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Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

A revolução farroupilha e a tributação

Relação de conflito no ano de 1835.

Postado em 18 de Setembro de 2014 - Josceli Pereira

O tributo vem do povo e em benefício do povo que deverá ser aplicado. O tributo vem do povo e em benefício do povo que deverá ser aplicado.

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Sucessivas guerras acabaram por colocar uma grande dificuldade econômica e social no Rio Grande do Sul. A última das quais tinha sido a campanha da Cisplatina, com as estâncias e charqueadas produzindo pouco, com os rebanhos esgotados e sem que o Império Brasileiro pagasse as indenizações de guerra, apesar de locupletar-se com as exportações de café e açúcar do centro do País. A carga tributária que a Coroa impunha sobre os gados em pé e sobre a arroba de charque - principais produtos da Província - eram extorsivos.

Todos os produtos da pecuária pagavam dízimo. Só para exemplificar os valores da época: cada arroba exportada pagava 600 réis de taxa e cada légua de campo pagava 100 mil réis de imposto anual. Estes dados são do período de 1835 a 1845. Foram 10 anos de confronto.

O pior era a preferência que o centro do Brasil tinha em comprar o charque platino ao invés do rio-grandense. Este charque era vendido no Rio de Janeiro e São Paulo, bem mais barato que o charque rio-grandense.

Nossas fronteiras ainda não definidas geograficamente causavam confusão de regionalidade. Portanto, não se devia nessa época falar em contrabando, porque a fronteira sul do Rio Grande era indefinida. A Cisplatina era província do Império e muitos estancieiros brasileiros ou orientais tinham campos no Uruguai e também no Rio Grande do Sul. Mesmo mais tarde delimitadas, era impossível dizer onde terminava o Brasil e onde começava a República Oriental do Uruguai.

O Rio Grande do Sul estava dividido em apenas 14 municípios; uma população de aproximadamente 150 mil pessoas entre brancos, escravos e índios. Não havia uma escola pública, uma ponte construída ou uma estrada em boas condições. Apesar do seu continuado sacrifício nas guerras de fronteiras e da riqueza que o café acumulava na Corte, da sangria na sua população masculina dizimada pelas guerras, do luto constante das mulheres gaúchas, o Rio Grande do Sul não merecia qualquer atenção ou reconhecimento por parte do Império. O descontentamento era geral.

A carga tributária que a Coroa impunha sobre os gados em pé e sobre a arroba de charque - principais produtos da Província - eram extorsivos.

Um dos grandes motivos que ajudaram a efetivação da Revolução Farroupilha foi o descaso da Corte em arrecadar e não devolver à população os recursos angariados na forma de serviços públicos. Em uma rápida análise observamos isto nos dias de hoje, com os constantes noticiários que trazem a má aplicação dos recursos públicos por parte do governo.

O movimento farroupilha foi um dos muitos movimentos liberais que sacudiram a Regência na 1ª metade do século XIX, na década de 30, e de fato foi a primeira experiência republicana em território do Brasil.

O final desta mais longa revolução ocorrida no país nos remete à reflexão de que em diversos momentos o governo e a população se confrontam com os interesses comuns. A relação de fato da necessidade de fazer algo que venha ao encontro dos interesses da sociedade.

Notamos que cada vez mais encontramos a dualidade entre o que a sociedade precisa e o que o governo adota como sendo o seu objetivo. Confronto de ideias, desgaste natural dos objetivos propostos e uma crise envolvendo o país. O eterno confronto dos interesses e o tributo servindo de motivador das revoluções. Passam-se os anos e cada vez mais se faz necessário que a sociedade perceba o quanto é importante a escolha séria dos nossos representantes que decidirão pelos destinos da pátria. Serão eles que escolherão as prioridades das ações governamentais. O tributo arrecadado será utilizado para suportar estes objetivos. Pense nisto!

Nossa revolução será formatada nas urnas... Seu voto consciente terá a força de uma arma e a agilidade de um soldado. Parabéns a todos àqueles que em algum momento da história fizeram as suas revoluções para defesa da sociedade!

O tributo vem do povo e em benefício do povo que deverá ser aplicado.


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