Semana On

Quinta-Feira 14.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Especial

O evangelho segundo os bolsominions

Afinal, como e o que pensa esta gente?

Postado em 28 de Outubro de 2019 - Thais Reis Oliveira (Carta Capital) e Debora Álvares (Huffpost) / Ilustrações de Venes Caitano

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Faz algum tempo que Olavo de Carvalho andava esquecido. As batatadas e xingamentos em série aos poucos minaram a influência que o guru mantinha sobre o Planalto bolsonarista no primeiro semestre. O período de ostracismo cessou nestes meados de setembro, depois de um vídeo no qual o astrólogo defende, durante 18 minutos, a urgência de fazer desabrochar no Brasil uma militância pró-Bolsonaro. Mais importante do que avançar no combate à corrupção, prega ele, é combater o comunismo e o Foro de São Paulo. “Vocês têm que apoiar o chefe, não a ideia. Se você apoia a ideia, está toda hora divergindo.”

O clamor tem razão de existir. Todas as pesquisas de opinião feitas até aqui indicam uma tendência precoce de queda na popularidade de Jair Bolsonaro. De acordo com os números mais recentes do Datafolha, o desgosto com o governo cresceu de 33% no início de julho para 38% na última semana de agosto, um recorde até aqui. Essa rejeição aumentou principalmente entre os mais ricos. A fatia de apoiadores do presidente que ganhava mais de 10 salários mínimos por mês despencou 14 pontos percentuais entre junho e agosto. Também foi expressiva entre os nordestinos. De 0 a 10, a nota média atribuída ao desempenho de Bolsonaro à frente da Presidência até agora é 5,1.

O núcleo de apoio a Bolsonaro segue firme, oscilando em cerca de 30% do eleitorado. Entre aqueles que votaram no ex-capitão no segundo turno, 6 em cada 10 consideram seu governo ótimo ou bom até aqui. Além disso, perto de 12% dos brasileiros podem ser identificados como bolsonaristas de “raiz”. Do tipo que acredita, endossa e divulga tudo o que diz ou faz o presidente. O apoio a Bolsonaro caiu entre os mais ricos, mas se mantém vivo entre os brasileiros cuja renda família oscila entre 2 e 5 salários mínimos por mês. É difícil entender por que uma parcela tão expressiva (e vulnerável) da população siga a apoiar o presidente, apesar das crises sucessivas, do desmonte dos serviços públicos e das previsões desalentadoras para a economia.

Segundo a socióloga Isabela Kalil, professora e coordenadora do Núcleo de Etnografia Urbana da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, esta é uma questão que envolve muitos fatores. Desde 2016, Kalil chefia uma equipe de dezenas de pesquisadores que vai a campo de tempos em tempos tentar saber quem são e o que pensam os apoiadores do ex-militar. Primeiro nas manifestações pró-impeachment guiadas pelo pato amarelo da Fiesp. Mais recentemente, nos protestos de apoio à derrubada dos ministros do Supremo Tribunal Federal e aos interesses da Lava Jato, liderados pelas mesmas figuras dos atos anteriores. No fim do ano passado, o grupo mapeou 16 perfis diferentes de eleitores e apoiadores do presidente. O perfil descrito acima foi classificado como o “periférico de direita”: moradores de periferias urbanas, em geral precarizados, que desde a derrubada de Dilma desenvolveram um variado léxico antiesquerdista.

A pesquisa saiu do forno em outubro, pouco depois de realizado o primeiro turno das eleições presidenciais. Além dos “periféricos de direita”, destacam-se o chamado “cidadão de bem” lavajatista – atraído por uma garantia de ordem – e os “isentos” e “meritocratas”, movidos por um forte sentimento de “mudança” que só se materializaria com a saída do PT do governo. Há ainda os “machões e bolsogatas” acuados pelos avanços na questão de gênero. E os apoiadores pragmáticos, estritamente ligados ao programa ultraliberal de Paulo Guedes. À exceção deste último, afirma a pesquisadora, a mobilização de todos esses perfis tinha em comum emoções como o medo, o ódio ou o ressentimento. Dias depois, Bolsonaro seria eleito com 57,7 milhões de votos.

Outros dois perfis despontaram desde a tomada do poder: o “arrependido” e os militantes virtuais. Os desencantados misturam características de todos os outros perfis anteriores. Os cientistas trabalham agora para identificar padrões nessa insatisfação. Até agora, sabe-se que os insatisfeitos não necessariamente se tornam apoiadores da esquerda. “Uma declaração importante que coletamos em campo foi: ‘Apoiamos uma ideia, e não uma pessoa’. Havia ali uma disposição de mostrar apoio, mas também um recado crítico. Estava dado o aviso de que Bolsonaro não tem o apoio individual desses grupos.” Kalil duvida, porém, que esse eventual rompimento se dê de forma rápida e homogênea. “Nem todos os eleitores insatisfeitos se arrependeram. Alguns dizem que não votarão nele novamente. Outros, mantêm a confiança e o apoio, mas se mostram insatisfeitos. São nuances diferentes.”

O segundo grupo é composto por tipos variados e se prolifera nas caixas de comentários em portais de notícias e nas redes sociais. São os responsáveis por ataques coordenados a jornalistas, políticos de oposição e celebridades que se insurjam contra o governo. O modus operandi varia entre a propagação de fake news, ameaças de morte e divulgação de dados privados. À medida que a popularidade de Bolsonaro despencou, explica ela, esses grupos passaram a atuar de maneira mais incisiva e violenta nas redes sociais. “Na primeira etapa da pesquisa havíamos pensado neles muito genericamente como haters, gamers. E agora temos pensado o quanto esses perfis mesclam o humanos e não humanos.”

Como um presidente tão inepto conseguiu fazer gente razoável defender à mesa o fogaréu na Amazônia? Uma das razões resiste nas várias interpretações que inundam a internet tão logo uma notícia importante chega à mídia. Nos casos de repercussão internacional, dobra-se a aposta. Um bom indicativo é o debate sobre os incêndios na Amazônia. As primeiras discussões começaram no dia 11 de agosto, quando o Inpe registrou os focos de incêndio no Pará provocados pelo infame “dia do fogo”.

Na semana seguinte, quando o céu de São Paulo amanheceu coberto por uma fuligem preta. Àquela imagem, seguiram-se várias outras de florestas a arder em chamas. Algumas recentes. Outras, fotos antigas falsamente atribuídas aos incêndios atuais. Enquanto o campo progressista denunciou os crimes ambientais e cobrou ações do governo federal, a claque bolsonarista reagiu ancorada em um nacionalismo de araque, acusando o presidente francês Emmanuel Macron e os organismos internacionais de atentar contra a soberania. É nessa reação que os bots entram em cena. Alguns pesquisadores liderados por Kalil têm mapeado discussões a partir de mensagens no Twitter. “E temos conseguido identificar um número grande de robôs”, conta.

São postagens que soam radicais ou costumam ser precedidas por centenas de mensagens reforçando aquela ideia, boa parte oriunda de comandos automatizados. Para os usuários de carne e osso, esse movimento cria uma sensação de consenso e comunidade que termina por atenuar o radicalismo daquele discurso. É raro que o internauta médio consiga distinguir um interlocutor real de um virtual. Você pode até achar que o emissor passou dos limites, mas se há 400 outros apoiando o discurso, nasce uma sensação de unidade. Mesmo que as “pessoas” não sejam pessoas.

Há um terreno mais pantanoso nos grupos de mensagens privadas, como o WhatsApp. Um levantamento do portal UOL indica que a rede de fake news pró-Bolsonaro que atuou nas eleições ainda está ativa, com fortes indícios de ação automática. O brasileiro David Nemer, professor do Departamento de Estudos de Mídia na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, estuda o comportamento de grupos de apoio a Bolsonaro no WhatsApp e em fóruns de discussão anônimos, entre eles o 4chan e o 8chan. As comunidades de apoio a Bolsonaro, constatou, arrefeceram e se dividiram desde as eleições. “Eram mil mensagens por dia”, afirma, e “a maioria dos usuários entendeu que o objetivo ali acabou, porque ele se realizou. Até porque esses grupos eram muito movimentados, eram quase mil mensagens por dia. Quem ficou é porque tinha um interesse mais do que pessoal aí.”

O pesquisador dedica-se agora a puxar o fio desse novelo de interesses. Um dos peixes grandes apontados até agora é o empresário Paulo Marinho, que transformou sua casa em um bunker que retransmitia informações falsas. Ao menos dois dos “soldados” arregimentados por ele (de forma voluntária, garante) ganharam cargos na Presidência: Rebecca Félix e Taís Feijó, ambas assessoras com salários acima dos 10 mil reais. “O que elas faziam na campanha era espalhar fake news. Devem estar fazendo o mesmo no governo. Nota-se uma concordância, uma sincronia entre o que Bolsonaro diz e essas informações”, provoca Nemer.

Marinho rompeu com o governo. Bolsonaristas apontam como um dos encarregados mais destacados dessa missão o blogueiro Allan dos Santos, dono de um site chamado Terça Livre. Ex-seminarista, natural do Rio Grande do Sul, o blogueiro mudou-se há pouco mais de dois meses para a capital federal, em uma casa no Lago Sul e circula com desenvoltura pelo Planalto. O cantor Lobão, outro bolsonarista arrependido, afirma que o aluguel da casa ocupada por Santos é bancado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro. O ex-seminarista nega, mas quase veio às lágrimas depois de ter o seu endereço exposto pelo cantor. “Esse cara não tinha dinheiro para comprar um fósforo”, aponta um outro blogueiro pró-Bolsonaro.

Também continua atuante um grupo pequeno, mas perigoso, que Nemer classifica como supremacistas sociais. “Eles não estão preocupados com a política do Bolsonaro, mas se capitalizam em cima do discurso de extrema-direita dele. Veem nele a figura da extrema-direita”, explica. Esse grupo é o principal responsável por espalhar propaganda pró-Bolsonaro em outros fóruns anônimos, como o 4chan. Nesses grupos misturam-se conteúdo pedófilo, discursos extremistas, xenofobia e homofobia.

O escritor americano Dale Beran era um desses usuários do 4chan. No livro It Came From Something Awful, ele explica como este e outros fóruns anônimos pavimentaram o caminho de Donald Trump à Casa Branca. Desde a consolidaçao da internet comercial, no início dos anos 2000, estes sites se transformaram em confrarias de adolescentes desajustados, unidos pela falta de perspectivas, e certo niilismo. A impotência no mundo real transforma-se em potência das maiorias virtuais anônimas.

Depois da recessão de 2008, a política dominou o fórum: o anonimato virtual deu origem a uma nova forma de participação política, basta lembrar dos mascarados nos protestos do Ocuppy Wall Street, a Primavera Árabe e em Hong Kong. O argumento central do livro é, conforme a crise recrudesceu e cresceram as redes sociais públicas e mais sofisticadas, como o próprio Facebook, esses jovens desajustados guinaram à direita e se radicalizaram. Viam a si mesmo como preteridos em relação às mulheres, gays e gente de cor. E encontraram em Trump, subestimado e ridicularizado pela mídia, um representante desses anseios. “É um grupo tão frustrado com a realidade, por não poder mudá-la, que prefere destruí-la”, resumiu o autor em uma palestra.

Se o bate-cabeça do primeiro semestre minou a influência dos milicos e dos malucos no Planalto Central, a briga agora envolve o setor mais alinhado ao ideário da Lava Jato. A mistura entre lavajatismo e bolsonarismo, que parecia indistinguível, começa a decantar, e as fissuras desse núcleo aos poucos se transforma em fratura exposta. A indicação de Augusto Aras à Procuradoria-Geral da República, as trocas de farpas entre Moro e Bolsonaro e a ensaiada queda de Maurício Valeixo, camarada do ministro que assumiu a direção da Polícia Federal. A CPI da Lava Toga no Senado é um elemento dessa disputa. A ideia de convidar os ministros do Supremo Tribunal Federal a prestar contas é amplamente defendida por alguns setores mais alinhados ao lavajatismo na tentativa de, em última instância, derrubar Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

A realpolitik bolsonarista é contra, inclusive, Flávio Bolsonaro. Preveem que o inquérito vai avinagrar a relação do Planalto com a Corte, embarreirar a votação da reforma da Previdência no Senado e abrir caminho para um eventual impeachment do próprio Bolsonaro. Desde a declaração que ilustra o parágrafo de abertura desta reportagem, vários nomes do star system bolsonarista anunciaram publicamente seu desagrado com a nova onda olavista. Janaína Paschoal decretou o fim do filósofo. Lobão e várias figuras do YouTube engrossaram esse cordão.

Sob anonimato, insiders do partido até admitem que a CPI seja enterrada, desde que não com os votos do PSL. Acreditam que abandonar o discurso anticorrupção que seduziu milhões de incautos desmontaria a identidade do partido. Não à toa, uma leva de deputados ameaça trocar o PSL pelo Podemos, caso o discurso dos caciques não mude. “Esse pessoal se alinhou por um conceito, não um nome”, diz um burocrata do partido sob anonimato.

A grande pedra de sustentação do governo está fincada nas igrejas evangélicas. Entre os fiéis de denominações neopentecostais como a Assembleia de Deus e a Universal de Edir Macedo, a chancela a Bolsonaro atinge 46%. Essa influência se reflete no Palácio do Planalto. Nos últimos meses, com o apagamento da influência dos núcleos militar e olavista, há um aumento gradual da influência de líderes e parlamentares evangélicos nos rumos do governo.

Um levantamento recente do jornal O Estado de S. Paulo mostra que os encontros com representantes dos evangélicos cresceu quase 50% de março pra cá. Católico, o presidente foi levado para o universo protestante pela primeira-dama. Michelle passou por várias agremiações e o casório dos dois foi celebrado por Silas Malafaia. Pesou ainda a influência dos filhos, criados pela mãe na Igreja Batista. Bolsonaro soube manejar os códigos internos da religião sem jamais ter se convertido. Ronaldo Almeida, antropólogo pela Unicamp e pesquisador do Cebrap, explica que essa proximidade azeitou as relações com líderes evangélicos, igualmente cortejados por governos anteriores. “Ele jamais parou de sinalizar. Agora, se atendeu os interesses corporativos, tem que ver. O padrão dos governos anteriores, principalmente com a Igreja Universal, era dar ministérios…”

Entre o eleitorado, a facada, acredita Almeida, teria sido essencial para consolidar esse apoio. “Ali nasce a imagem do cara que supera. Há na internet vários clipes na época com trilha sonora gospel, Bolsonaro se levantando da cama do hospital, comparações com personagens bíblicos…” E os erros de Bolsonaro e as suspeitas sobre o filho mais velho teriam poder de acabar com esse apoio? “Há um processo de justificação, uma série de senões. ‘Não tem nada provado. Mas, se houver, o pai não pode pagar pelo filho. O PSOL também faz, os outros fazem…’ Sempre achei o caso do Flávio definitivo. Tem ali um fator que, caso se aprofunde, quebra o discurso do evangélico pró-Bolsonaro. É a balança”, ressalta.

Bolsonaro parece apostar em manter um núcleo mínimo, mas estridente, de apoiadores. Talvez seja o que lhe resta. Apenas Fernando Collor teve uma aprovação tão baixa em tão pouco tempo de mandato. Em setembro de 1990, dois anos antes do processo que culminaria no impeachment, apenas 34% do eleitorado aprovavam o governo do alagoano. Outros 20% o consideravam ruim ou péssimo. A rejeição a Bolsonaro é, no entanto, quase duas vezes maior que aquela experimentada por Collor e praticamente quadruplica em relação a Lula, Dilma e FHC no início de seus primeiros mandatos. A política ensina: é melhor contar com uma maioria silenciosa e sólida do que com uma minoria instável e barulhenta.

O que eles pensam? Pensam...?

Ao longo destes quase 11 meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro e seu núcleo político se queixam de críticas e ataques à sua forma de pensar e agir. Dizem que são perseguidos pela imprensa e rotulados de “malucos”, “radicais”, “fascistas”. Reunimos declarações e postagens de integrantes do governo e dos filhos do presidente que resumem o pensamento do núcleo de Jair Bolsonaro. Valores, ideias, concepções de mundo. 

Afinal, como pensam os direitistas, conservadores, olavistas, bolsonaristas? Segundo o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, tudo pode ser igualado na mesma categoria. 

Alguns pontos para você, leitor, conseguir formular suas próprias análises sobre o que tem sido feito pelo governo, que se define como direitista e conservador.

Em cada uma das seções a seguir, referentes a temas específicos, o HuffPost utilizou frases mencionadas durante a Conferência de Ação Política Conservadora, que ocorreu em São Paulo no início deste mês, e também postagens nas redes sociais que complementam os assuntos. 

Com a palavra, os conservadores do governo Jair Bolsonaro:

Conceito de conservadorismo

“Somos um conjunto de pessoas que descobriram o prazer de pensar. Que descobriram a palavra como fonte da verdade, e a verdade como busca permanente da verdade. Ser conservador tem a ver com respeitar a vida, com aprender com a experiência e com o ser sensível, como meio de contactar o suprassensível. 

Conservadorismo é respeitar e conhecer as dádivas, é ter humildade diante do mundo, e não achar que a razão humana é toda poderosa, ilimitada e esgota a realidade. Não se trata de negar a razão, mas de negar que a razão seja tudo, que a economia seja tudo, que a relação de classes seja tudo, que o ser humano seja tudo.  

Todo conservador é o sujeito menos preconceituoso que existe. Nossos adversários é que gostam de pensar por preconceitos, por rótulos, por estereótipos, por palavras de ordem e por clichês. Para os nossos adversários existe “o gay”, “a mulher”, “o operário”, “o camponês”. Para nós conservadores existe esta ou aquela pessoa. Homens e mulheres, gays e heterossexuais, trabalhadores no campo, na indústria, etc e etc. Cada um com a sua personalidade, cada um com o seu pedaço de verdade insubstituível.

Ser conservador é ser contra a ideologia. É procurar a verdade na própria vida. Quando dizem que somos ideológicos, porque lutamos contra a ideologia, isso justamente é uma manipulação de palavras para propagar uma mentira.”

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

Economia 

“A atitude conservadora está na base da economia de mercado e não o contrário; não é a economia de mercado que está na base da atitude conservadora. E muito menos a atitude conservadora se esgota na economia de mercado. O capitalismo não é um sistema, no sentido de que ele não é desenhado por essa razão arrogante, mas ele surge organicamente do próprio funcionamento da realidade. 

Precisamos em primeiro lugar pensar no empresariado. O conservadorismo é a base da livre empresa, é a base da economia de mercado. Mas o problema é que a própria livre empresa tem sido penetrada pela ideologia esquerdista. O climatismo e a ideologia de gênero estão fazendo isso. Precisamos mostrar a verdade: quem está do lado da liberdade econômica — e somos nós. Somos nós que estamos do lado da liberdade econômica e da liberdade política, por causa da nossa essência conservadora, fazendo acordos de comércio que nunca foram feitos, abrindo oportunidades de investimentos que nunca foram abertas… Pela primeira vez a possibilidade de o Brasil ser  uma economia de mercado, por causa do nosso programa conservador.

O liberalismo econômico tem a sua casa no conservadorismo. Precisamos entender o globalismo como substituto do comunismo. Recuperar a bandeira da economia de mercado. Mas não caindo no erro de achar que tudo é economia. Mas trabalhando na cultura e, a partir daí, na economia.” 

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

Meio ambiente 

“O que a gente entende por climatismo? O climatismo está para a mudança climática, como o globalismo está para a globalização. Globalização é um fenômeno econômico que foi capturado por uma ideologia. Isso se tornou o globalismo. Mudança climática é a mesma coisa. É um fenômeno. Precisa ser estudado. Deveria ser estudado de maneira serena. Mas também foi capturado por uma ideologia. Então é preciso discutir a mudança climática e o ritmo do aquecimento global.

Pouca gente sabe, por exemplo, que o ritmo atual de aquecimento, desde o final dos anos 70, é de 0,13ºC por década. Que somado ao aquecimento que já existe hoje, desde o começo da idade industrial projetado até o final do século, daria um aquecimento de 1,9ºC em relação ao patamar dos anos 1850, até o final do século 20. Então, isso tudo que se propala, do jeito que são as emissões, do jeito que a natureza se comporta, já estamos dentro disso que é considerado a meta do aquecimento de 2ºC até o final do século. Só que ninguém fala disso.  

Vamos controlar as emissões? Bora. Bora controlar as emissões. O Brasil é responsável por entre 2% e 3% do total de emissões de dióxido de carbono. A China é responsável por cerca de 25%. No entanto o Brasil tem, assumiu e vai manter compromissos rígidos de controles de emissões. A China só começa, de acordo com o acordo de Paris, a ter que controlar emissões a partir do ano 2030. Nenhuma crítica à China, pelo contrário. Negociou muito bem. Queria que os nossos negociadores tivesses negociado tão bem como os negociadores chineses.”

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

LGBT

“Acharam que quando a ministra maluca, radical, pastora, homofóbica, fascista assumisse o ministério, nós íamos sair na rua numa grande cruzada contra gays. O que o meu presidente falou? Tem um departamento de gay no seu ministério? Deixa lá e vamos mostrar para o Brasil como se cuida de gay nesta nação. Respeitando eles, mas sem fazer a promoção. Protegendo, sem fazer a promoção. Estamos fazendo isso.

No PNDH 3 (Programa Nacional de Direitos Humanos 3), era para reconhecer todas as configurações familiares no Brasil. O objetivo final: reconhecer e incluir no sistema de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais. Aí eles [PT] colocam transexuais, vírgula... Se eles tivessem colocado um ponto em transexuais, a gente não tinha gritado tanto naquela época, mas eles colocam uma vírgula e escrevem: com base na desconstrução da heteronormatividade. Então temos um decreto presidencial em vigor ainda que determina a desconstrução da heteronormatividade no Brasil.”

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves 

Direitos humanos

“O presidente fez uma releitura do que é (sic) de fato direitos humanos. Cuidar de crianças é direitos humanos. Cuidar de idosos é direitos humanos. Acesso à educação é direitos humanos. O presidente começou a dialogar com o Brasil e, para a tristeza da esquerda, nunca se falou tanto em direitos humanos no Brasil como nos dias de hoje, nunca se defendeu tanto os direitos humanos no Brasil como nos dias de hoje. 

Estamos protegendo todos nesta nação. Estamos enfrentando a violência contra todos. Contra a mulher, contra a criança, contra gay, contra índio, contra quilombola; estamos protegendo todos.

Achavam que no segundo dia de governo nós estaríamos na rua batendo em negros, matando homossexuais, pedindo o fim de todas as leis de proteção à mulher. E o que acontece? O presidente machista, só este ano, já sancionou seis leis de proteção à mulher. Chora, esquerda. Chora.” 

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves

“Vamos parar com essa bandidolatria, com esse negócio de colocar o criminoso num pedestal. A primeira função da pena é tirar o criminoso da sociedade. Se ele vai se reeducar ou não, o problema é dele. Ele tem esse distúrbio de valores. Mas não pode a gente continuar a ver todos os dias, como a gente vê aqui no Brasil, pessoas sendo presas, com aquela ficha criminal que dá a volta no quarteirão.” 

Líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP)

Defesa de minorias

“Em torno de 40 povos no Brasil [indígenas] ainda matam suas crianças quando filhas de mãe solteiras, quando nascem gêmeas, quando nascem com qualquer deficiência física e mental. E o povo que estava aí no poder [PT] dizia: ‘a gente não pode salvar essas crianças, porque é cultura’. Hipócritas! Enquanto deixarmos os índios matarem suas crianças, eles serão um povo reduzido, pequeno. É isso o que eles queriam. Um povo triste, reduzido e pequeno. 

Quando uma mãe enterra uma criança viva… O ritual é feito pela mãe. Você consegue imaginar a dor de uma mãe que seu filhinho nasce surdo e, em nome da cultura, o pajé manda enterrar ele vivo? Essa mãe nunca mais é a mesma. 

O que estava acontecendo no Brasil eram mulheres tristes, deprimidas, porque tinham que enterrar os seus filhos. E quando enterram essas crianças, elas não morrem na hora, choram debaixo da terra. Curumins no Brasil chorando debaixo da terra. E quem estava no poder dizia que não pode fazer nada porque é cultura. E o índio pedindo socorro, porque o índio ama seus filhos. Os nossos povos amam desesperadamente suas crianças. Mas a esquerda que estava no poder dizia que o único direito do índio era a terra, a demarcação. 

Os curumins gemeram nessa terra, mas o Deus dos curumins se chama Tupã. Tupã ouviu o clamor dos curumins e Tupã disse: chega. E Tupã fez presidente da República um homem que ama curumim, um homem que respeita os povos indígenas, um homem que veio para mudar essa nação. Esse governo veio para proteger todos. Esse governo veio para garantia de direitos. A eleição de Bolsonaro interrompeu no Brasil um ciclo de sofrimento e dor.” 

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves

História

“A esquerda tenta reescrever a história. Vou fazer um breve resumo, pegado o tempo de Karl Marx, trazendo até a eleição de Jair Bolsonaro. Marx sintetizou as ideias comunistas, fez um manifesto e, no início do século 20, o que começou a acontecer? 1917, revolução bolchevique na Rússia. 1949, tivemos Mao Tsé-Tung, na China. 1959, Fidel Castro. E depois, em 1964, seria a vez do Brasil, se não fosse o povo nas ruas e os militares para, com muita coragem, impedir o comunismo no Brasil.  

Esse período que tivemos no Brasil, de 1964 a 1985, a esquerda chama de ditadura militar. Só que os militares chegaram ao poder não foi botando o pé na porta, tirando o presidente e assumindo a cadeira presidencial. Eles chegaram ao poder sem dar um tiro, sem matar sequer uma pessoa, porque eles tinham o respaldo popular. E em 2 de abril de 1964, o Congresso Nacional brasileiro declarou vaga a cadeira presidencial. Dia 9 de abril, tivemos uma eleição indireta, conforme dizia a Constituição da época. E então foi eleito o general Castello Branco com votos de Franco Montoro, Juscelino Kubitschek, Ulysses Guimarães, dentre outros. Esses dias que a cadeira presidencial ficou vaga, de 2 de abril até 15 de abril, que foi a posse presidencial, quem ocupou aquele local foi o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. 

Que golpe que é esse? Que ditadura é essa em que você poderia sair, ir e voltar do Brasil quando bem entendesse? Que ditadura é essa que não pega as armas do povo? Nunca se passou pela cabeça de um presidente militar do Brasil tirar as armas dos brasileiros. O que os militares fizeram? Em 1985, devolveram o poder para a população civil. fizeram eleições diretas para presidente da República.

A luta armada começou pela esquerda, em 66, com uma bomba no aeroporto de Guararapes, no Recife. Depois disso é que veio o AI-5. (...) Aqui no Brasil, depois que a gente teve a bomba no aeroporto de Guararapes, tivemos o sequestro do embaixador americano. Como vai combater essa guerra assimétrica? Não é uma guerra de um país contra outro, onde utiliza tanques. É uma guerra interna. Por isso teve o AI-5. 

A esquerda disse que no Brasil existiu uma ditadura, perseguidos políticos, se vitimizaram e, depois de algumas décadas, quando chegaram ao poder, estavam fazendo a revolução deles, estavam implementando aqui no Brasil o desarmamento, começando com essas ideologias de ‘meu corpo minha regra’ contra o aborto, um Estado gigante, com poder central — característica de fascismo — e institucionalizando a corrupção.”

Líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP)

Cultura  

“Quem luta no front cultural precisa produzir mais cultura. Precisamos de boas obras de arte, no cinema, no teatro, e na literatura que contém aquilo que aconteceu, que contém a história real que aconteceu no Brasil nesses últimos anos. Para nós mesmos, para o exterior e para a posteridade. Precisamos de bons livros de filosofia, política, História, economia, sociologia, literatura, crítica, estratégia, assim por diante, para ajudar as pessoas a se formarem e difundirem as ideias corretas. 

Mas precisamos também ganhar a batalha entre as Forças Armadas. Aqueles que se engajam no ativismo político têm que se organizar. É preciso dirimir dissidências, unir movimentos, alinhar expectativas, debater, encontrar estratégias comuns. Esse front precisa de tudo aquilo que pudermos produzir em termos de cultura. Precisa se apropriar de tudo aquilo que foi feito até aqui. Incluindo mecanismos e estratégias utilizados na eleição”. 

Assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins

Relações Internacionais

“O Itamaraty desceu do seu pedestal, onde fingia ser uma estátua para não ter que se meter nos negócios do País. O Itamaraty não é mais uma estátua. Faz parte desse trabalho. Está junto com o povo, o Brasil, com o presidente Bolsonaro, com a brava gente brasileira. 

Essa moça, Greta Thunberg: no mesmo dia em que ela foi falar nas Nações Unidas, eu recebi uma foto de uma menina na Venezuela que tem 14 anos e pesa 14 quilos, pela fome gerada por esse regime horroroso. A Greta ali, 16 anos, quase a mesma idade, bem alimentada, bem nutrida, acolhida nas Nações Unidas. A mesma Nações Unidas que não faz nada por essa menina de 14 anos e 14 quilos na Venezuela. Nações Unidas que não faz nada contra Maduro, que aceita a candidatura de Maduro ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas — onde não vai entrar, porque o Brasil e outros países não vão deixar, não porque a ONU não vai deixar. Então eu é que perguntou: ‘How dare you?’.

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

 Comunicação, mídia, internet

“Boa parte da imprensa recebia muito dinheiro do governo [petista]. Então não faz sentido você ficar implorando para ter sua opinião publicada na carta do leitor, quando você tem seu Twiter, o seu Facebook ali. Isso tudo colaborou para o tsunami que foi a eleição do Jair a presidente. 

Quando você começa uma discussão com esse pessoal, que não tem conexão com a realidade, não tem como contra-argumentar. Tem que partir realmente para o deboche. Mas não pode tomar como sério o que essas pessoas fazem. 

Isso tudo faz parte de uma coisa chamada espiral do silêncio. Se você não falar que é Bolsonaro, o que as pessoas vão pensar? O Bolsonaro não tem votos. A espiral do silêncio é exatamente isso. Você não fala, e todo mundo fica achando que o Bolsonaro está sozinho”. 

Líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP)

“Na Folha de S.Paulo, no Estadão, no Globo, em tantos outros jornais, quem quer que pense como nós, ou seja, o eleitorado nacional praticamente inteiro, é considerado um extremista de direita, indigno de ser ouvido, indigno de ser considerado. Qualquer político ou intelectual que fale como vocês entra imediatamente no hall dos tipos excêntricos e grotescos, senão dos culpados retroativos dos crimes da ditadura. 

Foi por essa razão que, nas eleições presidenciais de 2018, Bolsonaro foi eleito, mesmo sem apoio do establishment político. Ele não tinha nem mesmo as tais fake news, os tais robôs. Ele tinha vocês e é por isso que ele está lá hoje.

Existe hoje narrativa comum que abunda em setores da imprensa, com reflexos mais ou menos articulados na política e na elite do Poder Judiciário, de que nós somos um problema que precisa ser eliminado, que nossa voz precisa ser calada, que aqueles que estão na internet, nas ruas, em todos os cantos defendendo o presidente Bolsonaro precisam ser criminalizados. Essa narrativa inclui intelectuais que produzem conteúdos, jornalistas, comunicadores da internet, também ativistas, empresários, políticos e toda e qualquer pessoa que gravite em toda a rede que se convencionou chamar de conservadora ou, por que não, de bolsonarista. 

Jornalistas bem posicionados e grandes emissoras de TV viram sua influência reduzida à irrelevância absoluta. E a mídia continua completamente irrelevante. Eles ainda não entenderam nada. 

Precisamos de órgãos de mídia de peso, capazes de estabelecer novas mediações. Estamos ganhando hoje, numa luta de guerrilha, assimétrica, na qual cidadãos comuns, donas de casa, avós, mães, pais, crianças, muitas das vezes estão na internet defendendo presidente contra a desinformação”. 

Assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins

 


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