Semana On

Sábado 14.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Brasil

Mais de 3 milhões de brasileiros procuram emprego há dois anos ou mais

Um em cada quatro jovens entre 18 e 24 anos está desempregado

Postado em 21 de Novembro de 2019 - DW, Sul21, Estadão, RBA – Edição Semana On

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O Brasil tem cerca de 3,2 milhões de desempregados que estão à procura de trabalho há dois anos ou mais, revelou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no último dia 19. Esse número corresponde a 25,2% dos 12,5 milhões de desempregos do país.

A taxa de desemprego recuou 0,2 pontos percentuais em comparação com o trimestre anterior, passando de 12% entre abril a junho para 11,8% de julho a setembro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Em relação ao mesmo período de 2018 (11,9%), o desemprego se manteve estável.

A pesquisa mostrou ainda que 1,8 milhão de desempregados buscam por trabalho há menos de um mês, e 1,7 milhão procuram por trabalho há um período que varia entre um ano e dois anos. Já o número de pessoas que desistiram de procurar um emprego, classificados pelo IBGE como desalentados, ficou em 4,7 milhões.

Os estados com as maiores taxas de desemprego são Bahia (16,8%), Amapá (16,7%) e Pernambuco (15,8%). Santa Catarina (5,8%), Mato Grosso do Sul (7,5%) e Mato Grosso (8%) foram os estados com as menores taxas de desemprego.

Em relação ao segundo trimestre deste ano, a taxa permaneceu estável em quase todas as unidades da federação, com exceção de Rondônia, onde foi registrado um aumento de 1,5 ponto percentual, passando de 6,7% para 8,2%, e São Paulo, onde houve uma queda de 0,8 ponto percentual, ficando em 12%.

De julho a setembro, a taxa de subutilização da força de trabalho, ou seja, pessoas desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas, ficou em 24%. O Maranhão foi o estado com maior percentual de trabalhadores nessa situação (41,6%) e também foi a unidade da federação com o maior percentual de emprego informal (50,1%).

Além de ter a menor taxa de desemprego, Santa Catarina também foi o estado com o maior percentual de trabalhadores com carteira assinada, 87,7%.

A pesquisa mostrou ainda que o desemprego atinge mais as mulheres. A taxa ficou em 10% entre homens e 13,9% entre mulheres.

Um em cada quatro jovens entre 18 e 24 anos está desempregado

Os dados revelam ainda que a estagnação da economia, sob o comando de Paulo Guedes, reflete no desemprego, que entre a população jovem, de 18 a 24 anos, é mais que o dobro da média nacional, ficando em 25,7% no terceiro trimestre. O percentual significa que mais de um em cada quatro dos 3,997 milhões de jovens estão sem emprego no país.

Os números do IBGE também mostram que o desemprego continua maior entre negros e mulheres. No 3º trimestre, 65,2% do total de desempregados no país eram negros ou pardos. Os brancos representam 34%, e pessoas de cor preta respondiam por 12,7%.

Na divisão por sexo, a taxa ficou em 10% para os homens e 13,9% para as mulheres. “A taxa de desocupação das mulheres foi 39% maior que a dos homens”, destaca o IBGE.

Informalidade crescente

O Brasil tem também um quarto dos ocupados, mais de 24 milhões, trabalhando por conta própria. Enquanto na média nacional esse percentual é de 26%, em estados da região Norte supera os 30%, casos do Amapá (36,7%), Pará (35,7%) e Amazonas (33,3%). Os menores são no Distrito Federal (20,7%), Mato Grosso do Sul (21,2%) e em Santa Catarina (21,7%).

Os empregados sem carteira de trabalho no setor privado representam 26,4% do total, mas são mais da metade no Maranhão (50,1%) e quase isso no Pará e no Piauí (49,9% em ambos casos). O menor índice é o de Santa Catarina, 12,3%.

Embora possa sugerir uma admirável disposição dos brasileiros para empreender, o número recorde de 24,4 milhões de trabalhadores por conta própria é mais uma comprovação de aguda deterioração do mercado de trabalho a despeito de alguns dados aparentemente animadores. Entre estes últimos está a queda do número de desempregados, de 12,8 milhões para 12,5 milhões entres os trimestres móveis terminados em junho e em setembro (a taxa de desemprego diminuiu de 12% para 11,8%). Mas à melhora quantitativa do mercado de trabalho contrapõe-se a piora da qualidade da ocupação, o que impede avanço mais expressivo da massa salarial e do rendimento real médio e, no fim das contas, trava a expansão do consumo e o crescimento da economia.

O número de trabalhadores por conta própria é 4,3% maior do que o observado um ano antes e é também o maior da série histórica iniciada em 2015. Mostra que, sem outras opções de trabalho remunerado, esse profissionais decidiram abrir negócio próprio, na grande maioria dos casos sem registros formais e sem o preparo nem as condições indispensáveis para a consolidação ou o êxito da iniciativa.


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