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Domingo 17.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Legislativo

Pesquisador do INPE diz que MS é uma caixa de fósforos quando se discute registros de incêndios

Comitê alerta que ano nem terminou e já registra o dobro de registros de queimada na Capital

Postado em 22 de Outubro de 2019 - Redação Semana On

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Mato Grosso do Sul está entre os três estados brasileiros com maior potencial de focos de calor, principalmente nos meses de estiagem. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) desde 1973, Natálio Abrahão Filho compara MS a uma caixa de fósforos, ou seja, em potencial estado de alerta para a qualquer momento ter grandes incêndios florestais. O pesquisador participou do seminário Direto ao foco – queimadas, meio ambiente e políticas públicas, que foi realizado no dia 18 de outubro, na Câmara Municipal de Campo Grande.

Junto com Minas Gerais e Mato Grosso, o meteorologista destaca que Mato Grosso do Sul apresentou entre 2013 e 2019 60% de potencialidades do fator queimadas. Natálio Abrahão pontuou que desde 2013 MS não registra menos do que 100 mil focos de incêndios/ano. Para ele, as políticas de controle não estão sendo eficazes.

Conforme levantamento do INPE, o Brasil registrou até o dia 14 de outubro 153.948 focos de calor, sendo 45,2% na Amazônia e 36,6% no Cerrado, este com 54.744 registros. Vele lembrar que maior parte do Mato Grosso do Sul é coberto por Cerrado, que é um dos biomas menos protegidos no Brasil.

O pesquisador fez alerta sobre o período chuvoso que se avizinha no Estado, com vários locais registrando chuvas com consequências graves, devido carga provocada por queimadas nos últimos meses. ‘Como ocorreram muitas queimadas e menos chuva o resultado pode se resumir em perigo!’, disse durante o seminário.

O meteorologista destaca que depois de cinco dias sem chuva cai 20% o teor de água no solo e as plantam entram em estado de reserva de água. ‘No sexto dia está pronto para queimadas e quem pratica sabe disto. Não existe fogo espontâneo. De 100 testes que fizemos um gerou fogo. Então, a mão humana é a geradora de fogo’, frisa.

Além de apresentar levantamentos técnicos sobre a incidência de incêndios no País, o pesquisador também fez um alerta sobre os danos humanos que esta prática traz. ‘A carga térmica que se expõem os bombeiros na hora de apagar o fogo é enorme. É um dano humano muito grande’, alertou na tentativa de chamar a atenção de quem ateia fogo para pensar nos danos ambientais, sociais e humanos, além dos gastos do poder público no empenho de combate.

Alta nos registros

Até o mês de setembro Campo Grande teve 4.398 registros de incêndio em vegetação, que foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros. Nos 12 meses de 2018 o total de registros foi de 2.395. Os dados foram apresentados durante o seminário Direto ao Foco – queimadas, meio ambiente e políticas públicas, no dia 18 de outubro, na Câmara Municipal de Campo Grande.

O levantamento foi apresentado pelo Comitê Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos, que é composto por 17 entidades como a Câmara Municipal de Campo Grande, por meio do mandato do vereador Eduardo Romero (Rede), Planurb, Semadur, Sisep, PMA, Imasul, PRF, Semed, entre outros. Vinícius Zanardo, que representou o Comitê durante o seminário, destacou que em a região com maior incidência de focos de calor é a do Bandeira, com 927 atendimentos este ano. A segunda com maior registro é a do Anhanduizinho com 764 ocorrências atendidas.

Com tantos registros de incêndios em vegetação surge a preocupação sobre os danos causados ao meio ambiente e também aos moradores que têm contato com o material resultante da queima. De acordo com o Comitê, em 2018 foram quase 60 mil atendimentos médicos por problemas respiratórios, sendo 15.829 só na região do Bandeira.

Seminário

O seminário foi promovido pelo movimento Acredito, Frente Parlamentar de Vereadores Ambientalistas, que é coordenado nacionalmente pelo vereador por Campo Grande, Eduardo Romero; Comitê Municipal de Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos de Campo Grande, com apoio da Câmara Municipal de Campo Grande, Prefeitura de Campo Grande e Assembleia Legislativa.

Durante o seminário, além de dados municipais, foi apresentado um panorama estadual e nacional das incidências de focos de calor. No Estado, os incêndios urbanos e florestais aumentaram 303% este ano, em 10 meses, quando comparados com o mesmo período do ano passado.

Confira AQUI apresentação feita pelo Comitê durante o seminário.


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