Semana On

Sábado 23.nov.2019

Ano VIII - Nº 373

Coluna

A insônia dos generais de pijama

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 16 de Outubro de 2019 - Victor Barone

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Às vésperas do início do julgamento que decidirá pelo mérito da prisão após condenação em segunda instância, o ex-comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, tirou o pijama e postou em seu Twitter uma mensagem enigmática, mas com aparente endereço definido. De modo semelhante ao que fez quando o Supremo julgou um habeas corpus do ex-presidente Lula, Villas Bôas pediu a manutenção da “energia” que move o País em direção a “paz social” para evitar uma “convulsão social”.

Em abril de 2018, às vésperas da Corte se reunir para julgar um HC de Lula, o general escreveu: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?” Posteriormente, em entrevista para a Folha, ele admitiu que pretendia “intervir” caso o STF soltasse Lula.

Por BR Político

Dois ministros do Supremo se manifestaram em off. Um considerou normal. "Ele já não comanda o Exército. Tem o direito de se manifestar como qualquer cidadão". Outro tachou de "absurdo" o tuíte do general. "É uma tentativa bisonha de interferir no resultado do julgamento. O pior é que se trata de uma reincidência. O general parece não ter aprendido nada com a admoestação do decano Celso de Mello, o que é lamentável".

A nova intimidação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pode ter efeito reverso na corte, segundo os próprios ministros, que devem iniciar nesta quinta-feira o julgamento sobre a constitucionalidade da prisão em segunda instância. Segundo informações da coluna painel, da jornalista Daniela Lima, na Folha de S.Paulo, desta vez, a chance de a pressão surtir efeito contrário é grande.

Somente Jair Bolsonaro e o general Eduardo Villas Bôas sabem que acertos fizeram quando o primeiro era candidato à vaga de Michel Temer, e o segundo, Comandante do Exército. Neste governo, o general da reserva é assessor do Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República. Ao empossa-lo, Bolsonaro emitiu todos os sinais de que lhe é grato. Grato por quê? Talvez porque Villas Bôas respaldou sua candidatura à reboque de generais e de soldados que já apoiavam Bolsonaro. Cada quartel foi uma célula do bolsonarismo

Ao Supremo, o que lhe cabe, nada a mais ou a menos. No seu artigo 102, a Constituição diz que compete ao Supremo, “precipuamente, a guarda da Constituição”. É ele que a aplica. O artigo 2 diz: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Harmônico tem a ver com entendimento, não com submissão.

Por três vezes de 2016 para cá, o Supremo entendeu por um único voto de diferença que réu condenado em segunda instância poderia ser preso, não obrigatoriamente seria preso. Com seu poder avassalador alimentado pela justa indignação dos brasileiros com a corrupção, a Lava Jato atropelou o Supremo e a prisão em segunda instância passou a ser obrigatória.

Se o Supremo quiser mudar seu entendimento poderá fazê-lo mesmo que se insinue que só mudou para beneficiar Lula. Nada de melhor foi inventado até aqui para substituir o Supremo. A única coisa que o ele não poderia fazer, não deveria fazer é votar para atender às pressões de quem quer que seja – das ruas, de um general com ou sem tropas, ou dos idiotas das redes sociais.

Por Ricardo Noblat

Alguém acha mesmo que uma quartelada no Brasil teria a chance de prosperar? Antes que o primeiro general de pijama ou de uniforme fizesse um pronunciamento à nação, o Brasil seria transformado em pária internacional. E aí, então, alguns vetustos senhores, que acham que podem tutelar a democracia, iriam conhecer o que é convulsão social.

O HOSPÍCIO DA EXTREMA DIREITA

Recém saída do armário, a nova direita brasileira levou sua cara à vitrine, fez isso em um evento importado dos estados unidos, a Conferência de Ação Política Conservadora (CAPC).

Aconteceu em São Paulo por iniciativa do filho 03 do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, tudo patrocinado com verbas públicas extraídas do bolso dos brasileiros de todas as ideologias pelo PSL, um partido cuja contabilidade Jair Bolsonaro considera suspeita e exige que passe por uma auditoria externa.

A coisa saiu por algo como R$ 800 mil reais, muito caro. Mas não foi de todo inútil. Serviu para comprovar que a direita bolsonarista não é conservadora, ela é atrasada, arcaica, demode. Até bem pouco ninguém era de direita no Brasil, todo mundo era progressista ou de esquerda. Ser de centro era, também, uma qualificação bem aceita. Já a direita, hmmm. Era mais fácil encontrar alguém a serviço do capeta do que vinculado abertamente a agenda da direita.

Depois que Lula e o PT mostraram que a imoralidade não tem ideologia, ficou entendido que na política não importa a tendência, todos os gatunos são pardos. E a direita sentiu-se à vontade para sair do armário. Surfou no antipetismo e levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Isso foi muito bom para dar um pouco mais de nitidez à política brasileira.

No encontro de São Paulo, Eduardo Bolsonaro espinafrou a imprensa, idolatrou Donald Trump, enalteceu a ditadura militar e ecoou uma máxima do guru Olavo de carvalho. Olavo diz: “o poder da ação individual é enorme desde que você tenha a cara de pau de agir”, ensinou o filho 03.

Os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Damares Alves (Família e Direitos Humanos), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Abraham Weintraub compareceram e discursaram.

Ernesto questionou a ciência do clima e tornou a dizer que o fascismo é de esquerda, veja você. Ele lecionou: “totalitarismo é o oposto de conservadorismo, todos os totalitarismos são, portanto, de esquerda, e isso inclui o fascismo italiano”.

Damares falou menos como ministra dos direitos humanos e mais como pastora. Ela arrancou aplausos desde a primeira frase: “Estou aqui há 24 horas”, disse ela para uma plateia de mais de mil pessoas, “e ninguém me ofereceu um cigarro de maconha, e nenhuma menina enfiou um crucifixo na vagina”, disse a ministra.

O Brasil merecia uma direita um pouco mais qualificada. Que tivesse ojeriza em encostar um encontro internacional no caixa de um partido como o PSL, dedicado ao ramo cítrico dos laranjais, gente que tivesse ícones mais qualificados do que Olavo de Carvalho, e palestrantes que não negassem a história e a ciência e nem ofendessem a inteligência alheia.

O que se viu no encontro de São Paulo não foi a defesa de uma plataforma conservadora. O encontro proporcionou a plateia um conjunto de manifestações inarticuladas, proferidas por palestrantes que escoraram o discurso não no conservadorismo, mas no arcaísmo. É uma pena.

Por Josias de Souza

Nos Estados Unidos, o CAPC reúne o que há mais de mais reacionário na sociedade americana; por aqui, ganhou tintas explícitas de discurso fascistóide, porém misturadas ao velho e nativo patrimonialismo.

Os despropósitos foram se sucedendo até, creio, o que parece ter sido a culminância da estupidez. Discursando por último, Weintraub comparou Fernando Henrique Cardoso à AIDS. O ex-presidente teria enfraquecido as defesas do organismo brasileiro, permitindo, segundo o ministro da Educação, a chegada de Lula, que seria a doença oportunista. O discurso é de uma delinquência assombrosa mesmo para quem espera qualquer coisa de um professor universitário que já deu reiteradas mostras de ser semianalfabeto na língua pátria e um analfabeto pleno em moral, ética e decoro.

Eduardo demonstrou mais uma vez seu preparo intelectual. Referindo-se ao atraso de um palestrante, resolveu dar uma satisfação à plateia com estas palavras: "Ninguém vai tocar fogo no prédio, né? Não vai ter mulher mostrando sovaco cabeludo, defecando e vomitando no chão e falando que é arte. E ninguém vai dizer que quem não gosta é fascista e racista".

Obviamente, não havia um único conservador por lá. Nas democracias, conservadores são aqueles que respeitam o molde institucional e fazem propostas de mudanças dentro desse arcabouço. Não são, de nenhum modo, disruptivos; não querem romper a ordem para impor a sua pauta. Aquela gente que estava lá, a começar do anfitrião, quer outra coisa.

Por Reinaldo Azevedo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

14/10/2019

Uma publicação compartilhada por Josias de Souza (@blogdojosias) em

O jornalista Reinaldo Azevedo foi um dos alvos de Eduardo Bolsonaro durante o evento. Respondeu duramente.

HOSPÍCIO DO PSL

Há diversas modalidades de maluco no mundo. Jair Bolsonaro é do tipo que não aguenta viver em situação de normalidade por muito tempo. Ele costuma se recolher a um mundo de pesadelos. Ao dar uma de maluco com o seu próprio partido, Bolsonaro transformou o PSL num pesadelo do qual será difícil acordar. PSL agora significa Partido do Sanatório de Loucos.

Bolsonaro comprou briga com um profissional do ramo partidário. Luciano Bivar, o chefão do partido, administra o PSL como um cartório. Em reação à investida de Bolsonaro, Bivar transformou a legenda momentaneamente num sanatório para tratar de Bolsonaro e do seu grupo. O presidente da República foi submetido a uma imobilização muito parecida com uma camisa de força. E o grupo de Bolsonaro recebe tratamento de choque.

A direção do sanatório tomou três providências. Numa, suspendeu cinco deputados leais ao presidente, impedindo que voltem a assinar listas para colocar o Zero Três Eduardo Bolsonaro na liderança do partido na Câmara. Noutra, empurraram para dentro do diretório nacional 52 novos membros, transformando a maioria pró-Bivar numa muralha que Bolsonaro terá dificuldade de transpor se quiser tomar o controle da legenda. Num terceiro movimento, o PSL decidiu se equipar para afastar os filhos de Bolsonaro —Eduardo e Flávio—do comando da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Bolsonaro e seu grupo analisam a hipótese de recorrer à Justiça. Afora o caminho judicial, restaram outras duas alternativas ao presidente: negociar uma composição com os malucos rivais ou trocar de partido -o que no Brasil significa apenas trocar de problema. Por ora, a briga continua. Estão todos de olho na chave do cofre, porque maluco partidário não rasga dinheiro. Um lado acusa o outro de desonestidades constrangedoras. A plateia já não consegue distinguir quem é quem.

Por Josias de Souza

A ala bolsonarista do PSL está enaltecendo o deputado Daniel Silveira, que gravou escondido a reunião dos parlamentares da legenda aliados de Luciano Bivar. Carla Zambelli (PSL-SP) e Filipe Barros (PSL-PR) enaltecerem a “ousadia” de Silveira ao assinar a lista pela manutenção de Delegado Waldir na liderança da sigla na Câmara, entrar na reunião, gravar e divulgar o deputado xingando Jair Bolsonaro.

Para quem não reconhece, Silveira é o deputado que apareceu ao lado do governador do Rio, Wilson Witzel, destruindo uma placa em homenagem a Marielle Franco durante a campanha eleitoral. Em seu até agora curto mandato, colecionou polêmicas. Na última semana, tentou entrar no Colégio D.Pedro II no Rio e acabou enxotado pelos estudantes.  Foi também um dos deputados escorraçados pelo “guru” Olavo de Carvalho por integrar a comitiva da legenda que viajou para China logo no início do ano.

Leia os principais trechos do áudio.

1. “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa porra. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, diz o Delegado Waldir.

2. “Cuidado com isso, Waldir”, pontua um deputado. Outro diz: “Calma”.

3. “Os meninos chegaram lá e o presidente disse: ‘Assina se não é meu inimigo.’”, diz uma deputada. Em seguida, o deputado Luiz Lima (PSL-RJ) responde: “Eu não consegui não assinar”.

4. “A gente foi tratado igual cachorro desde que ele venceu as eleições, nunca atendeu a gente porra nenhuma”, diz outro deputado.

5. “Nunca fui tão assediado quanto agora. Nunca o Palácio ligou tanto para mim. Olha, Flávio Bolsonaro… Fiquei importante da noite para o dia. Nada como um dia após o outro”, diz um deputado.

6. “Eu estou tentando segurar essa porra porque eu não quero que aconteça. Se a bancada passar o recado que não está com o partido, eles vão fazer a fusão e vão liberar todo mundo aqui sem levar fundo, sem levar porra nenhuma. E o Democratas vai ficar com o dinheiro de todos vocês aqui”, diz Felipe Franceschini (PSL-PR).

7. “Não tem chance de dar certo com o Palácio porque eles não combinam o jogo com ninguém”, emenda Franceschini.

Entre os melhores momentos do espetáculo proporcionados pelo clã Bolsonaro e pelo PSL está a bombástica mensagem do ex-líder do partido na Câmara, o deputado Delegado Waldir (PSL-GO). “Eu vou implodir o presidente. Não tem conversa, eu implodo ele”, disse o parlamentar em uma reunião interna do partido. No áudio do encontro, o deputado refere-se ao presidente Jair Bolsonaro como “vagabundo”. “Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo (presidente Bolsonaro). Eu andei no sol 246 cidades gritando o nome desse vagabundo”, diz. Os demais participantes da reunião tentam acalmar o deputado. Ouça o trecho no áudio a partir do minutos 2:40.

Outro momento épico foi quando Joice Hasselmann, ex-líder do governo no Congresso “comemorou” nas redes sua própria queda. “Passei esse tempo todo servindo ao governo de forma leal. Inclusive deixando de cuidar do meu mandato para gerir crises e apagar incêndios, tive que engolir sapo para defender coisas com que eu não concordo”, disse em entrevista para Folha. Joice foi retirada do cargo após assinar uma carta pela permanência do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança da legenda na Câmara. A deputada classificou a tentativa de colocar Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no cargo como “uma loucura”. “Ele [Eduardo] é desagregador. Mas quando o governo quer dar tiro no pé, fazer o quê?”

Quem observa de longe já tem dificuldades para distinguir sujos de mal lavados. Mesmo sem conseguir diferenciar uns dos outros, é preciso estimular a separação e a responsabilização criminal de cínicos e hipócritas. Sob pena de a plateia concluir que, se não está todo mundo meio doido, o país é que está inteiramente fora de si.

Relator do Orçamento, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) foi extremamente sincero ao definir como está o clima no Congresso desde o início da guerra do PSL, especialmente por conta do aparecimento de gravações das reuniões privadas dos parlamentares. “Depois do ocorrido aqui, ninguém confia mais em ninguém. Imaginem quando começarem a usar isso como chantagem em coisas pessoais. Inadmissível”, escreveu Domingos nas suas redes sociais

VERÃO PASSADO

A agora ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, apresentou o mais recente “presente” que recebeu do que ela tem chamado de “milícias digitais”: uma montagem de uma nota falsa de R$ 3 com o rosto dela. “Olha só mais um ‘presentinho’ da milícia digital para mim. Anota aí: não tenho medo da milícia, nem de robôs”, disse Joice. Quem divulgo a imagem foi Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro que nas últimas horas subiu o tom contra a deputada. “E não se esqueçam que eu sei quem vocês são e o que fizeram no verão passado”, complementou Joice.

“Candidatíssima” à Prefeitura de São Paulo, Joice Hasselmann (PSL-SP) confirmou a existência de robôs e milícias digitais nas redes sociais de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. “Eles têm uma milícia virtual e todo mundo sabe disso. São pessoas interligadas em todo Brasil, algumas recebendo para isso e outras não. Muitos robôs. Já sabia e não estou nem aí para isso. Eles têm uma milícia de ataque que não se sustenta. Por exemplo, eu tenho pouco mais de seis milhões de seguidores, mas tenho alcance muito maior que o dos Bolsonaros. Porque eu não tenho robô, não tenho milícia, meu alcance é orgânico, não é aquela milícia maluquinha, Bolsonaros e aliados. Por isso há cinco anos ganho prêmio de pessoa mais influente no ambiente digital”, ostentou ela em entrevista ao UOL.

O BOBO E O MENINO

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) compartilhou uma mensagem no Twitter na qual classifica como "bobo da corte" o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP). "Este senhor diz absurdos sobre o trabalho que exerço de forma esgotante. És um bobo da corte!", disse o segundo filho do presidente Jair Bolsonaro.

A crítica foi uma resposta a declaração de Major Olímpio de que os filhos do presidente Jair Bolsonaro "agem como príncipes" em alusão a crise deflagrada entre o presidente da República e o PSL. O senador Major Olímpio respondeu ao vereador carioca e disse que pode ser "bobo", mas que o país não é "uma corte".

Deu início então a um bate-boca no Twitter no qual Carlos repetiu a ofensa de "bobo da corte" ao líder do PSL no Senado. Em nova resposta, Olímpio disse para Carlos focar no trabalho de vereador do Rio de Janeiro e que a ausência do segundo filho de Jair Bolsonaro no debate político nacional "fará muito bem ao Brasil".

Carlos comparou o senador com "uma cadela no cio" durante a campanha eleitoral de 2018 e o acusou de trair o apoio ao então candidato a governador Márcio França (PSB-SP) e conversar com o vencedor das eleições, governador João Doria (PSDB-SP), contra a vontade do presidente Bolsonaro.

Olímpio negou e disse ser a "maior oposição" a Doria:

HOSPÍCIO OLAVISTA

Olavo de Carvalho e seus seguidores nas redes sociais também voltaram a flertar abertamente com teses golpistas como a ideia de reedição do AI-5, o fechamento do Supremo e do Congresso e uma suposta união entre presidente, povo e Forças Armadas para apoiar Jair Bolsonaro. A estridência coincide com a revelação, pela revista Crusoé, de um esquema com base no Palácio do Planalto para, usando blogs e youtubers aliados, destruir reputações de adversários e até de ministros. Diante de requerimentos para convocação do assessor especial da Presidência Filipe Martins, citado na reportagem, pela CPMI das Fake News, ele, que é discípulo do ideólogo e do marqueteiro norte-americano Steve Bannon convocou, via Twitter: “Vamos pro pau!” (veja a nota abaixo). Em seguida, Olavo e representantes dos chamados “blogueiros de crachá” começaram a publicar os posts que pregam abertamente teses golpistas. “Só uma coisa pode salvar o Brasil: a união indissolúvel de povo, presidente e Forças Armadas”, escreveu Olavo. Allan dos Santos, do site Terça Livre, disse que não é Bolsonaro que quer um novo AI-5, e sim o povo, “e ai de Bolsonaro caso tente parar o povo”. “Não há um brasileiro que aceitará caso a decisão do STF seja soltar criminosos em massa”, escreveu em seu perfil no Twitter.

Discípulo do polemista Olavo de Carvalho e assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Filipe Martins fez uma inusitada convocação à infantaria bolsonarista nas redes sociais: "Vamos pro pau!", escreveu no Twitter. Ao lado do vereador carioca Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, Filipe é o mais aguerrido membro da tropa de Jair Bolsonaro na internet. Filipe bafeja na internet o ar envenenado que respira no Planalto. O súdito de Olavo despacha em gabinete assentado no mesmo andar que o de Bolsonaro. Tornou-se um colecionador de desafetos, sobretudo entre os militares. O auxiliar de Bolsonaro desfruta de liberdade para virar a maçaneta da porta que leva ao presidente. Distribui conselhos amiúde. Nenhum problema, exceto pelo fato de que seus aconselhamentos são frequentemente acatados.

FAKES, OLAVISTAS E BOLSONARISTAS

Os desafetos Eduardo Bolsonaro (SP) e Major Olímpio (SP) estão eriçadíssimos diante da CPMI das fake news, a mesma que também fez o assessor especial da Presidência, Filipe Martins, reagir com fúria est semana (leia acima). Os ataques começaram quando o senador reforçou sua defesa pela CPMI. O deputado devolveu com uma provocação sobre o suplente do Major envolvido em suspeita de negociar energia excedente da usina de Itaipu com o governo paraguaio. Segundo o Major, “quem tem medo de CPI é quem deve”, escreveu ele no Twitter em relação ao colegiado após a oposição pedir a convocação de Martins para falar de atuação de milícia digital nas eleições de 2018.

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, saiu em defesa do assessor especial da Presidência, Filipe Martins. Um dos mais influentes olavistas no Planalto, Martins foi convocado para depor na CPMI das Fake News que acontece no Congresso. “Martins é um homem de fé e dedicação sem par, que se coloca inteiro, com seu talento e capacidade admiráveis, na luta pelo que é bom e justo, pelo futuro da pátria, sempre com fidelidade total ao presidente Bolsonaro e aos seus ideais”, disse, encerrando com a tradicional saudação “Deus Vult”, utilizada por Martins em outros carnavais.

Joice Hasselmann também atacou duramente o assessor especial da Presidência, Filipe Martins, que é acusado de liderar a máquina de fake news bolsonarista. Após comentar com um “El macho man…macho, macho man” a publicação em que Martins diz que a manobra para colocar Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na liderança do PSL foi uma “escolha” e não um “eco” – “A choice, not an echo”, tuitou ele em inglês -, Joice fez novo tuíte acusando o assessor de ser “frouxo”.

“Respeito os “viados” assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudos canetas e ficam mandando indiretas como se fosse “machos” não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”, tuitou Joice.

Douglas Garcia, deputado estadul pelo PSL em São Paulo, rebateu a publicação, dizendo que Joice teve “mais de um milhão de votos para ser fiscal da vida íntima dos outros” e recebeu o troco da deputada. “Sentiu o baque, mona?”, tuitou Joice.

EDUARDO LGBT-Q

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou uma mensagem nas redes sociais na qual afirma que o seu pai, o presidente da República, Jair Bolsonaro, ressignificou a sigla LGBT (Lésbicas Gays Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

De acordo com o deputado eleito pelo PSL de São Paulo a ideia partiu de uma "equatoriana que mora na Argentina", que o presenteou com uma camisa com o trocadilho.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) gravou um vídeo no qual o colega de bancada na Câmara diz que o "conceito de LGBT foi atualizado com sucesso".

Eduardo afirmou ainda que o presidente Jair Bolsonaro "não se curva ao gayzismo". A mensagem veio acompanhada de um vídeo do pai chegando à missa em São Paulo em comemoração ao dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, celebrado todo dia 12 de outubro.

As redes sociais, obviamente, não perdoaram.

GASTAR BEM FAZ BEM

Quando o Brasil entrou em recessão econômica em 2014, o remédio adotado pela presidente Dilma Rousseff foi o ajuste fiscal. Quando Michel Temer chegou ao poder, enveredou pelo mesmo caminho, aprovando em 2016 a mais radical das medidas: a emenda constitucional 95, que congelou os gastos públicos por 20 longos anos. Não é segredo para ninguém que, na economia, existe uma divisão entre analistas que acreditam que é preciso cortar mesmo tudo, inclusive despesas sociais, e outros que apostam que o gasto público pode reaquecer a economia e que é preciso manter, num momento de desemprego, despesas que significam muito para quem é mais vulnerável. Na sexta, essa discussão avançou mais um pouco. Depois de analisar dados sobre mortalidade coletados em quase todos os municípios brasileiros, pesquisadores chegaram à conclusão que as despesas com saúde e proteção social protegem a população durante períodos de crise. E, portanto, devem ser mantidas.

O estudo publicado na Lancet (e recomendado pelo editor do periódico científico) vasculhou dados de 5565 cidades. Constatou que, entre 2012 e 2017, foram registradas pouco mais do que sete milhões de mortes entre adultos – e que houve um aumento médio de 8% na taxa de mortalidade no período. Os pesquisadores identificaram que o aumento do desemprego em 1% estava associado ao aumento nas mortes ocorridas por todas as causas, mas especialmente devido a doenças cardiovasculares e câncer. Além disso, quem mais sofreu foram negros e pardos, além da população em idade ativa (na faixa entre 30 e 59 anos). Dá para verificar isso olhando para a fração da população que cuja mortalidade ficou estável nesse período: adolescentes brancas e aposentados. Mas eis que essa alta também não aconteceu nos municípios que apresentaram altos gastos em programas de saúde e proteção social. “A recessão econômica pode piorar a saúde em países de baixa e média renda, com mercados de trabalho precários e sistemas de proteção social fracos”, escreveram os pesquisadores, destacando: “A recessão brasileira contribuiu para o aumento da mortalidade. No entanto, os gastos com saúde e proteção social pareciam mitigar os efeitos prejudiciais à saúde, especialmente entre populações vulneráveis. Essa evidência fornece suporte para sistemas de saúde e proteção social mais fortes globalmente.”

O GOVERNO TINHA RAZÃO

Quem nos lê sabe que não concordamos com a maior parte das ações e ideias do governo Jair Bolsonaro. Mas jornalista tem que ser amigo da controvérsia e não pode brigar com fatos concretos. Isso significa que quando o governo acerta, a gente precisa reconhecer. De acordo com quem entende do assunto (e ao contrário do que demos a entender), o presidente fez a coisa certa ao vetar integralmente o projeto de lei de autoria da deputada Renata Abreu (PTN-RN) que propunha que os serviços de saúde informassem a polícia quando suspeitassem que agressões às mulheres atendidas fossem resultado de violência – sem a necessidade de, antes disso, receber autorização das vítimas.  Por que isso é um problema?

A Rede Feministade Ginecologistas e Obstetras já havia respondido a essa pergunta em nota publicada 19 de setembro: a notificação compulsória da violência sexual contra a mulher às autoridades pode diminuir as chances de as mulheres revelarem a situação de violência ao profissional de saúde, diz o texto. E mais: pode fazer com que as mulheres pensem duas vezes antes de procurarem atendimento.

Bruna de Lara, repórter do Intercept Brasil especializada no debate de gênero, chama atenção para o fato de parlamentares da oposição sinalizarem que pretendem tentar derrubar o veto de Bolsonaro ao PL: “Ao ler os pronunciamentos da oposição sobre o tema, só conseguia visualizar uma cena. Eu e milhares de outras mulheres sendo forçadas, após um inocente atendimento médico, a encarar nossos agressores num tribunal e, por isso, precisar conviver com eles por anos. E a repetir a completos desconhecidos os detalhes mais dolorosos de nossas histórias e vê-las abertas à discussão – tudo por um processo penal que nunca quisemos.” 

Acompanhando pelas redes sociais, já dá para ver que o assunto está gerando um racha na esquerda: quem milita há muito tempo no movimento feminista concordando com o veto, quem não tem tanta ligação assim com esse debate criticando o veto e estendendo as críticas às próprias feministas. O cerne do argumento foi bem resumido por Bruna: “Veja, a saída de um relacionamento abusivo é o momento de maior risco à vida de uma mulher em situação de violência. Tanto o rompimento quanto uma possível denúncia criminal precisam ser planejados com cuidado e, preferencialmente, com a ajuda de profissionais de órgãos como o Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher e os Centros Especializados de Atendimento à Mulher. Vou ser clara: uma vítima que não teve tempo para refletir sobre a denúncia – e, portanto, sobre as medidas que precisa tomar para se proteger quando a investigação chegar aos ouvidos de seu agressor – é uma mulher em risco de vida. Fazer uma denúncia sem autorização ou sequer conhecimento da vítima não a protege. É, na verdade, a forma mais fácil de colocá-la em perigo iminente.”

CAIXA LADRONA

A favor da revisão do monopólio da Caixa na gestão do FGTS, o presidente da Caixa, Rodrigo Maia, foi mais longe nesta madrugada de segunda, 14. Afirmou ao SBT que R$ 7 bilhões do lucro anual do banco são “roubados” do trabalhador por meio da taxa de administração do fundo. Para ele, caso essa taxa não seja reduzida, o governo deveria rever esse monopólio da Caixa. Ele também se colocou contrário ao uso que o banco faz do FGTS para subsidiar programas sociais como o Minha Casa Minha Vida. De acordo com dados do banco, o saldo do FGTS em 2017 era de R$ 379,2 bilhões.

CADA UM POR SI

Fernando Haddad sinalizou que o PT não deve ir sozinho para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Ao Estadão, logo depois de ato realizado na Avenida Paulista neste domingo, o candidato derrotado nas eleições presidenciais sinalizou estar cético sobre uma união de toda esquerda, mas disse querer alianças. “Não tem hipótese de ser cada um por si em 2020, mas cada cidade é uma situação diferente. São Paulo é uma cidade à parte. Tem um peso muito simbólico para o PT, que já governou a capital três vezes”, disse.

ESTADO LAICO?

Esta intensa a relação do governo de Jair Bolsonaro com a Igreja Católica. Aliados do presidente e membros do clero tem trocado sopapos verbais e beijos. A relação já não estava das melhores por causa do Sínodo da Amazônia, evento que foi atacado por bolsonaristas durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), organizada por Eduardo Bolsonaro. De Aparecida, durante missa em homenagem a padroeira, o bispo Dom Orlando Brandes contra-atacou, falando do “dragão do tradicionalismo” e classificando a direita como “violenta e injusta”.

A ministra Damares Alves, que professa a fé evangélica, respondeu durante o CPAC: “Uma liderança disse hoje que é para ter cuidado com o dragão do conservadorismo. Devem estar preocupados com nós, porque somos terrivelmente cristãos”.

Enquanto isso, em Roma, o vice-presidente Hamilton Mourão demonstrou postura mais amistosa com a Igreja. Representando o governo brasileiro na ausência de Bolsonaro por ocasião da canonização de Irmã Dulce, Mourão esteve com o papa neste domingo e ouviu até mesmo uma brincadeira sobre a velha rivalidade entre Brasil e Argentina. “Cumprimentando o Santo Padre, dele recebi uma pergunta difícil: quem é o melhor, Pelé ou Maradona? Saí-me diplomaticamente: os dois!”. De volta para Aparecida, Dom Brandes abrandou a homilia na presença do presidente da República. Bolsonaro, por sua vez, foi recebido entre aplausos e vaias pelos católicos presentes na basílica.

A METRALHA DO CIRO

O ex-governador do Ceará e candidato à Presidência em 2018, Ciro Gomes, não economizou críticas aos seus adversários e desavenças políticas em uma entrevista concedida ao portal Uol e Folha de S. Paulo. Disse que Lula “só faz política 24 horas”, que Luciano Huck é um “estagiário na Presidência” e palpitou que Bolsonaro não deve terminar seu mandato. Mas o alvo principal de Ciro foi o ministro Sérgio Moro, qual o pedetista o chamou de “politiqueiro”, “ambicioso” e “corrupto”, e julgou vergonhosa a conduta do então juiz nas condenações da Lava Jato. ”É uma mancha grave no poder judiciário brasileiro, além de ser muito despreparado.”

PRETA LIVRE

Após 108 dias de prisão política, a ativista pelo direito à moradia, Preta Ferreira, fala em liberdade. Preta teve Habeas Corpus concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

FLAVINHO NO STF

O presidente Jair Bolsonaro recebeu o aviso de um ministro do Supremo Tribunal Federal de que, ali, já há maioria de votos para confirmar a decisão de Dias Toffoli de suspender os inquéritos abertos com base em informações fiscais compartilhadas com o Ministério Público sem prévia autorização judicial. Isso significa: os inquéritos alcançados pela decisão terão que recomeçar do zero – entre eles, o que apurava as suspeitas de que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) se apropriara de parte do salário dos funcionários do seu gabinete à época em que era deputado estadual, e Fabrício Queiroz, seu assessor. Ainda não há data marcada para que a decisão de Toffoli, avalizada depois pelo ministro Gilmar Mendes, seja submetida ao crivo do plenário do tribunal.

AI, QUE BOM

Ah, agora estou mais tranquilo. Descobri que o ministro Sergio Moro, da Justiça, não pretende cometer suicídio, não vai sair por aí carregando uma pistola, como Rodrigo Janot disse ter feito, nem pretende propor luta armada. Melhor assim. O ex-juiz afirmou sobre o resultado de julgamento no Supremo, que começou no dia 17, que vai decidir sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado: "Qualquer decisão do Supremo que for tomada vai ser evidentemente respeitada. A minha avaliação é que essa possibilidade de execução em segunda instância, essa é uma posição pública minha, foi um avanço institucional importante do próprio Supremo Tribunal Federal". Ufa! Que bom! Pergunta: será que o ministro poderia, por exemplo, dizer o contrário?

Por Reinaldo Azevedo

MAIS SINAIS

Segundo o presidente do Ipea, Carlos von Doellinger, que é bem próximo de Paulo Guedes, o chamado “pacto federativo” vem aí. Em entrevista ao Valor, ele disse que a projeção do governo é que ao “desvincular, desindexar e desobrigar” receitas carimbadas (algumas para o SUS, outras para a educação…) se abra um espaço para ampliação de investimentos na ordem dos R$ 20 bilhões, chegando a R$ 39 bi por ano. A receita contempla ainda congelar salários do funcionalismo público federal, não repor servidores que vão se aposentar, dentre outras medidas ‘impopulares’ nas palavras do próprio von Doellinger.

LULA NA MÍDIA PORTUGUESA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu pela primeira vez uma entrevista a um veículo de comunicação de Portugal. Durante a conversa com o jornalista Ricardo Dentinho, da emissora de TV aberta RTP, em horário nobre (21h, em Lisboa), Lula reafirmou seu objetivo no momento. “Estou aqui tentando mostrar para o Brasil e o mundo como os novos golpes se dão na América Latina no século 21. Diferente do século passado, você utiliza o Judiciário e as instituições públicas para poder condenar uma pessoa. Estou tentando contar minha versão sobre as mentiras contadas sobre o Lula.”

EDUCAÇÃO DOENÇA TERMINAL

O PSDB escreveu um comentário no Twitter no qual classifica o ministro da Educação, Abraham Weintraub, como "doença terminal da Educação no Brasil". A mensagem foi uma resposta a um xingamento que Weintraub fez ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no último dia 12. O ministro comparou o tucano à Aids durante discurso na CPAC Brasil. O chefe da pasta da Educação também relacionou as ideias defendida pela professora da Universidade de São Paulo (USP), Marilena Chauí, ao "discurso do Terceiro Reich" nazista.

O mundo vive uma época em que conhecimento se traduz em poder. Ciência, pesquisa e tecnologia tornaram-se forças produtivas, capazes de reinserir o homem no cenário econômico, social e político. Com base nessa visão, a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chaui, uma das principais referências do pensamento progressista no país, lança suas críticas ao governo Bolsonaro, pelo recorte de seus ataques à educação.

“Mas o que está sendo feito pelo Weintraub?”, pergunta indignada a professora, referindo-se ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Ele está devastando a educação brasileira, devastando a pesquisa e, portanto, ele está nos tirando da sociedade do conhecimento. Ele nos fará, portanto, apenas servidores daquilo que os criadores de conhecimento farão na metrópole. E nós somos a periferia da periferia.”

DESCONTINGENCIAMENTO E VERGONHA ALHEIA

O Ministério da Educação realocou recursos para destravar R$ 1,1 bilhão às universidades federais. Segundo o ministro da pasta, Abraham Weintraub, o valor corresponde a todo o orçamento que havia sido congelado das instituições de ensino superior. No entanto, no orçamento total do MEC para todos os níveis de ensino, R$ 2,86 bilhões seguem bloqueados. Pelo twitter, Weintraub comemorou o novo desbloqueio anunciado no estilo “comédia pastelão”.

FOTO CABALÍSTICA

A foto de Gabriela Biló, feita durante a cerimônia de hasteamento da bandeira, no último dia 15, mostra Jair Bolsonaro (PSL) com sua imortalizada imagem de arma nas mãos apontada para a cabeça do ministro da Justiça, Sergio Moro, sob risos de seu colega da Economia, Paulo Guedes. De forma metafórica, a imagem mostra um Moro rendido às ordens de Bolsonaro, a quem teria antecipado as informações sobre a operação da PF contra o presidente da sigla que levou o capitão ao poder. Em 2011, o mesmo Estadão divulgou em sua edição impressa uma foto da então presidenta Dilma Rousseff (PT) levemente arqueada com a espada de um cadete parecendo trespassar seu corpo. Abaixo da foto, o título “Honras Militares” – e um texto anódino, sobre a participação de Dilma numa cerimônia militar.

DORIA BRABO

O governador João Doria (PSDB) perdeu as estribeiras ao ser alvo de protesto de manifestantes bolsonaristas com caixa de som e cartazes hostis à sua gestão durante evento em Taubaté (SP), no último dia 15. “Vai pra casa, vagabundo. Vai comer sua mortadela com a sua mãe, seu sem-vergonha”, disse o tucano. O tucano creditou ao desafeto Major Olímpio os insultos. “Vai cobrar do Major Olímpio os seus duzentinho para vir aqui falar bobagem no microfone”, disparou.

Após soltar o verbo, pediu desculpas.

FROTA, PABLLO, DAMARES E GLENN

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) disse que a cantora Pabllo Vittar “faria muito melhor” que a ministra Damares Alves à frente da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. “Não tenha vergonha de ser brasileira e sim de ter o Bolsonaro como presidente. Entre na luta para tirá-lo”, direcionou Frota à artista.

Em entrevista à revista Time, Pabllo criticou o governo Bolsonaro e disse que ele afeta o “direito das pessoas”. “Às vezes, sinto muita vergonha de ser brasileira por causa desse presidente. As pessoas estão morrendo. As pessoas estão tendo suas casas e direitos retirados”, disse.

Alexandre Frota (PSDB-SP) e David Miranda (PSOL-RJ) posaram juntos para uma foto na Câmara dos Deputados com o objetivo de desmentir notícias falsas que apontavam que Frota estaria formando um triângulo amoroso com o jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept Brasil, e esposo de David. “Para o Glenn com carinho […] Jornalista mente mas a gente não”, publicou Frota em seu Twitter, gerando um frisson nas redes. A publicação, que tinha como objetivo desmentir uma fake news virou sensação do momento. “Amo Brasil mesmo”, respondeu Glenn. Mais cedo, o jornalista havia comentado a notícia falsa e disse que chegou a rir. “O esgoto do Fake News do movimento Bolsonaro é uma doença grave e tóxica para o Brasil – me acredite, eu sei como é destrutivo – mas confesso que, nesse caso, ri muito”, tuitou.

ABISMOS

O índice de Gini, que mede a desigualdade nos países, cresceu no Brasil em 2018. Não só isso: é o maior da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua. O rendimento da elite econômica hoje é nada menos que 33,8 vezes maior do que o dos 50% da população de menor rendimento – são R$ 27.744 contra R$ 820. No ano passado, o rendimento médio dessa elite, o 1% mais rico do país, cresceu 8,4%, enquanto o dos 5% mais pobres caiu 3,2%. Estes últimos vivem, hoje, com em média R$ 158 por mês. 

A única região onde a desigualdade não piorou foi o Nordeste, porque os mais ricos tiveram perdas. Mesmo assim, ainda é lá que estão os piores números de concentração de renda.

E diminuiu o número de pessoas que recebem o Bolsa Família. Eram 15,9% dos domicílios em 2012; depois 14,9% em 2014; e, no ano passado, 13,7%.

CRIMINALIZAR PRA VALER

O deputado federal Charlles Evangelista, do PLS-MG, propôs um projeto de lei em que tipifica como crime “qualquer estilo musical que contenha expressões pejorativas ou ofensivas nos casos trazidos por esta lei”. De acordo com ele, é pela saúde mental das famílias. O deputado escreve, na justificativa: “O mal-estar se deve ao conteúdo explícito das letras, que abordam temas de cunho sexual e, por vezes, fazem apologia a crimes. Desse modo, a criminalização de estilos musicais nesse sentido seria uma forma de garantir a saúde mental das famílias e principalmente das crianças e adolescentes que ainda não têm o discernimento necessário para diferenciar o real do imaginário”. 

FUNAI CONTRA OS ÍNDIOS

Instituição que envolve dois campos de batalha do governo, cultura e a causa indígena, o Museu do Índio da Fundação Nacional do Índio (Funai) teve seu diretor afastado nesta semana. À frente da instituição havia 24 anos, o antropólogo José Carlos Levinho foi trocado por Giovani Souza Filho, que ocupava a diretoria de promoção do desenvolvimento sustentável da fundação desde março deste ano, conforme portaria do Diário Oficial da União. “A Funai está sendo transformada numa agência contra índios”, declarou Levinho. Ele avaliou que o governo está exonerando servidores de perfil técnico e especializado na área. “Estão sendo substituídos por pessoas que têm em seu currículo alguma prestação de serviço a segmentos contrários aos índios”.

SANEAMENTO EM PAUTA

A falta de saneamento básico custou R$ 1 bilhão ao SUS nos últimos cinco anos. Segundo o Ministério da Saúde, há pelo menos 27 doenças comprovadamente ligadas ao problema, que levam a um gasto anual de cerca de R$ 217 milhões. Só em 2018, foram registradas 487 mil internações e 533 mil procedimentos ambulatoriais relacionados às doenças. Entram na lista enfermidades causadas pela ingestão de água e alimentos contaminados, como esquistossomose e amebíase, mas também outras ligadas às condições de moradia, abastecimento de água e pobreza, como a dengue. Como foi feita em 2010, seria necessário atualizar a relação para incluir outras arboviroses que se tornaram um problema por aqui: zika e chicungunha. 

Os dados fazem parte da série de reportagens da Folha sobre saneamento, que está sendo publicada desde a semana passada. O esforço do jornal acontece em um momento-chave para o saneamento: há um projeto de lei que muda completamente o marco legal do setor, tirando poder dos municípios – que segundo a Constituição, são os responsáveis (ou titulares) desses serviços – e abrindo para o setor privado esse grande mercado. O saneamento básico, que envolve além de distribuição de água e coleta de esgoto também manejo do lixo e drenagem das águas, é uma bandeira antiga da saúde pública. A relação entre condições de vida e doenças, conhecida. Nesse momento, não dá para olhar para os números sem debater o PL 3.261, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tramita cercado de disputas e polêmicas

FHC, HUCK E BOLSONARO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso demonstrou, em entrevista ao Estadão, certo ceticismo quanto a uma candidatura de Luciano Huck, ideia à qual foi simpático em 2018. “Sou amigo do Luciano, etc. Agora, preciso ver se ele vai deixar de ser celebridade para ser líder. Celebridade é uma coisa importante, tem acesso ao povo, mas líder é outra coisa. Se ele fizer esse passo, ele tem chance. Às vezes pessoas são eleitas sem ter essa qualidade, chegam ao governo e não governam. Ou governam com dificuldade”, afirmou.

À Folha, ele disse que, mesmo com retrocessos e solavancos, as instituições estão funcionando e que não necessariamente o país vai piorar porque Jair Bolsonaro é de direita e “seu grupo de referência é atrasado, reacionário, antiquado em muita coisa”. FHC defende que a democracia precisa ser permanentemente “cuidada”.

Em todas as entrevistas ele defende a Lava Jato, dizendo que as condenações se basearam em “fatos”, e não em conluio entre juiz e procuradores, e defende que se puna pontualmente eventuais abusos. Sobre Lula, conta que atuou como uma espécie de “goleiro” para garantir perante a comunidade fina

CHAPEIRO

A crise no PSL fez mais uma vítima: a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. De acordo com informações do Estadão, a possibilidade está suspensa e a crise na sigla virou uma espécie de “saída honrosa” da frustrada empreitada. Eduardo não teria conseguido votos suficientes para a aprovação em sua peregrinação pelo Senado. Resta então colocar o “03” para brigar pelos espólios do partido e consequentemente ser o sucessor político de seu pai.

Os senadores acompanham entre perplexos e divertidos a guerra de listas no PSL da Câmara, vendo o filho do presidente da República, embaixador informal e candidato nunca efetivado a embaixador em Washington ser derrotado na bancada, mesmo com o pai como cabo eleitor explícito. “Se não serve para líder de bancada, vai servir para principal embaixador do País? Se nem diplomacia interna sabe praticar, como vai representar os interesses do Brasil?”, questionou um senador antes disposto a chancelar a escolha de Eduardo Bolsonaro, pois entendia que seria grave o Senado impor essa derrota ao presidente.

No que depender de Jair Bolsonaro, estará nas mãos de Eduardo Bolsonaro qual cargo que ele terá: se será indicado como embaixador ou se brigará para ser líder do PSL no lugar do deputado Delegado Waldir. “Meu filho é maior de idade. Ele decide o futuro dele”, disse, ao ser questionado em qual posição preferia ver o “03” ocupando. Na verdade, é capaz de Eduardo não ficar com nenhuma das duas posições. Delegado Waldir tem maioria entre a bancada do PSL na Câmara para continuar na liderança. Já a indicação para a embaixada, apesar da peregrinação de Eduardo pelos gabinetes dos senadores, a avaliação é que ele não conseguiu os votos suficientes para ser aprovado ao cargo.

AVIÃO DESGOVERNADO

Desde que saiu do governo, Gustavo Bebianno tem sido um crítico eloquente das escolhas políticas de Jair Bolsonaro e da radicalização do grupo mais próximo do presidente. Diante da escalada da crise que ameaça implodir o PSL, partido para o qual ajudou a conduzir a ida de Bolsonaro e seus aliados e que presidiu durante a campanha, Bebianno compara o Brasil a um avião desgovernado. “Imagine que você comprou uma passagem de classe executiva e está no Boeing, no ar, quando o piloto começa a se estapear com o co-piloto, a aeromoça começa a passar mal, o piloto pega o sistema de som do avião para dizer que o dono da companhia aérea é um ladrão. Assim é o Brasil. Como o Paulo Guedes vai convencer alguém a investir no País assim?”, questiona.

Por Vera Magalhães

TEMER FALA À BBC

Em entrevista à BBC, o ex-presidente Michel Temer falou do governo Bolsonaro, de Golpe, do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot  e outras questões.

MEA CULPA

No meio de toda a confusão no PSL, um dos principais mistérios do governo de Jair Bolsonaro foi resolvido: o “02” Carlos Bolsonaro, confirmou que não apenas tem acesso à conta de seu pai nas redes sociais, mas que sai escrevendo sem necessariamente ter o carimbo do presidente da República. Carlos teve que se desculpar em sua própria página no Twitter após ter publicado na perfil de seu pai uma mensagem sobre o julgamento do mérito da prisão após condenação em segunda instância. Ao longo do ano, uma série de tuítes provocativos, com o estilo de Carlos, suscitaram dúvidas sobre quem tinha acesso ao perfil do presidente. Um deles foi o polêmico tuíte sobre um ato obsceno durante um bloco de carnaval neste ano.

LULA NO UOL

TRANSPARÊNCIA SEM PERGUNTAS

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, não quis saber de responder perguntas de jornalistas logo após discursar para investidores prometendo “transparência” do banco de fomento. Montezano se irritou com as perguntas sobre a substituição de André Laloni, exonerado na última quinta-feira, 17, pelo Conselho de Administração da diretoria de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto. “Precisamos ser abertos e, se você quer ser aberto, você tem que ser transparente. Temos de tratar a transparência como cultura, não como obrigação, o banco deve querer ser transparente”, disse, 30 minutos antes de se recusar a responder aos questionamentos dos jornalistas, segundo o Estadão.

MAIS DO QUE SIMBÓLICO

Fotografias na página do Batalhão de Ações Especiais da PM de São José do Rio Preto (SP) no Facebook mostram policiais em treino, atirando no seguinte alvo: um muro formado por tapumes e com a palavra “FAVELA” escrita num deles, em letras garrafais. 

A MOZARELLA E OS ESTADOS UNIDOS NA ANTIGUIDADE

"Os Estados Unidos e a Itália estão ligados por uma herança cultural e política há milhares de anos, na Roma Antiga." As palavras de Donald Trump durante o encontro com o presidente da República Italiana Sergio Mattarella na Casa Branca foram alvos de galhofa nas redes sociais.

A Roma antiga se estende por um período histórico muito longo, entre 743 aC. e 476 d.C., mas não “conviveu” com os Estados Unidos, que não foram fundados até 1776, treze séculos após a queda de Roma, diante do avanço dos “bárbaros”. A coisa mais perturbadora sobre o deslize é que, minutos antes, Trump havia encoberto a figura do navegador genovês Cristóvão Colombo que, como (quase) todo mundo sabe, descobriu o Novo Mundo em 1492.

O deslize histórico do presidente Trump serviu de desculpa para um tsunami de piadas e brincadeiras às custas do presidente: “O rosto da tradutora italiana da Casa Branca quando ele chamou o presidente italiano de“ Mozzarella ”e lhe disse que os EUA . e a Itália são aliadas desde a Roma antiga ”, brincou um tweeter sobre o rosto estupefato da tradutora.

Na realidade, Trump não chamou Mattarella de “Mozzarella” (mas poderia ter acontecido) e o tradutor nem estava presente na cena de flashback da Roma antiga. A coleção de rostos perplexos de mulheres vem desse outro momento embaraçoso, no qual Trump repete várias vezes "quem quer ver o servidor".

 


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