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Sexta-Feira 14.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Poder

Olavo de Carvalho conclama ditadura Bolsonaro e milicianos virtuais já pedem novo AI-5

General Villas Bôas volta a fazer ameaças veladas contra a democracia

Postado em 17 de Outubro de 2019 - Redação Semana On

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O guru Olavo de Carvalho determinou uma nova frente de batalha nas redes sociais e pregou uma ditadura militar comandada por Jair Bolsonaro na madrugada da última quarta-feira (16) pela sua conta no Twitter. “Só uma coisa pode salvar o Brasil: a união indissolúvel de povo, presidente e Forças Armadas”, escreveu em sua rede social.

A convocação, no entanto, parece ter chegado antes aos comandantes da milícia virtual. No último dia 15, Allan dos Santos, principal líder dos doutrinados olavistas nas redes sociais, afirmou que “o povo” quer um novo AI-5, referindo-se ao Ato Institucional instituído em 13 de dezembro de 1968 pela ditadura, que resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções e a suspensão de garantias constitucionais que resultaram na institucionalização da tortura pelo Estado.

“O establishment quer ver Bolsonaro repetindo o AI-5, mas o que vejo é o povo querendo um novo AI-5 e ai de Bolsonaro caso tente parar o povo. Será varrido junto. Não há UM brasileiro que aceitará, caso a decisão do STF seja soltar os CRIMINOSOS EM MASSA. Lava Jato regnat”, escreveu Allan dos Santos, referindo-se ao julgamento pelo STF da constitucionalidade de prisão em segunda instância.

General de pijama

Às vésperas do início do julgamento que decidirá pelo mérito da prisão após condenação em segunda instância, o ex-comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, postou em seu Twitter uma mensagem enigmática, mas com aparente endereço definido. De modo semelhante ao que fez quando o Supremo julgou um habeas corpus do ex-presidente Lula, Villas Bôas pediu a manutenção da “energia” que move o País em direção a “paz social” para evitar uma “convulsão social”.

Em abril de 2018, às vésperas da Corte se reunir para julgar um HC de Lula, o general escreveu: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?” Posteriormente, em entrevista para a Folha, ele admitiu que pretendia “intervir” caso o STF soltasse Lula. Na última quarta (16), o general recebeu uma visita de Jair Bolsonaro. Oficialmente, a visita foi de cortesia após o militar receber alta do hospital, já que ficou internado quase por uma semana por conta de um problema respiratório.

Dois ministros do Supremo falaram em off com jornalistas. Um considerou normal. "Ele já não comanda o Exército. Tem o direito de se manifestar como qualquer cidadão". Outro tachou de "absurdo" o tuíte do general. "É uma tentativa bisonha de interferir no resultado do julgamento. O pior é que se trata de uma reincidência. O general parece não ter aprendido nada com a admoestação do decano Celso de Mello, o que é lamentável".

Villas Bôas é assessor do amigo e também general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Na abertura de sua nova manifestação, o ex-comandante do Exército evocou um personagem caro aos ministros do Supremo: Rui Barbosa. Tomou de empréstimo sua frase mais célebre: "De tanto ver triunfar a nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".

O general encerrou o texto com uma espécie de exortação aos ministros do Supremo, seguida de previsão de mau agouro: "É preciso manter a energia que nos move em direção à paz social, sob pena de que o povo brasileiro venha a cair outra vez nodesalento e na eventual convulsão social". Antes da assinatura, Villas Bôas  escreveu: "Com todo o respeito."


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