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Quinta-Feira 21.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Mato Grosso do Sul

Justiça autoriza transferência de Jamil Name e mais três para o Presídio Federal do Rio Grande do Norte

Os suspeitos já haviam sido levados para o Presídio Federal de Campo Grande após determinação da Justiça

Postado em 15 de Outubro de 2019 - G1

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A Justiça autorizou a transferência de investigados na operação Omertá para o Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A decisão do Tribunal Regional Federal da 5º Região autorizou que Jamil Name, Jamil Name Filho, o policial Márcio Cavalcanti e o policial civil aposentado Vladenilson Olmedo sejam transferidos.

Os empresários Jamil Name e o filho, Jamil Name Filho, são suspeitos de chefiarem um grupo criminoso do jogo do bicho responsável pela execução de desafetos em Mato Grosso do Sul.

No último dia 12 os suspeitos foram levados para o Presídio Federal de Campo Grande depois de uma determinação da Justiça com base em um pedido da Polícia Civil e do Gaeco. Eles estariam planejando um atentado contra um dos delegados responsáveis pela investigação.

A transferência para Mossoró leva em conta a mesma suspeita. De acordo com a decisão da Justiça, os presos devem ficar por 70 dias em regime emergencial e após entrega de toda documentação podem permanecer por até doze meses no Regime Disciplinar Diferenciado.

Suspeitas graves

Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-MS, a organização criminosa é responsável por encomendar pelo menos três execuções em Campo Grande.

A milícia, de acordo com a investigação, é suspeita de ter executado pelo menos três pessoas em Campo Grande desde junho do ano passado. Outras mortes também estão sendo investigadas.

Na representação, os promotores do Gaeco detalham que os três homicídios têm as mesmas características: foram cometidos por várias pessoas, usando mais de um veículo e com armas de grosso calibre, no caso, fuzis.

Com base nas investigações e em depoimentos, o Gaeco aponta que uma das execuções que teria sido cometida pela milícia seria a de Ilson de Figueiredo, de 62 anos, que era chefe de segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Ele foi assassinado no dia 11 de junho de 2018, na avenida Guaicurus, no Jardim Itamaracá. Seu carro foi perseguido e ele foi morto a tiros por suspeitos que estavam em outro carro.

Conforme o Gaeco, Figueiredo foi morto porque teria tido participação no homicídio do filho de uma pessoa muito próxima aos dois homens que são apontados como os líderes da milícia, Jamil Name e seu filho, Jamil Name Filho.

Em uma conta na nuvem da internet, de um dos suspeitos presos na operação, a polícia encontrou, inclusive, 26 fotografias da execução de Figueiredo.

Outra execução que teria sido cometida pela milícia, conforme a representação do Gaeco à Justiça, foi a de Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018Ele foi segurança do narcotraficante Jorge Rafaat, executado em junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil.

Fernandes, que teria ligação com Figueiredo, foi morto no Jardim Autonomista, bairro nobre de Campo Grande, quando estava caminhando em direção ao seu carro. Os tiros atingiram principalmente a sua cabeça. Na carteira da vítima foi encontrado um cheque no valor de R$ 240 mil e ainda R$ 1,2 mil em dinheiro.

A terceira morte que teria sido cometida pela milícia, segundo o Gaeco, foi a do estudante Matheus Xavier, de 19 anos. Ele foi morto no dia 9 de abril deste ano, no bairro Jardim Bela Vista, quando manobrava a caminhonete do pai, o capitão aposentado da PM, Paulo Roberto Xavier.

A investigação aponta que Jamil Name, acreditava que Paulo Roberto Xavier tinha se aliado a um advogado, com quem ele tinha tido um desacordo em negociação de fazendas que pertenceram ao reverendo Moon localizadas em Jardim e em Campo Grande.

Por conta do revés nos negócios, Jamil Name, conforme o relatório da polícia, teria dado ordem para matar o advogado, a esposa dele e seu filho, além do ex-policial militar.

A dupla foi denunciada pelo MP-MS por posse e porte ilegal de armas. Para os investigadores eles seriam os donos do arsenal encontrado na casa dos Name no Jardim Monte Líbano. No dia da apreensão o ex-guarda municipal Marcelo Rios foi preso no local. Ele e outros suspeitos vinham sendo monitorados pelo Gaeco.

Quando a operação foi deflagrada, 23 mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Marcelo Ivo. Quatro pessoas, além de Marcelo Rios já estavam presas.

Um segurança e dois ex-guardas municipais teriam ameaçado de morte a esposa de Marcelo Rios para que ela não fosse à polícia.

A mulher chegou a procurar o Gaeco em nome do marido para fazer uma colaboração premiada e alcançar o benefício do programa de proteção à testemunhas.

Segundo a investigação, o advogado de Marcelo Rios, Alexandre Franzoloso impediu o cliente de seguir com o procedimento para proteger Jamil Name e Jamil Name Filho. Ele chegou a ter a prisão decretada, mas conseguiu um habeas corpus. No entanto, é uma das 12 pessoas que foram denunciadas pelo Gaeco por obstrução de Justiça.


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