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Quinta-Feira 16.jul.2020

Ano VIII - Nº 401

Coluna

Sangue Indígena

A liberdade é uma luta constante

Postado em 16 de Outubro de 2019 - Ricardo Moebus

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Existe uma máxima do saber difuso que diz, tristemente: “No Brasil, todo mundo tem sangue de índio entre os antepassados, uns nas veias, outros nas mãos”.

O Movimento Indígena, capitaneado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), em parceria com diversas organizações da sociedade civil, como “Mídia Ninja e outras, disparou no último dia 17, a caravana “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais”, que irá até 20 de novembro.

Lideranças indígenas brasileiras começaram a percorrer 12 países da Europa denunciando as graves violações deste atual governo federal contra os povos indígenas e o meio ambiente do Brasil.

Entre os países previstos na rota estão Itália, Vaticano, Alemanha, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda, França, Reino Unido, Suíça, Portugal e Espanha.

A jornada visa sensibilizar lideranças internacionais e chamar a atenção da opinião pública mundial para o etnocídio, genocídio e ecocídio que ocorre neste momento no Brasil, buscando promover medidas que pressionem o Governo brasileiro a cumprir os acordos de preservação do meio ambiente e respeito aos direitos dos povos indígenas, dos quais o Brasil é signatário, como por exemplo, o Acordo de Paris, a Convenção 169 - que garante Consulta Livre, Prévia e Informada - e a Declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas.

Nesta agenda, as lideranças visitarão autoridades e lideranças políticas e religiosas, deputados do Parlamento Europeu, Órgãos de Cooperação Internacional, empresários, tribunais internacionais, universidades, ativistas, ambientalistas, artistas e influencers em todos os países.

A comitiva é composta pelas seguintes lideranças:

Sonia Guajajara,

Sua militância em ocupações e protestos começou na coordenação das organizações e articulações dos povos indígenas no Maranhão (COAPIMA) e levou-a à coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), antes disso ainda passou pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB). Participa também do Conselho Consultivo da iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais no Brasil. Foi a primeira mulher indígena candidata a vice-presidenta do Brasil, nas últimas eleições de 2018.

Alberto Terena,

Representante do Conselho Terena e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), denunciando a violência no campo e o processo sistêmico de criminalização de lideranças indígenas no Brasil

Angela Kaxuyana,

Coordenadora Tesoureira da Coordenação das Organizações dos Indígenas Amazônia Brasileira (COIAB), participando ativamente da luta pela retomada da Terra Indígena Katxuyana-Tunayana-Oriximiná.

Célia Xakriabá,

Ativista indígena do povo Xakriabá de Minas Gerais, vem militando pela retomada do protagonismo das mulheres indígenas em todos os espaços institucionais e pela reestruturação do sistema educacional.   

Dinaman Tuxá,

Coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), advogado da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).

Elizeu Guarani Kaiowá

Importante líder do Povo Guarani Kaiowá. Em sua luta pelos direitos de seu povo foi processado pelos fazendeiros, ameaçado de morte, escapou de tiros em algumas emboscadas e não pode mais voltar para sua aldeia, onde deixou sua família. De 2003 a 2013, 15 lideranças indígenas foram assassinadas na região do povo Guarani Kaiowá.

Kretã Kaingang:              

Originário da Terra Indígena Mangueirinha, interior do Paraná, constantemente ameaçada e cobiçada por madeireiros.

É um dos fundadores da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e do Acampamento Terra Livre (ATL), que é hoje o grande fórum do Movimento Indígena brasileiro.

Desde a campanha “Janeiro Vermelho” deste ano de 2019, a APIB já havia lançado o lema “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais”, que agora se converteu em uma caravana de lideranças indígenas, em busca de solidariedade e apoios internacionais que possam fazer frente à barbárie nacional estabelecida como política pública federal.

Desde janeiro deste ano é evidente a intensificação e diversificação das agendas de todo o movimento indígena brasileiro, que tem feito sua parte na defesa da vida e da biopsicossociodiversidade, uma agenda de luta contínua e permanente de Re-existência, em total sintonia com Angela Davis:

“A liberdade é uma luta constante”

“Eu não estou mais aceitando as coisas que eu não posso mudar. Eu estou mudando as coisas que eu não posso aceitar”


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