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Sábado 14.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Poder

"A Suprema Corte precisa colocar o país nos eixos", defende Lula em nova entrevista

Moro e Dallagnol “cometeram crimes, são uma quadrilha organizada para pegar dinheiro da Petrobras e dinheiro dos acordos de leniência”, afirmou o ex-presidente

Postado em 20 de Setembro de 2019 - RBA

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A Suprema Corte precisa colocar o país nos eixos, defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao portal Fórum, gravada na quarta-feira (18), e veiculada na noite de quinta-feira (19).

Lula disse que espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça que o juiz de primeira instância e atual ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, “deitou e rolou”. Lula fez a afirmação referindo-se ao conluio entre o juiz e os procuradores do Ministério Público Federal, para acusá-lo no processo da Lava Jato que levou à sua prisão. Fez referência também ao recurso de sua defesa que o STF julgará em breve quanto à suspeição de Moro.

“Moro e Dallagnol ameaçaram a todos, mas agora é hora de colocar a casa em ordem e o PT foi o partido que mais criou mecanismos para operar contra a corrupção”, disse o ex-presidente, ao destacar também que as pessoas tenham o direito a um julgamento justo com direito de defesa, com provas, “pois se não há provas é preciso ser absolvido”. Eles, Moro e Dallagnol, disse Lula, “cometeram crimes, são uma quadrilha organizada para pegar dinheiro da Petrobras e dinheiro dos acordos de leniência”.

Lula também respondeu uma pergunta da Federação Única dos Petroleiros, apresentada pelo jornalista Renato Rovai, editor do portal Fórum, que conduziu a entrevista na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Os petroleiros queriam saber se os crimes do ministério público ameaçam a democracia. Lula disse que sim, e que “criaram uma mentira, que agora não tem como fugir. Eles não sabem como se livrar disso”, disse Lula, referindo-se também ao caso da Rede Globo que alardeou os feitos de Moro pelo país para prejudicar o PT.

E Lula também elogiou a atuação dos meios de comunicação alternativos. “A sociedade fica sabendo das coisas por causa de vocês, companheiros de imprensa, que fazem campanha pela soberania, pela defesa da Petrobras”.

Lula também respondeu pergunta do ex-deputado Jean Wyllys, que está vivendo no exterior, apresentada por Rovai. Jean Wyllys perguntou sobre a opinião do presidente quanto à frente ampla Direitos Já, que tem sido articulada no espaço da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Lula disse que em política não vale canalhice, nem hipocrisia e que pediu para Gleise Hoffmann, presidente do PT, ir na reunião, levar o Haddad, Mercadante, a Dilma, “porque a briga por direitos pressupõe discutirem o impeachment. Não dá o PT não vai aceitar isso, não dá com quem tirou direitos com quem fez o impeachment. As pessoas não podem abdicar que um petista grite Lula livre. Eu pedi para Gleise ir para fazer mesmo uma afronta, para perguntar de que direitos estamos falando. Impeachment e prisão do Lula não valem mais nada?”, questionou.

As críticas a Moro e Dallagnol percorreram toda a entrevista. Já no início o jornalista colocou a questão, sob a luz do Código Penal, cujo artigo 288 trata da organização criminosa. E os vazamentos do Intercept confirmam essa associação. “O senhor considera que Moro e Dallagnol são chefes de quadrilha?”, perguntou Rovai. “Eu resolvi vir para cá para provar que Sergio Moro é mentiroso, teve um comportamento canalha. E o Dallagnol é chefe de quadrilha. Nós estamos dizendo isso desde antes da Vaza Jato”, afirmou Lula.

“Eu sou uma pessoa democrática e por isso defendo que o Ministério Público seja forte. Ele é tão forte, tão importante, que quem trabalha para ele tem que ter muita responsabilidade. E o Poder Judiciário tem que ser neutro. Eles estão jogando no lixo essa seriedade”, defendeu o ex-presidente.


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