Semana On

Sábado 19.out.2019

Ano VIII - Nº 368

Poder

A pior direita

Bolsonaro quer ser Piñera, mas é um Hugo Chávez de sinal trocado

Postado em 04 de Outubro de 2019 - Lucas Berti - The Intercept_Brasil

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Governos liberais de direita estão na moda na América Latina. Mesmo com a onda conservadora, Jair Bolsonaro ocupa uma posição singular. O fator de espanto é o radicalismo do governo Bolsonaro, único polo de extrema direita da região desde o final do ciclo de ditaduras militares, na década de 1980.

Após os anos de domínio da esquerda durante a “onda rosa” da virada do milênio, que chegou como alternativa ao neoliberalismo dos anos 1990, a região virou o volante radicalmente. Hoje, do cone sul à América do Norte, com exceção do recém-chegado López Obrador no México, a maioria dos governos se encaixa no espaço que ocupa o novo PSDB – bem mais para João Doria do que para Fernando Henrique Cardoso. No entanto, o partido do atual presidente, o PSL, não tem nada dessa centro-direita, que até virou exemplo de moderação no Brasil diante dos meses de barbárie em 2019.

O nível baixo de política praticado por Bolsonaro fez até o autoritário e desprestigiado presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, trazer uma análise pertinente. Em uma rara entrevista a um veículo brasileiro, o líder chavista, acostumado a refutar fatos e críticas, disse à Folha de S.Paulo, que seu desafeto brasileiro é um “extremista ideológico”.

Maduro não compareceu à posse de Bolsonaro em janeiro, a pedido da própria cúpula de governo. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chegou a dizer que o chavista não havia sido convidado para a cerimônia “em respeito ao povo venezuelano”, mas acabou desmentido pelo próprio Itamaraty e pela chancelaria em Caracas. O Ministério confirmou que, na realidade, os convites existiram, mas foram retirados a pedido da nova equipe.

Só mesmo o radicalismo de Bolsonaro seria classificado como extremista por um político que é justamente guiado por uma pauta ideológica agressiva, ainda que com sinal trocado. Maduro disse ainda que seu equivalente brasileiro não é um político “com ‘p’ maiúsculo”. Em uma gestão com discurso falocêntrico, a declaração pode até acabar sendo entendida pelo governo de outra forma.

Bolsonaro não está sozinho em contar com o rechaço de Maduro e, à primeira vista, talvez pudesse parecer que ele seguiria o script da vizinhança: um longevo governo de esquerda perde credibilidade e se vê envolvido em acusações de corrupção; a economia desaba; a população se entorpece de indignação; e um projeto desconhecido de oposição começa a se anunciar como antídoto. Bolsonaro e suas pitorescas figuras-satélite surfaram nessa mesma onda, com uma diferença crucial: cruzaram a linha do absurdo antes mesmo de tomar posse.

Neoliberal de pai e mãe, o presidente argentino Mauricio Macri foi o primeiro a fazer contato com o capitão recém-eleito. Logo em 16 de janeiro, três semanas depois da posse, o empresário milionário desembarcou em Brasília para falar do Mercosul (apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que o tema não seria prioridade), da Venezuela e das parcerias a serem feitas com os também liberais Chile, Colômbia, Equador, Peru e Paraguai.

Para o argentino, a ida ao Brasil também foi um pedido de ajuda. Vendo seu país com quase 50% de inflação acumulada, desemprego em alta e aumento da pobreza, Macri já começava a juntar os cacos para as eleições presidenciais de outubro. Mas a estratégia não resistiu à toxicidade de Bolsonaro. Mesmo com o triunfo da Argentina nas negociações que culminaram na primeira etapa de acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o presidente foi massacrado nas eleições primárias. Na Argentina, as primárias ocorrem meses antes do primeiro turno – que será em 27 de outubro – para eliminar chapas com menos de 1,5% nas intenções de votos. Em 2019, a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner somou 47% dos votos, frente a 33% da chapa de Macri.

Bolsonaro se sentiu intimidado pelo possível retorno da esquerda no país vizinho, estudando rever o acordo com o Mercosul. Na reta final de agosto, suas falas sepultaram o esforço do bloco. Desprezando a crise ambiental mais grave dos últimos anos, entrou em desavença com Emmanuel Macron. O mandatário francês, que já torcia o nariz para o acordo entre europeus e sul-americanos, afirmou que na “situação atual”, o pacto não sai.

Chavismo à brasileira

O embrião do bolsonarismo começou na esquerda. Durante a campanha – cheia de memes toscos, montagens chamativas e informações falsas –, era comum ver imagens dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff ao lado dos finados Hugo Chávez e Fidel Castro. As mensagens viralizaram nas redes sociais acompanhadas de textos conspiratórios com presságios de uma aliança globalista liderada pelo PT e o Foro de São Paulo.

As mentiras criavam uma falsa ideia de “unidade opositora”, facilitando o trabalho de desprestigiar, numa tacada só, tudo o que não fosse próximo do delírio bolsonarista. A partir desse ponto, tudo estava “à esquerda”. Os críticos, os dados, a ONU, a revista The Economist, o Papa, o jornalista Reinaldo Azevedo e até mesmo os preceitos liberais dos novos presidentes que Jair Bolsonaro viria a bajular.

Mas, ainda que jamais vá admitir, Bolsonaro é uma cópia desajeitada, liberalesca e à direita de uma figura de esquerda: Hugo Chávez. São militares, ex-paraquedistas, anti-imprensa, anticiência, autoritários, homofóbicos, misóginos, populistas, nacionalistas. Apresentaram-se como alternativas antissistema, são contra o multilateralismo, devotos de causas religiosas, pautados por conspirações, apelam a um “perigo estrangeiro”, invocam pautas ideológicas e referem-se aos EUA o tempo todo.

Hoje um dos alvos mais frequentes de críticas de Bolsonaro e de seus seguidores, o líder venezuelano já chegou a ser aplaudido pelo capitão reformado em uma entrevista em 1999 à Folha de S.Paulo. Ele afirmou que o bolivariano era “uma esperança para a América Latina”, comparando-o aos militares que governaram o Brasil de 1964 a 1985. Sem poupar elogios, o então deputado disse que, assim como o “admirável” Chávez, não era anticomunista. “Gostaria que essa filosofia [militarista] chegasse ao Brasil. Acho ele [Chávez] ímpar”.

Maduro, hoje o substituto sem carisma de Chávez, disse na reportagem divulgada na segunda-feira, 16 de setembro, que Bolsonaro “não conhece a história da América Latina nem da Venezuela”. Ao que parece, o capitão reformado parece dar razão aos líderes controversos através do tempo.

Na época de sua campanha à presidência, Bolsonaro já havia subvertido o discurso – não sem antes dizer que a antiga reportagem era mentirosa. Nem mesmo o que separava o bolsonarismo do discurso chavista, o “temor imperialista” durou. Com o que o governo chamou de “ataques” de lideranças europeias, o apelo à soberania brasileira foi muito usado, principalmente em redes sociais.

Com o argumento de que a Amazônia está sob ameaça e de que deve ser um assunto exclusivo do Brasil, houve até quem questionasse os dados da Nasa. Tudo em nome de blindar o governo e suas mentiras.

É fácil ver a hipocrisia. Os mesmos trolls – robóticos ou não – que desmerecem a ajuda da Europa pedindo em, caixa alta, que a Venezuela seja invadida. Arma no quintal dos outros é refresco.

Bolsonaro repete Chávez

Em 2009, a juíza venezuelana María Lourdes Afiuni foi detida minutos após conceder liberdade ao empresário Eligio Cedeño, em prisão preventiva há três anos por uma acusação de corrupção. A medida desagradou Chávez. No dia seguinte, ele falou ao público que deveriam prender Afiuni “por 30 anos” e que, segundo a filosofia de Simón Bolívar, “os que tomam um só centavo do tesouro público deveriam ser fuzilados e os juízes que não condenam esses casos, também”. A juíza ficou presa em regime fechado, sem qualquer julgamento, por quatro anos, e segue sendo alvos de processos.

Comentários favoráveis à detenção de quem julga como oposição também saíram da boca de Bolsonaro. Ao sugerir que o jornalista Glenn Greenwald poderia pegar “uma cana” no Brasil por conta das reportagens sobre a Lava Jato, o presidente brasileiro age como Chávez. É o que pensa o relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Edson Lanza.

Em entrevista à BBC News, o jurista afirmou que Bolsonaro abandona “rapidamente” a defesa da liberdade de imprensa quando incomodado. E tem sido assim desde os primeiros meses: se o governo não gosta, a culpa é do jornalista, cuja reputação nenhum membro do governo tem vergonha de tentar arruinar.

A luta contra a razão tampouco é pioneira. Chávez também atacou a educação, cercando universidades autônomas com o aparelhamento do acesso ao ensino e seu conteúdo. Já sob Maduro, quando a repressão se intensificou, a situação de luta pela liberdade de ensino e formação independente foi reunida em um relatório denso, publicado pela Coalizão de Cátedras e Centros de Direitos Humanos. Como consequência da crise que afeta o ensino e a ciência, a migração venezuelana, que já supera os 3 milhões, acarreta em uma fuga de cérebros.

Diferentemente de Chávez, que governou de 1999 a 2013, quando morreu vítima de um câncer, Bolsonaro e seu desastre têm menos de um ano de vida – tempo suficiente para que um ministro da Educação já tenha caído, o Enem tenha sido posto em xeque, o MEC esteja sob o comando de um tenente brigadeiro e tenhamos uma intensa fuga de cérebros para chamar de nossa. À la Chávez, Bolsonaro também interferiu em uma decisão democrática em âmbito acadêmico. Ignorando os resultados das consultas e votações internas, indicou reitores e interventores de sua preferência em pelo menos oito universidades e colégios federais.

O ativista da oposição venezuelana, Edgar Baptista, conta que os governos só são diferentes no plano econômico e nas bases eleitorais. Hoje vivendo em Santiago por conta da repressão em Caracas, Baptista diz que sobram semelhanças. “Nos dois governos, as alas ideológica e militar convivem, ainda que não se gostem. Os dois discursos atacam a corrupção, vendendo uma ideia de antipolítica. E os dois, por meio da política, buscam seus próprios privilégios.”

O líder social também cita o início parecido na política externa dos dois. “Bolsonaro anunciou a saída da Unasul e logo em seguida se juntou aos liberais de região para criar o Prosul. Lembra muito o que Chávez fez em 2006, quando saiu da Comunidade Andina de Nações, atacando o livre-comércio. Os dois têm dificuldade de trabalhar com o que já existe e de manter a institucionalidade”.

No caso de Hugo Chávez, toda a culpa recai sobre os Estados Unidos. Já para Bolsonaro, a culpa é da esquerda global. E assim o discurso vai.

Imagem do Brasil derrete

A relação da extrema direita brasileira com o resto do mundo não demorou a degringolar. A imagem do país no exterior, por sua vez, já está queda livre.

As desavenças do bolsonarismo além da fronteira foram precoces, com a equipe ainda em fase de transição. Em novembro de 2018, o então presidente eleito anunciou que transferiria a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, em um de seus primeiros acenos aos interesses evangélicos.

A reação foi imediata. “Um primeiro passo na direção errada”, respondeu à época o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, fortalecido pela repulsa de iranianos e palestinos. Após forte pressão dos países árabes contra a importação da carne brasileira, Bolsonaro, para variar, recuou, resumindo a polêmica a um escritório diplomático na capital reivindicada pelo Estado israelense e reconhecida pelo governo Trump.

Em termos globais, Bolsonaro alçou o Brasil ao vexame inédito. Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, no dia 24 de setembro, atacou o socialismo, Cuba, Fidel Castro, a esquerda brasileira, a Venezuela, Hugo Chávez e o comunismo – elementos que o bolsonarismo entende como uma grande mesma coisa.

Para tanto, mentiu pelo menos dez vezes, além de conseguir a façanha de criticar o cacique Raoni Metuktire e negar o desmatamento no Brasil justamente na conferência que teve meio ambiente e mudanças climáticas como tema. Adicione menções à Bíblia, afagos ao ministro Sérgio Moro, clichês conservadores sobre família tradicional, ataques à ideologia e homenagens à ditadura militar brasileira. Eis o resultado da extrema direita diante do mundo.

No âmbito regional, a maior economia da América Latina conseguiu perder um protagonismo óbvio. E nem foi para Argentina e México, as duas potências que completam o Top 3. Com a saída iminente de Macri e a agressiva crise argentina e com o México afundado em violência e obrigado a conter a crise migratória, restou à austeridade chilena ocupar o vácuo que Bolsonaro largou para agradar o radicalismo que o apoia.

Enquanto o líder brasileiro passou seus primeiros meses no poder brigando com dados do meio ambiente e refutando estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, o nada esquerdista Piñera aceitou sediar a 25ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A COP-25 foi recusada pelo governo brasileiro também durante a fase de transição. Para completar o momento do Chile na crista da onda que Brasil não surfa mais, o presidente francês, que convidou Piñera para ser o único líder latino na última reunião do G7, também confirmou que estará em Santiago em dezembro, para a COP.

As sandices do bolsonarismo na arena global vêm custando caro, e a conta também chega para a América do Sul. Por conta da postura do governo brasileiro diante dos incêndios na Amazônia, o Parlamento austríaco rejeitou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Por todas as razões, a França também não endossa o acordo. E, para que ele saia do papel, precisa ser aprovado de forma unânime por todos os membros do bloco.

O fiasco da política externa, na verdade, foi premonitório. O próprio presidente havia esnobado a integridade internacional ao dizer que o Brasil sairia da ONU em caso de triunfo do PSL. Bolsonaro foi eleito e segue na ONU. Já o mundo, segue à risca o roteiro de rechaçar a modelo nocivo cultivado em Brasília.

A falácia mais recente do bolsonarismo é a tentativa de renovar o mandato do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ignorando a situação das prisões, da violência policial, do ambiente ou da população LGBT. Apesar de dizer que o país deixaria a entidade, o que foi só mais uma tentativa de atiçar a torcida, a equipe de governo segue empenhada em não perder ainda mais protagonismo na ONU, enquanto esconde a verdade do mundo.

Chile abraça o progressismo

Ser de direita não te torna fã de uma ditadura sanguinária que matou mais de 3 mil pessoas, sumiu com corpos, censurou artistas, torturou mais de 40 mil e desviou fundos milionários para contas secretas. Ser bolsonarista devoto, sim.

Não é de hoje que o governo brasileiro exalta o general Augusto Pinochet, líder do golpe militar de 11 de setembro de 1973 que sacou do poder o presidente Salvador Allende. Na carona da retórica que repudia o comunismo, a proliferação de ditaduras na América Latina é aclamada pelo presidente brasileiro, que inclusive rememora o golpe de 1964 com louvor.

É impossível cravar que só “comunistas” condenam o passado pinochetista. Caso contrário, Bolsonaro e seus pares deveriam classificar dessa forma o presidente chileno Sebastián Piñera. Liberal, conservador, católico e de centro-direita, o mandatário votou contra Pinochet no plebiscito de 1988 que sepultou o governo militar e, ainda hoje, é abertamente contra a exaltação do ditador.

Piñera entende a importância de se aproximar do vizinho rico, mas sabe bem quem o governa hoje – o que ficou evidente em um vídeo onde o chileno, seu homólogo francês e a chanceler alemã Angela Merkel se indignam conjuntamente com o fato da política do Brasil ter descido tão fundo. Após o resultado das eleições de 2018, o multibilionário chileno mencionou as “condutas homofóbicas e pouco respeitosas em relação às mulheres” de Bolsonaro dizendo que não é algo com que concorda. As declarações de seu igual brasileiro são, para ele, “tremendamente infelizes”.

Mesmo à direita, Piñera e seus partidários caminham em direção ao progresso das liberdades civis. No Chile de Piñera, foi criada a Lei de Identidade de Gênero, que permite que jovens mudem o sexo indicado em seus documentos a partir dos 14 anos. No Brasil de Bolsonaro, o ataque à “ideologia de gênero” fez parte do discurso de posse. No Chile de Piñera, crimes cometidos pelo estado durante a ditadura não prescrevem. No Brasil de Bolsonaro, o mandatário insulta o presidente da OAB, debochando do desaparecimento de seu pai na ditadura. No Chile de Piñera, a laicidade do discurso político existe. No Brasil de Bolsonaro, o presidente diz querer indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF e afirma que o voto do país na ONU em relação aos direitos humanos segue a Bíblia.

Da Argentina ao Peru, as ditaduras militares foram deflagradas por políticos de extrema direita. Então, a sucessão foi de liberais moderados, alinhados com o receituário econômico ditado pela era democrata em Washington. Essa voltou a ser a realidade do continente nos últimos anos. Mas, dessa guinada liberal pra cá, nenhuma nação se aproximou da acidez do bolsonarismo. Enquanto o governo vocifera e se contradiz, os garranchos históricos são defendidos em uma verdadeira histeria coletiva. E não é só com o Chile que o contraste fica evidente. No Paraguai, o presidente Mario Abdo Benítez concorreu tentando se desassociar da imagem do pai, secretário particular e braço direito do ditador Alfredo Stroessner durante três décadas. Bolsonaro, ao cruzar a fronteira, chamou Stroessner, um pedófilo compulsivo que estuprava meninas todo mês, de “homem de visão” e “estadista”.

Chávez morreu há quase uma década. Maduro, cada vez mais isolado e já com sinais de fragmentação em sua alta cúpula, não deve durar muito. Já Bolsonaro, escorado pela legalidade eleitoral e sem ainda ter transfigurado os três poderes, tem caminho livre para manter, sabe-se lá até quando, um flerte com a repressão. Uma espécie de autoritarismo passivo-agressivo. Uma máquina diária de manchetes surreais que atiçam o mercado, minam a reputação brasileira lá fora e passam uma sensação de vertigem.


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