Semana On

Sexta-Feira 06.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Campo Grande

Enquete da Semana On mostra que campo-grandenses preferem a democracia à um governo autoritário

No âmbito nacional, o percentual dos que consideram a democracia a melhor forma de governo é de 60%

Postado em 20 de Setembro de 2019 - Redação Semana On

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Uma enquete realizada pela revista Semana ON mostrou que 90% dos participantes consideram que um governo autoritário não é preferível a um governo democrático em quaisquer circunstâncias. A enquete, voltada aos leitores que moram em Campo Grande (MS), reuniu 51 votos entre os dias 14 e 19 de setembro.

O resultado é superior ao que mostrou o Barômetro das Américas (Lapop), pesquisa de opinião que avalia a percepção sobre o sistema democrático e as instituições políticas no continente americano. Em seu último levantamento, a pesquisa apontou que voltou a crescer o percentual dos que consideram a democracia a melhor forma de governo. Eram 52% em 2017, agora são 60%. 

Ainda assim, 58% dizem que não estão satisfeitos com o funcionamento do sistema democrático brasileiro. Apesar de expressivo, houve queda de 25% no percentual de insatisfeitos em relação a 2017.

Medidas autoritárias

Para 35% dos brasileiros, um golpe militar seria justificável em um cenário de muita corrupção. O apoio ao golpe cresce para 43% entre os que se consideram de direita e para 47% entre evangélicos. 

Ainda assim, a maioria dos brasileiros (65%) é contrária à tomada do poder pelos militares. Não houve variação em relação aos resultados 2017.

Também é expressivo, embora minoritário, o percentual de entrevistados que acham que o presidente pode dissolver o STF (Supremo Tribunal Federal) e governar sem o tribunal caso o país enfrente dificuldades: 38%. O número mais que dobrou desde 2012, quando 13% eram favoráveis à medida. Aqui a direita também se destaca, com 52% favoráveis à medida.

“O apoio à democracia continua alto, mas metade das pessoas que se dizem de direita tem vontade de fechar o STF. Existe uma metade mais radical que pode puxar o outro grupo”, diz George Avelino, pesquisador da FGV.

Ele ressalta, porém, que o descontentamento com a corte encontra eco em todos os segmentos ideológicos. “O que é mais preocupante é que há apoio nos três grupos, embora a direita se destaque mais. O STF não está conseguindo agradar ninguém”, afirma.

 Em 2018, o Supremo negou por mais de uma vez habeas corpus ao ex-presidente Lula (PT), em decisões que desagradaram parte da esquerda.

Por outro lado, a corte tem sido vista por grupos mais radicais de direita como conivente com a corrupção. No domingo (26), o STF foi um dos principais alvos das manifestações de rua pró-governo.

Segundo o Barômetro das Américas, 6 em cada 10 brasileiros não estão satisfeitos com o funcionamento da democracia no Brasil. O percentual registrado (58%), contudo, representa uma queda em relação ao aferido em 2017 (78%).

Para o cientista político Jairo Pimentel, do Centro de Economia e Política do Setor Público (Cepesp) da FGV, os resultados mostram que as eleições de 2018 trouxeram um pouco de otimismo na visão do brasileiro sobre as instituições democráticas. “O processo eleitoral depois de longa crise política deu uma arejada na nossa democracia”, diz.

Outro fenômeno observado na pesquisa é que, pela primeira vez, há uma grande diferenciação entre o que pensam direita e esquerda. Na última década, explica George Avelino, também do Cepesp, a opinião dos espectros ideológicos não apresentava grandes variações. Em 2019, as discordâncias ficaram bem visíveis.

Entre janeiro e março, o Barômetro entrevistou 1.498 brasileiros em cidades de todo o país. A pesquisa é coordenada pela Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, e é realizada desde 2006, em geral a cada dois anos.

No Brasil, o estudo teve parceria da Fundação Getulio Vargas (FGV) e a coleta das entrevistas foi feita pelo Ibope. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.


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