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Ano VIII - Nº 375

Mundo

Impeachment: Trump contra-ataca com acusações e ameaças aos democratas

Pelosi e Schiff defenderam as investigações em torno do processo de impeachment do presidente

Postado em 03 de Outubro de 2019 - Redação Semana On

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma ofensiva contra congressistas democratas depois que eles prometeram obrigar a Casa Branca a produzir documentos ligados ao processo de impeachment contra o líder americano.

Comitês na Câmara dos Representantes estão pedindo acesso a documentos sobre as tratativas do governo com a Ucrânia, relação que está no centro da investigação.

O presidente é acusado de desonestidade e traição à pátria por líderes democratas, que baseiam as acusações na ligação em que Trump pediu ao presidente ucraniano que investigue a família de Joe Biden, ex-vice-presidente democrata que pode enfrentar Trump na eleição presidencial em 2020.

A ligação ocorreu alguns dias depois de Trump ter ordenado o governo americano a reter cerca de US$ 391 milhões em ajuda militar à Ucrânia.

O que Trump disse sobre os democratas?

Durante uma entrevista conjunta com o presidente finlandês, Sauli Niinistö, Trump afirmou que Biden e o filho Hunter eram "corruptos com frieza".

Ele também voltou suas ofensas para o chefe do Comitê de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, afirmando que ele era "indigno de confiança", "escória" e que "deveria renunciar ao mandato por desonra". E acrescentou: "Sinceramente, eles deveriam investigá-lo por traição à pátria".

Trump também acusou, sem apresentar provas, Schiff de ter ajudado o informante a escrever a denúncia que levou à investigação na Câmara.

O republicano classificou o inquérito contra ele de "farsa" e "crime fraudulento contra o povo americano", ao mesmo tempo em que afirma que "sempre coopera" com o Congresso.

Durante a entrevista, Trump discutiu com o correspondente da agência de notícias Reuters, que perguntou o que o presidente americano queria que o colega ucraniano fizesse em relação a Biden e o filho.

Olhando para o líder finlandês, Trump disse haver "quem pense que sou um gênio muito estável" e que provavelmente abrirá "muitos processo judiciais" contra aqueles que participaram da investigação sobre o papel da Rússia nas eleições americanas de 2016.

Quando o mesmo repórter começa a pressioná-lo para responder a pergunta, da qual ele desviou na resposta anterior, Trump retruca dizendo que ele não deve ser "mal educado".

"Eu já respondi tudo. Isso é uma farsa. E sabe quem espalha isso? Pessoas como você e a 'mídia fake news' que temos nesse país. Digo diversas vezes que é uma mídia corrupta, porque vocês são corruptos. Não é apenas falsa, é corrupta. Mas há muita gente respeitável também."

Mais cedo, Trump acusou a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e seus correligionários de estarem focados em "merda".

Para o presidente americano, Pelosi deveria estar preocupada com sua própria cidade, San Francisco, descrita por ele como um local tomado por barracas de pessoas sem teto.

O que os democratas responderam?

Congressistas do Partido Democrata, que comanda a Câmara dos Representantes, têm acusado a Casa Branca de barrar investigações e se recusar a responder aos pedidos de informação, o que levou a ameaças de intimações formais nesta semana.

"Nas últimas semanas, os comitês tentaram diversas vezes obter de respostas voluntárias para nossos pedidos de documentos, mas a Casa Branca tem se recusado a colaborar — ou mesmo responder — aos comitês", afirmou Elijah Cummings, presidente de um comitê da Câmara.

A intimação da Câmara pedirá documentos ligados ao telefonema de Trump com o líder ucraniano e à atuação no caso do chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney.

Em entrevista conjunta, Pelosi e Schiff defenderam as investigações em torno do processo de impeachment do presidente.

"Não estamos de brincadeira aqui", afirmou Schiff. Ele criticou as declarações de Trump sobre o informante que apresentou a denúncia, as quais classificou de "esforço flagrante para intimidar testemunhas" e "incitamento à violência".

O congressista democrata rebateu a acusação do presidente e negou ter auxiliado o informante antes da denúncia.


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