Semana On

Quinta-Feira 21.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

Mar de lama

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 23 de Outubro de 2019 - Victor Barone

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Se o presidente Jair Bolsonaro, sem prova ou indício algum, pode afirmar que foi ato terrorista a derrama de petróleo que empesteia as praias nordestinas, por que o ministro Ricardo Salles, do Meio ambiente, não pode insinuar que o petróleo foi derramado por um navio da organização internacional Greenpeace?

Pau que bate em Chico deveria também bater em Francisco. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, criticou Salles, mas esqueceu de criticar Bolsonaro. Os males que vêm do alto costumam contaminar os que estão em baixo. Se Salles foi irresponsável e leviano, Bolsonaro foi o quê?

Lá atrás, quem primeiro falou em terrorismo? Bolsonaro falou quando lhe perguntaram sobre os incêndios na Amazônia. Tentou culpar as Ongs. Voltou a falar quando lhe perguntaram sobre o petróleo derramado. Repetiu a dose ontem. Salles é apenas um pau mandado do presidente. Um serviçal que quer manter o emprego.

Bolsonaro liga para a preservação do meio ambiente? Salles tampouco. Bolsonaro está mais preocupado com os garimpeiros que votaram nele. É candidato à reeleição. No passado, ainda cadete no Exército, meteu-se com garimpo e foi censurado por seus superiores que o consideraram ambicioso demais.

Se o chefe e seus influentes filhos são conhecidos por gostarem de notícias falsas e as disseminarem nas redes sociais, por que Salles não pode gostar e fazer a mesma coisa? Ele postou a foto de um navio do Greenpeace de onde o petróleo poderia ter saído. A foto é de 2016. O navio não transporta petróleo, só gente.

A verdade é que o governo não faz a mínima ideia sobre o que aconteceu há mais de dois meses. Primeiro porque não se interessou de início. Depois porque não conseguiu saber nada até agora – salvo que o petróleo, provavelmente, é venezuelano. Ou uma fração dele. A Marinha não se arrisca a ir além disso.

Mais de mil toneladas de óleo foi recolhida, parte por voluntários. Só há poucos dias militares entraram em cena para recolher. Onde todo esse óleo foi armazenado? A Marinha não sabe. O governo não sabe. É tudo feito de improviso. E quando voluntários aparecerem doentes, vítimas dos efeitos do óleo?

Governo de morte, este.

Por Ricardo Noblat

Na tragédia ambiental do óleo que chega às praias nordestinas, Ricardo Salles vem se revelando há dois meses incapaz de todo. Mostrou-se capaz de tudo ao insinuar sem provas nas redes sociais que o óleo pode ter sido despejado em mares brasileiros por um navio do Greenpeace.

Macaqueando o chefe, que acusara ONGs de atear fogo à floresta amazônica, Salles escreveu: "Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro, bem na época do derramamento de óleo venezuelano…"

Em resposta, o Greenpeace chamou Salles de mentiroso. E anunciou que irá processá-lo. Informou que seu navio, o Esperanza, estava na Guiana Francesa nos meses de agosto e setembro. Hoje, encontra-se no Uruguai, a caminho da Antártica.

De tanto desmontar o setor do meio ambiente, Salles criou problemas para o ambiente inteiro. Faria um bem a si mesmo se parasse de confundir presunção com solução e teatralidade com substância. No momento, se precisar vender um carro usado, o ministro talvez não encontre um comprador.

Em resposta direta ao ministro, a ONG ironizou: “nossos voluntários vêm trabalhando há algumas semanas junto com órgãos competentes no combate às manchas de petróleo em si. Os nossos grupos de voluntários do Maranhão e Ceará também visitaram locais impactados, conversaram com a população, colheram depoimentos, fizeram imagens justamente para documentar tudo aquilo que está sendo afetado: o meio ambiente, a economia, as pessoas dessas regiões”.

No último dia 23, o Greenpeace realizou um protesto pacífico em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Para mostrar que não aceita a política antiambiental do governo Bolsonaro, levou de maneira simbólica o derramamento de óleo do Nordeste e a Amazônia destruída para o local de trabalho do Presidente da República.

Os ativistas foram detidos pela Polícia Militar e levados à delegacia. Os 19 ativistas detidos foram liberados depois de três horas.

O presidente em exercício Hamilton Mourão ironizou a manifestação, dizendo que vai convidar a ONG para atuar no combate ao derramamento. “Vou convidar o Greenpeace para recolher o óleo lá, ao invés de jogar o óleo aqui”, afirmou, ao deixar o Palácio do Planalto no início da tarde.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, também ironizou o protesto.

Enquanto a mancha de óleo se espalha pelo litoral brasileiro e já atinge pelo menos 200 pontos da costa, da China, o presidente Jair Bolsonaro deu declarações que acirram a briga entre o governo brasileiro e a ONG Greenpeace. “Esse Greenpeace só nos atrapalha. Não sei o que ele (Salles) falou, tenho que conversar com ele para entrar em detalhes, mas o Greenpeace só nos atrapalha, não nos ajuda em nada”, disse o presidente. Bolsonaro ainda classificou como terrorismo o vazamento de petróleo, caso fique comprovado que foi um ato intencional.

O Greenpeace afirmou que vai acionar na Justiça o ministro Ricardo Salles por ter insinuado responsabilidade da organização no maior desastre ambiental já ocorrido no litoral brasileiro. “Iremos à Justiça contra as falsas declarações feitas pelo ministro”, disse Astrini. “A decisão está tomada. Agora, será analisada por nossa área jurídica”, afirmou à reportagem Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que o tuíte do titular do Meio Ambiente “faz uma ilação desnecessária”. Antes de desacreditar a tese de Salles, Maia havia reagido pelo microblog à insinuação do ministro, dizendo que esperava uma “posição oficial do Meio Ambiente” sobre a relação entre o incidente ambiental e a organização. O ministro, na sequência, respondeu que o próprio Greenpeace confirmou “que navegou pela costa do Brasil na época do aparecimento do óleo venezuelano, e assim como seus membros em terra, não se prontificou a ajudar”.

O governo tinha em mãos, desde 2018, um manual com procedimentos para acionar o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional, o PNC, mas ignorou o documento, elaborado por técnicos, e demorou mais de 40 dias para aplicar o protocolo. Reportagem do jornal O Globo teve acesso ao manual, cujos critérios teriam levado ao acionamento do plano de contingência já em 2 de setembro.

O manual foi criado em cumprimento a exigências de um decreto de 2013, mas não foi publicado nem compartilhado com Estados e municípios. É de conhecimento, no entanto, do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e da Marinha. O documento lista 35 critérios para se acionar um plano de contingência para acidentes com óleo, dos quais 18 estavam presentes pelo menos desde o início de outubro.

O jornal ouviu ex-ministros e ex-dirigentes do Ibama, que listam uma série de omissões na maneira como o governo lidou com o acidente com óleo. O Ministério do Meio Ambiente, procurado pela reportagem para comentar o fato de o governo ter omitido o manual e ter demorado a adotar um plano de contingência, não se manifestou.

Inerte diante da tragédia ambiental no nordeste brasileiro, Bolsonaro lançou teoria da conspiração nas redes criando fake news que relaciona os "ONGs e esquerda" e "o apoio desses partidos" à Venezuela que, segundo ele, estaria por trás do "derramamento criminoso" de petróleo nas praias do Brasil

No último dia 22, em sua estreia como líder da bancada do PSL na Câmara, o ex-futuro embaixador Eduardo Bolsonaro lançou no plenário da casa teoria semelhante, misturando protestos no Chile e no Equador com a Coreia do Norte e o vazamento de petróleo na costa brasileira. Segundo Eduardo, os protestos em Santiago e Quito são obra da ditadura venezuelana para desestabilizar governos do continente e o óleo que chega as praias nordestinas é fruto desse mesmo complô.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que o partido vai acionar o Ministério Público Federal contra o ministro Ricardo Salles por “negligência” em relação ao óleo que tem contaminado o litoral nordestino. A deputada cita o decreto do presidente Jair Bolsonaro que extinguiu dois comitês do Plano Nacional de Contingenciamento para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. Neste final de semana, foram feitos vários mutirões de comunidades locais em Pernambuco, por exemplo, para limpar as praias.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, declarou que o Exército não atuou antes na limpeza das praias atingidas por óleo porque a avaliação era de que não havia necessidade. As manchas, espalhadas por todos os estados do Nordeste, foram avistadas pela primeira vez em 30 de agosto, na Paraíba. Desde então, 900 toneladas de petróleo foram recolhidas das praias por mutirões que contaram com ajuda de voluntários. "Não julgávamos ser necessário, mas, quando foi preciso, nós empregamos o Exército", disse o ministro. Questionado durante visita a Pernambuco sobre por que o governo federal ainda não havia se mobilizado efetivamente, Silva afirmou que o esforço é coletivo. "Não é só responsabilidade das Forças Armadas", disse.(…)

“O desastre ambiental causado pelo vazamento de óleo que atinge a costa do Nordeste desde o final de agosto vem sendo tratado pelo governo federal de maneira pouco transparente. A dimensão do problema exige o engajamento de um grande número de autoridades e especialistas, além de uma considerável mobilização de recursos, o que demanda o mais amplo compartilhamento de informações e uma liderança sólida no gerenciamento desse trabalho conjunto. Pouco disso se tem visto por parte da Presidência da República, do Ministério do Meio Ambiente e de outros órgãos federais envolvidos.”

Trecho de editorial do Estadão.

Pressionado pelo Ministério Público Federal e por integrantes do governo, como o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que ontem criticou a falta de comunicação das ações públicas contra o desastre ambiental marítimo que contamina as praias do Nordeste, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez um pronunciamento na noite do último dia 23, para falar do assunto. Entre vários temas, ele falou que, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, vai acionar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o órgão mobilize a Venezuela. O governo do presidente Nicolás Maduro afirma não ter qualquer relação com o acidente ambiental.

À CUSTA DA PRÓPRIA SAÚDE

Não falta gente parabenizando os voluntários que estão removendo, no braço, o óleo que polui as águas do Nordeste. Tudo bem. Mas não devia ser assim – “os voluntários não têm alternativa para sobreviver senão limpar o mar, que é de onde tiram o seu sustento. E, para isso, estão colocando a vida em risco“, lembra Mariama Correia, no Intercept Brasil: “O material encontrado nas praias é petróleo cru, rico em hidrocarbonetos cancerígenos. Também pode causar asfixia em altas concentrações. A curto prazo, gera problemas dermatológicos e respiratórios. A longo, pode gerar problemas neurológicos e alguns tipos de câncer, como leucemia”, lista a repórter.  

“Começamos cedinho e vamos até a noite. Isso aqui é nosso ganha-pão. Se não puder pescar, minha família vai passar necessidade.” O relato é de Adalberto Barbosa, pescador que mora e trabalha em São José da Coroa Grande. A cidade, localizada no litoral Sul de Pernambuco, registrou 17 casos de intoxicação pelo contato com o óleo. Barbosa foi um dos voluntários a parar no hospital com dor de cabeça forte e náuseas. Ele só parou um dia.   

As repórteres Priscila Mengue e Mônica Bernardes, do Estadão, acompanharam mutirões nas praias pernambucanas nos últimos três dias. E alertam: a situação dos voluntários e até dos agentes públicos é preocupante, pois alguma parte do corpo acaba ficando exposta ao contato com o petróleo. Algumas das reações alérgicas já relatadas incluem inflamação nos olhos e aparecimento de caroços na pele. As manchas já atingiram 88 municípios, em 233 localidades.

Por Outra Saúde

E O QUEIROZ?

O que uma coisa tem a ver com outra? O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) gravou um vídeo e soltou uma nota para dizer que não fala com seu ex-assessor Fabrício Queiroz há mais de um ano.

Foi em resposta a um áudio de junho último onde Queiroz ensina a um amigo como empregar pessoas em gabinetes do Senado e da Câmara sem ligá-las diretamente aos Bolsonaros.

Para Flavio, “o que fica bem claro nesse áudio é que ele [Queiroz] não tem nenhum acesso ao meu gabinete, tanto é que ele está ali fazendo uma reclamação de que não tem acesso”.

Diz Queiroz no áudio: “Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara, no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles [clã dos Bolsonaro] em nada”.

Diz mais: “20 continho aí para gente caía bem pra c**”. E mais: “Pô, cara, o gabinete do Flavio faz fila de deputados e senadores lá. É só chegar ‘nomeia fulano para trabalhar contigo aí'”.

Aqui, trata-se da nomeação cruzada. Um deputado pede a outro que empregue no seu gabinete quem ele não pode empregar para não chamar atenção. O favor é retribuído. Todos lucram com isso.

Como a de Flávio, também não faz sentido a resposta que deu o presidente Bolsonaro quando perguntado na China sobre o áudio de Queiroz: “O Queiroz cuida da vida dele, eu cuido da minha.”

Quem disse o contrário? O fato é que o fantasma de Queiroz voltou a assombrar a família Bolsonaro, posta em sossego desde que Dias Toffoli suspendeu a investigação sobre os rolos de Flávio.

Até os pombos que bicam as calçadas da Assembleia Legislativa do Rio sabem que Queiroz comandava um esquema de rachadinha quando mandava no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro.

Funcionava assim: o funcionário recebia seu salário no fim do mês e depositava parte na conta de Queiroz. O dinheiro pagava despesas do deputado. Queiroz embolsava algum.

Que deputado na Assembleia não sabia disso? Que deputado na Câmara não sabe que muitos dos seus colegas procedem assim? É prática usual. É também desvio de dinheiro público. Crime.

Desde 1991 quando Bolsonaro foi eleito deputado federal pela primeira vez, ele e seus filhos empregaram mais de uma centena de funcionários com parentesco ou relação familiar entre si.

Exatas 102 pessoas, segundo o jornal O Globo. Ou 35% do total de funcionários contratados no período. Entre elas, milicianos. Muitos jamais compareceram ao local de trabalho.

O advogado de Flávio Bolsonaro pôs em dúvida a gravação do áudio. É preciso, disse ele, comprovar que a voz é mesmo de Queiroz, que o áudio não foi editado, que isso e que aquilo outro.

Foi a mesma linha de defesa adotada pelo ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato em Curitiba para desqualificar suas conversas hackeadas e entregues ao site The Intercept.

Por Ricardo Noblat

SANTINHO DO PAU OCO

Manifestantes interromperam uma palestra do procurador Deltan Dallagnol em Porto Alegre (RS). Deltan estava palestrando sobre "A luta contra a corrupção e a ética nos negócios" no 7º Seminário do Representante Comercial Gaúcho.

Logo após o início das vaias, em um outro vídeo é possível ver que maioria da plateia começou a vaiar e emitir palavras de ordem pela saída dos manifestantes que deixaram o local. Após o término da palestra, Deltan foi aplaudido de pé pelos presentes.

VAGABUNDO

Em entrevista ao Estadão, o ex-bolsonarista roxo Delegado Waldir (GO) voltou a chamar o presidente Jair Bolsonaro de "vagabundo", acusando-o de usar recursos do Fundo Partidário para comprar o apoio de deputados à candidatura de Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, ao posto que hoje é de Waldir: líder do PSL na Câmara. Pior: uma conversa de Bolsonaro ao telefone sugere que isso realmente aconteceu. Só para lembrar: o fundo é dinheiro público. Comprar a adesão de deputados com recursos do erário, ainda que sob a guarda do partido, remete diretamente ao Artigo 4º da Lei 1.079, a do impeachment.

Na tentativa de minimizar o irremediável, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que houve um “bate-boca exacerbado” entre integrantes do seu partido, o PSL, mas que deixará a ferida cicatrizar naturalmente. Apesar dos conflitos iniciados por uma declaração presidencial, Bolsonaro insiste que a crise política é uma “invenção”.

Bolsonaro afirmou que, no fim, “o bem vencerá o mal”. Ele usou uma frase de Magalhães Pinto erroneamente atribuída por ele a Ulysses Guimarães para dizer que política é como nuvens no céu, que a cada momento estão de um jeito, e estimar que, na sua ausência do Brasil, as coisas podem se alterar.

NOVEMBRO NO STF

O intervalo de mais de 10 dias para que o Supremo retome o julgamento sobre a legalidade da prisão em segunda instância é visto com preocupação por juristas que acompanham o assunto. O presidente do STF, Dias Toffoli, marcou a sessão que volta a discutir o tema para 6 de novembro. O entendimento, segundo juristas, é a de que deixar a decisão em suspenso por tantos dias abre espaço para que a Corte seja pressionada por fatores externos, como atos de rua, manifestações políticas e pelas redes sociais.

E novembro, ao que tudo indica, será o mês mais importante do ano para a Lava Jato no STF. Isso porque, o julgamento da suspeição do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, deve ser pautado na Segunda Turma. A previsão é de que fique para a segunda quinzena, segunda a coluna da Mônica Bergamo. Até lá, caso o julgamento do dia 6 tenha placar favorável pela necessidade do trânsito em julgado, e o ex-presidente Lula já tenha sido solto, ministros da Corte avaliam que o debate sobre a conduta de Moro será menos conturbado.

Por Radar

Na esperança de ver o STF votar pela imparcialidade do então juiz Sérgio Moro no processo do triplex do Guarujá (SP), o ex-presidente Lula retomaria seu projeto de percorrer o Brasil com sua caravana, conforme tem reiterado a aliados que o visitam na prisão em Curitiba, diz a Folha. A ideia é propagar o que o partido chama de Plano Emergencial de Emprego e Renda, com promessa de gerar 7 milhões de empregos. Lula também voltou a repetir que pretende comemorar primeiro sua liberdade com militantes acampados desde o dia 7 de abril de 2018, data de sua prisão, nas imediações da Superintendência da PF na capital paranaense e também visitar os ex-tesoureiros João Vaccari Neto e Delúbio Soares, que cumprem pena em regime semiaberto no Paraná.

JOICE X O CLAN

A deputada Joice Hasselman (PSL-SP), destituída pelo presidente Jair Bolsonaro do cargo de líder do governo no Congresso, frustrou os que assistiram à sua entrevista no Roda Viva da TV Cultura esperando que ela partisse para o pau. Que nada! Por pouco não suplicou para ser adotada por Bolsonaro como mais um de seus filhos. A certa altura do programa, chegou a dizer que Bolsonaro não pode ser pai unicamente dos filhos que já tem. Deve ser pai também de milhões de brasileiros.

Joyce é prisioneira do destino que cavou, Escolheu juntar-se a Bolsonaro na eleição passada para se eleger deputada. Foi a parlamentar mais votada na história de São Paulo. Quer disputar a prefeitura da capital. Sem Bolsonaro, não terá chance. Não quer e nem pode abandonar a manada do capitão. Mas caso consiga se reaproximar do presidente será tratada com desconfiança. Bolsonaro não perdoa quem o desafia, e aos seus filhos.

Por Josias de Souza

Se Eduardo e Carlos Bolsonaro têm algo a dizer contra Joice, por que não apelar ao preconceito, à gordofobia? A deputada passou a ter a sua imagem associada à de uma porca, precisamente à personagem Peppa Pig, levando, inclusive, o "Jornal Nacional" a ter de explicar quem é a personagem. Na zoologia a que apelaram os filhos de Bolsonaro contra Joice, também foram evocados o rato — no caso, fêmea, segundo a classificação de Damares Alves porque com orelhas cor de rosa —, a serpente, a galinha e o polvo.

A deputada contra-atacou na resposta a Carlos, apelando, por sua vez, à homofobia. Publicou a imagem de três veados, sem ignorar também os ratos, que vieram, no caso, na forma de um enigma: dois deles são cinza.  Um é branco. Deve querer dizer alguma coisa.

É a língua que eles falam. Um certo Nando Moura, um dos bolsonaristas mais barulhentos das redes, abriu uma espécie de dissidência à direita. Não se conforma que seu líder não tenha aderido à CPI da Lava-Toga e vê, no que pode haver de procedimento institucional no governo, uma concessão à tal velha política. Passou a criticar a "turma do acordão". Em uma de suas "lives", o próprio Bolsonaro se referiu a ele como aquele que "já foi cabeludo e hoje é careca". Tudo remete à caricatura, à briga de boteco, à baixaria, ao preconceito, à desqualificação da divergência, pouco importando a qualidade da restrição que se faça.

Não dá para saber se é mais feio quando eles se amam ou quando eles se odeiam. Uma síntese do PSL poderia ser esta: é aquele partido em que somos levados a lamentar a gordofobia contra Joice e a homofobia contra Carlos Bolsonaro. Eles todos se merecem. Que os brasileiros pensem se não merecem coisa melhor.

Brigando entre si, eles não são nem melhores nem mais educados do que atacando seus adversários. Ao assistir à guerra interna no PSL, é evidente que temos de nos perguntar: como foi possível chegarmos a isso? E, no entanto, chegamos. E é bem provável que não seja ainda o fundo do poço. Afinal, se há coisa que não se conhece por ali é noção de limite. Não tinha como dar certo o que… não tinha como dar certo!

Por Reinaldo Azevedo

Líder do PSL na Câmara, o deputado Eduardo Bolsonaro utilizou a internet para atacar seus “desafetos” após matéria da revista Época indicar que o filho do presidente utilizou fundo partidário para despesas pessoais. Em pouco mais de sete minutos de vídeo, Eduardo concentra ataques na ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, a quem chama de “não confiável” e pede que seus aliados nas redes sociais produzam “memes” contra seus adversários.

“Eles ficam loucos”, diz Eduardo, criticando o nível do Congresso Nacional por se enfurecer com os ataques virtuais. “Joice é uma senhora amargurada que deixou a liderança de governo por não conseguir seguir as ordens do presidente”, afirma. “Joice, você não é confiável. Você anda com o (João) Doria e agora nem ele quer andar com você”, completou, acusando Joice de se negar a disputar prévias para concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PSL.

CARLOS X SANTA CRUZ

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC) respondeu à entrevista que o general Santos Cruz concedeu ao Congresso em Foco pelo perfil do pai no Twitter, apagou o comentário e publicou na sua conta três minutos depois. Na publicação, o filho do presidente Bolsonaro questiona quem seria a milícia digital que o ex-ministro fez menção na entrevista.

De acordo com o general, existe uma "milícia digital" bolsonarista. “Uma milícia digital, uma gangue de rua que se transfere para dentro da internet. Não me impressiono com isso, aquilo ali não me afeta em nada, já tive muito tiroteio real na vida, não vai ser tiroteio de internet que vai me fazer ficar preocupado”, afirmou.

Essa não é a primeira vez que o vereador se engana com as contas da rede social. Na semana passada, ele pediu desculpas no Twitter por ter publicado uma mensagem a favor da prisão em segunda instância no perfil do pai.

BLOGUEIROS SUPER PODEROSOS

O diplomata Audo Araújo Faleiro foi exonerado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, do cargo de chefe da divisão que cuida da Europa Ocidental um dia após seu nome ter sido citado em uma nota do site O Antagonista e atacado pela rede de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro por ele ter trabalhado em administrações petistas. O caso está sendo encarado por diplomatas, tanto progressistas quanto conservadores, como "perseguição ideológica" e "sinal de fraqueza institucional" do ministro de Estado. Pois isso mostra que o chanceler Ernesto Araújo não conta com liberdade para indicar quem quer que seja por critérios técnicos.

DOI CODI NAS ESCOLAS MILITARES

Agredido com um tapa no rosto e com arma apontada para cabeça, professor de colégio do Amazonas está afastado e com síndrome do pânico. A agressão contra o professor Anderson Pimenta Rodrigues aconteceu no dia 27 de agosto, dentro do Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) 1, unidade Petrópolis, em Manaus, unidade em que atuava desde 2015, dando aulas de Língua Portuguesa. O agressor é o tenente-coronel Augusto Cesar Paula de Andrade, diretor do CMPM1.

“Sofri tortura física e psicológica. Fui empurrado, tive arma apontada para a minha cabeça e fui chamado de ‘professor de merda’”, relatou. Rodrigues registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal. O laudo do exame de corpo de delito produzido pelo Instituto Médico Legal comprovou “lesões compatíveis com as produzidas por instrumento ou meio contundente”.

O caso do professor está entre os 120 que foram encaminhados ao Ministério Público do Amazonas no início do mês. No CMPM 1, unidade em que Anderson trabalhava, há ao menos outros três casos graves. Oitenta mães registraram denúncias de assédio moral, sexual e violência contra os militares dos nove colégios geridos pela PM no estado do Amazonas. As violações, que se acumulam pelo menos desde 2015, vieram à tona depois que o deputado Fausto Júnior (PV) convocou uma audiência pública na Assembleia Legislativa. Muitas vítimas afirmam sofrer ameaças para retirar suas queixas. Segundo o MP-Amazonas, foi instaurado um grupo de trabalho para apurar as denúncias. As investigações seguem sob sigilo pelo teor e por envolverem menores de idade.

DESEDUCANDO

Em evento denominado “O novo Brasil na perspectiva cristã”, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez uma comparação curiosa ao citar a história bíblica de Davi e Golias. Em discurso de cerca de 25 minutos cheio de referências bíblicas na V Conferência para Agentes Públicos e Políticos Cristãos da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, o ministro disse ser a pedra que Davi teria usado para derrubar o gigante. “Eu não sou o rei David que está enfrentando Golias. O presidente Bolsonaro é rei Davi que está enfrentando Golias. Eu sou a pedra que o rei Davi pegou do chão, colocou na funda e jogou para derrubar Golias. E a pedra não pensa, ela voa”, declarou o ministro durante a palestra. “O ministério da Educação e do Ensino é do povo do livro”, completou, em referência à Bíblia. “Eu não brigo com a universidade, eu brigo com a pessoa que está lá transformando a universidade em um inferno”, disse também.

Weintraub ainda fez comentários polêmicos sobre questão LGBT, se referindo como pecado. “Roberta Close, por exemplo. Eu trataria Roberta Close como senhora, mas o DNA dela é de macho. A verdade científica é que ou é macho ou é fêmea. A ciência é meu escudo, a espada é a minha fé”, disse. “Esse livro diz a verdade. Sem a Bíblia a gente não sabe o que a gente é no mundo Ocidental”, afirmou, segurando um exemplar do livro religioso.

CHAPEIRO

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) desistiu de ocupar o cargo de embaixador em Washington. O filho do presidente Jair Bolsonaro e atual líder do PSL, Eduardo afirmou que “fica” no País para defender a pauta conservadora e o governo do pai.

“Esse aqui que vos fala, filho de militar do Exército brasileiro e deputado federal, que foi zombado por ter, aos 20 anos de idade, um trabalho digno e honesto em restaurante fast-food nos Estados Unidos, diz que fica no Brasil para defender os princípios conservadores, para fazer o tsunami que foi a eleição de 2018, uma onda permanente. Assim, me comprometo a caminhar por São Paulo, pelo Brasil e pelo povo”, afirmou o deputado.

A decisão de Eduardo já era esperada por auxiliares de Bolsonaro que afirmavam que, apesar da peregrinação que fez junto aos senadores, o parlamentar não conseguiu apoios suficientes para ser aprovado para o cargo – o que poderia levar a uma derrota emblemática para o governo.

Como pai, Jair Bolsonaro dispensou a Eduardo Bolsonaro um tratamento comparável ao de uma personagem de ficção criada pelo escritor gaúcho Josué Guimarães —uma mulher que diminuía diariamente de tamanho. Os familiares se esforçavam para que ela não percebesse o próprio encolhimento. Rebaixavam os móveis, serravam os pés de mesas e cadeiras. A diferença no caso de Bolsonaro é que ele rebaixa a estatura do seu filho Zero Três sem adaptar a mobília.

Ao sinalizar a intenção de nomear o filho para a principal embaixada do Brasil no exterior, Bolsonaro direcionou os refletores do país para os calcanhares de Eduardo. Verificou-se que sua única qualificação visível para o exercício da função era a autoproclamada habilidade para fritar hambúrgueres. O risco de o Senado rejeitar a indicação nunca foi negligenciável. Cresceu muito depois que a crise que Bolsonaro provocou no PSL reduziu o tamanho de Eduardo também no seu próprio partido.

Com toda a pressão do pai, Eduardo virou um líder de meia bancada, escorado numa lista precária. Afora a crise política interna, a família Bolsonaro arrostou um dissabor externo. Donald Trump ensinou aos Bolsonaro que, em diplomacia, fala mais alto o interesse, não o amor. Esse ensinamento foi ministrado quando a Casa Branca, contrariando as expectativas do Planalto, avalizou as candidaturas da Romênia e da Argentina na OCDE, deixando o Brasil na fila.

Foi nesse contexto que Bolsonaro decidiu recuar no plano de fazer do filho um embaixador. Fez isso por duas razões: 1) Não dispunha de votos suficientes no Senado. "Não estava nada garantido", admitiu o capitão; 2) A reprovação seria uma derrota do presidente, não do filho. Nada a ver, portanto, com "pacificação" do PSL ou qualquer outra desculpa esfarrapada.

De duas, uma: ou Bolsonaro para de envolver o filho em suas artimanhas ou Eduardo, já diminuto, terá de dormir numa caixa de fósforos.

Por Josias de Souza

O presidente Jair Bolsonaro voltou a apontar o diplomata Nestor Forster como “um bom nome” para o cargo de embaixador do Brasil no Estados Unidos. Mencionado diversas vezes como o mais cotado ao cargo, ele foi promovido a ministro de primeira classe, topo de sua carreira, com intuito de que assumisse o posto, em junho, por indicação do chanceler Ernesto Araújo e com o aval do presidente da República.

Conservador e alinhado ideologicamente com o presidente, o diplomata está por trás de alguns encontros do governo. Amigo de longa data de Olavo de Carvalho, foi o responsável por articular a primeira reunião entre Araújo, colega de profissão, e o polemista, na casa do escritor nos Estados Unidos. Por sua vez, Olavo que indicou a Bolsonaro o nome do mais novo aliado para assumir o Itamaraty, como mostrou a Época.

Segundo a revista, foi também Forster – por sua ligação com o conservadorismo americano – que providenciou a palestra do chanceler na Heritage Foundation em Washington, ocorrida em setembro. Ele também estava presente no jantar fora da agenda oficial do ministro com Steve Bannon, ex-estrategista e atual desafeto de Donald Trump.

Como articulador, o diplomata também esteve por trás do encontro de Bolsonaro com o presidente dos EUA em março deste ano, na Casa Branca, em Washington. A última viagem pelo Ministério dos Relações Exteriores de Forster foi à Nova York, para integrar a delegação presidencial rumo à 74ª Assembleia-Geral da ONU.

Por BRP

Pouco antes de desistir ocupar o cargo de embaixador em Washington, Eduardo Bolsonaro protagonizou uma cena em Brasília digna de filme – ou de meme. Após breve comentário sobre o Foro de São Paulo, o líder do Partido Social Liberal (PSL) na Câmara se empenhou bastante em fugir de jornalistas que o abordaram. Ele correu (muito) por três anexos da Câmara, esbarrou em pessoas e, no meio da “fuga desenfreada”, seu segurança deixou um celular cair pelo caminho. “Uma palavrinha, líder?”, um repórter chega a pedir, mas não é respondido pelo deputado. Eduardo só parou de correr após descer as escadas de acesso ao Anexo 4. Usuários de redes acharam a situação, além de inusitada, familiar. Há quatro anos, a repórter Renata Costa, da TV Anhanguera (afiliada da Globo em Goiás), protagonizou um viral ao correr por um quadra inteira enquanto chamava sua entrevistada: “Senhora? Senhora?”. A jornalista investigava uma denúncia de que funcionários da Assembleia Legislativa goiana só apareciam para bater o ponto, sem trabalhar.

ESCULHAMPAÇÃO CARIOCA

Ao abrir as celas de cinco deputados estaduais presos há quase um ano, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro integrou-se ao esforço nacional para a retomada no Brasil da rotina de descaramento. O legislativo fluminense agiu com o beneplácito do Supremo Tribunal Federal. Com a Lava Jato em declínio, a imunidade parlamentar voltou a ser sinônimo de impunidade. (assista ao comentário abaixo)

DEPOIS DA PREVIDÊNCIA

Como já era esperado, o texto-base da reforma da Previdência foi aprovado em segundo turno pelo Senado. Foram 60 votos favoráveis e apenas 19 contrários. Segundo o Estadão, o resultado não chegou a ser muito comemorado por aliados do governo e defensores das mudanças nas aposentadorias dos brasileiros: eles temiam a votação dos destaques ao texto, que acabou sendo adiada para hoje. A questão é a tal ‘economia’ gerada pela reforma, que está em R$ 800,3 bilhões em dez anos. Se aprovados, os destaques podem impactar esse número em menos R$ 76,5 bi. Os impactos verdadeiramente graves, na população mais pobre, serão sentidos a seu tempo…

Paulo Guedes também não foi efusivo. Para o ministro da Economia, o impacto fiscal da reforma foi “o possível”. E afirmou que vai enviar o projeto do ‘pacto federativo’ na semana que vem ao Congresso Nacional. Serão, ao todo, três propostas de emenda à Constituição: uma para alterar a regra de ouro do orçamento federal, outra para desvincular despesas (como com saúde e educação) e a última para estabelecer medidas de ajuste fiscal para estados e municípios, vendidos como os grandes beneficiários das mudanças (daí o nome pacto federativo). Bolsonaro, por seu turno, quer que o governo centre esforços na reforma administrativa que vai mudar a carreira dos servidores públicos. 

No Senado, resta ainda a PEC que trata de temas complementares à Previdência, como a inclusão de estados e municípios na reforma. A estratégia foi usada pelo relator da matéria na Casa, Tasso Jereissati (PSDB-CE), para que o texto não tivesse de voltar para a Câmara. E um dos elefantes na sala é a taxação de entidades filantrópicas – assunto que divide o governo. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defende isenção irrestrita, informa a coluna Painel, da Folha. Já Paulo Guedes advoga pela contribuição. Jereissati pretende apresentar um projeto de lei complementar só sobre o assunto. Ele deve separar as entidades que atendem público de alto poder aquisitivo das assistenciais (a ver se Albert Einstein e Sírio Libanês serão prejudicados pelo senador tucano). E quer evitar que as que não são nem sequer filantrópicas usufruam da baixa tributação.

E a quase silenciosa reforma dos militares também será votada pela comissão especial da Câmara nesta quarta. O texto trata da aposentadoria dos profissionais das Forças Armadas, PMs e bombeiros.

Por Outra Saúde

CHINA CAPITALISTA

Ao chegar a Pequim, capital da China, seu segundo destino asiático, uma das primeiras declarações do presidente Jair Bolsonaro foi dizer que estava em um país “capitalista”. O comentário do brasileiro ocorre no mês em que a República Popular da China completa 70 anos da Revolução Comunista. A declaração de Bolsonaro foi feita após ser questionado por jornalistas sobre a pressão de parte do seu eleitorado para que explique o motivo da sua presença em um país comunista.

No início do ano, quando uma comitiva de parlamentares do PSL, partido de Bolsonaro, visitou o país, o escritor Olavo de Carvalho foi um dos principais críticos e chegou a afirmar que os viajantes eram “semianalfabetos” por estarem em um país comunista. Apesar das críticas feitas à China durante o período de campanha, Bolsonaro destacou que há interesse por parte dos dois países em ampliar a relação comercial entre eles. “Essa é a prioridade número um”, afirmou.

Bolsonaro participou da cerimônia de entronização do imperador Naruhito e se reuniu com o premiê local, Shinzo Abe. Seu traje durante o evento foi alvo de galhofas.

AINDA O DIA DO FOGO

Depois de 50 dias presos, acusados de participação no ‘Dia do Fogo’ – as queimadas criminosas no Pará que triplicaram os focos de incêndio entre os dias 10 e 11 de agosto –, finalmente três trabalhadores rurais sem-terra foram soltos. A prisão ia na contramão da principal linha investigativa da Polícia Federal e da Polícia Civil, que aponta como principais suspeitos fazendeiros, madeireiros e empresários da região. Mas a defesa da soltura na verdade não levou isso em consideração. Segundo a Repórter Brasil, a juíza Sandra Maria Correia da Silva “argumentou que os sem-terra estavam presos sem julgamento há demasiado tempo, que tinham bons antecedentes e que dois deles sofrem com doenças crônicas”.

Na véspera da decisão, a Polícia Federal fez buscas e apreensões na casa e no escritório do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso, Agamenon Menezes, e de outros três suspeitos. Segundo os investigadores, os responsáveis chegaram a fazer vaquinha para pagar o combustível usado nas chamas. Eles também contrataram motoqueiros para entrarem nas estradas próximas à floresta espalhando o líquido inflamável. 

Enquanto isso, grupos indígenas lutam por suas terras depois dos incêndios. Há relatos e fotos bem tocantes na Vice

SEM DESCULPAS

As manifestações no Chile já duram uma semana e o presidente Sebastián Piñera apresentou na terça um pedido de desculpas por “falta de visão”, anunciando algumas medidas: incremento às aposentadorias, teto para os gastos com saúde pelas famílias (o que ultrapasse o teto será coberto pelo Estado), redução nas tarifas de energia elétrica e aumento dos impostos para os ricos. Não adiantou: sindicatos e movimentos sociais convocaram uma greve geral para ontem e hoje, repudiando a decisão do presidente de declarar estado de emergência e recorrer aos militares para conter os protestos. Já houve milhares de detidos, além de mais de 200 de hospitalizados. O número de mortos chegou a 18, incluindo uma criança de quatro anos.

Embora as demandas tenham começado com o aumento do preço do metrô, o protesto não era “só por 30 pesos”. A principal reclamação diz respeito às aposentadorias reduzidas do sistema de capitalização idealizado nos anos 1980. No Brasil, esse sonho de Paulo Guedes acabou não entrando no texto aprovado pelo Senado, mas ainda está na mira do ministro e pode vir a vingar por outros meios. “No Chile, os resultados desastrosos da capitalização individual começaram a ser sentidos nos últimos anos, quando a primeira geração que contribuiu integralmente no sistema adotado em 1981 começou a se aposentar (…). Muitos deles passaram boa parte da vida em empregos mal pagos ou informais, como reflexo da flexibilização das leis trabalhistas promovida pela ditadura, e hoje oito em cada dez pensionistas chilenos recebem abaixo do salário mínimo nacional”, explica Mauricio Brum, no Intercept. Bem abaixo do salário mínimo, por sinal: em média, metade dele.

Já na saúde, “apenas 20% dos chilenos têm um plano privado, mas, mesmo para a maioria da população que não pode ou não quer mantê-los, há mensalidade para se utilizar o Fonasa, o mais próximo que o país tem de um SUS, criado pelo regime Pinochet em 1979 – um desconto fixo de 7% do salário, mais um valor pago por consulta ou procedimento, de acordo com a faixa de renda do usuário. A menos que o chileno viva em estado de pobreza extrema, única situação em que a lei garante isenção (e também o atendimento mais precário, reproduzindo a desigualdade), é preciso sempre passar pelo caixa do hospital”.

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Ipsos mostra que 67% dos entrevistados “se cansaram de suas condições de vida nas áreas econômica, de saúde e aposentadoria, que consideram desiguais e injustas“.

RECADO DO DITADOR

O presidente Jair Bolsonaro diz ter alertado o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobre a necessidade de monitorar a possibilidade de que protestos como os que sacodem o Chile ocorram também no Brasil. Bolsonaro afirmou que é preciso estar atento para que o País não seja pego de surpresa por protestos como os que ocorreram no passado. “Nós nos preparamos. Conversei com o ministro de Defesa (Fernando Azevedo) sobre a possibilidade de ter movimentos como tivemos no passado, parecidos como o que está acontecendo no Chile”, disse. Segundo Bolsonaro, em caso de distúrbios poderia ser usado o artigo 142 da Constituição, “que é pela manutenção da lei e da ordem, caso eles (integrantes das Forças Armadas) venham a ser convocados por um dos três Poderes”. Ele afirmou que o Chile está em “ebulição” e que petistas como o senador Humberto Costa (PE) estimulam as massas para o confronto.

O ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, também usou a situação nos países vizinhos para alertar para riscos para o Brasil. “Na América do Sul estamos vivendo um momento difícil em que a esquerda radical, desesperada com a perda de poder, vai jogar todas as suas fichas na mesa para conturbar a vida dos países sul-americanos e tentar retornar ao poder de qualquer maneira e nos jogar no abismo que nós paramos na porta”, afirmou o general.

Por Vera Magalhães

MACARTHISMO MINEIRO

Pais de alunos do nono ano do ensino fundamental da Escola Municipal Sócrates Mariani Bittencourt, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, denunciaram uma professora de história do colégio por ter aplicado em sua prova charges e reportagens sobre posições polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A reclamação chegou ao deputado Estadual Bruno Engler (PSL), que encaminhou ao diretor da unidade um ofício que o obrigava a tomar medidas sobre o caso.

A docente Adriene Gomes aplicou uma prova em março com duas charges e uma matéria do jornal “O Globo”, publicada em 7 de julho do ano passado. O texto traz falas dele sobre a ditadura militar, o Estatuto do Desarmamento e a privatização dos setores de energia e petróleo. Na prova, Adriene propõe que os alunos produzam um texto dissertativo que relacione o conceito de “pós-verdade” com a negação do golpe de 1964.

A docente diz que vai processar o parlamentar. Ela publicou um vídeo em suas redes sociais relatando a denúncia do deputado Bruno Engler (PSL). Confira:

ESCOLA SEM PARTIDO, SEM DEBATE SEM NOÇÃO...

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo, concedeu uma liminar (íntegra aqui) suspendendo os efeitos dos artigos 2º, caput, e 3º, caput, da Lei 3.491, de 28 de agosto de 2015, do Município de Ipatinga. Atendeu a pedido da Procuradoria Geral da República, que recorreu ao Supremo com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. E o que define a lei impugnada? Dá vergonha até de transcrever. Lá vai:

"[as escolas não podem] adotar, nem mesmo sob a forma de diretrizes, nenhuma estratégia ou ações educativas de promoção à diversidade de gênero, bem como não poderá implementar ou desenvolver nenhum ensino ou abordagem referente à ideologia de gênero e orientação sexual, sendo vedada a inserção de qualquer temática da diversidade de gênero nas práticas pedagógicas e no cotidiano das escolas."

Trata-se de uma das patuscadas fascistoides do tal movimento "Escola Sem Partido".

Num despacho de 22 páginas, Mendes dá uma verdadeira aula sobre democracia, tolerância e respeito à diversidade. Escreve:

"deve-se vislumbrar a igualdade não apenas em sua dimensão negativa, de proibição da discriminação, mas também sob uma perspectiva positiva, de modo a promover a inclusão de grupos estigmatizados e marginalizados".

A lei do município de Ipatinga ofende:

A – a Artigo 22, Inciso XXIV, em combinação com o Artigo 24, Parágrafo 1º, da Constituição, que estabelece ser de competência privativa da União a edição de normas sobre diretrizes e bases da educação nacional. Estados e municípios podem cuidar de legislação específica, desde que não agrida a norma constitucional;

B – a Lei Federal 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que define no Artigo 3º:
O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
(…)
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;

C – Artigo 206 da Constituição: O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: […]
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

O ministro cita ainda robusta jurisprudência da própria corte que impede que se imponham restrições dessa natureza à educação. Mendes lembra tratados, convenções e diplomas internacionais, de que o Brasil é signatário, que vedam a discriminação, além, como é evidente, da Constituição:

A: DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Artigo I: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade;
Artigo II: Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição;

B: CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS
Artigo 1: Obrigação de respeitar os direitos. Os Estados Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social;.

C:  PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS
Artigo 26: Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito, sem discriminação alguma, a igual proteção da Lei. A este respeito, a lei deverá proibir qualquer forma de discriminação e garantir a todas as pessoas proteção igual e eficaz contra qualquer discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação;

D: PRINCÍPIOS DE YOGYAKARTA
Princípio 1 – DIREITO AO GOZO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Os seres humanos de todas as orientações sexuais e identidades de gênero têm o direito de Desfrutar plenamente de todos os direitos humanos. […];

Princípio 2 – DIREITO À IGUALDADE E À NÃO DISCRIMINAÇÃO: Todas as pessoas têm o direito de desfrutar de todos os direitos humanos livres de discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero. Todos e todas têm direito à igualdade perante à lei e à proteção da lei sem qualquer discriminação, seja ou não também afetado o gozo de outro direito humano. A lei deve proibir qualquer dessas discriminações e garantir a todas as pessoas proteção igual e eficaz contra qualquer uma dessas discriminações;

E – CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Artigo 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)

Trata-se de uma decisão exemplar. Chegou a hora de pôr fim a delírios fascistoides dessa natureza. Agridem o fundamento civilizatório que alicerça a democracia brasileira. E que precisa, cada vez mais, ser vivenciado na prática.

Por Reinaldo Azevedo

CHAVE DO COFRE

Eduardo Bolsonaro é, ao menos no momento, o líder do PSL na Câmara dos Deputados. Mas a “guerra civil” do partido está longe de terminar. Pelo contrário. A batalha, até então resumida aos gabinetes do PSL, deve ser levada pelo momentaneamente ex-líder Delegado Waldir para a CPMI das Fake News, um dos redutos “hostis” ao governo no Congresso. Mais do que isso, Waldir diz que não vai poupar ninguém.

Por Gustavo Zucchi

Deputados e senadores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aprovaram a convocação de três assessores do presidente Jair Bolsonaro do chamado “gabinete do ódio”, que cuida das redes sociais da Presidência: Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz, informa o Estadão. Além da trinca também já foram convocados o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, e o assessor especial da Presidência, Felipe G. Martins. A convocação coincide com a representação apresentada pelo PSOL à Procuradoria-Geral da República, nesta quarta, 23, para que se investigue a disseminação de notícias falsas.

Também está na lista de convocados a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que confirmou na segunda, 21, a existência de uma milícia virtual de ataques coordenados a desafetos do presidente da República. Segundo ela, Carlos e Eduardo Bolsonaro comandam uma rede de 1,5 mil perfis falsos para disseminação de notícias difamatórias.

POR CIMA DO MEU TÚMULO

Com seu nome constantemente sendo especulado como possível candidato ao Palácio do Planalto em eleições futuras, o ministro Sérgio Moro rejeitou a possibilidade durante o “Brazil Summit 2019”, evento organizado pela revista The Economist, em São Paulo. “Vou colocar até no meu túmulo que não serei candidato”, disse o ex-juiz da Lava Jato. “Eu sou um peixe fora d’água dentro da política”, afirmou Moro. Em recentes pesquisas de popularidade, o atual titular da pasta da Justiça foi melhor avaliado que o presidente Jair Bolsonaro. A cisão do PSL também colaborou, já que Moro poderia ser uma alternativa da sigla ao Planalto em 2022 caso Bolsonaro deixa a legenda.

RIQUINHOS

Se os Bolsonaro tivessem guardado, ao longo da vida, 100% de seus salários, soma ainda seria menor do que o patrimônio. É o que diz o jornalista Reinaldo Azevedo. Leia a matéria.

REBELDES

"Precisamos recuperar o espírito rebelde do povo". Foi o que disse o ex-presidente Lula, em entrevista ao Brasil de Fato.

BOI DE PIRANHA

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha completou nesta semana três anos na prisão. Em uma carta às filhas, ele listou as angústias vividas nesses 1.095 dias no cárcere. Depois de ver fracassar uma tentativa de delação e de colher uma série de fracassos nos tribunais, Cunha diz que foi escolhido pela Lava-Jato e pela Justiça para ser o “boi de piranha” do escândalo de corrupção na Petrobras. “O garantismo não pode ser sujeito a ponto que escolham quem está morto para ser enterrado e quem está vivo para ser salvo. A lei tem de ser para todos. Não Podemos esquecer que quando o boi de piranha é comido, é porque a boiada já passou”, escreve Cunha. Para o emedebista, as decisões da Justiça sobre o seu caso são sempre influenciadas por seu passado político. “Até quando vão continuar lembrando que o meu nome consta na capa dos processos?”, questiona.

MUITO MENTIROSO

Em pouco mais de dez meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro já deu 400 declarações falsas ou distorcidas, uma média de 1,4 por dia. De um total de 702 falas do presidente analisadas por Aos Fatos desde janeiro, 57% tinham informações enganosas ou imprecisões e 43% eram verdadeiras (302). Bolsonaro errou mais durante entrevistas do que em transmissões ao vivo ou em publicações nas redes sociais. Já os temas mais abordados por ele no período foram economia e meio ambiente. Confira AQUI.

PRESCREVEU

Demora na justiça fez prescrever ação que investigava Edir Macedo por lavagem de dinheiro. Além do bispo da Igreja Universal, ação do MPF investigava outras três pessoas; processo estava pronto para ter uma sentença desde 2018, o que não aconteceu. É o que mostra reportagem publicada pela agência Agência Pública.

AULA DE TORTURA

“Bandido ferido é inadmissível chegar vivo ao pronto-socorro. Só se você for um policial de merda. Você vai socorrer o bandido, como?! Com esta mão, você vai tampar o nariz e, com esta, a boca. É assim que você socorre um bandido”. Assim explica Norberto Florindo Júnior, ex-capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo e advogado, em vídeo no qual ensina métodos de tortura e execução no curso da AlfaCon para pessoas que prestam concursos da PM.

DELEGADO COMUNISTA

O delegado responsável por chefiar as investigações sobre candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais, caso que envolve a suspeita de caixa dois na campanha do ministro do Turismo de Jair Bolsonaro (PSL), Marcelo Álvaro Antônio, informou à Polícia Federal que deseja deixar todas as apurações que se desdobraram da denúncia inicial. Informação é de Daniela Lima, da Folha de S.Paulo. O policial teria solicitado transferência para a área administrativa da PF. Durante as investigações, ele chegou a ser grampeado por advogados, e os áudios depois foram usados em um vídeo que circulou nas redes acusando-o de ser “comunista”.

O caso das candidaturas de laranjas veio à tona depois que Haissander Souza de Paula, ex-assessor parlamentar do ministro, disse em depoimento à PF que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”. O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais no começo do mês, sob acusação dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa —com pena de cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente. Ele nega irregularidades.

VERÃO PASSADO

A revista Istoé estampa na capa desta semana uma foto do presidente Jair Bolsonaro acompanhado dos três filhos. A chamada diz: “O que eles fizeram no verão passado”. A reportagem se dedica a trazer à tona o que chama de “as falcatruas do clã Bolsonaro” e mostra que a teia de interesses na qual a família está envolvida vai muito além do PSL.

Entre elas, está o uso de dinheiro público para pagar as passagens da lua de mel do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para as Ilhas Maldivas, uma espécie de “rachadinha” que o 03 teria feito com os salários da advogada do PSL, a confirmação da existência do “gabinete da raiva“, além de revelar que o carro blindado do deputado é pago com os recursos públicos do fundo partidário.

Sobre o partido, a reportagem também cita a distribuição de cargos para os aliados que em meio à brigalhada escolheram ficar no lado bolsonarista. E aponta o olho grande dos Bolsonaro em ter o controle sobre o fundo partidário de R$ 150 milhões anuais e de um fundo eleitoral estimado em R$ 500 milhões para os pleitos de 2020 e de 2022, quando Bolsonaro já afirmou que pretende ser candidato à reeleição.

Por BR Político

FRASES DA SEMANA

“Minha guerra com Bolsonaro será sem sentimentos até o fim. Meu nojo, desprezo e ódio por ele são tão grandes que vale até o Lula solto para criar um clima de radicalismo no Brasil”. (Alexandre Frota, deputado federal eleito pelo PSL de Sao Paulo que migrou para o PSDB) 

Nós devemos um julgamento justo a Lula. […] A impressão é de que houve uma série de idiossincrasias no julgamento que o condenou”. (Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal) 

“Se você fizer a votação secreta não dá ele. Se você fizer a votação aberta não dá ele. Se você botar um cone para disputar vai dar o cone”. (Major Olímpio, líder do PSL no Senado)

“Há pessoas de louvável formação e conhecimento jurídico que já defenderam que podia, que não podia, que podia e que não pode”. (Luís Roberto Barroso, ministro do STF, em estocada no colega Gilmar Mendes que já mudou de posição várias vezes sobre a prisão em segunda instância) 

“Goste eu ou não, esta é a escolha político-civilizatória manifestada pelo poder constituinte. Não reconhecê-la importa reescrever a Constituição para que ela espelhe o que gostaríamos que dissesse.” (Ministra Rosa Weber, ao votar contra a prisão em segunda instância) 


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