito a memória da sua mãe e de sua família, então o senhor também deveria respeitar a mãe alheia", disse Mitraud. "O senhor envergonha as famílias brasileiras. O senhor está em desserviço", disparou o deputado do partido Novo.

Os que ficaram sabendo à época jamais esqueceram. E fazem questão de lembrar no cafezinho da Câmara dos Deputados ou nos corredores do Senado sempre que o assunto das conversas gira em torno do ministro Abraham Weintraub, da Educação. Passado algum tempo desde sua posse, ele recebeu em audiência a diretora do Escritório da UNESCO em Brasília e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, nomeada para o cargo em julho do ano passado.

Marlova é mestre em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Foi bolsista da Fundação Kellog e da Eisenhower Exchange, tendo participado de um programa acadêmico de intercâmbio profissional nos Estados Unidos. Aprofundou seus estudos sobre o Estado de bem-estar social na Suécia, como bolsista da Federação Sueca de Assistentes Sociais, e completou o treinamento executivo em Administração Pública no Instituto de Administração Pública de Nova York.

– Ministro, estou aqui para me apresentar e me pôr à sua disposição. É um prazer conhecê-lo – disse Marlova ao ser admitida no gabinete de Weintraub. Que respondeu de bate pronto:

– Sei quem é a senhora. É uma comunista. Não tenho prazer em conhecê-la.

– Não, não sou comunista – retrucou Marlova.

– É, é sim – insistiu o ministro.

Então a diretora da UNESCO deu-lhe as costas e saiu.

Foi a audiência mais curta da administração de Weintraub até agora.

Por Ricardo Noblat

AMOR DE BICHO

Em visita a Israel, o deputado Eduardo Bolsonaro concedeu entrevista a uma emissora de TV. Nela, desenvolveu um raciocínio inusitado para dizer o que pensa sobre a comunidade LGBT. Comparou o amor entre pessoas do mesmo sexo ao amor que nutre por seu cachorro. O entrevistador recordou frases de Jair Bolsonaro. Lembrou que em 2011 o agora presidente do Brasil dissera que preferia ter filho morto num acidente de carro a ter um filho gay. Dois anos depois, acrescentou o repórter, Bolsonaro afirmou ter orgulho de ser homofóbico. Sobreveio a pergunta: "O senhor tem a mesma opinião sobre a comunidade LGBT?

Sobre o comentário de 2011, Eduardo declarou: "…O próprio presidente Jair Bolsonaro já disse que não é bem assim. Tenho certeza, conhecendo meu pai, que, se eu fosse gay, ele jamais faria algo assim comigo, com certeza." O entrevistador insistiu: "Qual é a sua opinião sobre a comunidade LGBT?"

"Não me importo", disse Eduardo Bolsonaro, antes de injetar na conversa sua teoria canina. "Se você diz que só é preciso amor para ser uma família, você vai dizer que eu e meu cachorro —eu amo meu cachorro— somos uma família. Entende? Você abre a porta para muitas coisas." Eduardo Bolsonaro reproduziu um trecho da entrevista nas redes sociais (veja abaixo). No pedaço que se refere aos gays, incluiu apenas o "não me importo". Na mesma entrevista, o Zero Três ressuscitou uma polêmica que parecia morta.

Por Ricardo Noblat

UM ESTRATEGISTA...

Indagado (na mesma entrevistra – veja acima) sobre a promessa do seu pai de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, Eduardo Bolsonaro respondeu: "Temos que ser muito responsáveis com esse procedimento. Eu costumo dizer que, se nós temos uma só bala, não podemos perder o alvo. Ano que vem, talvez vejamos toda a embaixada mudar para Jerusalém."

O repórter surpreendeu-se: "Então, a embaixada será transferida ano que vem?" Diante da reiteração da pergunta, o Zero Três deu uma resposta que pode representar qualquer coisa, inclusive nada: "Não posso dizer isso, mas eu realmente espero que isso aconteça".

O barulhinho que se ouve ao fundo é a fervura do cérebro da ministra Tereza Cristina (Agricultura). Ela imaginava que estivesse encerrado o lero-lero que irrita os países árabes e muçulmanos, grandes importadores de carne bovina e de frango produzidos no Brasil.

Por Ricardo Noblat

SAÚDE LIDERA

A saúde ocupa, de novo, o centro das preocupações dos brasileiros, segundo a última pesquisa Datafolha. De acordo com o levantamento feito nos dias 5 e 6 de dezembro, 19% consideram a área a mais problemática do país. O percentual chega a 23% entre as mulheres. Na sequência, vem a preocupação com a educação, presente em 14% das respostas – que também chega a 23% entre os entrevistados jovens. E em terceiro lugar, aparece a segurança pública, com 13%. 

CEM DIAS

No último dia 8 o vazamento de óleo no litoral brasileiro completou cem dias. No fim de semana, cerca de cem cientistas se reuniram, a pedido do governo, na Escola de Guerra Naval, no Rio. O encontro marcou o lançamento oficial das equipes que vão analisar o vazamento (sim, só agora…) Contudo, os pesquisadores não vão se dedicar integralmente ao assunto, visto que não vão se afastar de seus empregos ou projetos pessoais, de acordo com O Globo

O jornal fez um levantamento dos gastos registrados pelos 11 estados atingidos pelo óleo. Até agora, os que mais gastaram combatendo o desastre ambiental foram Alagoas (R$ 4,3 milhões), Bahia (R$ 736 mil) e Rio Grande do Norte (R$ 547 mil). Os gastos de Pernambuco, um dos mais afetados, ainda não foram computados.  

UM POUQUINHO PIOR

O país caiu uma posição no ranking global de desenvolvimento humano. Em 2018, o IDH brasileiro ocupou a 79ª posição em meio a 189 países e territórios. No ano anterior, estávamos em 78º. O índice é calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento com base em dados como expectativa de vida, escolaridade e renda per capita. O país mais avançado é a Noruega. Em relação a nossos vizinhos, estamos empatados com a Colômbia e atrás do Chile, Argentina e Uruguai. 

“BOM SENSO”

O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta se pronunciou sobre a decisão da Anvisa de liberar a fabricação e a comercialização de medicamentos à base de Cannabis. De acordo com ele, o veto à proposta que previa o plantio da planta para fins científicos e de produção foi de “bom senso”. Ele afirmou que a Pasta estuda a incorporação de produtos à base de canabidiol no rol de medicamentos do SUS. “Vamos ver qual o escopo que a Anvisa dá. Para o canabidiol já sabemos, e acho que ele se encaixa no SUS. Temos usuários que precisam do canabidiol, e temos feito há muito tempo essa discussão, porque temos crianças com crise convulsiva reentrante [sucessivas]”, disse ele, que afirmou que qualquer inclusão só vai acontecer depois da demonstração técnico-científica da eficácia dos produtos. O Ministério pretende chamar conselhos federais de farmácia e medicina para debater os impactos da decisão da agência.

RACISMO

No último dia 8 Silvio Santos protagonizou mais uma polêmica ao mudar o resultado de uma competição musical em seu programa, impedindo uma mulher negra de vencê-lo. Mesmo com o placar apontando vitória a Jennyfer Oliver, Silvio não gostou do resultado e optou por outra competidora branca. No quadro, diversas candidatas se apresentaram com uma performance musical e, após outras terem suas oportunidade, quando chegou a vez de Jennyfer, Silvio a interrompeu e afirmou que a música era muito chata. Em seguida, o apresentador chamou a votação da plateia para escolher quem seria a vencedora.

Após anunciar a escolha do auditório por Jennyfer, Silvio decide entregar R$ 500 a todas as competidoras e diz que caberia a ele decidir a melhor cantora. “Se eu estivesse na minha casa, na minha opinião, a melhor intérprete seria você, Juliana! Você é muito bonita e canta muito bem, mais R$ 500 para a Juliana!”, disse, ignorando que o placar anunciava vitória em disparado a Jennyfer.

Assim que o caso foi ao ar no programa do SBT, as redes sociais passaram a repercutir a situação e Silvio Santos se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter. Muitos internautas acusavam o apresentador de racismo. “Já passou da hora de Sílvio Santos sair do ar. Esse homem é datado, extremamente problemático, machista e racista… Isso aqui é um absurdo!”, escreveu um perfil.

“Gente, eu tava assistindo na hora.. tava super feliz por ela ter ganho, MAIS DO NADA Silvio Santos deu o prêmio pra mulher branca e que na visão dele, ela era a 'mais bonita' dali. Eu sinceramente… Não tenho nem oq dizer”, comentou outro.

Já passou da hora de Sílvio Santos sair do ar. Esse homem é datado, extremamente problemático, machista e racista... Isso aqui é um absurdo! pic.twitter.com/pcCdlbbO7B

— Alexandre (@Iexandre) December 9, 2019

PAPAGAIO DE PIRATA

Durante comemoração de 50 anos do escritório Sérgio Bermudes Advogados, que ocorreu no último dia 6 no luxuoso hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o governador Wiltson Witzel (PSC) pediu para ser levado ao camarim de Ivete Sangalo, já que a artista estava escalada para o show de encerramento da celebração. No entanto, segundo informou a coluna de Lauro Jardim, no O Globo, a cantora baiana fez chegar à produção da festa que não queria recebê-lo. Há duas semanas ele se ajoelhou em frente ao jogador Gabigol, durante a final da Libertadores, mas foi ignorado. No entanto, depois de insistência, o governador conseguiu tirar uma foto com o artilheiro nos vestiários.

NEM SÃO GENTE...

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se recusou a dar as mãos a representantes da sociedade civil em um minuto de silêncio em memória dos caciques indígenas Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Belnício Guajajara, da tribo Guajajara, que foram assassinados no último dia 7 na estrada BR-226, que corta as aldeias El Betel e Boa Vista, no Maranhão. A homenagem foi proposta na COP-25 durante encontro do ministro com representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs), entre eles Caetano Scannavino, coordenador do projeto Saúde e Alegria, que teve membros presos acusados colocarem fogo na Amazônia. No vídeo, Scannavino propõe o minuto de silêncio em memória dos indígenas mortos e pede que não haja mais “derramamento de sangue” na Amazônia. “Eu acho que a delegação brasileira aqui tem que se unir. Direita, esquerda, governo, não governo, para que não tenhamos mais derramamento de sangue na Amazônia. Porque os caciques têm nome: Firmino Prexede e Raimundo Belnício. E que isso não se repita mais”, diz Scannavino, diante de um Salles visivelmente constrangido.

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se recusa a dar as mãos em minuto de silêncio contra o "derramamento de sangue" indígena na Amazônia pic.twitter.com/68p2vtbIYd

— Revista Fórum (@revistaforum) December 9, 2019

CENSURA

Uma dissertação de mestrado em Políticas Públicas da Univali, em Itajaí, teve o título vetado pela coordenação do programa e pela procuradoria jurídica da universidade. O motivo? A referência ao presidente da república. A justificativa da Univali foi evitar “possíveis implicações jurídicas”.  O título censurado é “Bolsonaro no Divã: A erótica do poder, o desejo e a metástase do gozo nos entremeios das políticas públicas no Brasil”, da mestranda Neusa Maria Vasel. É uma análise de discurso sobre as falas do presidente. O veto foi, especificamente, ao uso de “Bolsonaro no divã”. Esta é a primeira vez que um trabalho sofre esse tipo de interferência no programa de mestrado.

UM DEMOCRATA...

A cerimônia de entrega do prêmio Brasileiros do Ano da revista Istoé, no último dia 3, em São Paulo, teve como protagonista o ex-presidente Lula. Apesar de não ter sido premiado este ano – Lula ganhou o prêmio de brasileiro da década pela mesma revista em 2010 – o petista recebeu elogios e dedicatórias dos premiados, para a ira de João Doria (PSDB), que também ganhou o prêmio e estava presente na celebração que aconteceu em São Paulo. O primeiro a homenagear o ex-presidente foi o escritor Geovani Martins, vencedor da categoria “brasileiro do ano na Cultura”. Em sua intervenção, o carioca revelou que um de seus maiores orgulhos é saber que Lula leu na prisão seu livro Sol na Cabeça. Pouco tempo depois, foi a vez da atriz Jéssica Ellen, que recebeu o prêmio de “brasileira do ano na Televisão”. Doria, que ganhou o prêmio “brasileiro do ano em Política”, demonstrou irritação quando foi receber seu prêmio. Depois de fazer alguns agradecimentos, o tucano pediu espaço no microfone para rebater as intervenções pró-Lula e subiu o tom.

NO BRASIL, ANTIFASCISMO É CRIME...

Estádio Nilton Santo
A PM acaba de remover uma faixa com os dizeres "Botafogo Antifascista". Ou seja, agora é oficial O fascismo está institucionalmente naturalizado. Crime no Brasil é ser antifascista@bfrantifascista#FogoNosFascistas #EsquerdaAlvinegra #BotafogoAntifascista pic.twitter.com/qvRNtctzWX

— A Caminhada Está Apenas Começando(@faberlopesc) December 8, 2019

A CULPA É DA VÍTIMA

Eduardo Bolsonaro foi na direção oposta sobre a morte de 9 jovens após uma ação policial na favela de Paraisópolis, em São Paulo. Enquanto a maioria dos políticos e especialistas condena a ação da PM paulista, o filho do presidente Jair Bolsonaro achou uma boa ideia enaltecer a operação em um baile funk. Em tom de ameaça, o “03” aconselhou aos jovens a ficar longe dos “pancadões”. “Fica aqui este recado e este conselho para os mais jovens: quer preservar sua vida, frequente outros lugares”, disse o deputado. “De maneira nenhuma a gente pode culpar a PM por isso. Quem está errado é bandido que dá tiro para cima da polícia e a população que não coopera com as autoridades”, afirmou.

Lamento as mortes ocorridas em Paraisópolis

Deixo aqui meu total apoio aos Policiais Militares do caso.Locais com consumo de drogas ou desfile de bandidos armados atraem problemas

Quem está errado é quem comete crimes e tenta se esconder da polícia em locais como estes.@PMESP pic.twitter.com/DIiSr9TjCg

— Eduardo Bolsonaro(@BolsonaroSP) December 9, 2019

EM DETALHES

O Congresso pode resolver castigar o orçamento federal do ano que vem para turbinar o fundo eleitoral, tirando R$ 500 milhões apenas do SUS. João Gabbardo dos Reis, secretário executivo do Ministério da Saúde, divulgou em suas redes sociais as áreas mais prejudicadas. Caso a proposta seja aprovada, a formação de profissionais da atenção primária perderá R$ 79,7 milhões em 2020 e o Programa Farmácia Popular ficaria com menos R$ 68,9 milhões. Também seriam lesados pacientes com doenças hematológicas (R$ 39,5 milhões) e a já combalida saúde indígena (R$ 37,8 milhões). A Rede Sara Kubitschek teria corte de R$ 28,9 milhões, enquanto os serviços ambulatoriais e hospitalares dariam adeus a R$ 22,3 milhões.  O Instituto Nacional do Câncer perderia R$ 8,9 milhões, a Fiocruz R$ 6,8 milhões, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) ficaria sem R$ 6,6 milhões, a Funasa sem R$ 4,5 milhões e outros R$ 3 milhões seriam tirados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).

A jornalista Cláudia Collucci lembra em sua coluna que o risco de ficar sem meio bilhão acontece em um cenário em que o SUS já vai perder dinheiro, R$ 9 milhões em 2020 devido à Emenda Constitucional do Teto dos Gastos.

A proposta ainda precisa passar pela Comissão Mista do Orçamento. Depois, a previsão é que o plenário do Congresso analise a mudança na próxima terça-feira (17).

OLAVÃO NO HORÁRIO NOBRE NEGANDO A HISTÓRIA

Olavo de Carvalho, quem diria, foi parar no horário nobre. O guru do bolsonarismo é a estrela da série “Brasil: A Última Cruzada”, que começou a ser exibida ontem pela TV Escola. Trata-se de uma emissora pública, mantida pelo Ministério da Educação e dirigida à formação de professores e alunos. A série apresenta uma visão peculiar da História. Em tom épico, exalta a “coragem” dos colonizadores portugueses e o “amor pelo Brasil” de dom Pedro I. O objetivo, segundo o produtor Filipe Valerim, é “combater ideologias perversas” e “despertar a consciência e o patriotismo” dos telespectadores.

Além de Olavo, o programa dá voz a figuras como Luiz Philippe Orleans e Bragança, deputado do PSL, e Rafael Nogueira, novo presidente da Biblioteca Nacional. Depois de defenderem a ditadura militar, os bolsonaristas agora querem reabilitar a monarquia. “Isso é negacionismo puro”, diz o historiador Thiago Krause, da UniRio. “A série ouve gente desqualificada e defende teses que não são aceitas por ninguém na academia. Estão usando uma emissora pública para fazer propaganda e fortalecer a visão ideológica do grupo do presidente”, critica.

Não é uma iniciativa isolada. Na semana que vem, a TV Escola começará a exibir a série “Meia Volta, Vou Ler”. A promessa é mostrar “a qualidade das escolas cívico-militares”. Coincidentemente, a maior vitrine da política educacional de Bolsonaro.

A guinada da emissora é conduzida pelo diretor Francisco Câmpera. Ele assumiu o cargo depois de assinar artigos elogiosos ao presidente. Procurado pela coluna, disse que não poderia dar entrevista.

A invasão dos olavistas é vista com perplexidade por funcionários que trabalharam na TV Escola sob diferentes governos. “Estão desmontando tudo o que não vem deste pseudofilósofo”, diz a ex-diretora Regina de Assis. Ela foi demitida em setembro, depois de reclamar do aparelhamento da emissora. “O que está acontecendo é um retrocesso grave, combinado com o mau uso de recursos do MEC. Isso deveria ser analisado pelo Ministério Público ”, afirma.

Por Bernardo Mello Franco

Bolsonaristas, corram: o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, ex-astrólogo e guru da família presidencial brasileira estabelecido nos Estados Unidos, está em apuros financeiros e precisará da ajuda maciça dos seus admiradores, alunos e ex-alunos. Em 2017, Olavo sugeriu nas redes sociais que Caetano Veloso pudesse ser pedófilo. Processado, em setembro último foi condenado pela juíza Cristina Lajchter, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a pagar ao cantor R$ 40 mil de indenização. Ocorre que Olavo, durante 281 dias, manteve nas redes o que havia postado. Agora, arrisca-se a ser obrigado a pagar algo como R$ 2,8 milhões que ele possivelmente não tem. A informação está na coluna do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo.

Por Ricardo Noblat

MAIS UM OLAVISTA

Anunciado como o novo presidente da Biblioteca Nacional em 28 de novembro, substituindo Helena Severo, o professor de filosofia Rafael Nogueira, de 36 anos, enfrentou a resistência de acadêmicos e de parte dos servidores da casa a sua nomeação — bandeiras de luto e uma faixa com a inscrição “BN resiste” estão presas à fachada do prédio. Natural de Santos e identificado com o ideólogo de direita Olavo de Carvalho e a monarquia, Nogueira diz querer democratizar e trazer sua personalidade de docente à instituição, além de fortalecer a equipe, inclusive por meio de concurso público.

EMPREENDIMENTOS DIGITAIS

O site Brasil sem Medo, que será lançado pelo “guru” da família Bolsonaro, Olavo de Carvalho, tem como dono Arno Alcântara Júnior. De acordo com o Estadão, Alcântara é sócio na empresa Alcântara e Nadalim Cursos On-Line LTDA de Carlos Francisco Nadalim, secretário de Alfabetização do Ministério da Educação (MEC), desde 2014. O projeto está sendo chamado de “o maior jornal conservador da internet brasileira”. Alcântara confirmou à reportagem do Estadão ser dono do Brasil sem Medo e sócio do secretário. Contudo, afirmou que Nadalim não participa da administração do veículo. Em nota, o ministério afirmou que Nadalim encerrou uma sociedade para assumir o cargo, mas não especificou o nome da empresa. O MEC disse, também, que o secretário não é sócio de Alcântara Júnior no Brasil sem Medo e que ele não tem “qualquer ligação ou participação” no site. Entretanto, até o último dia 6, conforme o Estadão, o Brasil sem Medo tinha a informação de que o site é de propriedade de Ancântara Júnior. A empresa com o nome dos dois continua com cadastro ativo nos sistemas da Receita Federal e da Junta Comercial do Paraná.

FREUD EXPLICA

Questionado sobre o papel do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) na campanha eleitoral do pai, o hoje presidente Jair Bolsonaro, o suplente do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o empresário Paulo Marinho, afirmou que o filho 02 do “capitão” não bate bem e que, por isso, precisaria que o psicanalista Freud fosse ressuscitado para analisá-lo. “Pelo pouquíssimo que conheço do vereador, eu acho que precisaria ressuscitar o doutor Freud lá em Viena, trazê-lo para cá, fazer um trabalho intensivo com o vereador Carlos para entender a psique dele. Eu acho que ele é uma pessoa perturbada, só isso”, disse ele em sessão da CPMI das Fake News, na Câmara. A casa do empresário, no Rio de Janeiro, serviu de comitê de Bolsonaro para gestão das redes sociais do PSL, então partido de filiação do presidente, e programas de rádio e TV.

CULTURA NOS MOLDES DELES

O polêmico secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, causou surpresa ao revelar a conversa que o presidente Jair Bolsonaro teve com ele quando o escolheu para comandar a Cultura. “Quando o presidente Jair Bolsonaro me convidou para assumir a pasta da Cultura no seu governo, ele me disse uma frase que me marcou profundamente. Ele disse: Alvim, faça uma Cultura que não destrua a juventude, mas que salve”.

“O presidente Jair Bolsonaro disse há alguns dias que a cultura no Brasil ‘tem que estar de acordo com a maioria da população, e não com a minoria’. Com base nessa visão equivocada e antidemocrática da administração pública, já que o presidente da República não pode governar só para a “maioria” e não pode condenar minorias ao limbo, Bolsonaro pretende transformar a área cultural na ponta de lança de sua guerra imaginária contra a esquerda.”

Trecho de editorial do Estadão

PIRRALHA

O cérebro de Jair Bolsonaro começa a funcionar no momento em que ele acorda e não para até que ele estacione o carro oficial na frente do Palácio da Alvorada para conversar com os repórteres. Ali, ao vislumbrar microfones e gravadores, a língua do presidente perde o contato com seus neurônios. E a massa cinzenta de Bolsonaro envia para os seus lábios pensamentos sombrios. Foi num desses momentos que o capitão pronunciou —do nada, sem que ninguém perguntasse— o nome de Greta Thunberg, a adolescente sueca que virou ambientalista.

Os repórteres perguntaram a Bolsonaro se ele estava preocupado com a morte de dois índios Guajajara, no Maranhão. Ninguém mencionou o nome de Greta. Mas a língua do presidente, hoje a principal liderança da oposição, achou que seria uma grande ideia colocar na roda a ativista mirim da Suécia. A língua estava irritada porque Greta dissera nas redes sociais que os índios são assassinados no Brasil por tentarem proteger a floresta do desmatamento ilegal.

"Qual o nome daquela menina lá? Lá de fora, lá. Aquela Tabata, não. Como é? Greta. A Greta já falou que os índios morreram porque estão defendendo a Amazônia", ironizou a língua do presidente. "É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí. Uma pirralha!"

Difícil saber o que impressiona mais, se a fama planetária da pirralha ou se o gênio presidencial que se deixa hipnotizar pelas palavras de uma adolescente que ele considera abominável. De um lado, uma menina de 16 anos. Na outra ponta, um tiozão de 64 anos que macaqueia o ídolo Donald Trump, outro crítico mordaz da criança ambientalista.

Greta respondeu à língua de Bolsonaro nas redes sociais, o habitat natural do presidente. Com humor ferino, ela adotou no seu perfil eletrônico a definição de "pirralha"— assim, na língua do detrator, sem tradução. Por mal dos pecados, a revista Time elegeu Greta como personalidade do ano de 2019. Fez isso menos de 24 horas depois de Bolsonaro ter manifestado sua inconformidade com o destaque que a mídia dá à pirralha.

Nesse embate inusitado, a pirralha nocauteou o capitão. A adolescente jogou a isca. E o tiozão mordeu. A menina de 16 anos colocou a genialidade sexagenária na roda. E ainda tirou onda. O porta-voz da Presidência, Rêgo Barros, negou que Bolsonaro tenha sido descortês. "Pirralha é uma pessoa de pequena estatura, uma criança", ele disse. Verdade. O problema é que Greta está em fase de crescimento. E Bolsonaro encolhe a cada entrevista que concede na porta do Alvorada.

Por Josias de Souza

LULINHA

Foi às ruas a 69ª fase da Lava Jato. Com as pernas quebradas pelo Supremo Tribunal Federal, a operação se arrasta na direção de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e os sócios dele: Fernando Bittar, Kalil Bittar e Jonas Suassuna. O pano de fundo traz um letreiro no qual piscam em neon os nomes de uma pessoa e de uma propriedade: Lula e Sítio de Atibaia. Ex-monitor do Zoológico de São Paulo, Lulinha tornou-se um próspero empresário. Fundou junto com amigos o grupo Gamecorp/Gol. Encostou o negócio no grupo telefônico Oi/Telemar, cuja fusão com a Brasil Telecom foi azeitada graças à benevolência do governo durante o reinado de Lula. Segundo a força-tarefa de Curitiba, a boa vontade de Brasília resultou em repasses injustificados da telefônica para a firma de Lulinha. Coisa de R$ 132 milhões entre 2004 e 2016.

Por uma dessas doces coincidências, dois dos sócios de Lulinha —Fernando Bittar e Jonas Suassuna— se juntaram para comprar o sítio de Atibaia, ocupado pelo Lulão. Foi nesse sítio que a Odebrecht e a OAS despejaram verbas roubadas da Petrobras para financiar os confortos de Lula. As benfeitorias plantadas no sítio garantiram a Lula mais de 17 anos de cadeia, em nova sentença condenatória de segunda instância. Lula foi libertado após amargar um ano e sete meses de cana. Só continua livre porque o Supremo derrubou por 6 votos a 5 a regra que permitia a prisão de condenados em segunda instância.

É improvável que Lulinha passe na cadeia temporada semelhante à que foi imposta ao pai. Não por falta de material, mas porque a Lava Jato, agora aleijada, arrasta-se pela conjuntura sem meter medo. O retrocesso propiciado pelo Supremo reintroduziu no processo penal brasileiro dois vocábulos nefastos: prescrição e impunidade.

Por Josias de Souza

O ex-presidente Lula criticou duramente a Operação Mapa da Mina, 69ª fase da Lava Jato, que investiga repasses suspeitos de mais de R$ 132 milhões feitos pelo grupo Oi/Telemar para empresas do grupo Gamecorp/Gol. Um dos controladores da Gamecorp é Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente. “O espetáculo produzido hoje pela Força Tarefa da Lava Jato é mais uma demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes que, sem responsabilidade, recorrem a malabarismos no esforço de me atingir, perseguindo, ilegalmente, meus filhos e minha família”, reagiu Lula pelo Twitter.

Por Marcelo de Moraes

MAIS UM

O Brasil ganhou mais um partido político, que é de esquerda e socialista. Trata-se da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), que será representado pelo número 80 nas urnas. A criação do partido foi oficializada por unanimidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a coleta de mais de 1,2 milhão de assinaturas. A UP torna-se, assim, a 33ª legenda em funcionamento no país. A agremiação já poderá disputar cargos eletivos nas eleições municipais do ano que vem.

Partidos como PSB, PDT, Rede e PV tentam um “rehab” da dependência da esquerda em relação ao PT e procuram se descolar da influência de Lula –ainda total em siglas como PC do B e PSOL– com vista a algum projeto alternativo para 2022. O problema é que faltam projeto e um líder claro para a empreitada. O PSB, que fez congresso de refundação recente, adota uma agenda de responsabilidade fiscal nas administrações que comanda, se afastou do Foro de São Paulo e vai cumprindo os passos do “detox” petista. Mas ainda esbarra em contradições, como no caso da punição a um jovem deputado, Felipe Rigoni, por ter votado a reforma da Previdência. Diante de uma esquerda que vira e mexe tem crise de abstinência do cachimbinho lulista e um centro que ameaça descer do muro, mas não desce, pesquisas mostram Bolsonaro e Lula confortáveis na situação de dois polos do cada vez mais interditado debate político no Brasil. A ponto de Lula nem esconder, para silêncio cúmplice do eleitorado de esquerda que adora gritar “fascismo!” nas redes sociais, que prefere perder de novo para Bolsonaro a abrir uma alternativa de esquerda ou de centro à cada vez mais putrefata hegemonia petista. E há quem assista anestesiado a isso e entoe o refrão: “Mais uma dose? É claro que eu tô a fim”.

Por Vera Magalhães

SERPENTES

O responsável pela articulação política do governo, general Luiz Eduardo Ramos, comparou o Palácio do Planalto a um “serpentário” em entrevista à Folha. “Aqui tem esse negócio: é um serpentário, quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo. Se você me atinge, atinge o presidente. A minha relação com ele incomoda, incomoda aqui dentro do governo”, afirmou.

O “sincericídio” do general tem base factual farta: dois ministros antes dele foram fritados no Planalto, o também general Santos Cruz e o ex-amigo e faz-tudo Gustavo Bebianno. O fogo amigo atingiu em determinado momento até o pacato e paciente porta-voz Otávio do Rêgo Barros, que graças a essas características aguentou firme no cargo mesmo sendo alvo da buzina de Carlos Bolsonaro. Isso sem falar na existência do gabinete do ódio, um núcleo composto por assessores ligados à família Bolsonaro que, agora, virou alvo da CPMI das Fake News.

A entrevista de Ramos vem num momento em que começa a circular com força a tese de que a articulação política do governo, sob sua responsabilidade, terá de sofrer nova alteração no ano que vem. Ele defende a própria atuação, explica as diferenças do modelo de governabilidade pelo qual Jair Bolsonaro optou e diz que a ideia a partir de agora é aproximar mais o presidente do Congresso.

Por Vera Magalhães

MUITO DOIDA

Um vídeo que foi resgatado por internautas e viralizou nas redes mostra a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), líder do movimento Nas Ruas e uma das mais ferrenhas defensoras de Jair Bolsonaro, criando uma fake news ao dizer que as Lojas Havan, que pertencem ao também bolsonarista Luciano Hang, são da “Paulinha”, filha da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

E a Zambelli afirmando que:

A Loja Havan é da filha da Dilma

A loja Havan é da filha da Dilma

A loja Havan é da filha da Dilma

Na moral @CarlaZambelli17, vc bebe tiner?! pic.twitter.com/BVNTrdr2at

— O PRÍNCIPE 2COISA(@duascoisa) December 11, 2019

O RURALISMO ENCONTRA A FILANTROPIA

Ao que tudo indica, um grileiro de terras resolveu doar 44 cabeças de gado criados ilegalmente e apreendidos na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, para o Hospital de Amor de Rio Branco. A história começa em outubro, quando o ICMBio autua pela segunda vez o pecuarista Lucas Gonçalves de Oliveira por deixar um rebanho de cerca de 400 cabeças na Resex. Na sequência, Oliveira e uma comitiva de infratores se queixaram ao Ministério do Meio Ambiente, que determinou em novembro a suspensão da fiscalização na unidade de conservação, desautorizando o ICMBio. Oliveira entrou ainda na Justiça contra a apreensão de gado. Contudo, no processo, ICMBio e Ministério Público Federal conseguiram provar, com documentos, que a apreensão do rebanho não foi um ato arbitrário, mas fruto de fiscalização. Agora, a Justiça autorizou o Instituto a leiloar os animais. 

O JULGAMENTO DE SALLES

E falando na atuação do Ministério do Meio Ambiente, o Supremo Tribunal Federal vai finamente se debruçar sobre o pedido de impeachment de Ricardo Salles feito por parlamentares da Rede. O relator do caso no STF, Edson Fachin, havia engavetado o pedido, alegando que a denúncia por crime de responsabilidade cabe ao MPF. Mas os senadores recorreram e, agora, o ministro do Supremo resolveu submeter o caso ao plenário. Assim, os magistrados vão examinar, primeiro, se parlamentares podem ou não pedir afastamento de um ministro de Estado. Caso a resposta seja afirmativa, o STF vai analisar se os argumentos apresentados pela Rede são suficientes para abrir um processo de impeachment.

GENTE DE BEM

Em vídeo divulgado nas redes sociais, um estudante da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFR), identificado como Danilo Araujo de Góis, se recusa a receber documento das mãos de uma professora da instituição por ela ser negra. As imagens foram divulgadas pelo perfil do Twitter Lista Preta e mostra Danilo, em meio a uma sala repleta de alunos negros, se recusando a receber um documento da professora. Estudantes relatam que desde que entrou na Universidade, em 2018, o estudante de Ciências Sociais se recusa a pegar coisas das mãos de pessoas negras e que pessoas negras tenham manuseado ou até mesmo sentar próximo. Chegando a dizer que “não se mistura com negros pois foi bem criado”. A coordenadora do curso de História da Universidade foi chamada e expulsou o aluno da sala, chamando os outros estudantes para se colocarem à disposição como testemunha.

RACISTAS NÃO PASSARÃO!

Estudante da UFRB, Danilo Araujo de Góis, se recusa a receber documento das mãos de uma professora da instituição por ela ser negra. pic.twitter.com/lBkNs6acg6

— Lista Preta (@listapreta) December 10, 2019

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Outros estudantes, da mesma turma, confirmam um histórico de atos racistas por parte de Danilo que foi convidado a se retirar. pic.twitter.com/vZmXoltr90

— Lista Preta (@listapreta) December 10, 2019

FRASES DA SEMANA

“Que o meu exemplo sirva de que quando a gente pensa que vive em uma democracia a gente está se f… Estou saindo de cabeça erguida, com a consciência tranquila, de que eu tentei. Se não deu… F…, né?”. (Selma Arruda, ex-juíza, senadora do Mato Grosso, cassada por uso de caixa 2) 

“Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”. (Greta Thunberg, ativista ambiental sueca, sobre o assassinato de índios no Brasil)

“O Jair Bolsonaro não governa, ele se vinga“. (Fábio Porchat, apresentador de televisão e comediante) 

“Aqui tem esse negócio: é um serpentário, quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo. Se você me atinge, atinge o presidente. A minha relação com ele incomoda, incomoda aqui dentro do governo.” (General Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria do Governo)

“Pode ser que haja corrupção no meu governo? Sim, pode ser que haja. Pode ser que haja e o governo não saiba. Se aparecer, boto no pau de arara o ministro“. (Jair Bolsonaro. À época da ditadura militar de 64, pau de arara foi um método muito comum de tortura) 

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Com informações de Leonardo Sakamoto, Josias de Souza, Ricardo Noblçat, Reinaldo Azavedo, Carta Capital, Outra Saúde, Sul 21, o Globo, BR-18, Folha de SP, Fórum, Veja, Dora Kramer, BRPolítico, Vera Magalhães, Marcelo de Moraes e Radar


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