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Sexta-Feira 18.out.2019

Ano VIII - Nº 367

Poder

Carlos Bolsonaro será convocado, diz presidente da CPI das Fake News

Suspeito de ameaçar presidente da CPI é identificado

Postado em 20 de Setembro de 2019 - Edson Sardinha (Congresso em Foco) e Leonardo Lellis (Veja)

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Criada para apurar denúncias de utilização das redes sociais para difamar candidatos nas eleições presidenciais de 2018, a CPI das Fake News deve entrar em ebulição nas próximas semanas. O presidente da comissão parlamentar mista de inquérito, senador Angelo Coronel (PSD-BA), diz que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro, será convocado pela CPI. Ele acusa ainda o PSL de agir nos bastidores como “se tivesse culpa no cartório”.

“O presidente não cansa de dizer que o filho foi responsável por suas redes sociais. Como tem processo aberto no TSE das eleições de 2018, nada como o próprio Carlos vir para dizer se houve irregularidade”, disse o senador.

“Precisamos ouvir todos os atores das redes sociais que podem ter influenciado as eleições. Não é importa se é filho ou pai de alguém. A lei tem de ser para todos. Não vou pender para o governo nem para a oposição”, acrescentou. O senador avisa que mandará prender em flagrante delito por falso testemunho quem “faltar com a verdade” no colegiado.

Coronel afirma que Bolsonaro não pode ser alcançado diretamente pela CPI, mas pode sofrer os efeitos das conclusões da comissão se o Tribunal Superior Eleitoral constatar que houve irregularidades em sua campanha. A CPI já convocou representantes no Brasil do WhatsApp, do Facebook, do Instagram, do Google, do Youtube e do Twitter. As empresas terão de explicar, entre outras coisas, como foram feitos e quem pagou disparos maciços de conteúdo.

O presidente da CPI critica a tentativa de representantes do PSL, como o senador Flávio Bolsonaro (RJ), irmão de Carlos, e os deputados Filipe Barros (PR) e Caroline de Toni (SC) de adiar os trabalhos. No mês passado Filipe foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir as investigações. A comissão tem como relatora a senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

“Eles tiveram a postura de quem tem culpa no cartório, tentaram adiar o início das investigações, protelar, não votar requerimento. Não entendo o porquê. A CPI não tem rótulo para investigar A, B ou C. É para investigar o uso criminoso das redes sociais. Não sei por que temem”, critica.

Segundo Angelo Coronel, a CPI também vai avançar com propostas para aperfeiçoar a legislação sobre as redes. “Esta CPI não vai acabar em pizza. Precisamos legislar sobre o que fazem com nossos dados nas redes sociais. Vendem nossas informações sem nos pedir autorização. Eles sabem tudo da nossa vida privada.”

Engenheiro e empresário, Coronel exerce seu primeiro mandato federal desde fevereiro. O senador foi prefeito de Coração de Maria (BA), município de 30 mil habitantes, e deputado estadual por três legislaturas. Também presidiu a Assembleia Legislativa baiana. No Senado tem adotado postura de independência em relação ao governo. No estado é aliado do governador Rui Costa (PT).

Ameaças

A Polícia Legislativa identificou o autor de ameaças contra o senador Angelo Coronel. O suspeito foi localizado em Belo Horizonte, onde prestou depoimento. De acordo com a assessoria do parlamentar, o homem declarou ser um piloto civil e que está desempregado desde junho. O investigado admitiu ter enviado mensagens de seu e-mail pessoal e que criou outros quatro endereços diferentes. Ele também prometeu se retratar.

Após assumir a presidência da CPI, Coronel passou a receber, em seu e-mail funcional, mensagens anônimas que diziam que ele não sabia com quem estava “mexendo” e que prometiam “encher sua boca de chumbo”. Em pronunciamento no Plenário, o senador contou que o suspeito foi identificado a partir do IP do equipamento de onde partiram os ataques.

“Que sirva de lição para mostrar que quem usa o anonimato das redes sociais achando que não serão descobertos estão com os dias contados e que sirva de exemplo para que nenhum parlamentar, nenhum brasileiro sofra ameaças via perfis falsos”, declarou. “Insatisfação política não justifica ofender, injuriar e, muito menos, ameaçar alguém”, acrescentou.


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